{"id":134342,"date":"2016-06-13T07:02:33","date_gmt":"2016-06-13T10:02:33","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=134342"},"modified":"2016-06-13T07:02:33","modified_gmt":"2016-06-13T10:02:33","slug":"o-resgate-secreto-de-giocondo-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-resgate-secreto-de-giocondo-dias\/","title":{"rendered":"O resgate secreto de Giocondo Dias"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"bigtitle\" style=\"text-align: justify;\" data-section=\"BRASIL\"><\/h1>\n<div class=\"subtitle\" style=\"text-align: justify;\">Na \u00faltima parte de sua entrevista, Jos\u00e9 Salles explica como conseguiu retirar Giocondo Dias do pa\u00eds ap\u00f3s o cerco dos militares e conta detalhes de reuni\u00e3o hist\u00f3rica do Comit\u00ea Central do PCB<\/div>\n<div class=\"descript\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<em><strong>Opera Mundi publica, neste domingo, a \u00faltima parte de uma longa entrevista concedida, em janeiro de 2015, pelo militante do PCB Jos\u00e9 de Albuquerque Salles, para um projeto em andamento de um livro. Na primeira parte, <a href=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/samuel\/43900\/superestimamos+nossas+forcas+em+1964+diz+jose+salles+ex-integrante+do+comite+central+do+pcb.shtml\" target=\"_blank\">Salles falou sobre a conjuntura pol\u00edtica por volta de 1964<\/a>, quando Jango foi derrubado. Na segunda, <a href=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/reportagens\/43938\/dinarco+reis+dizia+que+o+partido+estava+para+ser+aniquilado.+e+tinha+razao+diz+dirigente+do+pcb+durante+ditadura.shtml\" target=\"_blank\">Salles comentou o processo de estrutura\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o durante o regime militar<\/a> e avaliou como disputas pol\u00edticas internas atrapalharam a organiza\u00e7\u00e3o do partido na resist\u00eancia contra a ditadura. Agora, ele conta como conseguiu retirar o militante Giocondo Dias do pa\u00eds. Al\u00e9m disso, Salles escreveu um artigo, que acompanha esta entrevista, chamado <a href=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/opiniao\/44411\/apontamentos+para+a+memoria+do+partidao.shtml\" target=\"_blank\">&#8220;Apontamentos para a mem\u00f3ria do Partid\u00e3o&#8221;<\/a>.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTenho uma carta aqui, para um amigo, um conterr\u00e2neo baiano\u201d, disse o homem, an\u00f4nimo, para o alfaiate. O encontro surpresa aconteceu em sua pequena loja , localizada em Madureira, no sub\u00farbio do Rio. Ele negou prontamente conhecer a pessoa procurada. Sem discutir ou apresentar outro argumento, o visitante desconhecido insistiu com eleg\u00e2ncia. \u201cTudo bem. Deixarei a carta aqui. N\u00e3o se aborre\u00e7a, n\u00e3o\u201d. E foi embora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquele ano de 1975, o Brasil vivia o per\u00edodo mais duro de repress\u00e3o contra o Partido Comunista Brasileiro (PCB), chamado \u00e0 \u00e9poca de Partid\u00e3o. Neste clima de terror iminente, de linha dura da ditadura, qualquer palavra dita da maneira errada pelo homem que carregava a carta poderia assustar o alfaiate e encerrar a conversa antes da hora. Sem liga\u00e7\u00e3o com nenhum partido ou envolvimento com pol\u00edtica, o alfaiate de Madureira n\u00e3o se arriscaria a receber dentro de casa o desconhecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Jos\u00e9 Salles:<\/em>\u00a0<em><a href=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/opiniao\/44411\/apontamentos+para+a+memoria+do+partidao.shtml\" target=\"_blank\">Apontamentos para a mem\u00f3ria do Partid\u00e3o<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria come\u00e7ara antes, na Fran\u00e7a, quando o o homem an\u00f4nimo recebeu as instru\u00e7\u00f5es de como proceder. \u201cEu pedi pra