{"id":146230,"date":"2016-08-22T06:50:12","date_gmt":"2016-08-22T09:50:12","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=146230"},"modified":"2016-08-22T06:50:12","modified_gmt":"2016-08-22T09:50:12","slug":"segunda-guerra-mundial-o-dia-que-cobra-fumou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/segunda-guerra-mundial-o-dia-que-cobra-fumou\/","title":{"rendered":"Segunda Guerra Mundial: o dia que a cobra fumou"},"content":{"rendered":"<div class=\"manchete padrao1\">\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<p class=\"publicacao\" style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<div class=\"social\" style=\"text-align: justify;\">\n<ul class=\"ferramentas\">\n<li class=\"first\"><strong>Thiago Vieira<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<div id=\"texto-noticia\" class=\"conteudo\">\n<div class=\"imagem\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"bordaimg imgnoticia\" title=\"Brasileiros foram enviados para combater o Eixo \/ Foto: Acervo\/For\u00e7a Expedicion\u00e1ria Brasileira\" src=\"http:\/\/imagens1.ne10.uol.com.br\/ne10\/imagem\/noticia\/2016\/08\/21\/normal\/dd0a49f067ccb5333006acb9a6870a0d.jpg\" alt=\"Brasileiros foram enviados para combater o Eixo \/ Foto: Acervo\/For\u00e7a Expedicion\u00e1ria Brasileira\" width=\"620\" height=\"372\" \/>Brasileiros foram enviados para combater o Eixo<em>Foto: Acervo\/For\u00e7a Expedicion\u00e1ria Brasileira<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>O ano era 1942. J\u00e1 era o 4\u00ba da Segunda Guerra Mundial, entre o Eixo &#8211; da Alemanha Nazista e It\u00e1lia de Mussolini &#8211; contra os Aliados &#8211; dos Estados Unidos e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. O Brasil permanecia neutro, cedendo a press\u00f5es dos dois lados. Tudo indicava que assim permaneceria, sem tomar nenhum partido. Algu\u00e9m at\u00e9 apostou que era &#8216;mais f\u00e1cil uma cobra fumar que o Brasil entrar na guerra&#8217;. A declara\u00e7\u00e3o, emblem\u00e1tica, j\u00e1 foi atribu\u00edda a combatentes e at\u00e9 a Get\u00falio Vargas, presidente da \u00e9poca. O fato \u00e9 que em 22 de agosto daquele ano, o Brasil declarou guerra contra ao Eixo e ent\u00e3o, at\u00e9 para os incr\u00e9dulos, a cobra fumou.<\/p>\n<div class=\"imagem direita vertical\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imagens1.ne10.uol.com.br\/ne10\/imagem\/noticia\/vertical\/2016\/08\/21\/normal\/f56d902d819b14dc4296237e7785c66b.jpg\" alt=\"S\u00edmbolo da For\u00e7a Expedicion\u00e1ria Brasileira (FEB) \" \/>S\u00edmbolo da For\u00e7a Expedicion\u00e1ria Brasileira (FEB)<em>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O s\u00edmbolo foi usado pela For\u00e7a Expedicion\u00e1ria Brasileira (FEB). O fundo amarelo, ostentando uma cobra verde fumando virou a marca da entrada do Pa\u00eds na \u00faltima Guerra Mundial.<\/div>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Neutralidade brasileira era cercada de interesses<\/h2>\n<div style=\"text-align: justify;\">Naquela \u00e9poca, o Brasil era governado por Get\u00falio Vargas que, embora n\u00e3o envolvido oficialmente com a guerra, usava neutralidade para barganhar seus interesses dos dois lados. &#8220;Get\u00falio era muito pragm\u00e1tico. O Brasil n\u00e3o tomava partido, mas enquanto isso negociava tanto com os alem\u00e3es tanto com os americanos os seus interesses&#8221;, afirma Suzana Cavani, professora de hist\u00f3ria contempor\u00e2nea da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"imagem esquerda\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imagens1.ne10.uol.com.br\/ne10\/imagem\/noticia\/esquerda\/2016\/08\/21\/normal\/b3cc801542f77f4b22e8f06cb1a12550.jpg\" alt=\"O