{"id":143871,"date":"2016-08-09T18:22:09","date_gmt":"2016-08-09T21:22:09","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=143871"},"modified":"2016-08-09T18:23:33","modified_gmt":"2016-08-09T21:23:33","slug":"o-melhor-de-sobre-histoiria-de-eric-hobsbawn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-melhor-de-sobre-histoiria-de-eric-hobsbawn\/","title":{"rendered":"O melhor &#8220;Sobre Hist\u00f3ria&#8221;, de Eric Hobsbawn"},"content":{"rendered":"<h3><a href=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-melhor-de-sobre-histoiria-de-eric-hobsbawn\/eric-hobsbawm\/\" rel=\"attachment wp-att-143872\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-143872 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Eric-Hobsbawm.jpg\" alt=\"Eric Hobsbawm\" width=\"320\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Eric-Hobsbawm.jpg 320w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Eric-Hobsbawm-300x180.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/h3>\n<p><strong>Eric Hobsbawn, que morreu aos 95 anos<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por Carlos I. S. Azambuja<\/strong><\/p>\n<p>Eric Hobsbawn, nascido em 1917, em Alexandria\/Egito, escreveu v\u00e1rios livros e foi professor em diversas Universidades da Europa e dos EUA. Um de seus livros \u00e9 o \u201cSobre Hist\u00f3ria\u201d, editado no Brasil pela Companhia das Letras. Desse livro, selecionei, h\u00e1 tempos, alguns pensamentos e escrevi a mat\u00e9ria abaixo \u2013 nunca publicada -, com o t\u00edtulo de\u00a0O Melhor de \u201cSobre Hist\u00f3ria\u201d \u2013 Livro de Eric Hobsbawn,\u00a0que agora encontrei, numa folha dobrada e j\u00e1 amarelada, guardada entre suas p\u00e1ginas:<br \/>\nA cren\u00e7a de que uma sociedade tradicional seja est\u00e1vel e imut\u00e1vel \u00e9 um mito da ci\u00eancia vulgar. O dom\u00ednio do passado \u00e9 incompat\u00edvel com a id\u00e9ia do progresso cont\u00ednuo.<br \/>\nS\u00e3o necess\u00e1rias duas pessoas para aprender as li\u00e7\u00f5es da Hist\u00f3ria ou de qualquer outra coisa: uma para dar informa\u00e7\u00e3o, outra para ouvir.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel uma discuss\u00e3o s\u00e9ria da Hist\u00f3ria que n\u00e3o se reporte a Marx, ou, mais precisamente, que n\u00e3o parta de onde ele partiu. E isso significa uma concep\u00e7\u00e3o materialista da Hist\u00f3ria.<br \/>\nUma coisa que a experi\u00eancia hist\u00f3rica ensinou aos historiadores \u00e9 que ningu\u00e9m, jamais, parece aprender com ela. No entanto, temos que continuar tentando. A profiss\u00e3o de historiador em grande parte se desenvolveu como um agrupamento de pessoas para servir e justificar os regimes.<br \/>\nDevemos tomar o cuidado de distinguir entre previs\u00f5es baseadas em an\u00e1lises e previs\u00f5es baseadas em desejos.<br \/>\nA previs\u00e3o de tend\u00eancias sociais \u00e9, em um aspecto, mais f\u00e1cil que a previs\u00e3o de acontecimentos, uma vez que repousa precisamente na descoberta que \u00e9 a base de todas as ci\u00eancias sociais: a de que \u00e9 poss\u00edvel generalizar entre popula\u00e7\u00f5es e per\u00edodos de tempo, sem se incomodar com o emaranhado constante das decis\u00f5es, eventos, acidentes e possibilidades e na capacidade de dizer algo sobre a madeira sem conhecer cada uma das \u00e1rvores.<br \/>\nUma desvantagem conhecida das previs\u00f5es de longo prazo \u00e9 a quase impossibilidade de conseguir uma escala temporal adequada. Podemos saber o que \u00e9 poss\u00edvel que aconte\u00e7a, mas n\u00e3o quando. Que EUA e URSS se tornariam gigantes entre as pot\u00eancias mundiais foi corretamente previsto na d\u00e9cada de 1840 com base em suas dimens\u00f5es e recursos, mas s\u00f3 um tolo teria se empenhado em fixar uma data exata como, digamos, 1900. Esperan\u00e7a e previs\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa.<br \/>\nA Hist\u00f3ria trata, em sua acep\u00e7\u00e3o mais ampla, como e porque o\u00a0homo sapiens\u00a0passou do paleol\u00edtico para a era nuclear.<br \/>\nOs homens suprimiriam, ou at\u00e9 mesmo contestariam os teoremas da geometria, se estes estivessem em conflito com os interesses pol\u00edticos da classe governante \u2013 observa\u00e7\u00e3o atribu\u00edda a Thomas Hobbes -.