{"id":144793,"date":"2016-08-15T05:11:04","date_gmt":"2016-08-15T08:11:04","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=144793"},"modified":"2016-08-15T05:11:04","modified_gmt":"2016-08-15T08:11:04","slug":"sofrimento-com-a-seca-nao-e-exclusividade-do-sertao-em-pernambuco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/sofrimento-com-a-seca-nao-e-exclusividade-do-sertao-em-pernambuco\/","title":{"rendered":"Sofrimento com a seca n\u00e3o \u00e9 exclusividade do Sert\u00e3o em Pernambuco"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"titNoticia\"><\/h3>\n<h4 class=\"gravataNoticia\">Poder p\u00fablico assegura melhorias, mas para 2017 &#8211; e especialistas j\u00e1 apontam erros<\/h4>\n<div class=\"dataRedes\"><span class=\"dataAutor\">Marc\u00edlio Albuquerque<\/span><\/div>\n<div class=\"dataRedes\"><\/div>\n<div id=\"content\" class=\"outro outro2\">\n<div class=\"textoNoticia\">\n<div class=\"caixaArquivos5\">\n<div class=\"conteudocaixa5\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7Ay0SS3U_Uk\" width=\"830\" height=\"362\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>A busca pela \u00e1gua n\u00e3o \u00e9 tarefa exclusiva dos sertanejos. Os 71 munic\u00edpios do Agreste pernambucano enfrentam os efeitos da seca severa, considerada a pior dos \u00faltimos 50 anos. H\u00e1 1,8 milh\u00e3o de pessoas atingidas, o equivalente a um quarto de toda a popula\u00e7\u00e3o do Estado. Sem chuvas, as principais barragens secaram ou se aproximam disso. A Folha de Pernambuco percorreu mais de 400 km, visitando o centro e as comunidades rurais das cidades de Surubim, Cumaru, Belo Jardim, Pesqueira e Po\u00e7\u00e3o. Em todas elas, a escassez que deixa a terra rachada tamb\u00e9m extermina planta\u00e7\u00f5es e priva pessoas do direito a um bem vital. Tomar banho ou lavar roupas \u00e9 luxo. A prosperidade desapareceu no entorno das barragens de Jucazinho, Pedro Moura, Bitury e P\u00e3o de A\u00e7\u00facar. A necessidade criou um circuito de compra e venda de \u00e1gua, onde quem tem dinheiro acaba levando a melhor. Se j\u00e1 n\u00e3o bastassem os problemas, o consumo sem tratamento \u00e9 uma amea\u00e7a para doen\u00e7as e pode levar \u00e0 morte. O poder p\u00fablico assegura melhorias, mas para 2017. J\u00e1 especialistas apontam a repeti\u00e7\u00e3o de erros do passado.<\/strong>As barragens secaram. Sobraram a terra rachada, preju\u00edzos e sofrimento. Entre os quatro reservat\u00f3rios vistos, Jucazinho, em Surubim, a 123 km do Recife, o mais importante deles e respons\u00e1vel pelo abastecimento de 11 cidades do Agreste, exibe o pior quadro. Dos 327 milh\u00f5es de litros \u00e1gua restam apenas 632 mil, menos de 1% da sua capacidade de armazenamento. O pared\u00e3o de 64 metros de altura da represa est\u00e1 exposto. Da extens\u00e3o de 442 km da \u00e1rea inundada, o que restou da \u00e1gua da bacia do Capibaribe divide espa\u00e7o com uma grossa camada de lama.<\/p>\n<div class=\"caixa0\">\n<div class=\"creditos\">Alfeu Tavares\/Folha de Pernambuco<\/div>\n<div class=\"caixaArquivos\">\n<div class=\"conteudocaixa\"><img decoding=\"async\" id=\"wm0\" src=\"http:\/\/www.folhape.com.br\/imagens\/Jucazinho-Barragem-Alfeu-Ta.jpg\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Leia mais:<br \/>\n<\/strong><strong><a href=\"http:\/\/www.folhape.com.br\/cotidiano\/2016\/8\/seca-tambem-e-sinonimo-de-caminhoes-de-agua-piratas-0263.html\" target=\"_self\">Seca tamb\u00e9m \u00e9 sin\u00f4nimo de caminh\u00f5es de \u00e1gua piratas<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.folhape.com.br\/cotidiano\/2016\/8\/mais-de-60-das-barragens-de-pernambuco-estao-em-colapso-0264.html\" target=\"_self\">Mais de 60% das barragens de Pernambuco est\u00e3o em colapso<\/a><\/strong>Os resqu\u00edcios de antigas constru\u00e7\u00f5es, antes submersas, voltaram ao alcance dos olhos. Nem mesmo as bombas de suc\u00e7\u00e3o conseguem captar \u00e1gua. A largura de uma margem a outra reduziu drasticamente, assim como a prosperidade da regi\u00e3o. Nas casas, desde as margens da rodovia PE-90, os quintais j\u00e1 n\u00e3o exibem grandes planta\u00e7\u00f5es, fruto das dificuldades de irriga\u00e7\u00e3o.