controverso Get\u00falio Vargas usou da neutralidade para barganhar interesses\" \/>O controverso Get\u00falio Vargas usou da neutralidade para barganhar interesses<em>Foto: Acervo\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>A professora afirma que esses interesses eram primordialmente dois: aumentar o poder b\u00e9lico do pa\u00eds e, o principal, conseguir financiamento para a constru\u00e7\u00e3o de uma grande Sider\u00fargica, sonhada pelo presidente. Al\u00e9m disso, o pr\u00f3prio governo do presidente era dividido entre pessoas que preferia o lado dos Aliados e outros que preferiam os ideais fascistas.<\/p><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Com as negocia\u00e7\u00f5es avan\u00e7adas, o Brasil rompe de vez em 1941 com a Alemanha. No ano seguinte, navios na costa brasileira s\u00e3o atacadas pelos alem\u00e3es e, ent\u00e3o, o Brasil estava oficialmente em guerra contra a Alemanha.<\/div>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">For\u00e7as expedicion\u00e1rias enviadas serviram de suporte no combate aos Nazistas<\/h2>\n<div style=\"text-align: justify;\">Os pracinhas, como eram conhecidos os soldados que combateram o Eixo, participaram de momentos essenciais para o resultado final da guerra. Em 1944, foram enviados cerca de 25 mil soldados \u00e0s batalhas na It\u00e1lia. Esses soldados serviram para aliviar outras tropas que fizeram a ofensiva no norte europeu. &#8220;Ter as tropas brasileiras na It\u00e1lia foi importante para poder liberar outro contingente para as grandes ofensivas. Era um momento em que os Aliados j\u00e1 estavam virando a guerra&#8221;, destaca a professora Suzana.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O m\u00fasico Jo\u00e3o Barone realizou o document\u00e1rio &#8220;O caminho dos herois&#8221;, que retrata as batalhas brasileiras na It\u00e1lia. Dentre os destaques, est\u00e3o as falas de italianos em como os brasileiros s\u00e3o lembrados, principalmente pela bondade.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.dailymotion.com\/embed\/video\/x22ki1b\" width=\"480\" height=\"270\" frameborder=\"0\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.dailymotion.com\/video\/x22ki1b_o-caminho-dos-hero-is_shortfilms\" target=\"_blank\">O Caminho dos Her\u00f3is<\/a> <em>por <a href=\"http:\/\/www.dailymotion.com\/eugravei\" target=\"_blank\">eugravei<\/a><\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">O passado heroico de um ex-combatente esquecido<\/h2>\n<div style=\"text-align: justify;\">Quando os brasileiros da FEB chegaram ao Brasil foram recebidos com festa. Sair vencedor de uma batalha talvez fosse o necess\u00e1rio para transformar o sofrimento de uma das piores manchas da hist\u00f3ria num momento heroico cheio de orgulho. Mas n\u00e3o era. O ex-combatente Valdir Brand\u00e3o, falecido em 1986, pouco desfrutou da sua import\u00e2ncia.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Com quase nenhum apoio governamental ou os agradecimentos devidos, ele conviveu com os traumas da guerra durante toda a sua vida. &#8220;Quando os pracinhas voltaram, eles foram recebidos com festa. Valdir n\u00e3o gostava disso, ele sempre ficou muito nervoso com grandes multid\u00f5es por conta da Guerra&#8221;, afirma Va\u00edlde Brand\u00e3o, vi\u00fava.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O ex-pracinha passou muito tempo em que sequer falava do ocorrido. Ao longo da vida, foi superando, mas nunca deixou de ser uma pessoa com problemas de nervoismo por causa das lembran\u00e7as. &#8220;Assim que ele chegou ele falava muito pouco e n\u00e3o tocava no assunto da guerra. Depois, ele come\u00e7ou a contar um pouco quando perguntavam, mas sempre tinha um inc\u00f4modo por parte dele, por toda a vida&#8221;, conta Va\u00edlde.