{"id":138530,"date":"2016-07-08T05:24:54","date_gmt":"2016-07-08T08:24:54","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=138530"},"modified":"2016-07-08T05:24:54","modified_gmt":"2016-07-08T08:24:54","slug":"policia-do-rio-matou-645-pessoas-em-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/policia-do-rio-matou-645-pessoas-em-2015\/","title":{"rendered":"Pol\u00edcia do Rio matou 645 pessoas em 2015"},"content":{"rendered":"<header>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<\/header>\n<figure class=\"horizontal\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/extra.globo.com\/incoming\/19660370-617-1d5\/w640h360-PROP\/2015-824513882-2015-824302495-2015061225226_20150612_20150613.jpg\" alt=\"Opera\u00e7\u00e3o policial na Favela de Antares\" width=\"640\" height=\"360\" \/><figcaption><span class=\"credit\">Opera\u00e7\u00e3o policial na Favela de Antares Foto: Rafael Moraes \/ Extra<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"story\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"header\">\n<div class=\"credits info\"><span class=\"author\">Marina Navarro Lins<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;Matar bandido \u00e9 o que era exigido como bom resultado por meus superiores.\u201d A frase de um policial militar do Rio, que n\u00e3o se identificou, consta no relat\u00f3rio &#8220;\u2018O bom policial tem medo\u2019: Os custos da viol\u00eancia policial no Rio de Janeiro\u201d, da entidade humanit\u00e1ria Human Rights Watch, divulgado nesta quinta-feira. O documento de 117 p\u00e1ginas mostra que os agentes mataram cerca de 8 mil pessoas na \u00faltima d\u00e9cada na cidade, sendo 645 no ano passado. Em 64 casos analisados, a ONG encontrou provas de tentativas de acobertamento das execu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, quase todos os 64 casos, ocorridos desde 2006, foram relatados como &#8220;confrontos&#8221; pela pol\u00edcia. Os laudos e os depoimentos de testemunhas, por\u00e9m, indicam que esses embates nunca aconteceram, de acordo com a ONG. No total, 116 pessoas foram mortas, sendo 24 com menos de 18 anos.<\/p>\n<p>Um dos casos analisados \u00e9 o do assassinato de cinco jovens, alvejados pela pol\u00edcia quando iam lanchar, no dia 28 de novembro do ano passado, em Costa Barros, na Zona Norte do Rio. &#8220;Em seus depoimentos \u00e0 pol\u00edcia civil, os policiais militares disseram que atiraram no carro onde os jovens se encontravam depois que um deles atirou em sua dire\u00e7\u00e3o pela janela do carro. Por\u00e9m, duas testemunhas disseram \u00e0 pol\u00edcia civil que viram um dos policiais usando uma luva colocar uma arma na m\u00e3o de uma das v\u00edtimas. Peritos criminais conclu\u00edram que n\u00e3o havia res\u00edduo de p\u00f3lvora nas m\u00e3os de nenhum dos cinco rapazes mortos&#8221;, analisa o estudo.<\/p>\n<p>O n\u00famero de homic\u00eddios cometidos pela pol\u00edcia chegou a cair de 1.300, em 2007, para 400 em 2013. Mas os \u00edndices voltaram a crescer. Em 2015, para cada policial morto em servi\u00e7o no Rio, a pol\u00edcia matou 24,8 pessoas &#8211; mais que o dobro do que na \u00c1frica do Sul e tr\u00eas vezes mais do que nos EUA.<\/p>\n<figure><strong><strong><img decoding=\"async\" class=\"inline\" src=\"http:\/\/extra.globo.com\/incoming\/19660371-fb4-76a\/w448\/2016-897038360-2015-871316667-201512021354525371_20151203_20160319.jpg\" alt=\"Carro onde estavam os cinco jovens assassinados por PMs, em Costa Barros\" \/><\/strong><\/strong><figcaption>Carro onde estavam os cinco jovens assassinados por PMs, em Costa Barros Foto: Fabiano Rocha \/ Extra<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Relatos de policiais<\/strong><\/p>\n<p>Para escrever o relat\u00f3rio, o pesquisador pesquisador espanhol C\u00e9sar Mu\u00f1oz Acebes entrevistou 88 pessoas &#8211; 34 deles policiais civis e militares da ativa ou da reserva. Dois agentes admitiram ter participado de execu\u00e7\u00f5es e de sess\u00f5es de tortura, al\u00e9m de terem forjado provas contra as v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Um