{"id":144124,"date":"2016-08-11T05:35:16","date_gmt":"2016-08-11T08:35:16","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=144124"},"modified":"2016-08-11T05:35:16","modified_gmt":"2016-08-11T08:35:16","slug":"acuado-e-duro-interromper-um-mandato-conquistado-nas-urnas-diz-o-senador-fernando-bezerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/acuado-e-duro-interromper-um-mandato-conquistado-nas-urnas-diz-o-senador-fernando-bezerra\/","title":{"rendered":"Acuado: \u201c\u00c9 duro interromper um mandato conquistado nas urnas\u201d, diz o senador Fernando Bezerra"},"content":{"rendered":"<header class=\"clearfix entry-header\">\n<h2 class=\"entry-title\"><span class=\"byline\"><span class=\"author vcard\">\u00a0<\/span><\/span><\/h2>\n<\/header>\n<div class=\"entry-thumbnail\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"attachment-thumb-featured size-thumb-featured wp-post-image\" src=\"http:\/\/www.inaldosampaio.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Fernando-Bezerra-Coelho-divulga%C3%A7%C3%A3o.jpg\" alt=\"Fernando Bezerra Coelho - divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"220\" height=\"144\" \/><\/div>\n<div class=\"clearfix entry-content\">\n<p>Ex-ministro de Dilma Rousseff, o senador <strong>Fernando Bezerra Coelho<\/strong> (PSB-PE) foi um dos 59 que votaram na madrugada de hoje pela perda do mandato dela por crime de responsabilidade.<\/p>\n<p>Em breve discurso, ele lembrou o tempo em que seu partido era aliado do PT e os motivos pelos quais seu ent\u00e3o presidente, Eduardo<br \/>\nCampos, decidiu romper com o governo de Dilma.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 duro, \u00e9 doloroso, interromper um mandato conquistado nas urnas. Mas o meu voto \u00e9 a favor da pron\u00fancia, por crime de<br \/>\nresponsabilidade, praticado pela presidente afastada, conforme o parecer do senador Antonio Anastasia. E este voto, para que o<br \/>\nprocesso de impeachment prossiga, \u00e9 um voto de esperan\u00e7a de que o Brasil \u00e9 maior do que as crises que enfrentamos, a crise pol\u00edtica,<br \/>\na crise econ\u00f4mica e a crise moral\u201d, disse o senador pernambucano.<\/p>\n<p>Veja a \u00edntegra do seu discurso:<\/p>\n<p><em>Senhor presidente Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal e presidente desta sess\u00e3o, eu queria, antes de iniciar<\/em><br \/>\n<em>as minhas palavras, fazer um registro da dire\u00e7\u00e3o que V. Ex\u00aa tem dado na condu\u00e7\u00e3o e na supervis\u00e3o dos trabalhos da Comiss\u00e3o Especial<\/em><br \/>\n<em>do Impeachment, como membro que fui daquela comiss\u00e3o, e agora nesta Presid\u00eancia da sess\u00e3o de pron\u00fancia que este Senado Federal<\/em><br \/>\n<em>realiza.<\/em><\/p>\n<p><em>Eu queria ser breve na minha fala, mas acho que tenho que me estender um pouco al\u00e9m do que gostaria. Eu sou de Pernambuco; eu sou da terra de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva; eu sou Senador por Pernambuco; eu sou do Partido Socialista Brasileiro, que, durante muitos anos,<\/em><br \/>\n<em>formou alian\u00e7a com o Partido dos Trabalhadores nas diversas elei\u00e7\u00f5es do Presidente Lula, naquelas que ele perdeu e naquelas que ele<\/em><br \/>\n<em>ganhou. Assim, cabe-me aqui pontuar que, em 2013, o Partido Socialista Brasileiro fez a op\u00e7\u00e3o de deixar o Governo da Presidenta Dilma e, atrav\u00e9s do seu presidente nacional, o ent\u00e3o governador de Pernambuco Eduardo Campos, explicitou as raz\u00f5es para poder se afastar daquela alian\u00e7a pol\u00edtica porque ele j\u00e1 previa que a condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica ora praticada levaria o Governo brasileiro ao<\/em><br \/>\n<em>desequil\u00edbrio das suas contas p\u00fablicas.<\/em><\/p>\n<p><em>Durante todo o ano de 2014, durante a fase de pr\u00e9-campanha e j\u00e1 no in\u00edcio da campanha, ap\u00f3s a conven\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, aqueles que<\/em><br \/>\n<em>chamavam a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que o Brasil iria mergulhar em uma grave crise econ\u00f4mica e social, com a desacelera\u00e7\u00e3o dos<\/em><br \/>\n<em>investimentos, com a amplia\u00e7\u00e3o do desemprego, foram tratados como pessimistas, foram tratados como aqueles que pregavam contra o<\/em><br \/>\n<em>interesse do povo brasileiro, foram tratados como aqueles que estavam se colocando contra os programas de inclus\u00e3o social, o que n\u00e3o \u00e9 absolutamente verdade.