esse franc\u00eas &#8211; que eu esque\u00e7o o nome, sei que ele morava na Ilha de Saint Louis: \u2018Olhe, n\u00e3o diga claramente. Se voc\u00ea dizer claramente, o cara vai te mandar embora\u2019\u201d, conta Jos\u00e9 de Albuquerque Salles, integrante do Comit\u00ea Central do PCB, que escreveu a carta e sugeriu o modo de ela ser entregue em Madureira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A entrega do documento era parte do plano de resgate de Giocondo Dias, militante comunista desde os anos 1930 e uma das principais lideran\u00e7as do PCB \u00e0 \u00e9poca, que conseguira se refugiar no sub\u00farbio carioca, isolado dos demais companheiros. Ap\u00f3s a queda das gr\u00e1ficas e de quase todos os membros da Dire\u00e7\u00e3o no Brasil, o cerco militar se aproximava de Giocondo, e sua morte era um risco iminente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lwIYzJ9caUk\" width=\"960\" height=\"540\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fora do Brasil, Salles tentava localizar o amigo e companheiro de milit\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu me lembro que n\u00f3s tomamos a decis\u00e3o de peg\u00e1-lo. N\u00e3o foi decis\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o\u201d, explica Salles. \u201cEu tenho uma opini\u00e3o muito elogiosa sobre o Dias, sobre a capacidade pol\u00edtica dele. E \u00e9ramos\u00a0muito amigos. Pesou a valoriza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e eu disse: ent\u00e3o vou buscar!&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ex\u00edlio, onde dividia sua morada entre as cidades de Moscou e Paris, Salles planejava encontrar Dias no Brasil, convenc\u00ea-lo da fuga e, por meio de uma fronteira, retir\u00e1-lo. Para aumentar a seguran\u00e7a da a\u00e7\u00e3o, a opera\u00e7\u00e3o de resgate era secreta, sem participa\u00e7\u00e3o ou apoio estrutural do PCB. A ajuda veio apenas do Partido Comunista Sovi\u00e9tico que, al\u00e9m de fornecer recursos financeiros, mobilizou o Partido Comunista Argentino para apoiar a opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMinha ideia geral era localiz\u00e1-lo&#8221;, conta Salles. Como n\u00e3o sabia exatamente onde ele estava e qual era a seguran\u00e7a do apoio com que Dias contava, Salles planejou um recuo \u00a0recuo para outro lugar. N\u00e3o era poss\u00edvel contar com o partido no Brasil, e era preciso tir\u00e1-lo do Brasil, pela fronteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reprodu\u00e7\u00e3o\/YouTube<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/salles960.png\" alt=\"\" \/><br \/>\nSalles conseguiu retirar Giocondo Dias do pa\u00eds em meio \u00e0 ditadura militar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontrar o paradeiro de Giocondo no per\u00edodo de clandestinidade, no entanto, n\u00e3o era f\u00e1cil. Uma das estrat\u00e9gias para pesquisa, \u00e0 dist\u00e2ncia, era enviar mensageiros &#8220;civis&#8221;, sem participa\u00e7\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, com cartas endere\u00e7adas para pessoas-chave, com quem Dias mantinha amizade ou outro tipo de rela\u00e7\u00e3o.\u00a0 A ideia de procurar o alfaiate, que n\u00e3o tinha qualquer liga\u00e7\u00e3o com o PCB, veio de Arm\u00eanio Guedes, dirigente do Partido, que lembrou da amizade de Dias com o costureiro do sub\u00farbio carioca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO Arm\u00eanio, que era muito amigo dele [Giocondo Dias], me disse: \u2018olha, talvez ele esteja com o alfaiate em Madureira\u2019. Disse que era muito amigo dele e tal\u201d, conta Salles. \u201cEle [Giocondo Dias] teve a habilidade de saltar para algum tipo de recuo n\u00e3o vinculado \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. Tinha que ser artesanal, fora dos circuitos que podiam estar contaminados. Ele