{"id":141792,"date":"2016-07-28T14:20:10","date_gmt":"2016-07-28T17:20:10","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=141792"},"modified":"2016-07-28T14:20:10","modified_gmt":"2016-07-28T17:20:10","slug":"e-na-escola-publica-que-se-ganha-ou-se-perde-um-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/e-na-escola-publica-que-se-ganha-ou-se-perde-um-pais\/","title":{"rendered":"&#8220;\u00c9 na escola p\u00fablica que se ganha ou se perde um pa\u00eds&#8221;"},"content":{"rendered":"<div id=\"topoNot\">\n<h2 class=\"titMateria colorEnt\" style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<p class=\"creditoMateria\" style=\"text-align: justify;\">Eron Rezende<\/p>\n<p class=\"creditoMateria\" style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div id=\"materia\">\n<div id=\"fotoFullHoriz\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"flexslider\">\n<ul class=\"slides\">\n<li><img decoding=\"async\" title=\"Para o educador portugu\u00eas Ant\u00f3nio da N\u00f3voa, 62, o debate em torno da escola sem partido \u00e9 \" src=\"http:\/\/fw.atarde.uol.com.br\/2016\/07\/650x375_antonio-novoa-educacao_1653593.jpg\" alt=\"Para o educador portugu\u00eas Ant\u00f3nio da N\u00f3voa, 62, o debate em torno da escola sem partido \u00e9 \" \/>\n<p class=\"flex-caption\">Para o educador portugu\u00eas Ant\u00f3nio da N\u00f3voa, 62, o debate em torno da escola sem partido \u00e9 &#8220;absurdo&#8221;<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde 1994, o portugu\u00eas Ant\u00f3nio da N\u00f3voa, 62, visita o Brasil pelo menos uma vez ao ano. Requisitado para palestras e aulas, este educador e ex-reitor da Universidade de Lisboa \u00e9, assim, um espectador privilegiado dos avan\u00e7os e descompassos do sistema educacional brasileiro. V\u00ea, por aqui, mudan\u00e7as significativas, como a amplia\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento dedicado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. &#8220;Mas a escola p\u00fablica brasileira ainda \u00e9, de forma geral, um esc\u00e2ndalo&#8221;, diz. &#8220;E \u00e9 na escola p\u00fablica que se ganha ou se perde um pa\u00eds&#8221;. Em 2006, N\u00f3voa liderou o processo de fus\u00e3o da Universidade de Lisboa e da Escola T\u00e9cnica de Portugal, abrindo a universidade ao pa\u00eds. A popularidade que alcan\u00e7ou na defesa pelo direito ao ensino p\u00fablico de qualidade fez dele o representante da esquerda portuguesa nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais do in\u00edcio deste ano. Derrotado pelo candidato conservador, N\u00f3voa segue sua agenda de &#8220;ativista da educa\u00e7\u00e3o&#8221;, como j\u00e1 foi batizado pela imprensa portuguesa. Dos exemplos bem-sucedidos de ensino que j\u00e1 conheceu pelo mundo, destaca os da Su\u00e9cia e Finl\u00e2ndia. &#8220;S\u00e3o modelos fortes porque estamos falando de tr\u00eas ou quatro s\u00e9culos de responsabilidade e compromisso com a escola. N\u00e3o tr\u00eas ou quatro d\u00e9cadas&#8221;. Nesta entrevista \u00e0 <strong>Muito<\/strong>, N\u00f3voa fala sobre inova\u00e7\u00e3o no ensino, elite brasileira e escola com partido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O senhor costuma dizer que o problema da educa\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o est\u00e1 na escola. Onde est\u00e1?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 dois problemas centrais. O primeiro \u00e9 uma falta de compromisso social e pol\u00edtico com a educa\u00e7\u00e3o de qualidade para todos. Os brasileiros j\u00e1 incorporaram a ideia de que a escola \u00e9 importante e de que \u00e9 preciso que as crian\u00e7as a frequentem. Mas ainda n\u00e3o h\u00e1 um verdadeiro compromisso com essa ideia. N\u00e3o falo apenas numa escola onde todas as crian\u00e7as estejam, mas onde todas as crian\u00e7as aprendam. Esse ainda \u00e9 um compromisso fr\u00e1gil por parte das fam\u00edlias, da sociedade e dos pol\u00edticos. E h\u00e1 o segundo problema, a forma\u00e7\u00e3o dos professores. No Brasil, os professores s\u00e3o formados com muita coisa te\u00f3rica, muita coisa desconectada, e pouqu\u00edssimo foco no trabalho docente, na forma\u00e7\u00e3o do professor como um profissional que ter\u00e1 uma atua\u00e7\u00e3o di\u00e1ria dentro de uma escola. Isso tem levado a professores com muitos compromissos &#8211; pol\u00edticos, sociais, com o bem-estar social da crian\u00e7a -, mas com pouco compromisso com a aprendizagem, que deveria ser o foco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nossos resultados m\u00e9dios s\u00e3o ruins, mas h\u00e1 muitos munic\u00edpios com resultados b\u00e1rbaros. Por que n\u00e3o conseguimos replicar essas estrat\u00e9gias?