{"id":151481,"date":"2016-09-19T00:14:18","date_gmt":"2016-09-19T03:14:18","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=151481"},"modified":"2016-09-18T18:23:08","modified_gmt":"2016-09-18T21:23:08","slug":"151481-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/151481-2\/","title":{"rendered":"&#8216;Escravos do sistema&#8217;: O lucrativo neg\u00f3cio de exporta\u00e7\u00e3o de trabalhadores na Coreia do Norte"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/7DFA\/production\/_91205223_reuters035247865.jpg\" alt=\"Norte-coreana limpa ch\u00e3o em um restaurante em Dandong, na China, onde milhares de trabalhadores norte-coreanos vivem\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Norte-coreana limpa ch\u00e3o em um restaurante em Dandong, na China, onde milhares de norte-coreanos vivem<\/span><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">Por causa das san\u00e7\u00f5es que a comunidade internacional tem imposto contra seu programa nuclear, a lista de produtos que a Coreia do Norte pode exportar \u00e9 limitada.<\/p>\n<p>O pa\u00eds \u00e9 autorizado vender ao estrangeiro recursos naturais como carv\u00e3o, t\u00eaxteis, produtos e m\u00e1quinas agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 um outro recurso abundante na Coreia do Norte que tamb\u00e9m \u00e9 exportado: o seu povo.<\/p>\n<p>Na m\u00e3o de obra de seus cidad\u00e3os o governo de Kim Jong-un tem encontrado uma maneira de gerar divisas no exterior, num momento em que o pa\u00eds cada vez mais \u00e9 visto como isolado economicamente.<\/p>\n<p>Mas essa exporta\u00e7\u00e3o de trabalhadores, cujos sal\u00e1rios s\u00e3o em grande parte enviados de volta ao regime norte-coreano, foi qualificada como &#8220;um sistema de trabalho for\u00e7ado&#8221;, em que pessoas &#8220;vivem em condi\u00e7\u00f5es deplor\u00e1veis&#8221;, de acordo com um relat\u00f3rio da ONU de 2015.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A50A\/production\/_91205224_getty032570244.jpg\" alt=\"Os trabalhadores norte-coreanos no exterior s\u00e3o empregados principalmente em: agricultura, constru\u00e7\u00e3o, ind\u00fastria naval e manufatura\" width=\"768\" height=\"576\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Os trabalhadores norte-coreanos no exterior s\u00e3o empregados principalmente em: agricultura, constru\u00e7\u00e3o, ind\u00fastria naval e manufatura<\/span><\/figure>\n<p>Nos cinco anos desde que Kim Jong-un assumiu a lideran\u00e7a do pa\u00eds, o n\u00famero de trabalhadores norte-coreanos que s\u00e3o enviados para o exterior aumentou dramaticamente.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Em todo mundo<\/h2>\n<p>A ONU estima que haja entre 50 mil e 60 mil norte-coreanos nessa situa\u00e7\u00e3o. Outras organiza\u00e7\u00f5es estimam que esse n\u00famero chegue a 100 mil.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito dif\u00edcil obter n\u00fameros definitivos sobre isso&#8221;, disse Michael Glendinning, diretor da Alian\u00e7a Europeia para os Direitos Humanos na Coreia do Norte (EAHRNK, na sigla em ingl\u00eas), com base em Londres.<\/p>\n<p>&#8220;Porque a Coreia do Norte envia trabalhadores para muitos pa\u00edses. Muitos deles est\u00e3o l\u00e1 oficialmente, mas muitos outros n\u00e3o t\u00eam sua condi\u00e7\u00e3o relatada.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo a ONU, 80%, deles v\u00e3o para R\u00fassia e China. Os demais v\u00e3o para pa\u00edses como Catar, Kuwait, Om\u00e3, Emirados \u00c1rabes Unidos, Pol\u00f4nia, Malta, \u00c1ustria, Su\u00ed\u00e7a, Alemanha, Arg\u00e9lia, Angola, Eti\u00f3pia, L\u00edbia, Nig\u00e9ria, Tanz\u00e2nia, Mal\u00e1sia, Mong\u00f3lia e Mianmar.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1624D\/production\/_91210709_apcercafronteraruschina.jpg\" alt=\"A ONU estima que 80% dos trabalhadores que a Coreia do Norte envia v\u00e3o para R\u00fassia e China.\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">A ONU estima que 80% dos trabalhadores que a Coreia do Norte envia v\u00e3o para R\u00fassia e China.<\/span><\/figure>\n<p>Os norte-coreanos trabalham principalmente em quatro setores: agricultura, constru\u00e7\u00e3o, ind\u00fastria naval e manufatura.<\/p>\n<p>A Coreia do Norte n\u00e3o \u00e9 um membro da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), mas a maioria das outras na\u00e7\u00f5es que recebem os norte-coreanos \u00e9.