PM, identificado como Danilo, disse ter participado de uma opera\u00e7\u00e3o cujo objetivo era executar traficantes e confiscar armas. Segundo o agente, o \u00edndice de viol\u00eancia estava alto na comunidade e a pol\u00edcia precisava dar uma resposta. O local n\u00e3o foi divulgado. Na ocasi\u00e3o, um policial que estava no grupo executou um traficante que j\u00e1 estava ferido e n\u00e3o oferecia resist\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o denunciei por medo at\u00e9 de morrer, porque essas pessoas n\u00e3o t\u00eam escr\u00fapulos\u201d, contou o PM \u00e0 ONG, referindo-se a outros agentes.<\/p>\n<p>O medo de denunciar colegas de farda aparece em outros depoimentos. De acordo com o documento, os agentes dizem que essa imagem negativa da corpora\u00e7\u00e3o atrapalha o trabalho deles:os criminosos ficam mais violentos quando acham que ser\u00e3o executados e a comunidade para de apoiar as a\u00e7\u00f5es policiais.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o se pode esperar que o policiamento de proximidade funcione quando a pol\u00edcia continua a executar membros das comunidades que deveria proteger &#8211; disse Maria Laura Canineu, diretora da Human Rights Watch no Brasil.<\/p>\n<p>O estresse gerado por essas situa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m tem impacto negativo no trabalho dos agentes que est\u00e3o nas ruas. Muitos PMs atribu\u00edram o uso excessivo de for\u00e7a letal a uma \u201ccultura de combate\u201d disseminada na corpora\u00e7\u00e3o e \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o dentro dos batalh\u00f5es.<\/p>\n<figure><strong><img decoding=\"async\" class=\"inline\" src=\"http:\/\/extra.globo.com\/incoming\/19660372-b37-164\/w448\/policia-human-rights-watch-web.jpg\" alt=\"\" \/><\/strong><\/figure>\n<p><strong>Recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio afirma que o governo do estado prometeu investir na seguran\u00e7a p\u00fablica, em prepara\u00e7\u00e3o para os Jogos Ol\u00edmpicos, mas n\u00e3o fez o suficiente para acabar com as execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais cometidas por policiais. Para Mu\u00f1oz, a principal falha da pol\u00edtica de seguran\u00e7a do Rio \u00e9 n\u00e3o lutar contra a impunidade desses agentes.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o estamos pedindo nada extraordin\u00e1rio, apenas investiga\u00e7\u00f5es adequadas. Mas n\u00e3o adianta culpar apenas a Pol\u00edcia Civil. A responsabilidade final \u00e9 do Minist\u00e9rio P\u00fablico estadual (MP), que est\u00e1 dormindo e precisa acordar. Ele deve desempenhar um papel mais ativo de controle externo da pol\u00edcia &#8211; explicou o pesquisador.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 Human Rights Watch, o Procurador-Geral de Justi\u00e7a, Marfan Martins Vieira, disse acreditar que grande parte dos confrontos reportados s\u00e3o simulados e admitiu que o Minist\u00e9rio P\u00fablico apresentou den\u00fancias em \u201cmuito poucos\u201d casos.<\/p>\n<p>Entre as recomenda\u00e7\u00f5es feitas pela ONG, est\u00e3o o investimento de recursos e apoio t\u00e9cnico para o Grupo de Atua\u00e7\u00e3o Especializada em Seguran\u00e7a P\u00fablica (Gaesp), do MP, para que ele possa fiscalizar as investiga\u00e7\u00f5es conduzidas pela pol\u00edcia civil. \u00c0 PM, a entidade humanit\u00e1ria sugere acoplar c\u00e2meras nos coletes de agentes em todo o estado.<\/p>\n<p>Procurada, a PM disse que se posicionar\u00e1 depois de analisar as informa\u00e7\u00f5es. Em nota, a corpora\u00e7\u00e3o informou que o Comando da Pol\u00edcia Militar tem tomado medidas para reduzir os n\u00fameros de autos de resist\u00eancia, como o Programa de Controle do Uso da For\u00e7a e Disparo de Armas de Fogo, treinamentos e est\u00e1gios ministrados pelo Comando de Opera\u00e7\u00f5es Especiais (COE) e a utiliza\u00e7\u00e3o do Estande Virtual de Tomada de Decis\u00e3o. Ainda de acordo com a pol\u00edcia, houve uma redu\u00e7\u00e3o de 24,12% no n\u00famero de execu\u00e7\u00f5es por policiais no primeiro trimestre de 2016, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2015.