{"id":14341,"date":"2013-09-09T14:00:35","date_gmt":"2013-09-09T17:00:35","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=14341"},"modified":"2013-09-09T08:51:51","modified_gmt":"2013-09-09T11:51:51","slug":"o-novo-clube-de-milton-nascimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-novo-clube-de-milton-nascimento\/","title":{"rendered":"O novo clube de Milton Nascimento"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 noite de uma ter\u00e7a-feira, \u00faltima semana de agosto, mas chove como se j\u00e1 fosse janeiro. O aguaceiro deixa muito escorregadio o deque de madeira que d\u00e1 na entrada da ampla casa do anfitri\u00e3o, no Itanhang\u00e1. Os convidados v\u00e3o entrando como ensaiados: \u201cCaramba, quase ca\u00ed!\u201d, \u201c\u00c9 teste de sobriedade chegar aqui, \u00e9?\u201d \u00cdntimos, deixam os guarda-chuvas num canto e v\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sala de estar, no andar de baixo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-14342\" alt=\"ImageProxy (3)\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy-34-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy-34-300x225.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy-34-409x307.jpg 409w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy-34.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>\u2014 Cad\u00ea o Bituqueira? \u2014 pergunta o ruiv\u00edssimo Dani Black, descendo a escada.<\/p>\n<p>\u2014 Blaaaaaaaaaack! \u2014 responde Bituqueira, ou Bituca, ou Milton Nascimento, que surge no corredor com um copinho de u\u00edsque na m\u00e3o (\u00e9 mate, garante) em dire\u00e7\u00e3o ao abra\u00e7o do compositor de 25 anos, autor de m\u00fasicas gravadas por Ney Matogrosso e Z\u00e9lia Duncan.<\/p>\n<p>Bebe-se vinho, ouvem-se gargalhadas. Em festa de m\u00fasico ningu\u00e9m fica preocupado com o som \u2014 a coisa se ajeita naturalmente. Quando se encontram na sala, o bandolinista Hamilton de Holanda e o baixista Dudu Lima, que tinham chegado pouco antes de Dani Black, tomam cada um o seu instrumento e come\u00e7am a dedilhar os acordes iniciais de \u201cVera Cruz\u201d (se o leitor tiver a m\u00fasica \u00e0 m\u00e3o, e aos ouvidos, e quiser colocar antes de continuar a leitura, a gente espera).<\/p>\n<p>Falando alto, com gestos largos e o sorriso caracter\u00edstico que lhe fecha os olhos, chega a cantora Maria Gad\u00fa.<\/p>\n<p>\u2014 V\u00e9\u00e9\u00e9i, quase levei um tombo l\u00e1 fora. Que chuva \u00e9 essa? \u2014 espanta-se ela, o topete meio amarfanhado, antes de dar um abra\u00e7o dividido em Dani e Bituca (ou Bituqueira, v\u00e1 l\u00e1).<\/p>\n<p>O encontro segue animado: Milton mostra aos amigos uma comenda do Ex\u00e9rcito que tinha recebido na semana anterior, na cidade de Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es, em Minas Gerais, em homenagem \u00e0 sua obra. Black faz todo mundo rir ao contar que sua m\u00e3e, a cantora Tet\u00ea Esp\u00edndola, tinha tirado nota 79 num karaok\u00ea ao cantar \u201cEscrito nas estrelas\u201d, na semana anterior. Hamilton elogia o talento da fadista portuguesa Carminho para Dudu, que n\u00e3o a conhecia, e Gad\u00fa comenta que foi convidada pela cantora Anitta para fazer uma vers\u00e3o funkeada do cl\u00e1ssico franc\u00eas \u201cNe me quitte pas\u201d em seu pr\u00f3ximo show. Enquanto isso, Beth Campos, irm\u00e3 de Milton, chama todos para provarem os sandu\u00edches de rosbife que ela havia preparado para o convescote.