{"id":149387,"date":"2016-09-07T08:16:00","date_gmt":"2016-09-07T11:16:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=149387"},"modified":"2016-09-07T08:16:36","modified_gmt":"2016-09-07T11:16:36","slug":"expoente-do-apartheid-primeiro-ministro-da-africa-do-sul-e-assassinado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/expoente-do-apartheid-primeiro-ministro-da-africa-do-sul-e-assassinado\/","title":{"rendered":"Expoente do apartheid, primeiro-ministro da \u00c1frica do Sul \u00e9 assassinado"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"bigtitle\" data-section=\"MEM\u00d3RIA\"><\/h1>\n<p><time class=\"time d-b\" datetime=\"2016-09-07BRT08:09\">Max Altman\u00a0<\/time><\/p>\n<div class=\"subtitle\"><em><strong>Hendrik Frensch Verwoerd foi respons\u00e1vel pela senten\u00e7a a pris\u00e3o perp\u00e9tua de Nelson Mandela e pela cria\u00e7\u00e3o dos bantust\u00f5es no pa\u00eds<\/strong><\/em><\/div>\n<div class=\"descript\">\n<p>No dia 6 de Setembro de 1966, apenas 7 minutos ap\u00f3s tomar posse como primeiro-ministro no Parlamento da \u00c1frica do Sul, Hendrik Frensch Verwoerd foi assassinado por Dimitri Tsafendas, deputado ultrarreligioso de m\u00e3e negra portuguesa e pai branco grego.<\/p>\n<p>Wikicommons<\/p>\n<div class=\"img-vertical fl-l\">\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/Ver.jpg\" alt=\"Verwoerd foi o s\u00e9timo premi\u00ea da \u00c1frica do Sul\" \/><\/p>\n<div class=\"img-vertical-descript\">Verwoerd foi o s\u00e9timo premi\u00ea da \u00c1frica do Sul<\/div>\n<\/div>\n<p>Pol\u00edtico e soci\u00f3logo sul-africano, Verwoerd foi primeiro ministro da \u00c1frica do Sul entre 1958 e 1966 e foi um dos criadores do sistema segregacionista do apartheid contra a maioria negra.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m o principal art\u00edfice dos bantust\u00f5es, for\u00e7ando o deslocamento em massa da popula\u00e7\u00e3o negra. Apesar do seu importante papel na implanta\u00e7\u00e3o das leis do apartheid, Tsafendas alegou que \u00a0ele n\u00e3o fez o suficiente a favor dos brancos.<\/p>\n<p>Verwoerd nasceu em 8 de setembro de 1901 em Amsterd\u00e3 e mudou-se cedo com a fam\u00edlia para a \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Foi professor de sociologia e editor de um peri\u00f3dico nacionalista afric\u00e2ner, at\u00e9 que foi eleito senador em 1948 pelo Partido Nacionalista. Ocupou v\u00e1rios cargos no governo at\u00e9 ser designado Ministro de Assuntos Ind\u00edgenas em 1950.<\/p>\n<p>Foi respons\u00e1vel pela senten\u00e7a a pris\u00e3o perp\u00e9tua de Nelson Mandela, l\u00edder do Congresso Nacional Africano em 1964.<\/p>\n<p>Em 1958, Verwoerd foi designado primeiro ministro da Uni\u00e3o Sul-africana. Deu in\u00edcio \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de reservas territoriais \u2013 bantust\u00f5es \u2013 para a popula\u00e7\u00e3o bantu. Proibiu o Partido do Congresso em 1960 e em 1961 separou-se da Commonwealth.<\/p>\n<p>Quando Verwoerd foi assassinado em 6 de setembro de 1966, Mandela j\u00e1 estava na pris\u00e3o. E o grande paradoxo, o que demonstrava que a \u00c1frica do Sul estava mergulhada no que de pior pode oferecer a condi\u00e7\u00e3o humana, \u00e9 que o assassino foi tratado meramente como um louco. N\u00e3o se buscou uma motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, e o governo segregacionista pode ir adiante.Ningu\u00e9m julgou que o assassinato de Verwoerd fosse uma conspira\u00e7\u00e3o, o tomaram como um caso isolado. Tsafendas trabalhava de porteiro no Parlamento. Naquela ter\u00e7a-feira, 6 de setembro, Tsafendas comprou um punhal em uma loja de cutelaria, onde tomaram-no por um pescador. De regresso \u00e0 portaria do Parlamento, sentou-se na sala de espera. \u00c0s 14h e pouco antes que o primeiro-ministro tomasse assento, Tsafendas se inclinou para frente e, pensando todos que o porteiro lhe estava murmurando um recado ao p\u00e9 do ouvido, cravou-lhe o punhal at\u00e9 o fundo.<\/p>\n<p>O escritor Henk Van Woerden reconstruiu essa hist\u00f3ria, com as pertinentes reflex\u00f5es pol\u00edticas, no excelente livro \u201cO Assassino\u201d (Mondadori, 2001).<\/p>\n<p>Conduzido a uma unidade de psiquiatria, Tsafendas foi interrogado:<\/p>\n<p>&#8211; Poderia dizer-me por que voc\u00ea fez isso?<br \/>\n-N\u00e3o estava de acordo com suas leis.<br \/>\nNesse momento Tsafendas come\u00e7ou a chorar desconsoladamente.<br \/>\n-Por que chora?<br \/>\n&#8211; N\u00e3o sei.<br \/>\n&#8211; Voc\u00ea se sente satisfeito com o que fez?<br \/>\n&#8211; Estou contente de poder falar com algu\u00e9m como o senhor. Algu\u00e9m de uma classe melhor.<\/p>\n<p>Van Woerden se impressiona com o relato que marcava essa \u00c1frica do Sul com homens como Tsafendas a anular-se ante algu\u00e9m de \u201cuma classe melhor\u201d. O escritor se reencontra com o assassino muitos anos depois, em uma cl\u00ednica psiqui\u00e1trica. Tsafendas \u00e9 um homem em frangalhos. Louco sim, nesse momento, por\u00e9m com problemas que carregou por toda a vida. Um homem essencialmente abandonado, maltratado, um z\u00e9 ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>No entanto, \u201cqual dos dois se poderia dizer que estava mais enlouquecido, Verwoerd ou Tsafendas?\u201d, se pergunta Van Woerden, que descreve e analisa ao mesmo tempo tamb\u00e9m a \u00c1frica do Sul do final dos anos 1980 e primeira metade dos anos 1990. Mandela morreu, contudo a nova \u00c1frica do Sul \u00e9 sua obra. Verwoerd \u00e9 o obscuro passado que n\u00e3o voltar\u00e1, e Tsafendas \u00e9 um s\u00edmbolo daquela trag\u00e9dia.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hendrik Frensch Verwoerd foi respons\u00e1vel pela senten\u00e7a a pris\u00e3o perp\u00e9tua de Nelson Mandela e pela cria\u00e7\u00e3o dos bantust\u00f5es no pa\u00eds<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":149389,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-149387","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Ver.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=149387"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149387\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/149389"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=149387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=149387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=149387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}