<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Civil ainda n\u00e3o se posicionou sobre o estudo. J\u00e1 o Minist\u00e9rio P\u00fablico diz que &#8220;vem atuando em diversas frentes no intuito de reduzir o n\u00famero de mortes decorrentes de interven\u00e7\u00e3o policial&#8221;:<\/p>\n<p>&#8220;O Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) vem atuando em diversas frentes no intuito de reduzir o n\u00famero de mortes decorrentes de interven\u00e7\u00e3o policial e de outros delitos praticados pelos agentes de seguran\u00e7a<\/p>\n<p>Entre 2010 e 2015, per\u00edodo mencionado no relat\u00f3rio do Human Rights Whatch, o MPRJ ofereceu den\u00fancia em 278 dos 988 casos investigados pela pol\u00edcia nesses seis anos, cabendo ressaltar o aumento significativo de proposituras de a\u00e7\u00f5es pelos membros da institui\u00e7\u00e3o. Foram 7 den\u00fancias em 2010; 14 em 2011; 34 em 2012; 43 em 2013; 84 em 2014; e 96 em 2015<\/p>\n<p>Relevante iniciativa foi a cria\u00e7\u00e3o do Grupo de Atua\u00e7\u00e3o Especializada em Seguran\u00e7a P\u00fablica (GAESP), ocorrida em dezembro de 2015, com a incumb\u00eancia de auxiliar os \u00f3rg\u00e3os de execu\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico encarregados do controle externo da atividade policial, da fiscaliza\u00e7\u00e3o do sistema prisional, da tutela de direitos transindividuais relacionadas \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica e da repress\u00e3o aos homic\u00eddios decorrentes de interven\u00e7\u00e3o policial.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de outras iniciativas, o grupo vem trabalhando junto \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a p\u00fablica no fomento \u00e0 capacita\u00e7\u00e3o permanente dos policiais militares e civis.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da PMERJ, est\u00e3o sendo ministradas instru\u00e7\u00f5es, com a participa\u00e7\u00e3o semanal de integrantes do GAESP, aos policiais militares inicialmente selecionados para o programa de capacita\u00e7\u00e3o, em raz\u00e3o de terem atuado em regi\u00f5es do estado com altos n\u00fameros de registros de ocorr\u00eancia com morte. O objetivo do programa \u00e9 atingir todos os policiais que atuam no policiamento ostensivo.<\/p>\n<p>Em paralelo, o GAESP est\u00e1 trabalhando diretamente com as \u00c1reas Integradas de Seguran\u00e7a P\u00fablica, seguindo o mesmo crit\u00e9rio de n\u00famero de mortes decorrentes de interven\u00e7\u00e3o policial, com a finalidade de realizar trabalho preventivo que reduza o n\u00famero dessas ocorr\u00eancias.<\/p>\n<p>No campo da repress\u00e3o, vem prestando aux\u00edlio aos \u00f3rg\u00e3os de execu\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico que apuram as responsabilidades dos agentes p\u00fablicos envolvidos nas mortes durante conflitos, atuando nos inqu\u00e9ritos policiais atrav\u00e9s de contato direto com a Pol\u00edcia Civil&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nFonte: Extra<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O relat\u00f3rio afirma que o governo do estado prometeu investir na seguran\u00e7a p\u00fablica, em prepara\u00e7\u00e3o para os Jogos Ol\u00edmpicos, mas n\u00e3o fez o suficiente para acabar com<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":138531,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327,6],"tags":[],"class_list":["post-138530","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/carro-perfurado-de-bala.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138530","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=138530"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138530\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/138531"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=138530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=138530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=138530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}