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 anivers\u00e1rio de nenhum deles, n\u00e3o h\u00e1 uma raz\u00e3o espec\u00edfica para celebrar. \u00c9 s\u00f3 um homem que gosta de estar entre novos amigos. Com carreiras independentes e poucos trabalhos em comum, cada um conheceu Milton de um jeito. Bituca est\u00e1 sempre na companhia de pelo menos um deles \u2014 em grava\u00e7\u00f5es, shows, festas. Nessa noite, curiosamente, \u00e9 a primeira vez que todos os cinco se encontram.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 o novo clube do Milton \u2014 brinca ele, fazendo alus\u00e3o \u00e0 mais famosa das suas turmas, que deu origem ao disco-movimento \u201cClube da Esquina\u201d, de 1972. \u2014 Sempre quis conhecer gente nova, trabalhar com gente nova. A juventude me alimenta. S\u00e3o pessoas que chegam e voc\u00ea sente que fazem parte da gente. Isso aconteceu com todo mundo aqui e com tantos outros ao longo da minha vida. M\u00fasica n\u00e3o tem idade. E a minha casa \u00e9 para isso. \u00c9 para a m\u00fasica, para a amizade. N\u00e3o \u00e9 para o sil\u00eancio nem para a solid\u00e3o.<\/p>\n<p>Aos 71 anos \u2014 e 50 de carreira, celebrados neste m\u00eas com o lan\u00e7amento do CD e DVD \u201cMilton Nascimento: Uma travessia\u201d (Universal)\u2014, Bituca parece ter a mesma idade de seus novos pares quando est\u00e1 entre eles. Chama a casa de shows Studio RJ de Studio RJ (e n\u00e3o de Jazzmania). Anota indica\u00e7\u00f5es de v\u00eddeos do YouTube que Black lhe passa. Animad\u00edssimo, explica ao jovem a trama do filme \u201cContatos imediatos do terceiro grau\u201d, como se tivesse acabado de assistir \u00e0 fita (que ele viu na estreia, em 1977). Faz tro\u00e7a o tempo inteiro, principalmente de Gad\u00fa (\u201cVem c\u00e1, desafinada!\u201d). N\u00e3o h\u00e1 rever\u00eancias de qualquer parte. Milton est\u00e1 completamente \u00e0 vontade.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o \u00e9 todo mundo que tem essa generosidade com os jovens m\u00fasicos. Ele \u00e9 aberto, j\u00e1 experimentou bastante, ouviu tudo, sabe reconhecer um talento. Muitas vezes, o que ele admira num artista ainda nem est\u00e1 maduro, mas tem essa capacidade de antever. Foi assim com L\u00f4 Borges, que tinha 15 anos quando Milton o trouxe para o Clube da Esquina \u2014 lembra o saxofonista e compositor Chico Amaral, do Skank, parceiro e amigo de Milton, e agora tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de bi\u00f3grafo.<\/p>\n<p>Chico acaba de lan\u00e7ar o livro \u201cA m\u00fasica de Milton Nascimento\u201d (Editora Gomes), em que repassa sua musicografia numa s\u00e9rie de entrevistas com ele e com outros nomes que fizeram parte de antigas turmas, como Wagner Tiso, Nelson \u00c2ngelo e Tavinho Moura.<\/p>\n<p>\u2014 Ele est\u00e1 sempre abra\u00e7ando pessoas novas. Talvez reconhe\u00e7a nesses jovens o passado semelhante de esfor\u00e7o, de fasc\u00ednio pela m\u00fasica e dificuldades da profiss\u00e3o. Muita gente ouve um artista novo e j\u00e1 o compara a um Tom Jobim. Isso \u00e9 um massacre. Ele n\u00e3o. Ele apoia, d\u00e1 canja, mostra novos caminhos, apresenta uns aos outros \u2014 observa Chico, autor de hits como \u201cGarota Nacional\u201d e \u201cJackie Tequila\u201d, mas que tamb\u00e9m era um m\u00fasico iniciante quando foi encorajado por Milton.