teve essa intelig\u00eancia\u201d, completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carta foi escrita pelo pr\u00f3prio Salles, com informa\u00e7\u00f5es que s\u00f3 poderiam ser reconhecidas por Dias, e deixada com o alfaiate em agosto de 1975. A resposta chegou em Paris, na Fran\u00e7a, em janeiro de 1976, por meio de uma caixa postal via caixa postal, m\u00e9todo que ampliava a seguran\u00e7a das trocas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carta-resposta chegou \u00e0s m\u00e3os de Salles, que estava em Moscou para uma reuni\u00e3o de c\u00fapula do PCB, por meio do hoje senador paulista Aloysio Nunes (PSDB-SP). Atualmente um dos principais quadros do campo conservador da pol\u00edtica brasileira, naquele momento Nunes era um militante comunista de absoluta confian\u00e7a dos l\u00edderes do partido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEle pegou um avi\u00e3o levando a carta para mim em Moscou, em janeiro de 76. Eu me lembro da Pra\u00e7a Vermelha, num frio danado. E o Aloysio com sapato de sola comum, brasileiro, morrendo de frio. Ele era muito engra\u00e7ado, muito espirituoso. T\u00e1 numa direita doida, n\u00e9? Mas \u00e9ramos muito amigos. Ele foi casado com uma prima minha. Chegamos a morar juntos em Paris\u201d, conta Salles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Localizado, Dias foi informado sobre as inten\u00e7\u00f5es de retir\u00e1-lo do pa\u00eds para garantia de sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a, e topou sair clandestinamente do Brasil. Por solicita\u00e7\u00e3o dos sovi\u00e9ticos, os comunistas argentinos estavam organizados para fazer todo o esfor\u00e7o necess\u00e1rio ao sucesso da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o discutiram, n\u00e3o sugeriram, n\u00e3o propuseram. Foram extremamente profissionais&#8221;, lembra Salles. &#8220;A\u00ed eu fui para l\u00e1, fiquei tr\u00eas meses. Fevereiro, Mar\u00e7o e Abril, quando os argentinos me deram um casal, que tamb\u00e9m n\u00e3o tinha milit\u00e2ncia pol\u00edtica, j\u00e1 de certa idade&#8221;. Esse casal teria a miss\u00e3o de pegar Dias no Rio de Janeiro e lev\u00e1-lo \u00e0 Argentina, que ia entrar em um carr\u00e3o e ir at\u00e9 o Rio, atrav\u00e9s da Zulma [Taveiros Guimar\u00e3es], irm\u00e3 do Albertinho [Alberto Passos Guimar\u00e3es Filho]\u201d, relata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Salles,\u00a0\u00a0praticamente todos que participaram no resgate o fizeram mesmo sem nunca terem visto Dias antes, apenas por amor \u00e0 causa, sem pedirem remunera\u00e7\u00e3o alguma pela participa\u00e7\u00e3o. O dinheiro enviado pelos sovi\u00e9ticos foi usado, entre outras opera\u00e7\u00f5es, para a compra de um Ford Falcon na Argentina. O casal foi ao Rio de Janeiro com o ve\u00edculo. Na capital fluminense, com apoio de Zulma, encontraram Dias que, com um documento argentino falso, conseguiu passar pela fronteira do Brasil no retorno do casal para solo portenho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEle chegou fraco, magrinho. Contente de ter sobrevivido, mas tenso, nervoso. Porque ele sabia que tinha responsabilidade nas quedas. E n\u00e3o sabia como a dire\u00e7\u00e3o ia tratar ele. Conversamos um pouco. Quando eu volto atr\u00e1s, me arrependo de n\u00e3o ter conversado mais, ter uma postura mais calorosa\u201d, lamenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da Argentina, Salles e Dias foram para Assun\u00e7\u00e3o, no Paraguai. De l\u00e1, pegaram um avi\u00e3o para Santa Cruz de La Sierra, na Bol\u00edvia. Em outro avi\u00e3o, foram para Quito, no Equador, onde passaram a noite. No dia seguinte, um avi\u00e3o da Air France os levou para a cidade de Genebra, na Sui\u00e7a, onde encontraram Arm\u00eanio Guedes e Zuleika Alambert, dirigentes comunistas que