{"id":139291,"date":"2016-07-13T00:12:49","date_gmt":"2016-07-13T03:12:49","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=139291"},"modified":"2016-07-12T18:19:13","modified_gmt":"2016-07-12T21:19:13","slug":"sobral-pinto-e-prestes-duas-vidas-que-se-cruzam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/sobral-pinto-e-prestes-duas-vidas-que-se-cruzam\/","title":{"rendered":"Sobral Pinto e Prestes: duas vidas que se cruzam"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: justify;\"><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GERALDO PEREIRA\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?attachment_id=139292\" rel=\"attachment wp-att-139292\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-139292 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/sobral-pinto.jpg\" alt=\"sobral pinto\" width=\"466\" height=\"359\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/sobral-pinto.jpg 466w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/sobral-pinto-300x231.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/sobral-pinto-399x307.jpg 399w\" sizes=\"auto, (max-width: 466px) 100vw, 466px\" \/><\/a><br \/>\n<em>Para o companheiro Francisco Soares de Souza, sindicalista e l\u00edder frentista, admirador de Sobral Pinto.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agrade\u00e7o a Jorge Amado ter conhecido o admir\u00e1vel e saudoso ser humano que foi Her\u00e1clito Fontoura Sobral Pinto, de quem me tornei amigo, amizade que durou mais de 4 d\u00e9cadas, d\u00e9cadas de li\u00e7\u00f5es aprendidas para n\u00e3o desaprender jamais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Her\u00e1clito Fontoura Sobral Pinto era mineiro de Barbacena, onde nasceu em 05 de novembro de 1893. Estudou na Faculdades de Ci\u00eancias Jur\u00eddicas e Sociais do Rio de Janeiro, em 1917 estava formado. Sua banca de advocacia entra em atividade em 1919.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faleceu, no Rio de Janeiro, em 30 de novembro de 1991, deixando bem mais pobre a sua P\u00e1tria e o seu povo. Com o seu desaparecimento perdeu o Direito a sua grande voz, a liberdade o seu amante amant\u00edssimo, dedicado que lhe foi extremamente fiel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sendo o segundo maior advogado que o Direito brasileiro produziu em toda a sua exist\u00eancia (o primeiro foi Ruy), transformou a sua Banca de Advocacia e Saber numa policl\u00ednica popular, para todos os doentes, em todas as \u00e9pocas que necessitassem de liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por l\u00e1 passaram, al\u00e9m de Lu\u00eds Carlos Prestes, Graciliano Ramos, Adauto L\u00facio Cardoso, Juscelino Kubistchek, Carlos Lacerda, Miguel Arraes, H\u00e9lio Fernandes, Mauro Borges, Carlos Marighela, Francisco Juli\u00e3o, Greg\u00f3rio Bezerra, Oswaldo Pacheco, Lu\u00eds Ten\u00f3rio de Lima e uma infinidade de v\u00edtimas do arb\u00edtrio que se instalou no Brasil, em 1937, com a ditadura de Get\u00falio Vargas \u00a0e em 1964, com o golpe militar contra o governo Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">T\u00ednhamos a mesma paix\u00e3o, paix\u00e3o pelo Am\u00e9rica do Rio de Janeiro: pertencemos durante anos ao seu Conselho Deliberativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nunca vi o velho Sobral mais alegre do que quando o clube do nosso cora\u00e7\u00e3o levantou o campeonato carioca de 1960. O vi extremamente triste, indignad\u00edssimo quando o Conselho ao qual pertenc\u00edamos aprovou o nome do General M\u00e9dici, ent\u00e3o presidente da Rep\u00fablica, como presidente de honra do nosso Am\u00e9rica. Ele esteve ausente dessa reuni\u00e3o. Na reuni\u00e3o seguinte \u00a0compareceu. Foi \u00e0 tribuna, fez um violent\u00edssimo discurso contra o ato e contra o ditador, perguntou: \u201cQuem foi o respons\u00e1vel por esse ato? SE eu estivesse aqui teria impugnado essa proposta e teria votado contra.\u00a0O Am\u00e9rica n\u00e3o precisa disso!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viv\u00edamos uma ditadura cruel, o pr\u00f3prio Sobral Pinto havia sido preso e jogado brutalmente no cambur\u00e3o, na cidade de Goi\u00e2nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o discurso, deixou o plen\u00e1rio, acompanhei-o at\u00e9 a sua resid\u00eancia, na Rua Pereira da Silva, no bairro das Laranjeiras, onde morou por mais de 75 anos. Despediu-se de mim dizendo: \u201cN\u00e3o piso mais no Am\u00e9rica\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 tentei diversas vezes escrever sobre Sobral Pinto, sem citar Lu\u00eds Carlos Prestes, coisa absolutamente imposs\u00edvel. Essas duas exist\u00eancias, esses dois grandes homens tiveram suas vidas interligadas. Prestes, marxista, ateu, Sobral Pinto, l\u00edder cat\u00f3lico, apost\u00f3lico romano, conservador, anticomunista, ambos nos deram exemplos de dignidade humana di\u00e1ria. Sobral Pinto, aos 95 anos, ainda trabalhava para viver. Prestes, deixo que sobre ele fale o mestre Sobral Pinto: \u201cPor maiores que sejam as suas culpas, h\u00e1 nele alguma coisa de grande e elevado. Se ele tivesse pensado somente em si, como aconteceu com o G\u00f3is Monteiro, o Get\u00falio, o Juarez, e tantos outros, seria estas horas General do Ex\u00e9rcito brasileiro, e qui\u00e7\u00e1, Ministro da Guerra. Em 1930, n\u00e3o lhe faltaram oferecimentos, os mais sedutores. A tudo resistiu, por\u00e9m, para ficar fiel \u00e0s suas ideias, erradas e funestas, \u00e9 verdade, mas adotadas e seguidas com rara sinceridade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na ditadura de Get\u00falio n\u00e3o tinha um advogado com coragem suficiente para defender Lu\u00eds Carlos Prestes. Sobral Pinto assume a sua defesa, a batalha \u00e9 travada em favor de Prestes e, tamb\u00e9m, para salvar a sua filha Anita Leoc\u00e1dia, nascida num campo de concentra\u00e7\u00e3o da Alemanha nazista, para onde fora enviada Olga Ben\u00e1rio Prestes, sua