\u00a0\u201cIsso aqui mudou demais, parece um castigo\u201d, diz Jos\u00e9 Ambr\u00f3sio, 66, que mora a poucos metros do reservat\u00f3rio e por muito anos sobreviveu da pesca.<\/p>\n<div class=\"caixa1\">\n<div class=\"creditos\"><\/div>\n<div class=\"caixaArquivos1\">\n<div class=\"conteudocaixa1\"><img decoding=\"async\" id=\"wm1\" src=\"http:\/\/www.folhape.com.br\/imagens\/Reservatorios-COMPESA.jpg\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A alguns quil\u00f4metros dali, j\u00e1 no Centro de Surubim, o c\u00e9u sem nuvens deixa o sol ainda mais causticante para os 55 mil habitantes. Quem n\u00e3o tem \u00e1gua nas torneiras depende da boa vontade de vizinhos que possuem po\u00e7os artesianos. Eles acabam assumindo um papel de distribui\u00e7\u00e3o que deveria ser do poder p\u00fablico. A \u00e1rdua tarefa \u00e9 vencer as adversidades para conseguir sobreviver. A dona de casa Vilma Maria de Lima, 53 anos, lamenta: \u201cQuando a \u00e1gua chega, n\u00e3o consegue ter grande serventia. \u00c9 suja e tem um cheiro muito ruim. Chega at\u00e9 mesmo a espumar\u201d, revelou.A revolta se amplia pelas contas de \u00e1gua que continuam chegando e pesando no bolso. O valor m\u00e9dio \u00e9 de R$ 60. \u201c\u00c0s vezes abrimos as portas ainda de madrugada e caminhamos no escuro para encontrar uma forma de abastecer a casa\u201d, refor\u00e7a a aposentada Cec\u00edlia Cabral, 74. Junto a reserva de \u00e1gua tamb\u00e9m est\u00e3o imagens de santos cat\u00f3licos, em uma rotina de f\u00e9. \u201cS\u00f3 nos resta rezar para que a chuva venha.\u201d<\/p>\n<p><strong>Pesqueira<\/strong><\/p>\n<p>Em Pesqueira, a 220 km do Recife, est\u00e1 a barragem de P\u00e3o de A\u00e7\u00facar. O equipamento, constru\u00eddo no in\u00edcio dos anos 1980, fica lotado em terras ind\u00edgenas, afastadas do centro. Tem capacidade para cerca de 30 milh\u00f5es de litros. Mas o volume atual n\u00e3o chega a 1,5 milh\u00e3o. A estimativa \u00e9 que o sistema pare a qualquer momento. Um mar de pedras tomou conta do antigo reservat\u00f3rio. Os barcos que antes transportavam pescadores est\u00e3o abandonados \u00e0s margens, destacando o cen\u00e1rio de esquecimento.<\/p>\n<p>O advogado Jurandir Carmelo, 65, conhece de perto a realidade da terra. \u201cAl\u00e9m da falta de chuva, temos a aus\u00eancia do Estado e a falta de conscientiza\u00e7\u00e3o quanto ao desperd\u00edcio\u201d, elenca.<\/p>\n<p>A \u00e1gua que vem do sistema corre a c\u00e9u aberto at\u00e9 chegar \u00e0 adutora, sendo pass\u00edvel de contamina\u00e7\u00e3o. No caminho passa por mulheres lavando roupa, assim como pastos de animais. A professora Auxiliadora Mendes, 63, sofre com a situa\u00e7\u00e3o. \u201cJunto baldes pela casa toda. A economia \u00e9 total\u201d, revela. A ajuda dos vizinhos que t\u00eam po\u00e7o artesiano \u00e9 fundamental. As mangueiras passam de uma rua para outra, por cima dos muros e telhados. Da forma que for poss\u00edvel. Quando chegam os caminh\u00f5es, logo as vasilhas se espalham nas portas das casas. \u201c\u00c9 a chance de uma semana abastecida.\u201d<\/p>\n<p><strong>Belo Jardim<\/strong><\/p>\n<p>Em Belo Jardim, a 200 km do Recife, a cidade de 75 mil habitantes viu o l\u00edquido desaparecer das torneiras por completo. Os dois principais reservat\u00f3rios da cidade secaram. Na barragem de Pedro Moura J\u00fanior, na entrada da cidade, nada restou dos 30 milh\u00f5es de m\u00b3. Com capacidade para 17 milh\u00f5es de m\u00b3, o reservat\u00f3rio Severino Guerra, mais conhecido como Bitury, tamb\u00e9m secou.