<\/em><\/p>\n<p><em>A verdade \u00e9 que as pol\u00edticas p\u00fablicas precisam ser sustent\u00e1veis, e, desde 2013, j\u00e1 ficava claro que a despesa p\u00fablica crescia mais do<\/em><br \/>\n<em>que a receita. E, para se manter uma ambi\u00e7\u00e3o de poder e de projeto pol\u00edtico, continuou-se gastando e apelando, sim, para o que se<\/em><br \/>\n<em>passou a chamar de contabilidade criativa, para se abrir espa\u00e7o fiscal quando j\u00e1 n\u00e3o o existia. E isso admitido pelo pr\u00f3prio Governo<\/em><br \/>\n<em>Federal, que, s\u00f3 em 2015, reconheceu d\u00edvidas pret\u00e9ritas de quase R$60 bilh\u00f5es, o que n\u00e3o \u00e9 pouco, porque, nos \u00faltimos 25 anos da<\/em><br \/>\n<em>economia brasileira, s\u00f3 em 1994, o governo brasileiro apresentou d\u00e9ficit. O Presidente Luiz In\u00e1cio da Silva, que dirigiu o Pa\u00eds por<\/em><br \/>\n<em>dois mandatos, fez a promo\u00e7\u00e3o da inclus\u00e3o social, mas n\u00e3o praticou nenhum d\u00e9ficit nas suas contas p\u00fablicas \u2013 absolutamente nenhum.<\/em><\/p>\n<p><em>Portanto, n\u00f3s precisamos, aqui, colocar a inteira verdade. O Brasil, em 2015, em 2016, registra os maiores d\u00e9ficits da sua hist\u00f3ria:<\/em><br \/>\n<em>dois anos seguidos de crescimento negativo do seu PIB; treze milh\u00f5es, sim, de desempregados; o menor investimento; a<\/em><br \/>\n<em>desindustrializa\u00e7\u00e3o. Mas o mais grave \u00e9 que o governo se isolou, o governo n\u00e3o apostou em iniciativas que pudessem promover a<\/em><br \/>\n<em>conc\u00f3rdia; preferiu o caminho da confronta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e terminou perdendo a m\u00ednima base de sustentabilidade para poder continuar \u00e0<\/em><br \/>\n<em>frente do poder.<\/em><\/p>\n<p><em>Meus caros companheiros, Senadores e Senadoras, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil este momento para nenhum de n\u00f3s. Eu fui Deputado Federal e votei no impeachment de 1992, e, \u00e0quela \u00e9poca, tamb\u00e9m se dizia que era uma temeridade para a jovem democracia brasileira interromper o mandato de um Presidente eleito pelo povo.<\/em><\/p>\n<p><em>A mesma coisa agora se repete. \u00c9 duro, \u00e9 doloroso, interromper o mandato conquistado nas urnas, mas o meu voto Sr. Presidente, Sr\u00aas e Srs Senadores, \u00e9 a favor da pron\u00fancia por crime de responsabilidade praticado pela Presidente afastada, conforme o parecer do Senador Antonio Anastasia. E este voto, para que o processo de impeachment prossiga, \u00e9 um voto da esperan\u00e7a de que o Brasil \u00e9 maior do que as crises que enfrentamos, a crise pol\u00edtica, a crise econ\u00f4mica e a crise moral.<\/em><\/p>\n<p><em>As institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas est\u00e3o em cheque, mas eu tenho esperan\u00e7a de que, com sofrimento, com dor, com perdas, haveremos de sair maiores desta crise, haveremos de sair fortalecendo as nossas institui\u00e7\u00f5es. E \u00e9 por isso que eu carrego a esperan\u00e7a, vindo de Pernambuco, vindo do sert\u00e3o, vindo do interior, onde as desigualdades s\u00e3o mais acentuadas\u2026 Eu voto SIM pela pron\u00fancia, mas voto animado de que a gente possa estar dando um passo para a supera\u00e7\u00e3o da crise pol\u00edtica e para a constru\u00e7\u00e3o de um Brasil mais justo, de um Brasil mais fraterno, de um Brasil mais solid\u00e1rio.<\/em><\/p>\n<p><em>Portanto, Sr. Presidente, registro aqui as minhas palavras, de quem acredita que o amanh\u00e3 ser\u00e1 melhor do que o hoje.<\/em><\/p>\n<p><em>Muito obrigado.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu queria ser breve na minha fala, mas acho que tenho que me estender um pouco al\u00e9m do que gostaria. 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