{"id":13845,"date":"2013-09-05T14:00:32","date_gmt":"2013-09-05T17:00:32","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=13845"},"modified":"2013-09-05T09:27:57","modified_gmt":"2013-09-05T12:27:57","slug":"cidade-chave-na-luta-antifascista-bolonha-preserva-memoria-da-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/cidade-chave-na-luta-antifascista-bolonha-preserva-memoria-da-resistencia\/","title":{"rendered":"Cidade-chave na luta antifascista, Bolonha preserva mem\u00f3ria da resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>A resist\u00eancia antifascista durante a II Guerra Mundial permanece viva nas ruas, muros, becos e vielas de Bolonha. A cidade, que foi um dos principais locais da luta contra o governo de Benito Mussolini (1922 &#8211; 1943) e, posteriormente, contra a invas\u00e3o das tropas nazistas (1943 &#8211; 1945), preserva marcas daquele per\u00edodo em sua arquitetura e hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em um passeio pelo centro da cidade, \u00e9 poss\u00edvel encontrar diversos monumentos em homenagem \u00e0s pessoas que, de diferentes formas, combateram o nazi-fascismo. A resist\u00eancia, como organiza\u00e7\u00e3o armada e clandestina, baseada na estrat\u00e9gia de guerrilha, teve in\u00edcio apenas em setembro de 1943, com a invas\u00e3o alem\u00e3. De desertores das For\u00e7as Armadas da It\u00e1lia at\u00e9 combatentes da Guerra Civil Espanhola, o movimento dos partigiani (ou &#8220;partizans&#8221;)\u00a0chegou a reunir cerca de 15 mil membros em Bolonha, entre homens e mulheres de diferentes idades.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"ImageProxy (9)\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy-9-300x224.jpg\" width=\"300\" height=\"224\" \/><\/p>\n<p>A resist\u00eancia antifascista durante a II Guerra Mundial permanece viva nas ruas, muros, becos e vielas de Bolonha. A cidade, que foi um dos principais locais da luta contra o governo de Benito Mussolini (1922 &#8211; 1943) e, posteriormente, contra a invas\u00e3o das tropas nazistas (1943 &#8211; 1945), preserva marcas daquele per\u00edodo em sua arquitetura e hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em um passeio pelo centro da cidade, \u00e9 poss\u00edvel encontrar diversos monumentos em homenagem \u00e0s pessoas que, de diferentes formas, combateram o nazi-fascismo. A resist\u00eancia, como organiza\u00e7\u00e3o armada e clandestina, baseada na estrat\u00e9gia de guerrilha, teve in\u00edcio apenas em setembro de 1943, com a invas\u00e3o alem\u00e3. De desertores das For\u00e7as Armadas da It\u00e1lia at\u00e9 combatentes da Guerra Civil Espanhola, o movimento dos partigiani (ou &#8220;partizans&#8221;)\u00a0chegou a reunir cerca de 15 mil membros em Bolonha, entre homens e mulheres de diferentes idades.<\/p>\n<p>Sob a n\u00e9voa caracter\u00edstica do inverno bolonh\u00eas, os membros da resist\u00eancia conseguiram fugir pelo canal. Apesar de avistados por soldados nazistas posicionados \u00e0 frente, os guerrilheiros conseguiram passar, pois foram confundidos por uma tropa alem\u00e3. Enquanto isso, os partigiani que permaneceram nas redondezas do canal chamaram a aten\u00e7\u00e3o dos nazistas com tiros, atraindo-os para a Porta Lame. Concomitantemente, alguns membros do grupo conseguiram avisar outros batalh\u00f5es da organiza\u00e7\u00e3o, que se mobilizaram e cercaram os nazistas naquele local.<\/p>\n<p>3) Porta Lame:\u00a0parte de uma muralha constru\u00edda no s\u00e9culo XIII e reformada em 1674, foi palco de uma das vit\u00f3rias mais importantes da resist\u00eancia italiana durante a ocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3 na It\u00e1lia. Hoje, a vit\u00f3ria dos antifascistas \u00e9 lembrada com a est\u00e1tua de dois partigiani \u2013 um homem e uma mulher\u00a0\u2013, constru\u00edda a partir do bronze extra\u00eddo de um antigo monumento de Benito Mussolini.