{"id":13849,"date":"2013-09-05T17:00:21","date_gmt":"2013-09-05T20:00:21","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=13849"},"modified":"2013-09-05T09:30:40","modified_gmt":"2013-09-05T12:30:40","slug":"rendicao-marca-fim-do-imperio-romano-do-ocidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/rendicao-marca-fim-do-imperio-romano-do-ocidente\/","title":{"rendered":"Rendi\u00e7\u00e3o marca fim do Imp\u00e9rio Romano do Ocidente"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-13850\" alt=\"ImageProxy\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy-277x300.png\" width=\"277\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy-277x300.png 277w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy.png 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 277px) 100vw, 277px\" \/><\/p>\n<div id=\"ecxfb-root\">O dia 4 de setembro de 476 \u00e9 geralmente aceito como a data da queda do Imp\u00e9rio Romano do Ocidente. Nesse dia, o \u00faltimo imperador em Roma, Fl\u00e1vio R\u00f4mulo Augusto, foi derrocado por um comandante militar b\u00e1rbaro, Odoacro. Se bem que Augusto estivesse oficialmente no poder, sua autoridade era apenas uma formalidade, uma vez que os chefes b\u00e1rbaros detinham a maior parte do poder. A destitui\u00e7\u00e3o de Augusto marcou o fim do poder romano, por\u00e9m as regi\u00f5es romanas de outros lugares continuaram sob o mandato romano depois de 476.<\/div>\n<p>Fl\u00e1vio R\u00f4mulo Augusto, chamado ironicamente de &#8220;Aug\u00fastulo&#8221; (pequeno Augusto), nasceu em 461 em Ravena e foi o \u00faltimo imperador romano do Ocidente (475-476). Curiosamente, carregava o nome do fundador e primeiro rei de Roma (R\u00f4mulo) e do primeiro imperador, Augusto.<\/p>\n<p>Era filho do general Fl\u00e1vio Orestes e assumiu o trono levado por seu pai. No entanto, o imperador romano do Oriente, Zenon, n\u00e3o o reconhecia como tal. A press\u00e3o dos h\u00e9rulos \u2013 tribo germ\u00e2nica origin\u00e1ria do sul da Escandin\u00e1via \u2013 reclamando a entrega de terras do centro da pen\u00ednsula it\u00e1lica provocou a queda de R\u00f4mulo que contava com apenas 15 anos. Em seu lugar, o general h\u00e9rulo Odoacro reclamou o trono da It\u00e1lia, confinando R\u00f4mulo em Lucullanum, na ba\u00eda de N\u00e1poles. A data de sua morte \u00e9 desconhecida embora existam alguns ind\u00edcios de que poderia ter vivido at\u00e9 as d\u00e9cadas de 520 ou 530.<\/p>\n<p>Este fato levou numerosos historiadores a consider\u00e1-lo como o marco do in\u00edcio da Idade M\u00e9dia. Embora Odoacro tenha reivindicado o trono da It\u00e1lia n\u00e3o mostrou interesse em aspirar \u00e0 dignidade imperial, reconhecendo o imperador romano do Oriente, sediado em Constantinopla, como o \u00fanico imperador. Este epis\u00f3dio serviu como justificativa jur\u00eddica aos imperadores de Biz\u00e2ncio para se considerarem como os leg\u00edtimos soberanos do Imp\u00e9rio Romano e eventualmente tentar a reconquista dos territ\u00f3rios ocidentais ocupados pelos reinos b\u00e1rbaros.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o tradicional do fim da Antiguidade foi que a desintegra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e militar do poder romano acarretou a ru\u00edna de sua civiliza\u00e7\u00e3o. Desde Santo Agostinho at\u00e9 o s\u00e9culo XXI predominou a ideia de que as culturas mostram uma evolu\u00e7\u00e3o similar \u00e0 dos seres vivos e que sua decad\u00eancia \u00e9 a fase final.