<\/p>\n<p>L\u00e1, o ch\u00e3o \u00famido do entorno foi ocupado por pequenos ro\u00e7ados. \u00c9 servi\u00e7o de quem n\u00e3o t\u00eam \u00e1gua em casa, mas tenta plantar para sobreviver. \u201cLembro-me de quando a \u00e1gua chegava at\u00e9 bem perto da porta da gente. Al\u00e9m da falta de chuva, empresas e grandes ind\u00fastrias retiravam demais\u201d, lamenta o aposentado Jo\u00e3o Laurentino, 66, que mant\u00e9m uma pequena planta\u00e7\u00e3o de alface, coentro e couve no entorno do Bitury.<\/p>\n<p>O fim dos dois reservat\u00f3rios foi sentido tamb\u00e9m nos munic\u00edpios vizinhos, como Sanhar\u00f3, Tacaimb\u00f3 e S\u00e3o Bento do Una, que passaram a ser abastecidos s\u00f3 por carros-pipa. As latas d\u2019\u00e1gua trazidas na cabe\u00e7a se tornaram uma miss\u00e3o rotineira para L\u00eddia Maria de Jesus, 71, h\u00e1 mais de 30 anos morando no local. \u201cA gente aprendeu a conviver com as dificuldades\u201d, admite. Ela e os demais moradores dependem de po\u00e7os, a maioria perfurados por ONG\u2019s que oferecem apoio.<\/p>\n<p><strong>Agricultura prejudicada<\/strong><\/p>\n<p>Quando tudo d\u00e1 em nada, restam a decep\u00e7\u00e3o e a impot\u00eancia. O trabalho de preparo da terra, sele\u00e7\u00e3o de sementes e o custoso plantio n\u00e3o tem conseguido mostrar bons resultados em Cumaru, cidade com apenas 17 mil habitantes, tamb\u00e9m dependente de Jucazinho. Agricultores amargam os preju\u00edzos da falta de chuva, empiorada pela falha de estrutura para abastecimento.<\/p>\n<p>O sol castiga a terra e n\u00e3o h\u00e1 um pingo que sobre para fazer a irriga\u00e7\u00e3o. Os pequenos agricultores acabam sentindo na mesa e no bolso.<\/p>\n<p>O drama, que se estende por todo o munic\u00edpio, n\u00e3o \u00e9 diferente no ro\u00e7ado de tr\u00eas hectares pertencente a dona Teresinha Nascimento, 75 anos, que chegou ao s\u00edtio ainda crian\u00e7a. \u201cPlantei milho, soja e feij\u00e3o, mas tudo se perdeu. Tudo aqui piorou muito. Nem mesmo os animais tiveram o que beber\u201d, contou, sem disfar\u00e7ar a tristeza. At\u00e9 o mato foi queimado pelo clima severo. Segundo ela, o apurado serviria para consumo pr\u00f3prio e tamb\u00e9m para a obten\u00e7\u00e3o de uma renda extra na feira. \u201cNem mesmo um saco conseguimos retirar\u201d, conta, lembrando os bons tempos, com a m\u00e9dia de 300 quilos de gr\u00e3os.<\/p>\n<p>Nas propriedades maiores, as bombas de irriga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foram desligadas, recorrendo ao servi\u00e7o feito manualmente pelos trabalhadores. Mais sens\u00edveis \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, os legumes, frutas e verduras, quando n\u00e3o morrem, acabam perdendo a qualidade, reduzindo o valor de mercado. \u00c9 o caso da horta de Francisco de Assis, 64. \u201cA gente leva para feira e ningu\u00e9m compra\u201d, revela.<\/p>\n<p>Fonte: FolhaPE<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O drama, que se estende por todo o munic\u00edpio, n\u00e3o \u00e9 diferente no ro\u00e7ado de tr\u00eas hectares pertencente a dona Teresinha Nascimento, 75 anos, que c<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":144794,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,11],"tags":[],"class_list":["post-144793","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-regional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Jucazinho-Barragem-Alfeu-Ta.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144793","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=144793"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144793\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/144794"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=144793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=144793"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=144793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}