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"ImageProxy (10)\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy-101-300x224.jpg\" width=\"300\" height=\"224\" \/><\/p>\n<p>A obra, instalada em 1953, foi esculpida pelo artista bolonh\u00eas Luciano Minguzzi e foi premiada na competi\u00e7\u00e3o para o &#8220;Monumento ao Prisioneiro Pol\u00edtico Desconhecido&#8221;, organizada pela Tate Gallery (Londres) no mesmo ano. Al\u00e9m do monumento, uma placa lembra o nome dos guerrilheiros mortos na batalha. Segundo historiadores, os partigiani conseguiram vencer os oficiais nazistas no p\u00e9 da porta.<\/p>\n<p>4) \u00a0Cinemateca de Bolonha:\u00a0a \u00e1rea ocupada, atualmente, pela Cinemateca de Bolonha e outros edif\u00edcios p\u00fablicos foi de grande import\u00e2ncia para a luta antifascista italiana. Al\u00e9m de ter servido como abrigo dos membros da resist\u00eancia, tamb\u00e9m foi um dos locais da batalha da Porta Lame. Periferia da cidade na \u00e9poca da II Guerra, muitos grupos partigiani permaneciam escondidos na regi\u00e3o, aonde recebiam mantimentos da popula\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria \u00e0 luta. Para preservar a mem\u00f3ria da resist\u00eancia, n\u00e3o foram constru\u00eddos pr\u00e9dios privados no local.<\/p>\n<p>5) Universidade de Bolonha:\u00a0uma das mais antigas universidades do mundo, com funda\u00e7\u00e3o datada em 1008, a Universidade de Bolonha tamb\u00e9m foi campo de batalha no per\u00edodo nazi-fascista. Grande parte de seus professores, pesquisadores e alunos tiveram atua\u00e7\u00e3o importante na resist\u00eancia, se opondo ao governo de Mussolini e, posteriormente, \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o nazista.<\/p>\n<p>O atual pr\u00e9dio da Faculdade de Hist\u00f3ria (Piazza San Giovanni in Monte, 2) era uma pris\u00e3o utilizada para prender os membros da resist\u00eancia. No local, ocorreu uma das a\u00e7\u00f5es de boicote da luta antifascista mais bem sucedida em Bolonha: os partigiani capturaram um carro nazista e disfar\u00e7ados com as roupas dos militares alem\u00e3es, conseguiram entrar na pris\u00e3o e libertar outros companheiros.<\/p>\n<p>6) \u201cGueto\u201d judeu (via Dell Inferno x Piazzeta Marco Biagi):\u00a0grande parte dos judeus que vivia em Bolonha, durante o governo fascista, residia em uma regi\u00e3o do centro da cidade em pequenos sobrados. A \u00e1rea foi alvo de investidas no governo de Mussolini e, posteriormente, durante a ocupa\u00e7\u00e3o nazista. Estima-se que cerca de mil judeus l\u00e1 viviam na \u00e9poca, dos quais 500 foram deportados para campos de concentra\u00e7\u00e3o e apenas 100 conseguiram sobreviver. Centenas conseguiram escapar do exterm\u00ednio com a ajuda de italianos, que os abrigavam em suas casas, assumindo correr riscos de repres\u00e1lias.<\/p>\n<p>7) Monumento \u00e0s mulheres da resist\u00eancia (Parque de Villa Spada, na via Zaragoza):\u00a0as mulheres que participaram da luta antifascista em Bolonha tamb\u00e9m n\u00e3o foram esquecidas: em 1975, foi constru\u00eddo um monumento em homenagem a elas, no qual constam os nomes de centenas de mortas durante a resist\u00eancia. As mulheres possu\u00edam um papel fundamental na organiza\u00e7\u00e3o partigiani, pois eram as \u00fanicas que conheciam todas as brigadas da cidade e tinham a responsabilidade de coordenar as a\u00e7\u00f5es. Em bicicletas ou a p\u00e9, essas duas mil mulheres atravessavam Bolonha e os campos ao redor para levar mensagens e mantimentos, correndo grandes perigos.