{"id":1463,"date":"2013-07-13T09:02:45","date_gmt":"2013-07-13T12:02:45","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=1463"},"modified":"2013-07-18T10:03:46","modified_gmt":"2013-07-18T13:03:46","slug":"ccbb-exibe-em-sao-paulo-obras-do-cineasta-jacques-rivette","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/ccbb-exibe-em-sao-paulo-obras-do-cineasta-jacques-rivette\/","title":{"rendered":"CCBB exibe em S\u00e3o Paulo obras do cineasta Jacques Rivette"},"content":{"rendered":"<p>O primeiro artigo do franc\u00eas Jacques Rivette como cr\u00edtico de cinema, intitulado<em>\u00a0J\u00e1 N\u00e3o Somos Inocentes<\/em>, foi<em>\u00a0<\/em>publicado em 1950, na revista\u00a0<em>Cahiers du Cin\u00e9ma<\/em>\u00a0(<em>Cadernos do Cinema<\/em>). O manifesto refletia sobre a linguagem e a cria\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1ficas e o fim da inoc\u00eancia do telespectador diante da tela, principalmente ap\u00f3s a 2\u00aa Guerra Mundial (1939-1945), quando j\u00e1 se sabia que uma imagem no cinema poderia servir, por exemplo, como forma de propaganda pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Para discutir o fim da inoc\u00eancia no cinema, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) apresenta, at\u00e9 o dia 21 deste m\u00eas, mostra dedicada ao cineasta, com a exibi\u00e7\u00e3o de 26 longas e curtas-metragens dele e de seus amigos diretores Jean-Luc Godard, Fran\u00e7ois Truffaut, Claude Chabrol e Eric Rohmer. Os ingressos custam R$ 2 e R$ 4.<\/p>\n<p>\u201cO t\u00edtulo [<em>J\u00e1 N\u00e3o Somos Inocentes<\/em>] diz muito tamb\u00e9m sobre a concep\u00e7\u00e3o moderna do cinema, se formos considerar o cinema moderno como o que vem no p\u00f3s-guerra. Muitos, como Godard, dizem que o cinema n\u00e3o mostrou os campos de concentra\u00e7\u00e3o na 2\u00aa Guerra, mas foi usado como propaganda de Estado, como artif\u00edcio ou engana\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel, depois disso, pelo modo como a imagem foi usada politicamente, ser inocente perante essa imagem\u201d, disse um dos curadores da mostra, Francis Vogner dos Reis, em entrevista \u00e0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>. A mostra tamb\u00e9m tem curadoria de Luiz Carlos Oliveira Jr.<\/p>\n<p>Nascido em 1928, Jacques Rivette come\u00e7ou a carreira escrevendo para a revista\u00a0<em>Cahiers du Cin\u00e9ma<\/em>. Pioneiro do movimento Nouvelle Vague (Nova Onda), Rivette \u00e9 um dos cineastas franceses mais importantes da hist\u00f3ria. O fato de ter filmado pouco no per\u00edodo \u00e1ureo da Nouvelle Vague (1958-1964), fez com que ele ficasse menos conhecido que seus colegas de movimento, apesar de ser uma esp\u00e9cie de l\u00edder intelectual deles e, junto com Godard, o mais radical em termos est\u00e9ticos.<\/p>\n<p>De acordo com o curador, a mostra reuniu a maior quantidade poss\u00edvel de filmes dirigidos por Rivette, com exce\u00e7\u00e3o de alguns curtas que n\u00e3o foram encontrados. \u201cTentamos fazer um percurso da carreira de Jacques Rivette desde a \u00e9poca dele como cr\u00edtico at\u00e9 seu \u00faltimo filme [ainda in\u00e9dito no Brasil],\u00a0<em>36 Vistas do Monte Saint-Loup<\/em>\u00a0[2009]\u201d, disse Reis.<\/p>\n<p>Para abordar a vida de Rivette como cr\u00edtico de cinema, o cat\u00e1logo da mostra inclui uma compila\u00e7\u00e3o dos textos dele na\u00a0<em>Cahiers du Cin\u00e9ma<\/em>. \u201cProvavelmente \u00e9 a primeira publica\u00e7\u00e3o no mundo a fazer isso. Ele nunca permitiu que isso fosse feito na Fran\u00e7a\u201d, disse o curador. O cat\u00e1logo \u00e9 gratuito, mas tem tiragem limitada.<\/p>\n<p>Entre os filmes exibidos, est\u00e3o\u00a0<em>Paris nos Pertence<\/em>\u00a0(1961) e\u00a0<em>Amor Louco\u00a0<\/em>(1969), considerado a mais radical obra de Rivette, que faz a distin\u00e7\u00e3o entre dois mundos: o teatro e a vida. Ali\u00e1s, o cinema de Rivette tem forte liga\u00e7\u00e3o com o teatro. \u201cNa compara\u00e7\u00e3o com seus colegas da Nouvelle Vague, ele \u00e9 o que mais se preocupa com o teatro. Como o teatro \u00e9 pura presen\u00e7a, ou seja, n\u00e3o se tem controle [sobre o que acontece] e ele [teatro] se d\u00e1 no presente, os filmes dele tamb\u00e9m t\u00eam uma concep\u00e7\u00e3o de tempo que leva em considera\u00e7\u00e3o a dura\u00e7\u00e3o do plano&#8221;, explica Reis.<\/p>\n<p>A obsess\u00e3o e o rigor de Rivette em rela\u00e7\u00e3o ao tempo e a dura\u00e7\u00e3o de uma cena resultam em filmes longos. Os mais curtos em exibi\u00e7\u00e3o na mostra tem cerca de 130 minutos. J\u00e1\u00a0<em>A Bela Intrigante<\/em>, por exemplo, tem quase quatro horas de dura\u00e7\u00e3o.\u00a0(Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O primeiro artigo do franc\u00eas Jacques Rivette como cr\u00edtico de cinema, intitulado J\u00e1 N\u00e3o Somos Inocentes, foi publicado em 1950, na revista Cahiers du Cin\u00e9ma (Cadernos do Cinema). O manifesto refletia sobre a linguagem e a cria\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1ficas e o fim da inoc\u00eancia do telespectador diante da tela, principalmente ap\u00f3s a 2\u00aa Guerra Mundial (1939-1945), quando j\u00e1 se sabia que uma imagem no cinema poderia servir, por exemplo, como forma de propaganda pol\u00edtica.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[84,617],"class_list":["post-1463","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura","tag-obras","tag-sao-paulo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1463","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1463"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1463\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1463"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1463"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1463"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}