{"id":149344,"date":"2016-09-07T06:42:02","date_gmt":"2016-09-07T09:42:02","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=149344"},"modified":"2016-09-07T06:42:02","modified_gmt":"2016-09-07T09:42:02","slug":"pernilongo-nao-transmite-o-virus-zika","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/pernilongo-nao-transmite-o-virus-zika\/","title":{"rendered":"Pernilongo n\u00e3o transmite o v\u00edrus zika"},"content":{"rendered":"<header>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<\/header>\n<figure class=\"horizontal\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/extra.globo.com\/incoming\/20063116-dfd-494\/w640h360-PROP\/ioc_2956.jpg\" alt=\"Ricardo Louren\u00e7o, chefe do Laborat\u00f3rio de Mosquitos Transmissores de Hematozo\u00e1rios do IOC e coordenador do estudo, ao lado de um das parceiras da pesquisa, a cientista Anna-Bella Failloux, chefe da unidade de Arboviroses e Insetos Vetores do Instituto Pasteur de Paris\" width=\"640\" height=\"360\" \/><figcaption><span class=\"credit\">Ricardo Louren\u00e7o, chefe do Laborat\u00f3rio de Mosquitos Transmissores de Hematozo\u00e1rios do IOC e coordenador do estudo, ao lado de um das parceiras da pesquisa, a cientista Anna-Bella Failloux, chefe da unidade de Arboviroses e Insetos Vetores do Instituto Pasteur de Paris\u00a0<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"story\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"header\"><\/div>\n<p>Mosquitos da esp\u00e9cie <em>Culex quinquefasciatus<\/em>, conhecida popularmente como pernilongo ou muri\u00e7oca, existentes no Rio de Janeiro n\u00e3o s\u00e3o capazes de transmitir a linhagem do v\u00edrus zika que circula no estado. Essa foi a conclus\u00e3o de um estudo realizado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz), publicado nesta ter\u00e7a-feira na revista cient\u00edfica \u201cPlos Neglected Tropical Diseases\u201d. A pesquisa analisou 392 mosquitos capturados em quatro bairros da cidade e apontou que, ao contr\u00e1rio do que cientistas da institui\u00e7\u00e3o verificaram em Pernambuco, n\u00e3o foi encontrada nenhuma part\u00edcula do v\u00edrus na cabe\u00e7a nem na saliva dos insetos que pudessem ser transmitidas no momento da picada.<\/p>\n<p>Em julho, pesquisadores da Fiocruz de Pernambuco divulgaram um estudo que apontou a presen\u00e7a do v\u00edris zika em mosquitos Culex coletados na cidade do Recife. A participa\u00e7\u00e3o desta esp\u00e9cie no ciclo de transmiss\u00e3o da doen\u00e7a \u00e9 uma das hip\u00f3teses investigadas para explicar a r\u00e1pida dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus zika pelo pa\u00eds.<\/p>\n<div class=\"teads-inread\">\n<div>\n<div class=\"teads-ui-components-label\"><\/div>\n<div id=\"teads0\" class=\"teads-player\"><\/div>\n<div class=\"teads-ui-components-credits\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"inline\" src=\"http:\/\/extra.globo.com\/incoming\/20063117-8db-ee4\/w448\/ioc_29621-.jpg\" alt=\"Placas com amostras de saliva de mosquitos Culex analisadas no estudo n\u00e3o mostraram a atividade do zika v\u00edrus\" \/><figcaption>Placas com amostras de saliva de mosquitos Culex analisadas no estudo n\u00e3o mostraram a atividade do zika v\u00edrus Foto: Josu\u00e9 Damacena\/IOC\/Fiocruz \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>O estudo desenvolvido no Rio tamb\u00e9m analisou, para compara\u00e7\u00e3o, mosquitos <em>Aedes aegypti. <\/em>Foi constatada a alta capacidade de transmiss\u00e3o do v\u00edrus por essa esp\u00e9cie. Para a Fiocruz, essas evid\u00eancias cient\u00edficas refor\u00e7am que as estrat\u00e9gias de controle do zika devem permanecer focadas no <em>Aedes aegypti<\/em>, principal transmissor do v\u00edrus nas Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>De janeiro a mar\u00e7o deste ano, o Laborat\u00f3rio de Mosquitos Transmissores de Hematozo\u00e1rios do IOC coletou ovos e larvas de <em>Culex <\/em>em quatro bairros do Rio: Manguinhos e Triagem, na Zona Norte, Jacarepagu\u00e1, na Zona Oeste, e Copacabana, na Zona Sul. Os ovos e as larvas foram levados para o laborat\u00f3rio e, quando atingiram a fase de mosquitos adultos, foram separados em gaiolas. Em seguida, foram alimentados com sangue infectado com o v\u00edrus zika. Foram usadas duas linhagens locais do v\u00edrus, isoladas, em janeiro, pelo Laborat\u00f3rio de Biologia Molecular de Flaviv\u00edrus do IOC, a partir de amostras de pacientes do Rio.<\/p>\n<p><strong>Metodologia<\/strong><\/p>\n<p>Cerca de 30 mosquitos de cada gaiola foram analisados aos 7, aos 14 e aos 21 dias ap\u00f3s a alimenta\u00e7\u00e3o com sangue infectado. Foram testadas as seguintes partes do corpo: abd\u00f4men\/t\u00f3rax (onde est\u00e3o localizados o est\u00f4mago, onde o sangue se aloja logo ap\u00f3s a alimenta\u00e7\u00e3o, e as gl\u00e2ndulas salivares do mosquito), cabe\u00e7a (para verificar se ocorreu dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus no corpo do mosquito depois da ingest\u00e3o) e saliva (para verificar a possibilidade de transmiss\u00e3o do v\u00edrus durante a picada).