j\u00e1 estavam exilados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira rea\u00e7\u00e3o dos companheiros \u2013 os quais sequer sabiam do resgate \u2013\u00a0com o sucesso da opera\u00e7\u00e3o foi de alegria. Fora do pa\u00eds, Dias n\u00e3o corria mais risco de morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em reuni\u00e3o realizada em Moscou ap\u00f3s o resgate, influenciado por Lu\u00eds Carlos Prestes, o Comit\u00ea Central chegou a abordar a poss\u00edvel aplica\u00e7\u00e3o de uma puni\u00e7\u00e3o contra Dias por conta da queda da maior parte dos integrantes do Comit\u00ea Central. Alguns integrantes da c\u00fapula comunista responsabilizavam Dias pelo ocorrido. Salles se op\u00f4s. \u201cResolvi n\u00e3o apoiar isso&#8221;, lembra. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, um porcesso do g\u00eanero poderia acabar com Dias politicamente. &#8220;Seria injusto com ele.\u201d<\/p>\n<div class=\"img-vertical fl-l\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/giocondovert.jpg\" alt=\"Giocondo Dias, o Cabo Vermelho, foi uma das vozes contra a luta armada no Comit\u00ea Central do PCB (Foto: PCB.org)\" \/><\/p>\n<div class=\"img-vertical-descript\">Giocondo Dias, o Cabo Vermelho, foi uma das vozes contra a luta armada no Comit\u00ea Central do PCB (Foto: PCB.org)<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A decis\u00e3o de Salles tamb\u00e9m era uma estrat\u00e9gia de defesa pol\u00edtica. Al\u00e9m de n\u00e3o querer destruir seu amigo, ele avaliou que a eventual sa\u00edda de Dias do Comit\u00ea Central fortaleceria o grupo que se articulava em torno de Prestes. Para Salles, isso deixaria o Comit\u00ea Central &#8220;totalmente na m\u00e3o de Prestes e do grupo dele.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Caso Salles<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sucesso da opera\u00e7\u00e3o secreta para o resgate de Dias projetou o aumento da for\u00e7a pol\u00edtica de Salles dentro do Comit\u00ea Central. No final de 1978, foi eleito Coordenador da Comiss\u00e3o Executiva do Comit\u00ea Central do partido. Ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o, problemas de sa\u00fade e uma press\u00e3o arterial que chegou a 18&#215;16 o for\u00e7aram a tirar alguns dias de f\u00e9rias, com sua companheira, para descansar no M\u00e9xico, onde estavam instalados sua m\u00e3e e seu irm\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes disso, deixou, entre as orienta\u00e7\u00f5es aos partid\u00e1rios com quem trabalhava para que mantivessem contato com Vict\u00f3ria Monofi. Filha de um importante importador de gr\u00e3os argentino, a jovem era amiga de Marieta, noiva de Salles. Na \u00e9poca, ele pretendia articular, com o pai da mo\u00e7a, a exporta\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os da Argentina para pa\u00edses socialistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA Vict\u00f3ria chegou e pediu um dinheiro. O que eu poderia at\u00e9 emprestar. Ao lado disso, ela pediu um passaporte. Isso foi um absurdo. Ela n\u00e3o falou comigo e eu n\u00e3o pedi para ningu\u00e9m dar passaporte. Era um neg\u00f3cio extremamente restrito\u201d, conta Salles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As acusa\u00e7\u00f5es que reca\u00edram sobre a amiga da noiva de Salles eram de que a jovem argentina havia pedido dinheiro e um passaporte falso. Al\u00e9m disso, alguns l\u00edderes do PCB acreditavam na possibilidade de que Vict\u00f3ria estivesse envolvida com drogas. Nenhuma das suspeitas foi confirmada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNunca ningu\u00e9m a viu (Vict\u00f3ria) portando ou usando drogas. Nunca ningu\u00e9m do CC ou que eu conhe\u00e7a, disse isto. Nunca foi presa. No processo de discuss\u00e3o, ningu\u00e9m disse isto. O pessoal do Prestes