<\/p>\n<p>Milton sempre andou em turmas. A primeira foi aos 13 anos, quando conheceu Wagner Tiso e juntos formaram o grupo Luar de Prata, que depois virou Milton Nascimento e seu Conjunto, que depois virou W\u2019s Boys. Os dois fizeram sucesso e foram convidados a integrar o famoso Conjunto Holliday, de Belo Horizonte, onde gravaram o primeiro compacto.<\/p>\n<p>Logo Milton e Tiso montaram, com o baterista Paulinho Braga, o Berimbau Trio.<\/p>\n<p>\u2014 Desde novo, ele tinha esse tra\u00e7o de mesclar, na m\u00fasica, a experi\u00eancia com a juventude. Os 50 anos de carreira dele s\u00e3o os meus tamb\u00e9m, porque come\u00e7amos juntos, vizinhos de rua. Posso dizer: ele sempre se sentiu jovem e quis se cercar de novidade \u2014 refor\u00e7a Tiso, lembrando que Milton volta \u00e0 sua terra natal com frequ\u00eancia em busca de talentos.<\/p>\n<p>A turma mais famosa, no entanto, foi a que gerou o emblem\u00e1tico \u00e1lbum \u201cClube da Esquina\u201d. Quando saiu de Tr\u00eas Pontas para morar definitivamente em Belo Horizonte, aos 21 anos, isso em 1963, Milton foi parar num edif\u00edcio onde conheceu a fam\u00edlia Borges. Eram 11 irm\u00e3os, entre eles, Marilton, M\u00e1rcio e L\u00f4. Aos jovens que compunham pelas esquinas, juntaram-se depois os vizinhos Tavinho Moura, Fl\u00e1vio Venturini, Beto Guedes, Fernando Brant e Ronaldo Bastos. O disco do grupo foi gravado em 1972 \u2014 e a m\u00fasica popular brasileira nunca mais foi a mesma.<\/p>\n<p>\u2014 Tenho muita sorte. \u00c9 assim, at\u00e9 hoje, que v\u00e3o chegando as pessoas novas na minha vida. Chegando, chegando, e ficando \u2014 diz Milton, que, n\u00e3o por acaso, tem 136 afilhados de batismo.<\/p>\n<p>Dos m\u00fasicos que o acompanharam ao longo da carreira, muitos viraram amigos, que, recombinados, foram se transformando em novas turmas. Em 1976, durante a turn\u00ea do \u00e1lbum \u201cGeraes\u201d, ficou muito pr\u00f3ximo a dois deles: Paulo Jobim, filho de Tom, e Paulinho Braga, que j\u00e1 conhecia desde o Berimbau Trio.<\/p>\n<p>\u2014 Eu j\u00e1 o conhecia da \u00e9poca dos festivais, de quando ele ia l\u00e1 em casa ensaiar com meu pai. At\u00e9 que fui tocar flauta com ele. Larguei o escrit\u00f3rio de arquitetura em que trabalhava e sa\u00edmos em excurs\u00e3o pelo Brasil. Eu tinha 26 anos, e foi uma das experi\u00eancias mais marcantes da minha vida. O palco tremia, era uma banda muito poderosa. O Milton \u00e9 muito poderoso. Vira e mexe a gente se encontra na casa dele e sai coisa boa. Em 78, foi o \u201cClube da Esquina 2\u201d. Em 2007, o \u201cNovas bossas\u201d, com o Jobim Trio (formado por Paulinho Braga, Paulo Jobim e o filho, Daniel) \u2014 comenta Paulo Jobim, que acabou de digitalizar o acervo iconogr\u00e1fico e audiovisual de Milton, dispon\u00edvel no site do Instituto Tom Jobim (www.jobim.org).<\/p>\n<p>Para reunir tantas turmas, a casa de Milton sempre aparece nas conversas como o ponto de encontro principal.<\/p>\n<p>\u2014 Lembro de uma vez em que Milton alugou uma casa em B\u00fazios, fez uma festa, e tinha uma americana tocando um baixo que me deixou impressionado. Ela era muito boa mesmo. Uma semana depois, ganhou um Grammy. Eu reconheci a foto no jornal: \u201cEra aquela menina que estava tocando na casa do Milton!\u201d Era a Esperanza Spalding \u2014 recorda Paulo. \u2014 Ele v\u00ea uma turma nova, se empolga, faz festas, junta todo mundo. Desde o Clube da Esquina tem sido assim.