<br \/>\nId\u00e9ias, pensamentos e conceitos produzem, determinam e dominam os homens, suas condi\u00e7\u00f5es materiais e sua vida real. Essa concep\u00e7\u00e3o, originada em 1846, pode ser sintetizada em uma \u00fanica frase, repetida com varia\u00e7\u00f5es:\u00a0n\u00e3o \u00e9 a consci\u00eancia que determina a vida, mas a vida que determina a consci\u00eancia.<br \/>\nO processo real de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simplesmente a produ\u00e7\u00e3o material da vida em si mesma. \u00c9 muito mais amplo. \u00c9, segundo Marx, \u201co conjunto complexo de rela\u00e7\u00f5es mutuamente dependentes entre natureza, trabalho social e organiza\u00e7\u00e3o social\u201d.<br \/>\nComo podemos resumir o impacto de Marx sobre a historiografia 100 anos ap\u00f3s sua morte? Podemos formular quatro pontos essenciais: a influ\u00eancia de Marx nos pa\u00edses socialistas \u00e9, hoje, sem d\u00favida, maior entre os historiadores do que jamais foi desde sua morte. Sua influ\u00eancia pode ser percebida n\u00e3o s\u00f3 no n\u00famero de historiadores que afirmam ser marxistas, que \u00e9 muito grande, e o n\u00famero daqueles que reconhecem sua import\u00e2ncia para a Hist\u00f3ria, mas tamb\u00e9m no grande n\u00famero de historiadores n\u00e3o-marxistas, muitas vezes eminentes, que zelam pelo nome de Marx diante do mundo.<br \/>\nO marxismo transformou tanto a viga-mestra da Hist\u00f3ria que hoje \u00e9 quase imposs\u00edvel dizer se uma determinada obra foi escrita por um marxista ou por um n\u00e3o-marxista, a menos que o autor anuncie sua posi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica.<br \/>\nPodemos algum dia escrever a Hist\u00f3ria definitiva de alguma coisa, inclusive, \u00e9 claro, a Revolu\u00e7\u00e3o Russa? Em sendo \u00f3bvio, a resposta \u00e9 N\u00c3O, pois mal estamos come\u00e7ando a escalar o Himalaia de documentos dos arquivos sovi\u00e9ticos. Portanto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel uma Hist\u00f3ria definitiva. Podemos fazer um ju\u00edzo da Revolu\u00e7\u00e3o que deu in\u00edcio \u00e0 URSS, mas n\u00e3o ainda do seu fim, e isso certamente afetar\u00e1 o ju\u00edzo hist\u00f3rico. A cat\u00e1strofe na qual mergulhou a gente comum da antiga URSS ao final do antigo sistema, ainda n\u00e3o acabou.<br \/>\nNo outono de 1917, uma onda enorme de radicaliza\u00e7\u00e3o popular, da qual os bolcheviques foram os principais benefici\u00e1rios varreu para o lado o governo provis\u00f3rio, de sorte que, no momento da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, tratava-se menos de capturar o Poder, do que recolh\u00ea-lo onde havia ca\u00eddo.<br \/>\nO Manifesto do Partido Comunista, com 23 p\u00e1ginas \u2013 a partir de 1872, mais conhecido como Manifesto Comunista &#8211; publicado em fevereiro de 1848, \u00e9 o escrito pol\u00edtico individual mais influente desde a Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos do Homem e do Cidad\u00e3o, da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa.<br \/>\nQual o impacto que o Manifesto provocar\u00e1 no leitor que o estiver lendo pela primeira vez, agora?\u00a0 O novo leitor dificilmente deixar\u00e1 de sentir-se arrebatado pela convic\u00e7\u00e3o apaixonada, a condensa\u00e7\u00e3o, a for\u00e7a estil\u00edstica e intelectual desse admir\u00e1vel panfleto.<\/p>\n<p>O Manifesto Comunista como ret\u00f3rica pol\u00edtica possui uma for\u00e7a quase b\u00edblica. Em suma, \u00e9 imposs\u00edvel negar o seu poder de persuas\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Carlos I. S. Azambuja \u00e9 Historiador.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A previs\u00e3o de tend\u00eancias sociais \u00e9, em um aspecto, mais f\u00e1cil que a previs\u00e3o de acontecimentos, uma vez que repousa precisamente na descoberta que \u00e9 a base de todas as<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":143872,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,1],"tags":[],"class_list":["post-143871","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Eric-Hobsbawm.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143871","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=143871"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143871\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/143872"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=143871"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=143871"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=143871"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}