<\/p>\n<p>8) Santu\u00e1rio aos partigiani mortos (Piazza Neptuno):\u00a0localizado no cora\u00e7\u00e3o de Bolonha, o santu\u00e1rio \u00e9 uma das homenagens mais impactantes \u00e0 resist\u00eancia antifascista na cidade. Centenas de fotografias com nomes inscritos embaixo nos contam quem eram os homens e mulheres por tr\u00e1s da organiza\u00e7\u00e3o partigiani e que acabaram morrendo na luta. Localizado exatamente no pared\u00e3o utilizado para fuzilamentos pelos nazi-fascistas, os pain\u00e9is come\u00e7aram a ser constru\u00eddos, espontaneamente, por familiares e amigos das v\u00edtimas que desejavam preservar sua mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>A iniciativa recebeu o apoio das autoridades, que acrescentaram dados sobre a luta antifascista. Segundo informa\u00e7\u00f5es oficiais, entre os quase 15 mil partigiani, 2.059 foram mortos, sem contar os 2.350 fuzilados e os 829 que perderam a vida em campos de concentra\u00e7\u00e3o; 945 ficaram feridos em combate; e 6.543 foram presos.<\/p>\n<p>9) Piazza Maggiore: a Pra\u00e7a Maior de Bolonha,\u00a0que re\u00fane as principais atra\u00e7\u00f5es tur\u00edsticas da cidade, tamb\u00e9m foi palco de eventos importantes na II Guerra Mundial. Local de grande simbolismo, era nessa pra\u00e7a central que os fascistas faziam suas principais demonstra\u00e7\u00f5es de poder, de com\u00edcios \u00e0 mobiliza\u00e7\u00f5es populares. Durante o conflito, em setembro de 1943, o governo italiano mudou o nome da pra\u00e7a para Piazza della Reppublica em alus\u00e3o \u00e0 Rep\u00fablica Social Italiana, nome dado ao pa\u00eds depois da ocupa\u00e7\u00e3o nazista (1943 &#8211; 1945).<\/p>\n<p>Em abril de 1945, durante a liberta\u00e7\u00e3o da It\u00e1lia do nazi-fascismo, a Pra\u00e7a Maior retomou seu nome e foi tomada por grandes comemora\u00e7\u00f5es. No Museu da Resist\u00eancia, est\u00e3o dispon\u00edveis as fotos dessa celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>10) Museu da Resist\u00eancia\u00a0(ex-Convento di San Mattia ):\u00a0de documentos \u00e0 fotografias e relatos, o museu preserva diversos tipos de materiais referentes a resist\u00eancia antifascista na It\u00e1lia e, mais especificamente, em Bolonha. Diversos pain\u00e9is com documentos da \u00e9poca e informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o divididos em salas tem\u00e1ticas. Visita fundamental para quem quer saber mais sobre a hist\u00f3ria do nazi-fascismo e a resist\u00eancia no pa\u00eds. Gerido por volunt\u00e1rios, o museu tem entrada gratuita e guias bastante sol\u00edcitos e interessados em ajudar.<\/p>\n<p>Fonte: \u00d3pera Mundi<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A resist\u00eancia antifascista durante a II Guerra Mundial permanece viva nas ruas, muros, becos e vielas de Bolonha. A cidade, que foi um dos principais locais da luta contra o governo de Benito Mussolini (1922 &#8211; 1943) e, posteriormente, contra a invas\u00e3o das tropas nazistas (1943 &#8211; 1945), preserva marcas daquele per\u00edodo em sua arquitetura [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":13846,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[4906,4908,4907],"class_list":["post-13845","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","tag-bolonha","tag-memoria","tag-preserva"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy-9.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13845","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13845"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13845\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13846"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13845"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13845"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13845"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}