m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes, em 03 de junho de 1936, o advogado Heitor Lima ingressou na Suprema Corte, como era chamado o Supremo Tribunal Federal, com um pedido de &#8216;Habeas Corpus&#8217;, em favor de Olga, a fim de evitar a sua expuls\u00e3o do Territ\u00f3rio Nacional. Na peti\u00e7\u00e3o ele apela para o presidente da Corte, Ministro Edmundo Lins, \u00a0que &#8220;o presente pedido se processe sem custas&#8221;&#8230; \u201cPor que a paciente se encontra absolutamente desprovida de recursos. O vestido que traz hoje \u00e9 o mesmo que usava quando foi presa; e o pouco dinheiro os valores e as roupas que a pol\u00edcia apreendeu na sua resid\u00eancia n\u00e3o lhe foram restitu\u00eddas e que fa\u00e7a submeter a paciente a uma pericia m\u00e9dica, no sentido de precisar seu estado de gravidez&#8221;. Olga estava gr\u00e1vida de sete meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pedido \u00e9 indeferido. O advogado Heitor Lima vai \u00e0 replica: \u201cSe a justi\u00e7a masculina, mesmo quando exercida por uma consci\u00eancia, do mais fino quilate, como o insigne presidente da Corte Suprema, tolhe a defesa a uma encarcerada sem recursos, n\u00e3o h\u00e1 de a hist\u00f3ria da Civiliza\u00e7\u00e3o brasileira recolher em seus anais judici\u00e1rios o registro dessa n\u00f3doa: a condena\u00e7\u00e3o de uma mulher, sem que a seu favor se elevasse a voz de um homem no Pal\u00e1cio da Lei. O impetrante satisfar\u00e1 a despesa do processo. Rio de Janeiro, 04 de junho de 1936. Heitor Lima, advogado.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As custas do processo totalizaram 14$800 (quatorze mil e oitocentos reis).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo foi julgado e a decis\u00e3o pela Suprema Corte, em 17 de junho de 1936 foi a seguinte:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00ba 26155 \u2013 Vistos, relatados e discutidos estes autos de habeas corpus, impetrado pelo Dr. Heitor Lima, em defesa de Maria Prestes, que ora se encontra recolhida \u00e0 Casa de Deten\u00e7\u00e3o, afim de ser expulsa do territ\u00f3rio nacional, como perigosa \u00e0 ordem p\u00fablica e nociva aos interesses do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Corte Suprema, indeferindo n\u00e3o somente a requisi\u00e7\u00e3o dos autos, do respectivo processo administrativo, como o comparecimento da Paciente e bem assim a per\u00edcia m\u00e9dica afim de constatar o seu estado de gravidez, e atendendo que a mesma Paciente \u00e9 estrangeira e a sua perman\u00eancia no Pa\u00eds compromete a seguran\u00e7a nacional, conforme se depreende das informa\u00e7\u00f5es prestadas pelo Exmo. Sr. Ministro da Justi\u00e7a; atendendo a que em casos tais n\u00e3o h\u00e1 como invocar a garantia constitucional do habeas- corpus, a vista dos dispositivos\u00a0 artigo 2, do Decreto n\u00ba 702, de 21 de mar\u00e7o deste ano;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ACC\u00d3RDA, por maioria, n\u00e3o tomar conhecimento do pedido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Custas pelo impretante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corte Suprema, 17 de junho de 1936.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Edmundo Lins, presidente, Bento de Faria Relator.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma decis\u00e3o vergonhosa e mesquinha que cobriu de vergonha todos os membros daquela Corte. Entregar aos carrascos nazistas uma mulher gr\u00e1vida de 7 meses, casada com um brasileiro.\u00a0 A sess\u00e3o foi \u00a0presidida pelo ministro Edmundo Lins, com a presen\u00e7a de todos os ministros, componentes da mesma, a saber: Hermenegildo de Barros, vice-presidente; Bento de Faria, relator; Eduardo Esp\u00ednola, Plinio Casado, Carvalho Mour\u00e3o, Laudo de Camargo, Costa Manso, Oct\u00e1vio Kelly, Ataulpho de Paiva e Carlos Maximiliano. A decis\u00e3o da Suprema Corte foi a seguinte: &#8220;N\u00e3o conheceram ao pedido contra os votos dos ministros Carlos Maximiliano, Carvalho Mour\u00e3o e Eduardo Esp\u00ednola, que conheciam e indeferiam\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olga foi metida no navio La Coru\u00f1a, que partiu do Rio de Janeiro, em 23 de setembro de 1936; chegando a Hamburgo em 18 de outubro. \u00c9 imediatamente entregue aos seus carrascos, levada para pris\u00e3o feminina nazista de Barnimstrasse, onde d\u00e1 \u00e0 luz a uma menina, em 27 de novembro de 1936, que recebeu o nome de Anita Leoc\u00e1dia. Ficando com a filha, na fase de amamenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 os 14 meses.\u00a0 Depois a menina \u00e9 entregue \u00e0 Dona Leoc\u00e1dia m\u00e3e de Prestes, sua av\u00f3, que se encontrava na Europa, lutando, clamando pela liberdade do filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gra\u00e7as \u00e0 solidariedade recebida conseguiu salvar a crian\u00e7a das garras das bestas nazistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em mar\u00e7o de 1938 Olga \u00e9 transferida para o campo de concentra\u00e7\u00e3o Lichtenburg, sendo um ano ap\u00f3s levada para outro campo de concentra\u00e7\u00e3o, esse s\u00f3 de mulheres, o Ravensbr\u00fcck, onde como cobaias serviam para experi\u00eancias m\u00e9dicas. Olga foi assassinada em 1942 no campo de exterm\u00ednio de Bernburg, onde centenas de milhares de judeus tiveram o mesmo fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Geraldo: <\/strong>Dr. Sobral e a expuls\u00e3o de Olga?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dr. Sobral<\/strong>: Se eu fosse\u00a0 advogado de Olga, Olga n\u00e3o teria sido expulsa, n\u00e3o teria sido expulsa!