<\/strong><br \/>\nEm regra geral, quando uma escola funciona \u00e9 a exist\u00eancia de um grupo de professores que conseguiu mobilizar o munic\u00edpio em torno de um projeto. Portanto, \u00e9 chave ter professores empenhados e mobilizados. Deveria ser bem mais f\u00e1cil, a partir de exemplos que funcionam, criar um cont\u00e1gio positivo para outras escolas. Mas isso n\u00e3o acontece porque a mobiliza\u00e7\u00e3o dos professores \u00e9 escassa. H\u00e1 um descompromisso, que tem raiz na forma\u00e7\u00e3o, nos sal\u00e1rios fracos. H\u00e1 uma coisa no Brasil, por exemplo, que \u00e9 terr\u00edvel e que n\u00e3o tem precedentes em outros pa\u00edses: professores que\u00a0 trabalham em v\u00e1rias escolas. Isso torna o dia a dia do professor um inferno. Como ele pode se concentrar numa escola, num projeto, se ele s\u00f3 passa metade do dia ali?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa fragmenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o acontece em outros pa\u00edses?<\/strong><br \/>\nNunca encontrei um exemplo semelhante. Na Europa n\u00e3o existe, nos Estados Unidos tamb\u00e9m n\u00e3o. E em todos os pa\u00edses que visitei na \u00c1frica e \u00c1sia essa n\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica. Essa fragmenta\u00e7\u00e3o do tempo do professor \u00e9 uma particularidade do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Inova\u00e7\u00e3o, na educa\u00e7\u00e3o, parece sempre atrelada a inser\u00e7\u00e3o da tecnologia na sala de aula. Por que a escola tem tanta dificuldade em repensar a forma com que os conte\u00fados s\u00e3o trabalhados?<\/strong><br \/>\nOs profissionais da educa\u00e7\u00e3o t\u00eam, de forma geral, uma atitude defensiva. O cientista est\u00e1 sempre trabalhando no desequil\u00edbrio, no risco, no desconhecido. O professor est\u00e1 sempre numa fronteira conservadora, do &#8216;n\u00e3o risco&#8217;. Isso sempre foi assim. E \u00e9 dram\u00e1tico. Os professores precisam perceber o que est\u00e1 acontecendo no mundo e, mais precisamente, perceber o que est\u00e1 acontecendo com as crian\u00e7as. As crian\u00e7as, hoje, pensam e ascendem ao conhecimento de forma diferente de n\u00f3s. Pela primeira vez na hist\u00f3ria do mundo, as mudan\u00e7as na escola n\u00e3o v\u00e3o aparecer por conta de teorias pedag\u00f3gicas, programas educativos ou leis. As mudan\u00e7as v\u00e3o aparecer porque as crian\u00e7as est\u00e3o exigindo dos professores que eles se adaptem a um mundo novo. Isso \u00e9 totalmente revolucion\u00e1rio. A primeira revolu\u00e7\u00e3o foi a inven\u00e7\u00e3o da escrita. A segunda, a inven\u00e7\u00e3o do livro. A terceira grande revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 em curso. Em todas elas, o que mudou foi a forma de ascendermos ao conhecimento, de usarmos o c\u00e9rebro e de aprendermos. N\u00f3s estamos num momento de virada na forma como se aprende. As novas gera\u00e7\u00f5es utilizam outras partes do c\u00e9rebro, n\u00e3o fazem uma aprendizagem linear &#8211; \u00e0s vezes, partem do mais complexo para depois alcan\u00e7ar o mais simples.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como promover essa inova\u00e7\u00e3o no Brasil, onde, segundo dados do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, 22% dos alunos de 8 anos n\u00e3o sabem ler adequadamente e 35% n\u00e3o sabem escrever?