{"id":149478,"date":"2016-09-07T17:22:39","date_gmt":"2016-09-07T20:22:39","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=149478"},"modified":"2016-09-07T17:22:39","modified_gmt":"2016-09-07T20:22:39","slug":"familiares-de-pacientes-sao-alvos-de-golpe-em-hospitais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/familiares-de-pacientes-sao-alvos-de-golpe-em-hospitais\/","title":{"rendered":"Familiares de pacientes s\u00e3o alvos de golpe em hospitais"},"content":{"rendered":"<div id=\"topoNot\">\n<h2 class=\"titMateria colorNot\" style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<p class=\"creditoMateria\" style=\"text-align: justify;\">Anderson Sotero<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"materia\">\n<div id=\"fotoFullHoriz\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"flexslider\">\n<ul class=\"slides\">\n<li><img decoding=\"async\" title=\"Hospital da Bahia lan\u00e7ou panfleto onde avisa familiares de pacientes sobre extors\u00e3o e d\u00e1 dicas para - Foto: Luciano da Matta | Ag. A TARDE\" src=\"http:\/\/fw.atarde.uol.com.br\/2016\/09\/650x375_hospital-da-bahia-lancou-panfleto-onde-avisa-familiares-de-pacientes-sobre-extorsao-e-da-dicas-para-evitala_1664673.jpg\" alt=\"Hospital da Bahia lan\u00e7ou panfleto onde avisa familiares de pacientes sobre extors\u00e3o e d\u00e1 dicas para - Foto: Luciano da Matta | Ag. A TARDE\" \/>\n<p class=\"flex-caption\">Hospital da Bahia lan\u00e7ou panfleto onde avisa familiares de pacientes sobre extors\u00e3o e d\u00e1 dicas para<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O telefone da assistente social Sandra* tocou logo ap\u00f3s ela ter sa\u00eddo do Hospital da Bahia, onde a m\u00e3e est\u00e1 internada na UTI. O n\u00famero estava privado. Ao atender, um homem se identificou como m\u00e9dico, relatou o caso da paciente e disse: &#8220;Ela precisa fazer exames extras de imagens&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sandra estranhou. Desconfiou que poderia ser um golpe e disse que voltaria para o hospital. Ele respondeu que n\u00e3o seria necess\u00e1rio, que tudo seria feito por telefone. Mas a liga\u00e7\u00e3o s\u00f3 terminou quando Sandra afirmou: &#8220;Estou passando pela frente da 16\u00aa Delegacia de Pol\u00edcia da Pituba. Vou parar e pedir para rastrear o seu n\u00famero. Depois, a gente continua a conversa&#8221;. Ele desligou o telefone.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Casos assim, em que um falso m\u00e9dico procura familiares de pacientes e pede pagamentos por servi\u00e7os extras, como exames, t\u00eam ocorrido em todo o pa\u00eds. Em Salvador, hospitais da rede privada &#8211; como Portugu\u00eas, da Bahia, Santo Amaro, Alian\u00e7a e S\u00e3o Rafael &#8211; publicaram um alerta nos respectivos sites.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somente no Portugu\u00eas, \u00fanico hospital que informou quantitativo, foram registradas 12 ocorr\u00eancias, nos \u00faltimos 12 meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso citado acima, o rapaz se identificou como &#8220;dr. Rodrigo Oliveira&#8221; e perguntou \u00e0 assistente social se ela era parente da paciente. Ele se disse cardiologista e detalhou o quadro cl\u00ednico: &#8220;Ela est\u00e1 com um quadro de infec\u00e7\u00e3o pulmonar, com co\u00e1gulos. A senhora n\u00e3o \u00e9 a respons\u00e1vel pelo conv\u00eanio m\u00e9dico dela? Podemos resolver tudo por telefone&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio ocorreu no \u00faltimo 26 de agosto, e Sandra suspeita que o sistema foi hackeado ou que houve participa\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m do hospital. &#8220;Ele n\u00e3o pediu para eu depositar algum dinheiro porque n\u00e3o lhe dei tempo para isto. Fiquei espantada como eles tinham tanta informa\u00e7\u00e3o&#8221;, ressaltou a assistente social, que n\u00e3o registrou a tentativa de estelionato na pol\u00edcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Hospital da Bahia j\u00e1 havia divulgado, em folders, dicas para que as pessoas n\u00e3o se tornem v\u00edtimas. &#8220;A orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 que elas n\u00e3o aceitem qualquer tipo de oferta feita por telefone e jamais fa\u00e7a dep\u00f3sito sem antes checar com o hospital&#8221;, destaca, no panfleto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles costumam pedir dinheiro para honor\u00e1rios m\u00e9dicos, dep\u00f3sito para agilizar procedimentos de urg\u00eancia, para descontos em medicamentos caros e pagamento de exames n\u00e3o liberados pelo plano, com promessa de posterior ressarcimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Coordenadora do servi\u00e7o de psicologia do Hospital da Bahia, Karine Sep\u00falveda contou que os criminosos exigiam pagamentos de R$ 1,5 mil a R$ 3,5 mil. Por conta da pr\u00e1tica, o hospital passou a entregar, na admiss\u00e3o do paciente, um documento onde ressalta que n\u00e3o realiza tratativas por telefone nem pede dep\u00f3sito, al\u00e9m de fazer um acompanhamento das v\u00edtimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre os dados que os criminosos utilizam para tentar convencer familiares, a psic\u00f3loga disse que &#8220;h\u00e1 uma malha muito grande por onde passam essas informa\u00e7\u00f5es dos pacientes&#8221;. &#8220;Os dados s\u00e3o os conv\u00eanios e hospitais que t\u00eam. A gente n\u00e3o sabe de onde est\u00e1 partindo essa fragilidade&#8221;, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/fw.atarde.uol.com.br\/2016\/09\/aviso-hospital-sao-rafael_1664672.