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O advogado escolhido foi o Heitor Lima, era a coisa mais simples desse mundo. O C\u00f3digo Civil Brasileiro, declara no artigo 6\u00ba que a personalidade humana, come\u00e7a com o nascimento, mas, a lei assegura e garante desde a concep\u00e7\u00e3o o direito do nascituro, ela estava gr\u00e1vida de 7 meses, gr\u00e1vida de quem? De um brasileiro, ficou gr\u00e1vida onde? No Rio de Janeiro, territ\u00f3rio Nacional, ent\u00e3o aquele feto era brasileiro, sendo brasileiro n\u00e3o podia ser extraditado porque a lei de extradi\u00e7\u00e3o, de expuls\u00e3o, n\u00e3o permite que o brasileiro seja expulso ou extraditado. O brasileiro que pratica um crime no estrangeiro vem para o Brasil, a Na\u00e7\u00e3o pede ao Brasil para extraditar, o governo n\u00e3o pode extraditar. Compromete a process\u00e1-lo aqui, mas n\u00e3o extradita, ele n\u00e3o manda. Uma das partes tinha que ter isso. A Lei n\u00e3o permite a expuls\u00e3o de brasileiro e esse feto \u00e9 brasileiro. Era canja isso e o advogado n\u00e3o fez isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Geraldo<\/strong>: E o senhor n\u00e3o poderia orient\u00e1-lo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobral<\/strong>: Nem eu sabia, s\u00f3 vim a saber depois, porque isso foi em setembro de 36, e eu s\u00f3 fui advogado do Prestes em janeiro de 1937. Eu fui convidado pelo Tragino Ribeiro presidente da Ordem dos Advogados, ele bateu \u00e0 \u00a0porta de 6 advogados, alguns dos quais, sup\u00f4s ele que fossem comunistas ou esquerdistas, ele me disse eu procurei aqueles que pensei que por suas id\u00e9ias tinham obriga\u00e7\u00e3o de defend\u00ea-lo, mas todos eles recusaram. Ele ent\u00e3o foi para um cat\u00f3lico e o cat\u00f3lico recusou em nome do catolicismo, nessa altura, ele louco, o juiz a exigir indica\u00e7\u00e3o de um nome. Ele ent\u00e3o vai a mim e diz: \u201cSobral, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que a Ordem n\u00e3o tenha&#8230;\u201d eu disse \u201cN\u00e3o! Voc\u00ea est\u00e1 sendo generoso, porque a lei autoriza voc\u00ea indicar e ningu\u00e9m pode recusar, e se recusar voc\u00ea pode suspender. O Conselho suspende, est\u00e1 na Lei. Voc\u00ea est\u00e1 sendo generoso. Mas esse cat\u00f3lico n\u00e3o sabe o que \u00e9 a caridade crist\u00e3. Ele n\u00e3o conhece o evangelho: \u201cAquele que \u00e9 do reino de Deus tem que ser amigo, n\u00e3o s\u00f3 do amigo, n\u00e3o s\u00f3 do amigo, mas do inimigo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazer bem \u00e0quele do qual recebeu o mal est\u00e1 no Evangelho, isso que Santo Agostinho resumiu numa frase lapidar: \u201cOdiar o pecado e amar o pecador\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Geraldo: <\/strong>Dr. Sobral, ap\u00f3s o senhor ser indicado pela Ordem, como foi o seu primeiro encontro com Prestes, na condi\u00e7\u00e3o de seu advogado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobral: <\/strong>Eu fui a primeira pessoa com a qual ele se entendia ap\u00f3s a pris\u00e3o. Ele tinha sido interrogado pelo juiz do Tribunal de Seguran\u00e7a que tinha o processo dele. Foi apenas interrogado e saiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira pessoa com quem ele conseguiu falar francamente fui eu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o ele durante uma hora e meia, numa exalta\u00e7\u00e3o tremenda, ele atacou o governo, atacou o Tribunal de Seguran\u00e7a, atacou o tratamento brutal que lhe estava sendo aplicado em incomunicabilidade rigorosa, atacou a Ordem dos Advogados, atacou a mim dizendo o que \u00e9 que eu poderia fazer se o senador Chermont havia requerido um habeas corpus ao Tribunal, com autoriza\u00e7\u00e3o do Senado estava preso e sendo processado. \u201cO que \u00e9 que o senhor um \u2018advogadozinho\u2019 pode fazer?\u201d. E naquela uma hora e meia de um discurso extraordinariamente exaltado, nesse discurso muita coisa era verdade. Muita coisa n\u00e3o era, ent\u00e3o, ele me proibiu de apresentar a defesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Geraldo<\/strong>: Como se deu a aproxima\u00e7\u00e3o do senhor com a Dona Leoc\u00e1dia, m\u00e3e do Prestes?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobral<\/strong>: No dia que eu entrei com a peti\u00e7\u00e3o ao Tribunal, em defesa do Prestes, eu fui \u00e0 pris\u00e3o onde ele se encontrava, para lhe entregar uma c\u00f3pia, mandei levar. Eu n\u00e3o fui ao quarto dele, porque foi uma coisa desagrad\u00e1vel, o que tinha acontecido antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele levou mais de meia hora e pediu para vir \u00e0 minha presen\u00e7a, o comandante autorizou. Ele veio com dois guardas, um de cada lado. Diz-me: \u201cEu queria perguntar ao senhor, se o senhor realmente entrou com essa peti\u00e7\u00e3o?\u201d Eu respondi: \u201c\u00c9 evidente que sim. Eu n\u00e3o seria capaz de trazer ao senhor, palavras que n\u00e3o teria apresentado ao Tribunal, sobretudo ao senhor que n\u00e3o tem meios de verificar se entrei. O senhor n\u00e3o tem ningu\u00e9m em contato, a \u00fanica pessoa em contato com o senhor sou eu.\u201d Peguntei: \u201cPor que?\u201d Respondeu-me: \u201cA peti\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito bem feita, sobretudo, muito corajosa. Meus parab\u00e9ns!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A censura esqueceu de avisar os jornais, que n\u00e3o publicassem nenhuma defesa no Tribunal de Seguran\u00e7a Nacional. Um comunista pediu uma certid\u00e3o dela e levou para o jornal \u2018O Radical\u2019. O jornal publicou, na primeira p\u00e1gina. E outro comunista, marinheiro franc\u00eas, mandou para a dona Leoc\u00e1dia, que se encontrava em Paris. Ela leu a peti\u00e7\u00e3o e se entusiasmou. Escreveu ao Prestes dizendo: \u201c tenha confian\u00e7a no doutor Sobral. N\u00e3o h\u00e1 motivo para recusar a sua defesa\u201d. Ele mudou de orienta\u00e7\u00e3o e aceitou a minha defesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A correspond\u00eancia entre ela e Sobral Pinto \u00e9 constante, em 19 de mar\u00e7o de 1937, ele d\u00e1 ci\u00eancia ao Ministro da Justi\u00e7a, Jos\u00e9 Carlos de Macedo Soares, atrav\u00e9s de uma carta sua: \u201cHonrando o apelo angustioso