<\/strong><br \/>\nA quest\u00e3o da aprendizagem \u00e9, antes de qualquer coisa, um problema de sentido. Ou seja, quando estamos aprendendo algo nos perguntamos se aquilo tem algum sentido para a vida. Se eu pedir a uma crian\u00e7a para fazer, durante cinco horas por dia, uma atividade em que ela n\u00e3o encontre nenhum sentido, ela n\u00e3o far\u00e1 essa atividade &#8211; se fizer, far\u00e1 de forma mec\u00e2nica e n\u00e3o apreender\u00e1. Quando falamos em escola do futuro falamos de uma escola que se baseia no sentido do aprendizado. H\u00e1, hoje, no Brasil, muitas crian\u00e7as de<br \/>\n8 anos que n\u00e3o sabem ler nem escrever, mas essas mesmas crian\u00e7as s\u00e3o utilizadoras do WhatsApp e muitas delas escrevem e leem no WhatsApp. Claro, podem escrever e ler mal, mas ainda assim o fazem. No momento em que elas t\u00eam uma necessidade de se comunicar, elas v\u00e3o querer aprender a escrever. Como transformar essa escrita em algo que atenda ao c\u00e2none da l\u00edngua \u00e9 um desafio. Mas a educa\u00e7\u00e3o brasileira pode dar um salto e sair de uma situa\u00e7\u00e3o complicada para uma situa\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel. Isso passa, necessariamente, por resolver o problema do sentido da aprendizagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais compet\u00eancias o professor deve ter para trazer esse sentido?<\/strong><br \/>\nNo lugar de compet\u00eancias, gosto de falar em disposi\u00e7\u00f5es. A primeira \u00e9 uma disposi\u00e7\u00e3o para trabalhar coletivamente. \u00c9 preciso que o professor perceba que o seu trabalho n\u00e3o \u00e9 individual e aquela ideia do &#8216;eu professor, com meus meninos, na minha sala de aula&#8217; j\u00e1 n\u00e3o existe mais. A ideia, agora, \u00e9 &#8216;n\u00f3s professores, com todas as crian\u00e7as da escola, vamos organizar o trabalho pedag\u00f3gico&#8217;. Al\u00e9m dessa disposi\u00e7\u00e3o ao coletivo, h\u00e1 uma disposi\u00e7\u00e3o em trabalhar no espa\u00e7o social. O conceito de que a escola \u00e9 uma esp\u00e9cie de &#8216;bunker&#8217;, no meio de um bairro, de uma cidade, est\u00e1 ruindo. A escola vai andar pela cidade. Quem educa uma crian\u00e7a \u00e9 toda a cidade. A ideia de que a escola vai educar a crian\u00e7a \u00e9 uma ideia do s\u00e9culo passado. Os educadores foram colando tudo dentro da escola &#8211; a matem\u00e1tica, a hist\u00f3ria, a educa\u00e7\u00e3o ambiental, a educa\u00e7\u00e3o sexual, a luta contra a viol\u00eancia e contra as drogas &#8211; e a escola est\u00e1 inchada, prestes a ver suas estruturas arrebentadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico, as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas brasileiras gastam quatro vezes mais com alunos no ensino superior do que com alunos na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. H\u00e1 uma invers\u00e3o de prioridade?<\/strong><br \/>\nSim. O Brasil tem uma elite muito forte. Talvez seja um dos pa\u00edses com a elite mais forte e dotada de grande poder. E, quando falo em elite, falo da econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m das elites intelectuais e de esquerda. Por isso, inclusive, h\u00e1 um abismo entre os professores da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e do ensino superior. Abismo salarial e de condi\u00e7\u00f5es de trabalho. A elite brasileira conseguiu criar uma s\u00e9rie de direitos que s\u00e3o muito diferentes dos direitos de quem est\u00e1 embaixo. E isso se traduz na ideia de um financiamento canalizado para as pr\u00f3prias elites. \u00c9 natural que o ensino superior custe mais caro do que o ensino b\u00e1sico. Mas que seja 20% mais caro, n\u00e3o quatro vezes mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Numa entrevista recente, o professor e ex-ministro da educa\u00e7\u00e3o Renato Janine Ribeiro disse que h\u00e1 muita resist\u00eancia no Brasil em apoiar a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Uma resist\u00eancia, inclusive, dentro do corpo de professores universit\u00e1rios&#8230;<\/strong><br \/>\nH\u00e1 uma resist\u00eancia grande a certas mudan\u00e7as e uma incapacidade de perceber que as mudan\u00e7as t\u00eam que acontecer a favor de quem est\u00e1 na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Quem est\u00e1 na universidade arranja todos os argumentos para que isso n\u00e3o aconte\u00e7a. Para mim, \u00e9 muito doloroso ver que o Brasil tem, hoje, uma educa\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria p\u00fablica de qualidade, mas essa qualidade se faz \u00e0 custa de uma coisa: 20% dos alunos est\u00e3o na universidade p\u00fablica e 80% est\u00e3o nas universidades privadas. Isso quer dizer que a qualidade desses 20% se faz \u00e0 custa de que 80% dos alunos foram mandados para as institui\u00e7\u00f5es privadas, para pagar taxas elevadas e, muitas vezes, com ensino de p\u00e9ssima qualidade. Quando o Brasil reserva apenas 20% das vagas para a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e empurra os outros para fora, consegue uma qualidade nos 20%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 sua opini\u00e3o sobre o programa de financiamento estudantil, Fies, que teve seu or\u00e7amento expandido e, agora, enfrenta desgaste?