{"id":132731,"date":"2016-06-04T10:25:29","date_gmt":"2016-06-04T13:25:29","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=132731"},"modified":"2016-06-04T10:25:29","modified_gmt":"2016-06-04T13:25:29","slug":"estado-paralelo-do-trafico-no-rio-tem-codigos-proprios-para-estupro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/estado-paralelo-do-trafico-no-rio-tem-codigos-proprios-para-estupro\/","title":{"rendered":"Estado paralelo do tr\u00e1fico no Rio tem c\u00f3digos pr\u00f3prios para estupro"},"content":{"rendered":"<header>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<\/header>\n<figure class=\"horizontal\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/extra.globo.com\/incoming\/19441199-384-6a5\/w640h360-PROP\/ex-traficantes-falam-de-estupro.jpg\" alt=\"Ex-traficantes comentam rotina de favelas\" width=\"640\" height=\"360\" \/><figcaption><span class=\"credit\">Ex-traficantes comentam rotina de favelas Foto: Rafael Moraes<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"story\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"header\">\n<div class=\"credits info\"><span class=\"author\">Pedro Zuazo<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p align=\"center\"><em><strong>Nota: palavras chulas e palavr\u00f5es foram mantidos no texto, porque s\u00e3o termos que ajudam na compreens\u00e3o da mensagem.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Em \u00e1reas dominadas pelo tr\u00e1fico de drogas no Rio de Janeiro, o conceito de estupro \u00e9 diferente do descrito pelo C\u00f3digo Penal. Para investigar esse mundo paralelo, o EXTRA ouviu tr\u00eas ex-traficantes de comunidades dos complexos da Mar\u00e9 e do Alem\u00e3o. Um deles resumiu a vis\u00e3o do que aconteceu com a jovem X., num fim de semana, no Morro do Bar\u00e3o, na Zona Oeste: \u201cPela lei dos homens \u00e9 estupro. Pela lei do crime \u00e9 sacanagem\u201d.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o bandida encoberta o crime, justifica o criminoso e despreza a v\u00edtima, que \u00e9 nivelada ao patamar de quem comete o abuso. Nesta vis\u00e3o distorcida, n\u00e3o \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o entre abusada e abusador. \u201c\u00c9 puto com puta\u201d, resume um dos ex-traficantes.<\/p>\n<p>O caso de X. relevou que a vis\u00e3o dos bandidos \u00e9 absorvida pelas v\u00edtimas de viol\u00eancia, tanto que a jovem era estuprada desde os 12 anos e s\u00f3 se deu conta da viol\u00eancia com a divulga\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo.<\/p>\n<p><strong>Conceito de estupro<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cNa comunidade, estupro \u00e9 pegar a mulher \u00e0 for\u00e7a, sem consentimento. Esse tipo de coisa, nenhuma fac\u00e7\u00e3o admite. O tr\u00e1fico tamb\u00e9m tem sua \u00e9tica. Estupro d\u00e1 morte. Um cara pode at\u00e9 esculachar uma mulher se ela come\u00e7a a se envolver com outra fac\u00e7\u00e3o, mas, ainda assim, \u00e9 melhor matar do que estuprar. O fato de ser menor de idade n\u00e3o tem nada a ver. Na favela tem um monte de meninas com 13, 14 anos dando porque quer. Elas buscam putaria. Pela lei dos homens \u00e9 crime, mas para o tr\u00e1fico \u00e9 sacanagem\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>Sob efeito de drogas<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cDizem que foi estupro porque X. estava doidona, n\u00e3o estava em s\u00e3 consci\u00eancia. Se fosse assim, um cara que estivesse doid\u00e3o de crack e desse um tiro de algu\u00e9m poderia dizer que n\u00e3o estava consciente e n\u00e3o poderia ser punido\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>V\u00eddeo com v\u00edtima<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201c\u00c9 esculacho fazer aquele v\u00eddeo zoando a menina enquanto ela dorme, mas tem que pensar na orgia que aconteceu ali. Voc\u00ea t\u00e1 na sacanagem, tira uma foto, encosta o dedo l\u00e1&#8230; Para quem est\u00e1 de fora, eles deram mancada. Mas ali, na hora da sacanagem, \u00e9 puta com puto\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>Orgias na favela<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201c\u00c9 comum ter putaria na favela. E t\u00e1 cheio de menina de classe m\u00e9dia e alta que vai l\u00e1 para usar drogas e transar. \u00c9 um status estar perto do traficante. Tudo o que o pai pro\u00edbe, ela faz. Cheira, fuma, conhece um cara da boca e daqui a pouco est\u00e1 na casa dele. Essas v\u00e3o para usar drogas e se divertir. Mas tem tamb\u00e9m as que v\u00e3o para ganhar dinheiro, e saem com a bolsa cheia. \u00c9 orgia com 30, 40, 50 pessoas, e sempre regada de muito u\u00edsque\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>O abatedouro<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cToda favela tem um lugar assim. O da Bar\u00e3o estava at\u00e9 meio feio. Tem uns que t\u00eam su\u00edte com o teto espelhado, outros p\u00f5em at\u00e9 aquele poste de pole dance. Vai de acordo com o poder aquisitivo do patr\u00e3o. A\u00ed voc\u00ea est\u00e1 no baile com uma menina, pede a chave do lugar e vai para l\u00e1. Assim que um sai, entra outro. \u00c9 normal\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>As novinhas<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cSempre teve novinha, mas antigamente, nos anos 80 e 90, era muito menos. At\u00e9 porque o baile n\u00e3o era assim. Come\u00e7ava com charme e tinha aquele momento de m\u00fasica lenta para s\u00f3 depois tocar funk melody. Agora, \u00e9 putaria do come\u00e7o ao fim. Voc\u00ea v\u00ea uma m\u00e3e botando a filha de 5 anos para ouvir funk e achando gra\u00e7a de ver ela rebolando at\u00e9 o ch\u00e3o. Nos anos 80, n\u00e3o tinha menor no baile e nem na boca. Essa gera\u00e7\u00e3o nova de traficantes deixa isso rolar solto\u201d.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ex-traficantes comentam rotina de favelas Foto: Rafael Moraes Pedro Zuazo Nota: palavras chulas e palavr\u00f5es foram mantidos no texto, porque s\u00e3o termos que ajudam na compreens\u00e3o da mensagem. 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