que Dona Leoc\u00e1dia Prestes me dirige, do seu penoso ex\u00edlio, passo \u00e0s m\u00e3os de V.Exa. a carta que ela, aflita e esperan\u00e7ada, escreveu ao senhor Ministro da Justi\u00e7a do Brasil. Cat\u00f3lico e patriota, eu me honro com o desempenho desta miss\u00e3o, de que me vi investido pela veneranda M\u00e3e de Lu\u00eds Carlos Prestes. Tudo farei, na medida das minhas energias morais e da minha capacidade profissional, para evitar que o Governo b\u00e1rbaro e odiento de Hitler pratique a monstruosa iniquidade de tirar das m\u00e3os de sua m\u00e3e uma tenra crian\u00e7a de 10 meses. Se me dirijo agora a V.Exa., na qualidade de advogado ex-officio de Lu\u00eds Carlos Prestes, \u00e9 porque n\u00e3o posso alijar da minha convic\u00e7\u00e3o a certeza de que cabe ao Governo brasileiro a maior responsabilidade desse crime contra os direitos da maternidade, que ora se prepara, fria e cruelmente no recinto de uma pris\u00e3o da outrora e gloriosa Germ\u00e2nia. Como admitir, assim, justificativa para o ato do Governo Brasileiro, que entregou, consciente e deliberadamente Olga Ben\u00e1rio Prestes \u00e0 vingan\u00e7a do racismo odiento e perseguidor de Hitler. Cruzar as autoridades brasileiras, os bra\u00e7os ante a iniquidade que ora se projeta levar adiante contra um cora\u00e7\u00e3o materno, num dos pres\u00eddios pol\u00edticos da Alemanha, \u00e9 procedimento que n\u00e3o se compreende que a consci\u00eancia crist\u00e3 profliga\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Respondendo a outra carta recebida de Dona Leoc\u00e1dia diz o not\u00e1vel jurista, que um delegado de pol\u00edcia vai falar com Prestes, na Casa de Corre\u00e7\u00e3o para saber \u201cem que Pa\u00eds, e em que data Lu\u00eds Carlos Prestes teria se casado com Olga Ben\u00e1rio Prestes. Das respostas do filho de V.Exa. \u00e9 que ir\u00e1 depender a situa\u00e7\u00e3o da menina Anita Leoc\u00e1dia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes foi a luta para encontrar um Tabeli\u00e3o a fim de lavrar a escritura p\u00fablica de reconhecimento, por parte de Lu\u00eds Carlos Prestes, de sua filha Anita Leoc\u00e1dia. Sobral Pinto bateu \u00e0s portas de quase todos os cart\u00f3rios e s\u00f3 encontrou o medo e a m\u00e1 vontade. Isto sem falar em alguns membros do Partido Comunista que n\u00e3o se mostravam satisfeitos com a sua atua\u00e7\u00e3o no processo. A esse respeito escreve: \u201cConsolo-me, por\u00e9m, com as declara\u00e7\u00f5es do filho de V.Exa. feitas de p\u00fablico, de que \u2018estando cercado na Pol\u00edcia Especial, s\u00f3 de vermes, apareceu-lhe, afinal, um homem\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este homem fui eu.\u201d Mais adiante, na sua defesa oral, acrescentou Lu\u00eds Carlos Prestes: \u201cO senhor Sobral Pinto exerce a advocacia como um sacerd\u00f3cio\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O prazo para o reconhecimento da paternidade de Anita Leoc\u00e1dia praticamente est\u00e1 no seu final, Sobral Pinto consegue um Tabeli\u00e3o e envia diretamente \u00e0 Gestapo uma certid\u00e3o com a respectiva vers\u00e3o alem\u00e3 da escritura de reconhecimento da menor Anita Leoc\u00e1dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que pouca gente sabe, o que o Brasil precisa saber \u00e9 que esse documento pelo qual Sobral Pinto tanto lutou, foi ele que salvou a menina das garras odientas da Gestapo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outra carta datada de 12\/05\/1937, Sobral Pinto escreve para dona Leoc\u00e1dia: \u201cExma. Sra. D. Leoc\u00e1dia Prestes. Obtive ontem, finalmente, autoriza\u00e7\u00e3o do Chefe de Pol\u00edcia, para entregar ao seu filho os objetos que me remeteu para tal fim. Hoje, se Deus quiser, irei at\u00e9 a Pol\u00edcia Especial para, na presen\u00e7a do Comandante dessa For\u00e7a, passar \u00e0s m\u00e3os de Lu\u00eds Carlos Prestes as roupas e objetos de uso que ele estava realmente necessitado. Parece incr\u00edvel que a supress\u00e3o das liberdades tenha atingido, no Brasil, a tais extremos que um advogado precise fazer as peregrina\u00e7\u00f5es a que tive que me entregar para conseguir dar a um preso pol\u00edtico algumas roupas que a sua velha m\u00e3e, tamb\u00e9m exilada lhe mandara de longas terras.\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pergunto ao Dr. Sobral: &#8211; \u201cO Prestes s\u00f3 se comunicava com a m\u00e3e atrav\u00e9s do senhor? Ele tinha liberdade de ler jornais e livros?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O velho mestre, com a mem\u00f3ria privilegiada, responde: \u201cEu estabeleci uma correspond\u00eancia permanente minha com a dona Leoc\u00e1dia e consegui que o juiz do processo estabelecesse uma correspond\u00eancia semanal do Prestes com a m\u00e3e. Ela, primeiramente, em Paris, depois, com a Segunda Grande Guerra Mundial, em 1939, ela veio para o M\u00e9xico, ele semanalmente escrevia \u00e0 M\u00e3e e recebia uma carta dela. Eu consegui tamb\u00e9m para ele a assinatura do Jornal do Com\u00e9rcio e do Correio da Manh\u00e3, ele recebia diariamente esses dois jornais. Consegui tamb\u00e9m a autoriza\u00e7\u00e3o para o Prestes receber livros, ele chegou a ter mais de mil volumes na pris\u00e3o onde se encontrava, na Casa de Corre\u00e7\u00e3o, na Frei Caneca.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Geraldo<\/strong>: O senhor esperava absolver o Prestes e os seus companheiros da revolu\u00e7\u00e3o comunista?