{"id":140618,"date":"2016-07-21T00:44:16","date_gmt":"2016-07-21T03:44:16","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=140618"},"modified":"2016-07-21T00:44:16","modified_gmt":"2016-07-21T03:44:16","slug":"comeca-o-famoso-julgamento-da-madame-henriette-caillaux","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/comeca-o-famoso-julgamento-da-madame-henriette-caillaux\/","title":{"rendered":"Come\u00e7a o famoso julgamento da Madame Henriette Caillaux"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"bigtitle\" data-section=\"\"><\/h1>\n<p><time class=\"time d-b\" datetime=\"2016-07-21BRT00:07\">Max Altman\u00a0<\/time><\/p>\n<div class=\"social pc\"><\/div>\n<div class=\"descript\">\n<p>Enquanto a Guerra amea\u00e7ava os B\u00e1lc\u00e3s, a aten\u00e7\u00e3o de grande parte do povo franc\u00eas estava voltada para o sensacional caso da Madame Henriette Caillaux, cujo julgamento pela morte de Gaston Calmette, editor do jornal Le Figaro, \u00e9 aberto em 20 de julho de 1914, em Paris.<br \/>\n<sup><br \/>\nWikipedia<\/sup><\/p>\n<div class=\"image-vertical\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/arquivos\/upload\/hh_64.jpg\" alt=\"\" width=\"366\" height=\"500\" \/><\/p>\n<div class=\"img-vertical-descript\"><\/div>\n<\/div>\n<p><sub>\u00a0Retrato de Henriette Caillaux (1874-1943)<\/sub><\/p>\n<p>Joseph Caillaux, um pol\u00edtico de esquerda, havia sido indicado primeiro ministro da Fran\u00e7a em 1911. Foi obrigado, por\u00e9m, a renunciar no ano seguinte ap\u00f3s ter sido acusado de excessiva leni\u00eancia com a Alemanha. Escolhido novamente como ministro em 1913, o pacifista Caillaux permaneceu sob constante ataque da direita. Em sua vida pessoal, ele n\u00e3o era nada discreto, ostentando amantes por todo lado durante sua vida de solteiro e mantendo um caso de amor secreto com uma delas, sua futura segunda mulher, Henriette, enquanto ainda estava casado com a primeira esposa.<\/p>\n<p>Embora Caillaux tenha sido um velho amigo de Raymond Poincar\u00e9, eleito presidente da Fran\u00e7a em mar\u00e7o de 1913, tornaram-se ac\u00e9rrimos advers\u00e1rios ainda antes da eclos\u00e3o da Primeira Guerra Mundial (1914-1919), que teria in\u00edcio no ver\u00e3o seguinte.<\/p>\n<p>Pouco depois de sua elei\u00e7\u00e3o, Poincar\u00e9 defendeu uma legisla\u00e7\u00e3o que estenderia o pagamento de impostos com fins militares de dois para tr\u00eas anos, uma medida que parecia necess\u00e1ria a muitos como meio de compensar a enorme vantagem populacional da Alemanha \u2013 70 milh\u00f5es a 40 milh\u00f5es \u2013 em caso de guerra. A despeito da oposi\u00e7\u00e3o de Caillaux e de outros liberais, inclusive o l\u00edder socialista, Jean Jaures, a lei foi aprovada em agosto de 1913. Como Caillaux continuava a critic\u00e1-la, tornou-se alvo de uma grande campanha difamat\u00f3ria conduzida por Gaston Calmette, o mais poderoso jornalista da Fran\u00e7a e editor do maior jornal, de linha direitista, o Le Figaro.<\/p>\n<p>Come\u00e7ando em dezembro de 1913, Calmette afirmava que ele poderia e iria publicar certos documentos que provariam que Caillaux, enquanto servia como Ministro das Finan\u00e7as em 1911, obstru\u00edra a justi\u00e7a num esc\u00e2ndalo financeiro em que estava pessoalmente envolvido. Al\u00e9m do mais, Calmette amea\u00e7ou publicar cartas de amor trocadas entre Caillaux e Henriette, quando ainda estava casado com a primeira esposa.<\/p>\n<p>Quando Calmette amea\u00e7ou publicar comunica\u00e7\u00f5es telegr\u00e1ficas interceptadas, supostamente demonstrando a simpatia de Caillaux pela Alemanha \u2013 uma afirma\u00e7\u00e3o que provocou en\u00e9rgico protesto do governo alem\u00e3o contra a intercepta\u00e7\u00e3o de sua correspond\u00eancia oficial &#8211; Caillaux foi a Poincar\u00e9 para pedir-lhe que Calmette evitasse revelar os documentos. Caso Poincar\u00e9 desistisse, Caillaux avisou: ele pr\u00f3prio tornaria p\u00fablico telegramas interceptados em seu poder, revelando as negocia\u00e7\u00f5es secretas do presidente franc\u00eas com o Vaticano. Tal revela\u00e7\u00e3o, certamente, irritaria os apoiadores seculares e anticlericais de Poincar\u00e9. O governo franc\u00eas emitiu em seguida uma nota oficial negando a exist\u00eancia dos telegramas germ\u00e2nicos. N\u00e3o obstante, Calmette prosseguiu com as amea\u00e7as de publicar as cartas de amor de Caillaux.<\/p>\n<p>Em 16 de mar\u00e7o de 1914, Henriette Caillaux tomou um t\u00e1xi em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sede do Le Figaro na rua Drouot. Ap\u00f3s esperar uma hora pela chegada do editor-chefe, caminhou com ele at\u00e9 sua sala. Alvejou-o com seis tiros de sua pistola autom\u00e1tica. Abatido, Calmette morreu naquela mesma noite.<\/p>\n<p><sup>Wikipedia<\/sup><\/p>\n<div class=\"image-vertical\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/arquivos\/upload\/hh_65.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"417\" \/><\/p>\n<div class=\"img-vertical-descript\"><\/div>\n<\/div>\n<p><sub>Ilustra\u00e7\u00e3o do Le Petit Journal sobre o assassinato<\/sub><\/p>\n<p>Enquanto no leste, em Viena e Berlim, avan\u00e7avam os planos que desembocariam na Primeira Guerra Mundial, os parisienses estavam fascinados pelo caso Caillaux e completamente alienados da iminente crise na Europa. Al\u00e9m de ter sido um crime que causou como\u00e7\u00e3o, o caso estabeleceu tamb\u00e9m um estridente conflito entre os pol\u00edticos de esquerda e de direita.<\/p>\n<p>O julgamento de Madame Caillaux come\u00e7ou em 20 de julho de 1914. Oito dias mais tarde, o j\u00fari a inocentou alegando tratar-se de um crime passional. No mesmo dia, a \u00c1ustria-Hungria declarava Guerra \u00e0 S\u00e9rvia.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto a Guerra amea\u00e7ava os B\u00e1lc\u00e3s, a aten\u00e7\u00e3o de grande parte do povo franc\u00eas estava voltada para o sensacional caso da Madame Henriette Caillaux, cuj<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":140619,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-140618","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/califu.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/140618","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=140618"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/140618\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/140619"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=140618"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=140618"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=140618"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}