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hospitais da rede privada publicaram um alerta nos respectivos sites (Image: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A TARDE<\/strong> procurou a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Planos de Sa\u00fade, mas n\u00e3o obteve resposta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Associa\u00e7\u00e3o de Hospitais e Servi\u00e7os de Sa\u00fade do Estado da Bahia (Ahseb) n\u00e3o tem dados de quantos casos j\u00e1 ocorreram, mas informou que hospitais t\u00eam levado as ocorr\u00eancias \u00e0 pol\u00edcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fam\u00edlia da administradora Laura Lima, 31, tamb\u00e9m foi v\u00edtima. O caso ocorreu em junho deste ano, mas eles tamb\u00e9m n\u00e3o registraram na pol\u00edcia. O sogro dela estava em casa e recebeu uma liga\u00e7\u00e3o no telefone fixo. Um homem disse que era m\u00e9dico e pediu que ele depositasse R$ 2 mil na conta de uma mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O valor seria utilizado para fazer um procedimento que o plano n\u00e3o cobriria. &#8220;Minha sogra estava internada no Hospital Portugu\u00eas. Meu sogro chegou a juntar o dinheiro, mas, ao falar com minha cunhada, ela achou melhor ligar para o hospital, que negou&#8221;, destacou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O DDD do n\u00famero que ligou era de Goi\u00e1s. &#8220;Os golpistas tinham todas as informa\u00e7\u00f5es, como nome completo, onde minha sogra estava, o plano de sa\u00fade. Falaram que ela precisava de uma cirurgia de urg\u00eancia, o que coincidia com o estado de sa\u00fade dela&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao chegar ao hospital, a fam\u00edlia dela se deparou com outra que j\u00e1 havia feito um dep\u00f3sito no valor de R$ 3 mil. &#8220;Eles estavam desesperados&#8221;, contou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>* nome fict\u00edcio<\/em><\/p>\n<div class=\"modServicos\">\n<h4 class=\"colorNot\" style=\"text-align: justify;\">Registro de casos \u00e9 necess\u00e1rio para iniciar investiga\u00e7\u00e3o policial<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O registro de casos em uma delegacia \u00e9 importante, segundo o titular da unidade de Repress\u00e3o ao Estelionato e Outras Fraudes (Dreof), Marcelo Tannus, para que se possa dar in\u00edcio \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o. Embora combata este tipo de crime, a Dreof n\u00e3o tem qualquer ocorr\u00eancia atualmente sobre estelionato em hospitais porque n\u00e3o faz novas ocorr\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por tempo indeterminado, a unidade trabalhar\u00e1 apenas em regime de mutir\u00e3o para reduzir um passivo de inqu\u00e9ritos. As ocorr\u00eancias devem ser feitas nas delegacias de bairro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tannus ressalta que \u00e9 preciso cautela. A v\u00edtima deve, antes de fazer qualquer dep\u00f3sito, procurar a dire\u00e7\u00e3o do hospital, o plano de sa\u00fade ou os m\u00e9dicos da unidade hospitalar. \u201cNunca, de imediato,\u00a0 desesperar-se e ir pagar. O paciente que est\u00e1 internado no hospital est\u00e1 com assist\u00eancia\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os casos recentes em hospitais s\u00e3o, ressalta o delegado, semelhantes a outras ocorr\u00eancias de estelionato, como uma liga\u00e7\u00e3o simulando um falso sequestro ou bilhete premiado. Muitas dessas liga\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas de dentro de pres\u00eddios, diz Tannus. \u201c\u00c0s vezes, a pr\u00f3pria v\u00edtima d\u00e1 dicas. O homem diz &#8216;estou com sua filha&#8217; e ela diz o nome\u201d, exemplifica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como o delegado, o conselheiro do Cremeb-BA Jos\u00e9 Abelardo Meneses refor\u00e7a a necessidade de se certificar da validade da liga\u00e7\u00e3o: \u201cAs pessoas que fazem o golpe s\u00e3o bem treinadas para criar um clima de desespero para o familiar, mas \u00e9 importante saber que o paciente internado est\u00e1 sendo assistido\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Hospitais e Servi\u00e7os de Sa\u00fade do Estado da Bahia (Ahseb), Mauro Adan afirma que os hospitais associados t\u00eam refor\u00e7ado a comunica\u00e7\u00e3o com os clientes de que n\u00e3o solicitam qualquer verba por telefone \u00e0 fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsse procedimento \u00e9 feito com o conv\u00eanio m\u00e9dico, que \u00e9, praticamente, 95% dos casos de pacientes internados. Nos particulares, n\u00e3o \u00e9 feita cobran\u00e7a por um \u00fanico procedimento. \u00c9 feito de forma global, ou em contas parciais\u201d, destaca Adan.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre os criminosos obterem informa\u00e7\u00f5es restritas dos pacientes e contatos das fam\u00edlias, o presidente da Ahseb afirma que \u201cn\u00e3o sabemos se eles conhecem\u00a0 o quadro ou se inventam\u201d. \u201cTem que ser fruto de uma investiga\u00e7\u00e3o policial, que \u00e9 o que vai nos dizer o que est\u00e1 acontecendo. Por enquanto, tudo \u00e9 mera especula\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em todos os casos que chegaram \u00e0 associa\u00e7\u00e3o, segundo Adan, n\u00e3o houve dep\u00f3sito por parte de familiares: \u201cForam s\u00f3 tentativas, o que j\u00e1 \u00e9 muito desagrad\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: A Tarde<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEsse procedimento \u00e9 feito com o conv\u00eanio m\u00e9dico, que \u00e9, praticamente, 95% dos casos de pacientes internados. 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