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobral<\/strong>: Eu n\u00e3o podia de forma nenhuma tentar obter a absolvi\u00e7\u00e3o por duas raz\u00f5es muito simples: A primeira \u00e9 que o Prestes e o Berger tinham declarado \u00e0 Pol\u00edcia, quando foram pegos, que eram os organizadores da Revolu\u00e7\u00e3o de 35. De modo que eles assumiram nobremente a responsabilidade por ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em segundo lugar a pol\u00edcia ao prend\u00ea-los e ao prender, tamb\u00e9m, o Bonfim, que era o secret\u00e1rio do Partido Comunista, a pol\u00edcia ficou com todo o arquivo dessas personagens. Ela tinha a prova concreta e documental da participa\u00e7\u00e3o deles de modo que n\u00e3o podia pensar em absolvi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que eu pretendia e tentei fazer em rela\u00e7\u00e3o ao Berger e ao Prestes era obter uma condi\u00e7\u00e3o de pessoa humana que lhes estava sendo negada pelas autoridades policiais da \u00e9poca, considerava ambos como se fossem uns animais hidr\u00f3fobos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prestes estava em incomunicabilidade rigorosa. Colocado numa pris\u00e3o sem livros, sem jornal e o Berger num socav\u00e3o de escada, como se fosse um c\u00e3o hidr\u00f3fobo. Ent\u00e3o eu tinha a obriga\u00e7\u00e3o de tentar para que eles fossem colocados numa pris\u00e3o condigna, numa pris\u00e3o a altura da sua situa\u00e7\u00e3o de pessoas humanas, membros da fam\u00edlia humana, isso era o que achava que devia fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Geraldo<\/strong>: Foi dada a situa\u00e7\u00e3o desumana na acep\u00e7\u00e3o da palavra em que se encontravam o Berger que fez o senhor pedir para ele a Lei de Prote\u00e7\u00e3o dos Animais?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?attachment_id=139293\" rel=\"attachment wp-att-139293\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-139293 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/prestes.jpg\" alt=\"prestes\" width=\"466\" height=\"658\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/prestes.jpg 466w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/prestes-212x300.jpg 212w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/prestes-354x500.jpg 354w\" sizes=\"auto, (max-width: 466px) 100vw, 466px\" \/><\/a><\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em><strong>Luiz Carlos\u00a0Prestes, Maria Prestes e Sobral Pinto. Arquivo: Google<\/strong><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobral<\/strong>: O Berger estava num socav\u00e3o de escada, a lei de prote\u00e7\u00e3o aos animais n\u00e3o permite que se coloque o animal numa situa\u00e7\u00e3o impr\u00f3pria para sua natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns utilizavam o exemplo do cavalo. O cavalo precisa de espa\u00e7o, se colocar o cavalo numa baia sem poder sair, sem poder correr, depois de um certo tempo ele come\u00e7a a entristecer, sem querer comer, ele acaba morrendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Colocar um homem num socav\u00e3o de escada com acesso para o primeiro andar, pela qual dia e noite desciam e subiam os soldados e com uma grade externa e frontal, era positivamente uma monstruosidade. Era a pr\u00e1tica de um ato criminoso at\u00e9 para um animal, quanto mais para um ser humano. Eu levei 6 meses para conseguir tir\u00e1-lo desse lugar. Quando eu consegui me entender com ele depois dele j\u00e1 estava preso h\u00e1 mais de um ano nessa situa\u00e7\u00e3o, ele j\u00e1 estava um pouco perturbado. Eu consegui que um m\u00e9dico psiquiatra fosse examin\u00e1-lo. O m\u00e9dico me disse que ele a perturba\u00e7\u00e3o que ele tinha, era perturba\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o \u00e9 dada a situa\u00e7\u00e3o que se encontra, se for retirado agora, desse local, ele ainda pode salvar-se, pode readquirir o seu ju\u00edzo perfeito, mas se ele continuar pode se agravar e ai \u00e9 irremedi\u00e1vel a loucura e foi o que aconteceu, quando eu o tirei ele estava inteiramente perturbado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a anistia concedida por Get\u00falio Vargas, em 19 de abril de 1945, pr\u00f3ximo ao t\u00e9rmino da Segunda Grande Guerra Mundial, Lu\u00eds Carlos Prestes, depois de cumprir nove anos de pris\u00e3o, \u00e9 anistiado com os demais presos pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 em liberdade, Prestes d\u00e1 uma entrevista coletiva \u00e0 Imprensa, pregando a Uni\u00e3o Nacional com Get\u00falio e tamb\u00e9m a &#8220;Constituinte com Get\u00falio&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma semana ap\u00f3s, mais precisamente, em 28 de abril, Sobral Pinto escreve a Lu\u00eds Carlos Prestes: \u201c&#8230; o respeito que lhe devo, a amizade que nos une, a magnitude do assunto, e os altos interesses do Brasil n\u00e3o me permitem guardar sil\u00eancio em face da sua atitude, corporificada nessa entrevista de ontem. Julgo-me, assim, no dever indeclin\u00e1vel de lhe expor, com franqueza e sinceridade o que eu penso da sua atitude de agora, n\u00e3o s\u00f3 no que diz respeito ao seu futuro, mas, tamb\u00e9m, no que se refere ao futuro da vossa P\u00e1tria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quero fixar, de inicio, a posi\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica em que me encontro. Sou seu advogado ex-officio, at\u00e9 ontem, vivemos juntos e solid\u00e1rios oito longos anos de sofrimentos, inquieta\u00e7\u00f5es e incertezas permanentes, animados sempre, todavia, pela certeza da vit\u00f3ria final contra a prepot\u00eancia sombria e brutal da ditadura do Sr. Get\u00falio Vargas, que oprimia, com desrespeito \u00e0s prerrogativas de homem, a dignidade do pr\u00f3prio cidad\u00e3o brasileiro. Nada valho, nada sou, modesto obreiro do Direito, minha vida se vem processando em lutas cotidianas, \u00e1speras e bravias, em prol do reinado da Justi\u00e7a. A nada aspiro, sen\u00e3o lutar pela liberdade, efetiva e real, no seio de nossa P\u00e1tria. Eis porque, magoado e triste li sua entrevista. Ora, capit\u00e3o Lu\u00eds Carlos Prestes, para que possamos chegar ao Brasil ao entendimento dessa natureza, \u00e9 indispens\u00e1vel que n\u00f3s n\u00e3o nos aproximemos do Sr. Get\u00falio Vargas.