<\/strong><br \/>\nEsse programa tem uma grande vantagem e uma grande desvantagem. A vantagem \u00e9 permitir que alunos que n\u00e3o tenham acesso a uma universidade p\u00fablica possam continuar seus estudos. Nesse sentido, \u00e9 um programa de democratiza\u00e7\u00e3o das oportunidades. Agora, h\u00e1 uma imensa desvantagem, que \u00e9 o Estado financiar institui\u00e7\u00f5es de p\u00e9ssima qualidade. N\u00e3o \u00e9 o caso de todas as institui\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 o caso de muitas. Seria prefer\u00edvel que esses recursos fossem canalizados para expandir a universidade p\u00fablica, alargando sua capacidade de acolhimento e oferta de vagas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O senhor \u00e9 a favor de que fam\u00edlias mais ricas paguem mensalidade nas universidades p\u00fablicas?<\/strong><br \/>\nEste n\u00e3o \u00e9 o melhor caminho. Embora seja um pensamento que vem sendo questionado em muitos lugares do mundo, ainda acredito no direito universal \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a. E se todos t\u00eam direito, isso vale tanto para o rico quanto para o pobre. Essa \u00e9 minha concep\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a social. Ent\u00e3o, onde \u00e9 que se faz o equil\u00edbrio social para que tanto o rico quanto o pobre, quando cheguem ao hospital, sejam bem atendidos? Nos impostos. O rico deveria pagar muito mais impostos do que o pobre. O equil\u00edbrio social n\u00e3o deve ser feito na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o. A universidade p\u00fablica deve ser capaz de atender o conjunto da sociedade. Mas a gravidade dessa quest\u00e3o, no caso do Brasil, \u00e9 que a universidade p\u00fablica est\u00e1 dispon\u00edvel para apenas 20% dos estudantes. Est\u00e1 claro que precisa haver uma maior equidade. E, se para alcan\u00e7ar essa equidade for necess\u00e1rio, em algum momento hist\u00f3rico, introduzir algum tipo de pagamento, n\u00e3o vejo mal nisso. Mas esse pagamento deveria ser, tamb\u00e9m, pensando de forma universal, com todos os alunos pagando pequenas taxas mensais ou anuais &#8211; e aqueles que n\u00e3o pudessem pagar comprovariam essa incapacidade e ficariam isentos dessas taxas. Esse pagamento iria permitir que o Estado expandisse a rede p\u00fablica e n\u00e3o permanecesse custeando quase a totalidade do or\u00e7amento de universidades que n\u00e3o conseguem atender \u00e0 demanda de alunos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hoje, no Brasil, h\u00e1 diversos projetos nas casas legislativas estaduais e no Congresso que reivindicam uma &#8220;escola sem partido&#8221;, na qual n\u00e3o haveria espa\u00e7o para &#8220;doutrina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica&#8221;. O que pensa sobre isso?<\/strong><br \/>\nEsse debate \u00e9 um absurdo, porque, obviamente, n\u00e3o h\u00e1 nenhum conhecimento que n\u00e3o seja fruto de um debate ideol\u00f3gico. Uma escola sem partido \u00e9, portanto, uma escola que n\u00e3o existe. Esses movimentos s\u00e3o, normalmente, autorit\u00e1rios. A escola sem partido, ent\u00e3o, pode ser encarada como a escola de um \u00fanico partido, em que o di\u00e1logo e a discuss\u00e3o n\u00e3o proliferam e n\u00e3o h\u00e1 compreens\u00e3o das diferen\u00e7as. J\u00e1 assisti a muitos movimentos parecidos e nenhum deles vingou. Por outro lado, \u00e9 preciso recusar a ideia de uma escola doutrin\u00e1ria. A escola n\u00e3o serve para a apresenta\u00e7\u00e3o de uma vers\u00e3o, mas para expor o mundo. Serve para dizer \u00e0 crian\u00e7a que h\u00e1 muitas maneiras de pensar e de viver. Que h\u00e1 pretos e brancos, cat\u00f3licos e pag\u00e3os. A escola, na verdade, \u00e9 o lugar para muitos partidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: A Tarde<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 dois problemas centrais. 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