<\/p>\n<p>Foram mais de mil amostras analisadas, referentes a 392 mosquitos. Somente em dois exemplares de pernilongo, provenientes dos bairros de Triagem e Manguinhos, foi detectada infec\u00e7\u00e3o inicial no abd\u00f4men\/t\u00f3rax, no per\u00edodo de 14 dias ap\u00f3s a alimenta\u00e7\u00e3o com sangue infectado, e nenhuma part\u00edcula viral foi identificada na cabe\u00e7a e nem na saliva desses mesmos mosquitos.<\/p>\n<p>&#8211; O achado indica que o v\u00edrus zika n\u00e3o consegue se disseminar completamente pelo corpo do <em>Culex quinquefasciatus<\/em>. Logo, os dados mostram que o inseto n\u00e3o \u00e9 capaz de transmitir o pat\u00f3geno, uma vez que n\u00e3o h\u00e1 presen\u00e7a de part\u00edculas infectantes do v\u00edrus na saliva que possam ser expelidas no momento da picada e infectar um ser humano &#8211; explicou Ricardo Louren\u00e7o, chefe do Laborat\u00f3rio de Mosquitos Transmissores de Hematozo\u00e1rios e coordenador do estudo.<\/p>\n<p>Para uma an\u00e1lise comparativa, os mesmos protocolos foram usados para testar mosquitos <em>Aedes aegypti <\/em>tamb\u00e9m do Rio de Janeiro, provenientes dos bairros da Urca, na Zona Sul, e de Paquet\u00e1. Os resultados foram completamente distintos: enquanto as taxas de infec\u00e7\u00e3o no abd\u00f4men\/t\u00f3rax entre os <em>Culex<\/em> foram m\u00ednimas (apenas dois exemplares, ap\u00f3s 14 dias de alimenta\u00e7\u00e3o com sangue infectado), altos \u00edndices de infec\u00e7\u00e3o no abd\u00f4men\/t\u00f3rax foram verificados entre 85% a 97% dos <em>Aedes aegypti <\/em>testados ap\u00f3s 14 e 21 dias da alimenta\u00e7\u00e3o com sangue infectado, independentemente da linhagem do v\u00edrus zika usada no experimento.<\/p>\n<p>&#8211; Chegamos a detectar Aedes que em apenas sete dias ap\u00f3s a alimenta\u00e7\u00e3o j\u00e1 apresentavam infec\u00e7\u00e3o no abd\u00f4men e t\u00f3rax &#8211; enfatizou Louren\u00e7o.<\/p>\n<p>Se nos pernilongos n\u00e3o foram observadas part\u00edculas virais na saliva em nenhum per\u00edodo de tempo ap\u00f3s a alimenta\u00e7\u00e3o com sangue infectado, mais de 90% dos Aedes apresentaram v\u00edrus ativo na saliva 14 dias ap\u00f3s a alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPouco \u00e9 sabido sobre o v\u00edrus Zika e sua intera\u00e7\u00e3o com o organismo do mosquito. \u00c9 poss\u00edvel que a combina\u00e7\u00e3o entre as varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas dos v\u00edrus e as varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas dos mosquitos, ao longo de sua distribui\u00e7\u00e3o territorial, impacte na compet\u00eancia para a transmiss\u00e3o. O que podemos dizer \u00e9 que, com base em amostras representativas tanto para os mosquitos quanto para o v\u00edrus zika, no Rio de Janeiro, os resultados, at\u00e9 o momento, apontam que o foco para o controle da doen\u00e7a, no Brasil e em \u00e1reas end\u00eamicas nas Am\u00e9ricas, deve permanecer na elimina\u00e7\u00e3o de criadouros do mosquito <em>Aedes aegypti<\/em>\u201d, avalia o pesquisador.<\/p>\n<figure><strong><img decoding=\"async\" class=\"inline\" src=\"http:\/\/extra.globo.com\/incoming\/20061675-863-40c\/w448\/2016-924948466-fiocruz_20070502_peterilicciev_00133_20160722.jpg\" alt=\"Estudos e an\u00e1lise de pesquisa laboratorial com o mosquito Culex\" \/><\/strong><figcaption>Estudos e an\u00e1lise de pesquisa laboratorial com o mosquito Culex Foto: Fiocruz \/ divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Estudos sobre o Culex em Pernambuco<\/strong><\/p>\n<p>Estudo realizado por pesquisadores na Fiocruz Pernambuco, divulgado em julho, detectou a presen\u00e7a natural do v\u00edrus zika em mosquitos <em>Culex quinquefasciatus<\/em> coletados na cidade do Recife. O mesmo grupo anunciou que, durante experimentos de compet\u00eancia vetorial realizados em laborat\u00f3rio, a partir do terceiro dia ap\u00f3s a alimenta\u00e7\u00e3o artificial dos mosquitos, a presen\u00e7a do v\u00edrus foi verificada nas gl\u00e2ndulas salivares dos pernilongos. No estudo de infec\u00e7\u00e3o laboratorial, os mosquitos foram infectados com a linhagem ZIKU BRPE243\/2015 do v\u00edrus zika, isolada a partir de casos de Pernambuco. Estudos adicionais est\u00e3o em andamento.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Extra<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estudo desenvolvido no Rio tamb\u00e9m analisou, para compara\u00e7\u00e3o, mosquitos Aedes aegypti. 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