\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas elei\u00e7\u00f5es de dois de dezembro de 1945, Prestes se elege senador pelo Distrito Federal, antiga capital da Rep\u00fablica, como se chamava a cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eleito para o mandato de cinco anos, como senador, Prestes s\u00f3 cumpriu dezoito meses. Viv\u00edamos o governo do General Eurico Gaspar Dutra, um governo arbitr\u00e1rio na acep\u00e7\u00e3o da palavra, para ele n\u00e3o havia Constitui\u00e7\u00e3o. Ele agia como um subalterno do governo americano, fiel cumpridor de todas as suas ordens: Intervir nas entidades sindicais de esquerda; prender, espancar e processar seus dirigentes; proibir com\u00edcios do Partido Comunista, empastelar seus jornais, cassar o registro do Partido Comunista e os mandatos dos seus parlamentares. \u201cPrestes levou meses sem aparecer no senado, mesmo sem ter sido cassado\u201d, me diz Sobral Pinto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O senador Bernardes Filho avisou ao Dr. Sobral que a pol\u00edtica estava esperando Prestes no Senado para prend\u00ea-lo, Dr. Sobral de imediato comunicou o Prestes, atrav\u00e9s do Capit\u00e3o Rolemberg. Uma certa tarde, Prestes chega ao senado, faz um discurso de alguns minutos e foi embora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quis saber por que o Dr. Sobral nunca se candidatou a cargo eletivo, ao que ele respondeu-me: \u201cEu poderia ter-me feito deputado tranquilamente pelo Rio de Janeiro ou por Minas Gerais. Eu tive a oportunidade de ser senador em condi\u00e7\u00f5es excepcional\u00edssimas. Em 1947 fez-se a elei\u00e7\u00e3o do 3\u00ba senador. Lembre-se que a Constitui\u00e7\u00e3o de 1946 criou s\u00f3 dois senadores, mas no curso de 46 resolveram fazer o terceiro. Ent\u00e3o, nessa ocasi\u00e3o tr\u00eas partidos no Rio de Janeiro reuniram-se e me ofereceram a senatoria, dispensando-me dos seus respectivos programas. Foi anunciado isso nos jornais. Nessa \u00e9poca o Partido Comunista era legal. Prestes era senador aqui pelo Rio de Janeiro. O Prestes mandou me convidar atrav\u00e9s de um grande amigo dele e meu, o comunista Rolemberg (oficial do Ex\u00e9rcito que foi expulso do Ex\u00e9rcito e voltou pela anistia 16 anos depois). Ele vinha toda semana aqui no meu escrit\u00f3rio. Ele veio me consultar se na realidade eu era candidato, porque se fosse o Partido Comunista votaria fechado comigo. Logo que eu vi as noticias nos jornais, comuniquei imediatamente aos tr\u00eas partidos que eu n\u00e3o aceitava, e n\u00e3o aceitava por isso: porque eu n\u00e3o confiava nos partidos, eis a raz\u00e3o porque eu nunca fui nem senador nem deputado.\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto na ditadura de 1937, como na de 1964, Sobral Pinto foi preso. A primeira na Casa de Deten\u00e7\u00e3o, quando o tenente Canepa, seu tem\u00edvel diretor, tentou agredi-lo, chamando-o de mentiroso. &#8220;Mentiroso \u00e9 voc\u00ea&#8221;, respondeu-lhe o corajoso Sobral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De outra feita, revoltado com a agress\u00e3o covarde cometida por meia d\u00fazia de policiais, diante do comandante da pol\u00edcia especial, coronel Euz\u00e9bio Queiroz, contra Prestes, Sobral Pinto sai em sua defesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O coronel Euz\u00e9bio Queiroz, era um homem forte e violento, partiu para cima do Sobral Pinto, que era franzino, agarrando-o e rodopiando seu corpo, Sobral agarrou-se ao pesco\u00e7o do coronel, para n\u00e3o ser arremessado ao ch\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recordei, certo dia, em casa do Prestes, esse epis\u00f3dio covarde e violento, quando ressaltou Prestes a coragem de Sobral Pinto: &#8220;Nesse momento, tamb\u00e9m, sobrou para ele&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 18 de dezembro de 1968, Costa e Silva assina o Ato Institucional n\u00ba 5.\u00a0 Sobral Pinto encontrava-se em Goi\u00e2nia, para onde fora paraninfar a turma da Faculdade de Direito da Universidade de Goi\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Geraldo, Goi\u00e2nia \u00e9 muito quente. Eu estava de chinelo, sem meias, de manga de camisa, bateram \u00e0 porta, era um emiss\u00e1rio de um importante pol\u00edtico de Goi\u00e1s, que colocava \u00e0 minha disposi\u00e7\u00e3o, com total seguran\u00e7a, um carro completamente equipado, com um motorista que conhecia minuciosamente toda a regi\u00e3o, inclusive com condi\u00e7\u00f5es de levar-me para o exterior, pois eu seria preso \u00e0 tardinha, o que seria uma vergonha para o Estado de Goi\u00e1s.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobral Pinto agradece o zelo, pela sua pessoa, mas n\u00e3o aceita. Declara para o mensageiro: \u201cDevo dizer que dos 70 bacharelandos, at\u00e9 o momento em que a comiss\u00e3o foi ao Rio de Janeiro, comiss\u00e3o constitu\u00edda de tr\u00eas bacharelandos, para me dizer que tinham me eleito paraninfo da turma, eu n\u00e3o conhecia o nome de nenhum s\u00f3 desses bacharelandos, nem sabia quem eram. Evidentemente, essas pessoas me convidaram pelo meu passado que n\u00e3o \u00e9 de covardia, nem de medo, ent\u00e3o, nessa hora eu vou dar a esses rapazes uma demonstra\u00e7\u00e3o de medo e covardia? Em hip\u00f3tese alguma!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAgrade\u00e7o muito o seu interesse e do seu amigo, mas, eu fico aqui. Eu apenas n\u00e3o acato a ordem de pris\u00e3o que querem me dar.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E realmente, mais tarde o previsto aconteceu.\u00a0 \u201cUm militar bateu \u00e0 porta e me disse o seguinte: \u2018O presidente da Rep\u00fablica, Marechal Costa e Silva, mandou ao senhor uma ordem por meu interm\u00e9dio, para o senhor me acompanhar. \u2019 \u2018Ordens ilegais como essa, eu n\u00e3o as obede\u00e7o\u2019, respondi. Ent\u00e3o, ele me disse: \u2018N\u00f3s temos que quebrar o senhor\u2019. \u2018Ent\u00e3o quebre! Pouco me interessa. Eu n\u00e3o vou absolutamente. Com os meus passos n\u00e3o vou. \u2019 Eles tiveram que me arrastar, e me jogaram no cambur\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Levaram-no para o quartel do Ex\u00e9rcito, em Goi\u00e2nia e depois para Bras\u00edlia, onde ficou preso durante tr\u00eas dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobral Pinto protesta, em carta enviada ao presidente Costa e Silva: &#8220;&#8230; atrav\u00e9s do referido Ato, V.Exa. instituiu em nossa P\u00e1tria a Ditadura Militar. Sou, Senhor presidente uma das v\u00edtimas do Ato Institucional n.