disse que ela lhes tinha dito que tinha a ver com drogas. N\u00e3o sou grande conhecedor da mo\u00e7a, N\u00e3o a propus para coisa nenhuma e n\u00e3o posso ser responsabilizado por qualquer mis\u00e9ria que ela tenha dito. Em nenhum momento, no caso Salles, ningu\u00e9m deu a informa\u00e7\u00e3o que a tinha visto com drogas, usando ou portando, ou vendendo. Nem que ela tenha sido presa; nem que talvez tenha acontecido isto\u201d, explica Salles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lu\u00eds Carlos Prestes, ao lado de sua filha, Anita Prestes, e Marly Viana e seu marido, o espanhol Ramon Pe\u00f1a, abriram guerra contra Salles. Sob a acusa\u00e7\u00e3o de que ele envolvera-se com traficantes de drogas, reuniram o Comit\u00ea Central em fins de 1978 ou in\u00edcio de 1979 (h\u00e1 vers\u00f5es contradit\u00f3rias sobre a data), em Praga (Hungria), para, entre outras decis\u00f5es, propor a investiga\u00e7\u00e3o do caso e discutir a expuls\u00e3o de Salles do PCB.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anita, Prestes e a Marly foram para a reuni\u00e3o do Comit\u00ea Central com duas propostas. Uma era expulsar Salles do Partido. A outra, substituir o Comit\u00ea Central por uma comiss\u00e3o at\u00e9 o pr\u00f3ximo Congresso, com membros indicados pelo pr\u00f3prio Prestes. \u00a0As propostas foram negada por ampla maioria e, por 17 votos a 4, o Comit\u00ea Central votou contra a sa\u00edda de Salles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNunca tive amigos que tenham a mais leve proximidade com drogas, nunca usei, e nunca nem vi , em minha vida. Foi eleita uma comiss\u00e3o no CC para investigar, e fui absolvido, pois nem a mais leve acusa\u00e7\u00e3o foi comprovada\u201d, destaca Salles. Sem puni\u00e7\u00f5es formais, o resultado concreto daquela reuni\u00e3o, no entanto, acabou se materializando em uma dura cr\u00edtica da c\u00fapula de dirigentes sobre a atua\u00e7\u00e3o de Salles na dire\u00e7\u00e3o do Partido. O epis\u00f3dio freou sua ascens\u00e3o pol\u00edtica dentro do PCB.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s estar reuni\u00e3o do Comit\u00ea Central e o per\u00edodo no cargo de Coordenador da Comiss\u00e3o Executiva, Jos\u00e9 Salles n\u00e3o mais se candidatou a nenhum cargo de dire\u00e7\u00e3o dentro do Partido. Continuou sendo reeleito membro do Comit\u00ea Central por quase dez anos, at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 80. \u201cPassei \u00e0 condi\u00e7\u00e3o que o Arm\u00eanio Guedes chamava de comunista avulso, sem partido\u201d, conta. Salles passou um tempo a trabalho na R\u00fassia, cursou a Faculdade de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais das Belas Artes e, na Fran\u00e7a, trabalhou no seu doutorado, que n\u00e3o concluiu. Desde ent\u00e3o, diz conversar muito sobre pol\u00edtica com seus amigos, sejam comunistas ou n\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sucesso da opera\u00e7\u00e3o secreta para o resgate de Dias projetou o aumento da for\u00e7a pol\u00edtica de Salles dentro do Comit\u00ea Central. No final de 1978, foi eleito Coordenador da<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":134343,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1175],"tags":[],"class_list":["post-134342","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/giocondovert.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134342","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134342"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134342\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134343"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134342"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134342"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134342"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}