{"id":13666,"date":"2013-09-04T14:00:40","date_gmt":"2013-09-04T17:00:40","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=13666"},"modified":"2013-09-04T09:23:38","modified_gmt":"2013-09-04T12:23:38","slug":"passado-conflituoso-entre-oma-e-portugal-e-redescoberto-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/passado-conflituoso-entre-oma-e-portugal-e-redescoberto-no-brasil\/","title":{"rendered":"Passado conflituoso entre Om\u00e3 e Portugal \u00e9 redescoberto no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-13667\" alt=\"ImageProxy (8)\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy-81-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy-81-300x225.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy-81-409x307.jpg 409w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy-81.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Com a vinda da fam\u00edlia real portuguesa ao Brasil em 1808, muitos documentos sobre as rela\u00e7\u00f5es de Portugal e suas conquistas mar\u00edtimas ficaram na ent\u00e3o col\u00f4nia e permaneceram aqui at\u00e9 hoje. Foi isso que tornou poss\u00edvel descobrir algumas hist\u00f3rias das disputas de Portugal com pa\u00edses bem distantes do Brasil, como Om\u00e3, no Oriente M\u00e9dio, que tamb\u00e9m esteve sob dom\u00ednio luso nos s\u00e9culos XVI e XVII e manteve disputas na \u00c1frica com os portugueses at\u00e9 o s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p>Algumas destas hist\u00f3rias, contadas em cartas, obras raras e mapas, est\u00e3o guardadas no acervo do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro e foram reveladas por ocasi\u00e3o da visita de uma delega\u00e7\u00e3o da Autoridade de Arquivos e Registros Nacionais de Om\u00e3 em 27 de agosto, acompanhada pela reportagem da ANBA (Ag\u00eancia de Not\u00edcias Brasil \u00c1rabe).<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 relatos cont\u00ednuos do per\u00edodo de domina\u00e7\u00e3o portuguesa em Om\u00e3, mas os documentos encontrados contam hist\u00f3rias interessantes, como a chegada do explorador portugu\u00eas Dom Affonso de Albuquerque a Ormuz, em 1507. \u00c9 o in\u00edcio da tomada portuguesa do que atualmente comp\u00f5e o territ\u00f3rio de Om\u00e3.<\/p>\n<p>\u201cEles saem invadindo, v\u00e3o tomando tudo e v\u00e3o saqueando. \u00c9 um esp\u00f3lio de guerra que compensa [a invas\u00e3o]. A maior parte dos homens que ia fazer essas conquistas eram mercen\u00e1rios, ent\u00e3o, eles guerreavam em troca de cargos, de dinheiro ou de bens. Eles saqueavam e, depois, um era nomeado governador da prov\u00edncia, outro alcan\u00e7ava um grande cargo quando voltava a Portugal\u201d, explica Renata Vale, pesquisadora do Arquivo Nacional.<\/p>\n<p><em>[Affonso Henrique de Albuquerque chegou a Om\u00e3 em 1507]<\/em><\/p>\n<p>Houve uma guerra intensa no porto de Curiate. A conquista de Mascate, hoje a capital omanita, foi sangrenta, conta o relato. Os portugueses seguiram conquistando cidades at\u00e9 tornarem o ent\u00e3o reino de Ormuz um dom\u00ednio de Portugal. \u201cTem um documento que \u00e9 muito precioso. Ele fala que se achou ouro, prata, seda, que roubaram marfim, saquearam alm\u00edscar. Itens que eram muito preciosos, produtos de alto luxo, que eram produzidos pelo Oriente e tinham alto valor comercial, principalmente na Europa\u201d, conta a pesquisadora.