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Os dois nasceram em Santana do Ipanema, interior de Alagoas. Durante a Guerra, Valdir foi transferido para o Recife e, depois, levado \u00e0 Fernando de Noronha. Quando a FEB foi enviada a It\u00e1lia, ele foi convocado. Na volta para casa, al\u00e9m dos traumas, teve problemas com desemprego. Mudou-se para Macei\u00f3 e l\u00e1 conseguiu trabalho com alguns amigos do Ex\u00e9rcito, mas nenhuma ajuda governamental.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Apenas pr\u00f3ximo ao fim da vida, Valdir conseguiu uma pens\u00e3o, mas pouco desfrutou dela. E essa foi a realidade da maioria dos ex-combatentes. Traumas de uma guerra e pouco prest\u00edgio na volta para casa.<\/div>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Perseguidos na Europa, entrada na guerra do Brasil facilitou imigra\u00e7\u00e3o judaica para o Pa\u00eds<\/h2>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ao longo da hist\u00f3ria os judeus sofreram diversas persegui\u00e7\u00f5es. No final no s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX, houve uma grande movimenta\u00e7\u00e3o de afugentados da europa oriental para pa\u00edses americanos. Essa comunidade foi a que recebeu os migrantes da Segunda Guerra, j\u00e1 que a pol\u00edtica brasileira n\u00e3o facilitava a entrada de estrangeiros durante boa parte da guerra. &#8220;Por ter algumas rela\u00e7\u00f5es com a Alemanha, a pol\u00edtica de Get\u00falio nunca foi muito receptiva \u00e0 chegada dos judeus no Brasil&#8221;, afirma Jader Tachlitsky, membro da Federa\u00e7\u00e3o Israelita de Pernambuco (Fipe).<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Um dos que ajudaram e que at\u00e9 hoje \u00e9 lembrado pela comunidade judaica foi Guimar\u00e3es Rosa, diplomata do Brasil na Alemanha na \u00e9poca. Ele, junto \u00e0 sua esposa, emitiu mais vistos que o permitido para que Judeus conseguissem vir para o Brasil. Aqui, n\u00e3o havia resist\u00eancia por parte da popula\u00e7\u00e3o. &#8220;Os judeus que vieram para c\u00e1 foram bem recebidos pelos brasileiros. As dificuldades vinham mais na parte pol\u00edtica de Get\u00falio&#8221;, destaca Jader.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Com o fim das rela\u00e7\u00f5es com Alemanha e a definitiva entrada na guerra, os judeus passaram a n\u00e3o sofrer bloqueios por parte governamental e muitos deles chegaram at\u00e9 a se alistar e lutar pelo Brasil nas batalhas.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Atualmente a comunidade judaica possui cerca de 1500 pessoas em Pernambuco, concentradas principalmente no Recife. Al\u00e9m delas, existem outras que possam ter origens judaicas mas que tenham se perdido ao longo da hist\u00f3ria.<\/div>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A Guerra<\/h2>\n<div style=\"text-align: justify;\">O Brasil enviou cerca de 25 mil combatentes \u00e0 Segunda Guerra Mundial, sendo 681 pernambucanos. Desses, 459 morreram em combate e cerca de outros dois mil em decorr\u00eancia dos ferimentos das batalhas. Cerca de doze mil sofreram mutila\u00e7\u00f5es ou outro tipos de acontecimentos que impossibilitaram a continuidade no campo de batalha. Dos 25 mil enviados, 22 mil estiveram efetivamente em um campo de batalha.<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano era 1942. 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