{"id":147522,"date":"2016-08-28T12:10:26","date_gmt":"2016-08-28T15:10:26","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=147522"},"modified":"2016-08-28T12:10:26","modified_gmt":"2016-08-28T15:10:26","slug":"igreja-sera-indenizada-por-ter-de-celebrar-casamento-de-noiva-gravida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/igreja-sera-indenizada-por-ter-de-celebrar-casamento-de-noiva-gravida\/","title":{"rendered":"Igreja ser\u00e1 indenizada por ter de celebrar casamento de noiva gr\u00e1vida"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"title\"><\/h2>\n<div class=\"wysiwyg\">\n<p>Igrejas podem se recusar a atender membros que atuam de forma contr\u00e1ria \u00e0s\u00a0suas doutrinas eclesi\u00e1sticas, devendo ser indenizadas por medidas que ofendam suas pr\u00f3prias regras. Assim entendeu a 5\u00aa C\u00e2mara C\u00edvel do Tribunal de Justi\u00e7a de Goi\u00e1s ao determinar que um casal pague R$ 50 mil \u00e0 Primeira Igreja Batista em Goi\u00e2nia, que foi obrigada a celebrar um matrim\u00f4nio por decis\u00e3o judicial.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o foi movida pelo pr\u00f3prio casal em 2005, depois que a institui\u00e7\u00e3o negou-se a celebrar a cerim\u00f4nia, sob o argumento de que a noiva j\u00e1 estava gr\u00e1vida. Ainda naquele ano, os autores conseguiram liminar obrigando a igreja a sediar o casamento. Como oficiais de Justi\u00e7a tiveram dificuldade para intimar os pastores, um juiz plantonista autorizou at\u00e9 que eles abrissem as portas do templo por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<figure class=\"image esquerda\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/s.conjur.com.br\/img\/b\/africano-americano-africano-americano1.jpeg\" alt=\"\" \/><figcaption>Noivos conseguiram liminar para se casar em igreja evang\u00e9lica, mas agora v\u00e3o\u00a0pagar indeniza\u00e7\u00e3o por terem\u00a0ido \u00e0\u00a0Justi\u00e7a.<br \/>\n<sup>123RF<\/sup><\/figcaption><\/figure>\n<p>O processo continuou mesmo depois da cerim\u00f4nia, pois os rec\u00e9m-casados afirmaram ter sofrido danos morais com a negativa. Na contesta\u00e7\u00e3o, a r\u00e9 solicitou exatamente o inverso: ser indenizada pela obriga\u00e7\u00e3o de executar o casamento.<\/p>\n<p>A senten\u00e7a \u2014 assinada por outra ju\u00edza \u2014 reconheceu ofensa \u00e0 honra objetiva da igreja, pela \u201catitude impensada dos autores de for\u00e7arem a realiza\u00e7\u00e3o do casamento religioso sem o preenchimento dos requisitos m\u00ednimos necess\u00e1rios pela suplicada\u201d.<\/p>\n<p><strong>Pr\u00e9-requisito<\/strong><br \/>\nO casal recorreu, mas o TJ-GO manteve o entendimento. O relator, juiz substituto em segundo grau Delintro Belo de Almeida Filho, n\u00e3o viu ato discriminat\u00f3rio, considerando\u00a0que o regulamento era claro ao estabelecer que s\u00f3 tinham direito ao matrim\u00f4nio fi\u00e9is \u201cem plena comunh\u00e3o com a igreja\u201d.<\/p>\n<p>Ele disse ainda que a noiva, \u201c\u00e0 \u00e9poca dos fatos, embora fosse membro da referida institui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o estava em plena comunh\u00e3o com a igreja, pois conforme assevera a nobre magistrada sentenciante, \u2018(&#8230;) not\u00f3rio e independe de provas que a religi\u00e3o evang\u00e9lica n\u00e3o aceita as rela\u00e7\u00f5es sexuais antes do casamento (\u2026) sendo que este dogma \u00e9 da Igreja e contra o qual o Estado n\u00e3o pode se voltar a t\u00edtulo de infring\u00eancia \u00e0 regras constitucionais\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Ainda citando trecho da senten\u00e7a, o relator disse que \u201cos autores n\u00e3o foram surpreendidos com as decis\u00f5es do pastor da igreja r\u00e9, uma vez que violaram as normas de conduta da religi\u00e3o a que pertenciam e resolveram correr o risco, quanto a manuten\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es sexuais antes do casamento, de forma que n\u00e3o podem querer, ap\u00f3s descumprirem as regras, impor a todos os membros da igreja suas opini\u00f5es e vontades pessoais\u201d.<\/p>\n<p>O problema, para ele, foi a igreja ser obrigada a agir contra as suas cren\u00e7as, embora a Constitui\u00e7\u00e3o Federal garanta que conflitos ligados \u00e0 liturgia s\u00e3o<em>interna corporis<\/em>, ou seja, devem ser resolvidos pela pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o. O voto foi seguido por unanimidade.<\/p>\n<p><strong>Detalhe<\/strong><br \/>\nO relator assina o voto como\u00a0\u201cdi\u00e1c.\u201d, uma abrevia\u00e7\u00e3o para di\u00e1cono \u2014 al\u00e9m de juiz, ele \u00e9 registrado como colaborador na Par\u00f3quia\u00a0Santu\u00e1rio Santo Ant\u00f4nio, no munic\u00edpio goiano de\u00a0An\u00e1polis.\u00a0<em>Com informa\u00e7\u00f5es do Centro de Comunica\u00e7\u00e3o Social do TJ-GO.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Igrejas podem se recusar a atender membros que atuam de forma contr\u00e1ria \u00e0s suas doutrinas eclesi\u00e1sticas, devendo ser indenizadas por medidas que ofendam suas pr\u00f3prias regras. 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