<\/p>\n<p>Na documenta\u00e7\u00e3o do Arquivo Nacional, consta tamb\u00e9m um relato sobre as disputas entre portugueses e omanitas na \u00c1frica. \u201cNa documenta\u00e7\u00e3o manuscrita, n\u00f3s encontramos alguns documentos sobre Mo\u00e7ambique, inclusive um que \u00e9 muito interessante, que \u00e9 uma carta do governador do Rio de Janeiro para o vice-rei do Brasil falando sobre uma frota de navios que traria uma s\u00e9rie de produtos de Mo\u00e7ambique. L\u00e1 pelas tantas, ele menciona que est\u00e1 muito dif\u00edcil de fazer a rota porque os \u2018b\u00e1rbaros\u2019, como eles estavam chamando os omanitas, tinham invadido a regi\u00e3o de Momba\u00e7a [Qu\u00eania], a tinham tomado. A regi\u00e3o estava em guerra, estava muito dif\u00edcil, ent\u00e3o os navios n\u00e3o estavam conseguindo carregar os produtos, n\u00e3o estavam conseguindo sair, eram saqueados no caminho\u201d, revela Vale.<\/p>\n<p>Esta carta de Luiz Vahya Monteiro a Vasco Fernandes C\u00e9sar de Meneses \u00e9 de 1732, mas as disputas entre portugueses e omanitas por Momba\u00e7a j\u00e1 vinham desde 1655, quando Om\u00e3 iniciou o envio de expedi\u00e7\u00f5es para o territ\u00f3rio, que estava sob dom\u00ednio de Portugal. Portugueses e omanitas brigaram por Momba\u00e7a at\u00e9 1729, quando os \u00e1rabes expulsaram de vez a coroa portuguesa do territ\u00f3rio, complicando a navega\u00e7\u00e3o lusa na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 outros documentos tamb\u00e9m pedindo envio de soldados, envios de tropas, envios de alimenta\u00e7\u00e3o, de roupas, de armamentos, porque eles (portugueses) estavam em uma guerra furiosa para tentar reconquistar o territ\u00f3rio de Momba\u00e7a contra os omanitas e estavam perdendo a guerra, porque estavam muito mal providos\u201d, completa a pesquisadora.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das cartas e relatos das disputas entre portugueses e omanitas, o acervo do Arquivo Nacional guarda mapas antigos mostrando as rotas de navega\u00e7\u00e3o dos exploradores lusos e os nomes dos conquistadores daquelas localidades.<\/p>\n<p>Na Biblioteca Nacional, outro local visitado pela delega\u00e7\u00e3o de Om\u00e3 na capital fluminense, no dia 28, o acervo guarda um mapa de Mascate de 1610, mostrando as conquistas de Portugal na regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Escravos letrados<\/strong><\/p>\n<p>O Arquivo P\u00fablico do Estado da Bahia, em Salvador, por onde a miss\u00e3o tamb\u00e9m passou, no dia 29, guarda outro tipo de documenta\u00e7\u00e3o rara. Ela n\u00e3o faz refer\u00eancia a Om\u00e3, mas mostra um pouco do perfil dos escravos mu\u00e7ulmanos que participaram da Revolta dos Mal\u00eas, em 1835.<\/p>\n<p><em>[Foto: trechos do Cor\u00e3o usados como amuletos]<\/em><\/p>\n<p>A revolta foi organizada por escravos negros que seguiam o islamismo, ent\u00e3o chamados de mal\u00eas. O objetivo era libertar todos os escravos mu\u00e7ulmanos de Salvador. Os pap\u00e9is que ficaram da revolta trazem trechos do Alcor\u00e3o escritos em \u00e1rabe que eram guardados nos bolsos, como um pedido de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Chamados pelos historiadores de amuletos, os papeis indicavam que os escravos mu\u00e7ulmanos que participaram do levante eram alfabetizados e com bom conhecimento de teologia.<\/p>\n<p>Eles podem n\u00e3o ter ajudado os mal\u00eas em sua revolta, mas os amuletos hoje formam um acervo precioso de seis mil p\u00e1ginas deixadas pelos escravos mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<p>Fonte: \u00d3pera Mundi<b style=\"color: #366092;\"><a target=\"_blank\">\u00a0<\/a><\/b><\/p>\n<div align=\"center\"><span style=\"color: #366092;\"><b><a target=\"_blank\">\u00a0<\/a><\/b><\/span><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a vinda da fam\u00edlia real portuguesa ao Brasil em 1808, muitos documentos sobre as rela\u00e7\u00f5es de Portugal e suas conquistas mar\u00edtimas ficaram na ent\u00e3o col\u00f4nia e permaneceram aqui at\u00e9 hoje. 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