\u00ba 5. A Pol\u00edcia Federal de Goi\u00e1s, invocando o nome de V.Exa. deu-me voz de pris\u00e3o, ordem que n\u00e3o acatei, declarando que nem V.Exa., nem ningu\u00e9m, nesse Pa\u00eds, \u00e9 dono da minha pessoa e da minha liberdade. Nada fizera para esta perder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recusava altivamente acatar ordem t\u00e3o absurda e t\u00e3o ilegal. Mal pronunciei essas palavras, quatro homens de complei\u00e7\u00e3o gigantesca lan\u00e7aram-se sobre mim, como vespas sobre a carni\u00e7a, imobilizando-me os bra\u00e7os e apertando-me o ventre pelas costas. Em seguida, empurraram-me, como aut\u00f4mato, do quarto ao elevador, onde me empurraram. Deste at\u00e9 o carro, que se encontrava \u00e0 porta do hotel, fizeram id\u00eantica manobra. Colocado no carro de mangas de camisa, como me encontrava no quarto, conduziram-me a um batalh\u00e3o, que fica nos arredores de Goi\u00e2nia. Neste permaneci uma hora mais ou menos. Depois de um atrito com o Comandante da Unidade, que tentou desrespeitar-me, sendo levado ao Quartel da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito, em Bras\u00edlia, onde fiquei tr\u00eas dias, respeitado pela oficialidade, desde o coronel comandante at\u00e9 o mais modesto dos tenentes.\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Advogado criminalista, professor universit\u00e1rio, Sobral Pinto n\u00e3o cobrava honor\u00e1rios dos pol\u00edticos, nem dos pobres, que era a sua grande clientela. \u201cCobrava de quem?\u201d perguntou-se certa vez Mestre Evandro Lins e Silva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?attachment_id=139294\" rel=\"attachment wp-att-139294\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-139294 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/maca.jpg\" alt=\"maca\" width=\"400\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/maca.jpg 400w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/maca-200x300.jpg 200w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/maca-333x500.jpg 333w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong><em>Com uma tipoia no bra\u00e7o, o advogado Sobral Pinto caminha com Geraldo Pereira pelas ruas do Centro da Cidade do Rio de Janeiro. Arquivo: GP<\/em><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na d\u00e9cada de 40, para adquirir a carne verde (como se chamava a carne de boi, na \u00e9poca), s\u00f3 no c\u00e2mbio negro. O chef\u00e3o do c\u00e2mbio negro, na cidade de S\u00e3o Paulo, estava com a pol\u00edcia no seu encal\u00e7o. Ele \u00e9 aconselhado a procurar um grande advogado para defend\u00ea-lo. O indicado era o famoso advogado carioca Sobral Pinto. Segue para o Rio de Janeiro e procura Sobral Pinto, cujo escrit\u00f3rio ficava na Rua da Assembleia e tinha como vizinho de sala outro grande advogado: Evandro Lins e Silva que, tomando conhecimento do caso, disse para o Sobral: \u201cEsse fulano tem muito dinheiro, na hora de cobrar os honor\u00e1rios quem acerta sou eu.\u201d Sobral Pinto concordou, mas pediu ao Evandro que n\u00e3o cobrasse muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa hist\u00f3ria quem me contou, rindo muito, foi o saudoso Evandro Lins e Silva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre que visitava o doutor Sobral, convers\u00e1vamos longamente, sobre os mais diversos assuntos. Lembro que numa dessas vezes, o encontrei muito preocupado: \u201cDr. Sobral, se precisar de mim, disponha. Estou vendo que o senhor est\u00e1 muito preocupado.\u201d. Era fim de m\u00eas. Ele me respondeu: \u201cTenho que pagar minha secret\u00e1ria, dona Marlene, telefone, luz&#8230;\u201d Digo-lhe, estou indo para S\u00e3o Paulo, se o senhor me autorizar, falarei com Caio Graco, filho de Caio Prado, editor da Brasiliense, muito meu amigo, que pode tirar uma nova edi\u00e7\u00e3o dos seus livros \u2018Li\u00e7\u00f5es de Liberdade\u2019 e \u201cPorque defendo os comunistas\u201d, eles est\u00e3o esgotados. Dr. Sobral concorda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em S\u00e3o Paulo, falei com Caio que ficou content\u00edssimo. Ele na hora telefonou para a Editora Comunica\u00e7\u00e3o, de Belo Horizonte e foi\u00a0 informado que havia uma ponta de estoque de 800 exemplares de um t\u00edtulo e 700 do outro, o que impossibilitava que a Brasiliense editasse os referidos livros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o apoio de Lu\u00eds Ten\u00f3rio e Afonso Delelis, meus amigos, Delelis \u00a0era assessor para assuntos sindicais do governador Montoro, chego \u00e0 presen\u00e7a do governador e lembro-lhe do Congresso da Democracia Crist\u00e3, realizado no Uruguai, em 1946, cujos representantes do Brasil seriam Sobral Pinto e Alceu Amoroso Lima, as maiores express\u00f5es do catolicismo brasileiro. Sobral telefona para o Alceu e diz: \u201cAlceu, tem em S\u00e3o Paulo um jovem de muito futuro, ele vai com voc\u00ea no meu lugar.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse jovem era Andr\u00e9 Franco Montoro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Expus as dificuldades em editar o livro. De imediato ele se prontificou a adquirir todos os exemplares para distribu\u00ed-los nas escolas do Estado. Sai dali muito satisfeito. \u00c0 tardinha j\u00e1 estava no escrit\u00f3rio do mestre Sobral Pinto. Dou-lhe a not\u00edcia. Ele me encara e com uma imposta\u00e7\u00e3o de voz, at\u00e9 ent\u00e3o, desconhecida por mim, diz: \u201cMontoro n\u00e3o pode gastar o dinheiro do Estado, comprando os meus livros. N\u00e3o aceito. Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 autorizado a falar mais nesse assunto, se quiser ser meu amigo.\u201d N\u00e3o disse mais nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certa tarde, em seu escrit\u00f3rio, num longo bate papo, dizia-me que o seu sonho era ser Ministro do Supremo. De imediato lhe respondi: \u201cDr. Sobral, esse sonho n\u00e3o se tornou realidade porque o senhor. n\u00e3o quis. N\u00e3o \u00e9 verdade?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recordemos um pouco a hist\u00f3ria: Juscelino havia ganho a elei\u00e7\u00e3o, em 1955, e as for\u00e7as mais retrogradas do pa\u00eds queriam impedir a sua posse. Sobral Pinto, com o seu saber e acima de tudo, com a sua reconhecida for\u00e7a moral, o que lhe conferia a mais alta respeitabilidade p\u00fablica da Na\u00e7\u00e3o, saiu em defesa do Juscelino. Foi a \u2018p\u00e1 de cal\u2019, no sonho dos golpistas da UDN.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao tomar posse, Juscelino convida Sobral Pinto para ser Ministro do Supremo Tribunal Federal. O velho Sobral, com aquela dignidade que era o seu maior patrim\u00f4nio, n\u00e3o aceita o convite. Fixando-me bem nos olhos, disse: \u201cIriam dizer que eu defendi a posse dele para ser ministro. N\u00e3o! N\u00e3o podia aceitar.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Geraldo<\/strong>: Dr. Sobral, para ser um bom advogado \u00e9 suficiente s\u00f3 estudar o Direito?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele respondeu-me: \u201cN\u00e3o. \u00c9 preciso ter um temperamento pr\u00f3prio para a profiss\u00e3o, pois a profiss\u00e3o requer luta, a profiss\u00e3o requer trabalho, a profiss\u00e3o requer coragem, a profiss\u00e3o requer esperan\u00e7a, a profiss\u00e3o requer um ideal pela aplica\u00e7\u00e3o justa e razo\u00e1vel do Direito. N\u00e3o basta, portanto, conhecer as leis e interpreta-las. S\u00e3o indispens\u00e1vel todas essas qualidades que eu acabei de enumerar. Um grande advogado n\u00e3o se faz sem esses elementos que eu acabo de apontar. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a raz\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a intelig\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a cultura que faz um grande advogado: \u00e9 tamb\u00e9m o seu temperamento, \u00e9 tamb\u00e9m a sua convic\u00e7\u00e3o de que a profiss\u00e3o exige muito esfor\u00e7o, muita coragem, e muita disposi\u00e7\u00e3o para a luta.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Geraldo<\/strong>: E com essa idade o senhor ainda precisa trabalhar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobral<\/strong>:\u201cEu preciso trabalhar porque n\u00e3o tenho rendas. Eu trabalho por necessidade. \u00c9 claro, \u00e9 evidente que tamb\u00e9m por gosto. Eu gosto de trabalhar, eu acho que o trabalho completa o homem. Nosso Senhor quando criou o homem mandou que ele trabalhasse. Ent\u00e3o, eu acho que o trabalho \u00e9 elemento fundamental da exist\u00eancia de todo e qualquer homem, mas, al\u00e9m dessa circunst\u00e2ncia eu trabalho porque preciso da renda do escrit\u00f3rio, pois n\u00e3o tenho outra para manter e \u00e0 minha fam\u00edlia. Eu trabalho, tamb\u00e9m, por entender que enquanto tiver sa\u00fade, essa sa\u00fade que Deus me deu, \u00e9 minha obriga\u00e7\u00e3o trabalhar.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Geraldo<\/strong>:Dr. Sobral, onde \u00e9 que o senhor encontra tanta vitalidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobral<\/strong>: \u201cGeraldo, voc\u00ea pergunte isso a Deus. Eu jamais fiz qualquer coisa para manter a vitalidade que consigo at\u00e9 essa idade. Nunca fiz dieta, nunca fiz regime, nunca tive preocupa\u00e7\u00e3o em ter um hor\u00e1rio permanente em cada dia; a minha vida \u00e9 inimiga de hor\u00e1rios. Eu s\u00f3 tenho duas horas certas: \u00e9 a hora de me deitar e a hora de me levantar. A hora de me deitar raramente \u00e9 antes da meia noite; e a hora de me levantar \u00e9 raramente depois das 6 horas da manh\u00e3, as \u00fanicas coisas que tenho feito com const\u00e2ncia. O mais n\u00e3o \u00e9 absolutamente resultado de esfor\u00e7o ou de preocupa\u00e7\u00e3o minha, \u00e9 \u00fanica e exclusivamente generosidade e bondade de Deus. Aquilo que sou, aquilo que tenho sido, decorre \u00fanica e exclusivamente da minha f\u00e9 em Deus, da minha f\u00e9 em Jesus Cristo e da minha f\u00e9 na Igreja como deposit\u00e1ria das verdades eternas pregadas por Deus.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Geraldo<\/strong>: O senhor continua indo as missas aos s\u00e1bados?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dr. Sobral<\/strong>: Vou todos os s\u00e1bados e no domingo eu ou\u00e7o na televis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Geraldo<\/strong>: Seus filhos s\u00e3o cat\u00f3licos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dr. Sobral<\/strong>: S\u00e3o Cat\u00f3licos, alguns relaxados, mas, s\u00e3o cat\u00f3licos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agrade\u00e7o a Jorge Amado ter conhecido o admir\u00e1vel e saudoso ser humano que foi Her\u00e1clito Fontoura Sobral Pinto, de quem me tornei amigo, amizade que durou mais de 4 d\u00e9cadas, d\u00e9cadas de li\u00e7\u00f5es aprendidas para n\u00e3o desaprender jamais.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":139293,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-139291","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/prestes.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=139291"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139291\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/139293"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=139291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=139291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=139291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}