<\/p>\n<p>Edward Gibbon, em sua monumental \u201cHist\u00f3ria do decl\u00ednio e queda do Imp\u00e9rio Romano\u201d, recebeu da historiografia anterior um legado muito mediatizado pela religi\u00e3o. Neste panorama de profunda revis\u00e3o, Gibbon fez sua a exposi\u00e7\u00e3o de motivos de T\u00e1cito e desenvolveu sua obra partindo da ideia, \u00e0 \u00e9poca j\u00e1 adiantada por Montesquieu em sua \u201cConsidera\u00e7\u00f5es sobre as Causas da Grandeza dos Romanos e de sua Decad\u00eancia\u201d (1734), de que a perda da \u201cvirtude republicana\u201d foi a causa fundamental da decad\u00eancia do imp\u00e9rio. Gibbon defende que ap\u00f3s a Idade de Ouro dos Ulpi-A\u00e9lios inicia-se a decad\u00eancia, o come\u00e7o dos triunfos dos b\u00e1rbaros e dos crist\u00e3os, o momento em que a irracionalidade ocupa o poder.<\/p>\n<p>O russo Mikhail Rostovtzeff em sua influente obra \u201cSocial and Economic History of the Roman Empire (Oxford, 1926) realizou a primeira explica\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da crise imperial com uma metodologia concreta por\u00e9m muito condicionadas pelas experi\u00eancias pessoais \u2013 a I Guerra Mundial e a Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique. Manteve o mesmo esquema de Gibbon, substituindo, no entanto, as religiosas pelas econ\u00f4micas. Pelas m\u00e3os de Rostovzeff se retomou Max Weber, estudando-se os fen\u00f4menos econ\u00f4micos seguidos fundamentalmente pela historiograf\u00eda marxista.<\/p>\n<p>mesmo conceito de fundo de Gibbon que levaria outro importante historiador como Andr\u00e9 Piganiol a dizer que \u201ca civiliza\u00e7\u00e3o romana n\u00e3o morreu de morte natural. Foi assassinada\u201d.<\/p>\n<p><em>[Fl\u00e1vio R\u00f4mulo abdica do trono para o chefe militar germ\u00e2nico Odoacro]<\/em><\/p>\n<p>Os tra\u00e7os mais importantes da teoria tradicional da &#8220;decad\u00eancia do Imp\u00e9rio Romano&#8221; podem resumir-se em sete pontos:<\/p>\n<p>1) Ru\u00edna econ\u00f4mica: deprecia\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, carestia e contra\u00e7\u00e3o da atividade, em especial a comercial, o que conduziu \u00e0 autarquia;<br \/>\n2) Guerras civis e intensifica\u00e7\u00e3o das rapinas de uma soldadesca cada vez mais barbarizada;<br \/>\n3) Pragas de pestes e despovoa\u00e7\u00e3o;<br \/>\n4) Desordens internas, revoltas sociais, bandidagem terrestre e mar\u00edtima;<br \/>\n5) Abandono de terras e expans\u00e3o da vincula\u00e7\u00e3o pessoal dos camponeses \u2013 colonato, condi\u00e7\u00e3o dos agricultores que, sem serem escravos, estavam ligados \u00e0 terra perpetuamente;<br \/>\n6) Lutas pelo poder entre ex\u00e9rcitos b\u00e1rbaros e representantes civis romanos pela dire\u00e7\u00e3o do Estado, com vit\u00f3ria dos militares;<br \/>\n7) Destrui\u00e7\u00e3o das classes privilegiadas e imposi\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio do campo sobre a cidade.<\/p>\n<p>O conceito de decad\u00eancia implica necessariamente um ju\u00edzo de valor que sustenta toda uma filosofia de hist\u00f3ria. Humanistas e iluministas pretenderam \u201cdissipar a escurid\u00e3o das Idade das Trevas\u201d para redescobrir uma Antiguidade pretensamente luminosa, a existente at\u00e9 a morte de Marco Aur\u00e9lio.<\/p>\n<p>O Baixo Imp\u00e9rio, com o triunfo do cristianismo e do absolutismo, era desdenhado pelos fil\u00f3sofos ilustrados como um per\u00edodo de barb\u00e1rie, tirania e supersti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte: \u00d3pera Mundi<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia 4 de setembro de 476 \u00e9 geralmente aceito como a data da queda do Imp\u00e9rio Romano do Ocidente. Nesse dia, o \u00faltimo imperador em Roma, Fl\u00e1vio R\u00f4mulo Augusto, foi derrocado por um comandante militar b\u00e1rbaro, Odoacro. 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