<\/p>\n<p>Entra e sai de amigos<\/p>\n<p>E foi do mesmo modo com artistas de toda parte, como Nan\u00e1 Vasconcelos, C\u00e1ssia Eller, Maria Rita, Marina Machado, Simone Guimar\u00e3es (com as tr\u00eas \u00faltimas, gravou o disco \u201cPiet\u00e1\u201d, em 2003). Com Tadeu Franco, Celso Adolfo, Elder Costa. E assim agora, com Hamilton de Holanda, Dudu Lima, Maria Gad\u00fa e Dani Black.<\/p>\n<p>\u2014 Uma coisa que me marcou muito na primeira vez que eu vim aqui foi o repert\u00f3rio. Tinha um show da Marina Machado (atr\u00e1s da sala da casa, h\u00e1 uma esp\u00e9cie de anfiteatro ao ar livre, onde os amigos de Milton participam de jam-sessions). Ouvi Chico, Jacob do Bandolim, me senti em casa \u2014 lembra Hamilton, que at\u00e9 P\u00e1scoa j\u00e1 passou no Itanhang\u00e1.<\/p>\n<p>Hamilton ele conheceu em Bras\u00edlia, quando o bandolinista foi participar de um show seu (e tocou \u201ctudo errado\u201d, brinca Milton). Viraram amigos e parceiros musicais, e v\u00e3o lan\u00e7ar um disco juntos em breve. Dudu Lima ele conheceu quando foi a um show de Stanley Jordan em Juiz de Fora (\u201cquase ca\u00ed duro\u201d, palavras dele, quando o ouviu tocar). O acaso os reuniu nos mesmos projetos musicais (como o de foco ambiental \u201cTamarear\u201d, do Projeto Tamar) \u2014 e agora, toda vez que passa pelo Rio, o juiz-forano cai na casa do amigo.<\/p>\n<p>\u2014 Sempre havia Milton Nascimento nos repert\u00f3rios de todos os trabalhos que fiz. Acho que sou o m\u00fasico mais indicado para criar o \u201cMilton Nascimento cover\u201d \u2014 diverte-se Dudu.<\/p>\n<p>J\u00e1 Gad\u00fa, Bituca conheceu por acaso, em fevereiro de 2009, quando foi a um show no extinto Cinemath\u00e8que, em Botafogo, convidado por um amigo, \u201cpara ouvir uma cantora nova\u201d.<\/p>\n<p>\u2014 Apaixonei-me \u2014 limita-se Milton, abra\u00e7ando a mo\u00e7a, num dos poucos sil\u00eancios que acontecem na sala.<\/p>\n<p>Foi ela, depois, quem trouxe a rebote o amigo Dani Black, cujas composi\u00e7\u00f5es t\u00eam sido bastante elogiadas e estimuladas por Milton.<\/p>\n<p>\u2014 A primeira vez que eu ouvi o Milton foi com a minha m\u00e3e cantando \u201cCio da Terra\u201d. Tem uma grava\u00e7\u00e3o emocionante com a Clementina de Jesus. A m\u00fasica do Milton sempre foi a m\u00fasica da minha casa \u2014 conta Dani.<\/p>\n<p>Gad\u00fa tenta buscar alguma raz\u00e3o na conex\u00e3o emocional que tem com o amigo, com quem j\u00e1 dividiu o palco diversas vezes desde que se conheceram. E tamb\u00e9m passa por \u201cCio da Terra\u201d:<\/p>\n<p>\u2014 Minha av\u00f3 tinha um disco do Pena Branca e Xavantinho e eu sempre encasquetei com esta faixa, que o Milton canta no disco. \u00c9 um mantra, um c\u00e2ntico. Fui assistir ao show deles, s\u00f3 os dois, j\u00e1 na cadeira de rodas, mas fiquei muito decepcionada. Eu tinha 7 anos, e falei para minha av\u00f3: \u201cT\u00e1 errado.\u201d N\u00e3o era como a grava\u00e7\u00e3o do disco. Eu j\u00e1 tinha uma saudade do Bituca e nem sabia.<\/p>\n<p>Dani Black puxa o \u201cDebulhar o trigo&#8230;\u201d de \u201cCio da Terra&#8221;, tendo Milton como uma luxuosa segunda voz. Hamilton serve nova rodada de vinho. A noite est\u00e1 s\u00f3 come\u00e7ando.<\/p>\n<p>Fonte: O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 noite de uma ter\u00e7a-feira, \u00faltima semana de agosto, mas chove como se j\u00e1 fosse janeiro. O aguaceiro deixa muito escorregadio o deque de madeira que d\u00e1 na entrada da ampla casa do anfitri\u00e3o, no Itanhang\u00e1. 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