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Escravos do sistema<\/h2>\n<p>O EAHRNK e a Universidade de Leiden, na Holanda, est\u00e3o realizando um projeto chamado &#8220;Escravos do sistema&#8221;, no qual documentam a situa\u00e7\u00e3o desses trabalhadores e os abusos a seus direitos.<\/p>\n<p>O objetivo, diz Michael Glendinning, \u00e9 tomar medidas legais contra as empresas que os contratam e que est\u00e3o cometendo essas viola\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os trabalhadores que foram entrevistados por grupos de direitos humanos dizem que recebem sal\u00e1rio de US$ 150 a US$ 230 por m\u00eas, em m\u00e9dia, mas precisam enviar &#8220;uma quantidade significativamente alta&#8221; &#8211; que chega a 90% &#8211; para o governo de seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 dif\u00edcil provar que as empresas que contratam os trabalhadores sejam c\u00famplices do governo norte-coreano. Acreditamos que as empresas pedem vistos para os norte-coreanos por meio dos mesmos processos que se aplicam a qualquer trabalhador estrangeiro&#8221;, disse Glendinning.<\/p>\n<p>Em alguns casos, as empresas que os contratam pagam os sal\u00e1rios diretamente para o governo em Pyongyang.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2DB5\/production\/_91210711_epa032542206.jpg\" alt=\"Estima-se que os trabalhadores geram US$ 230 milh\u00f5es por ano para o regime norte-coreano\" width=\"2738\" height=\"1893\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Estima-se que os trabalhadores gerem US$ 230 milh\u00f5es por ano para o regime norte-coreano<\/span><\/figure>\n<p>Como explica Wu Yuwen, editora do servi\u00e7o chin\u00eas da BBC, &#8220;no ano passado, houve relatos de que cerca de 12 mil norte-coreanos tinham vindo para a China para trabalhar, mas o n\u00famero n\u00e3o pode ser confirmado por qualquer organismo oficial.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 tamb\u00e9m relatos de que os trabalhadores t\u00eam que entregar 75% do seu sal\u00e1rio para as autoridades&#8221;, acrescentou Wu.<\/p>\n<p>O jornal <i>Washington Post <\/i>visitou em 2015 uma f\u00e1brica em Dandgon, no nordeste da China, onde milhares de norte-coreanos vivem.<\/p>\n<p>&#8220;Em uma das f\u00e1bricas de vestu\u00e1rio mulheres trabalham 13 horas por dia, durante 28 ou 29 dias por m\u00eas, e recebem US$ 300 por m\u00eas, do que podem manter um ter\u00e7o. O resto volta para o governo em Pyongyang &#8220;, o jornal relatou.<\/p>\n<p>&#8220;As mulheres trabalham no terceiro andar, usam seus casacos dentro do lugar para se manter aquecidas, e vivem no segundo andar em dormit\u00f3rios divididos decorados com cartazes que dizem: &#8216;Fa\u00e7amos realidade as ideias revolucion\u00e1rias de Kim Il-sung e Kim Jong-il&#8217;, av\u00f4 e pai, respectivamente, de Kim Jong-un.&#8221;<\/p>\n<p>Ele acrescenta: &#8220;nas portas h\u00e1 sinais que dizem: &#8216;Chamem-se umas \u00e0s outras de camaradas'&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Controle constante<\/h2>\n<p>Outros trabalhadores relataram que recebem trabalho em fun\u00e7\u00e3o da sua classe social: os que pertencem \u00e0s classes mais baixas devem desempenhar os trabalhos mais perigosos ou entediantes, diz Greg Scarlatoiu, diretor-executivo do Comit\u00ea para os Direitos Humanos na Coreia do Norte, organiza\u00e7\u00e3o com sede em Washington.<\/p>\n<p>E eles vivem sob supervis\u00e3o e controle de norte-coreanos respons\u00e1veis por assegurar que cumpram as regras e regulamentos governamentais constantemente.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/E4FD\/production\/_91212685_gettyimages-604208496.jpg\" alt=\"Desde que Kim Jong assumiu o cargo, o n\u00famero de trabalhadores que s\u00e3o enviados para o exterior aumentou dramaticamente\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Desde que Kim Jong assumiu o cargo, o n\u00famero de trabalhadores que s\u00e3o enviados para o exterior aumentou dramaticamente<\/span><\/figure>\n<p>&#8220;H\u00e1 diferen\u00e7as de tratamento que s\u00e3o dadas dependendo do pa\u00eds onde trabalham&#8221;, diz Michael Glendinning.<\/p>\n<p>&#8220;Mas no geral, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 semelhante para todos: devem entregar ao regime entre 70% e 90% de seus sal\u00e1rios, os hor\u00e1rios de trabalho s\u00e3o muito longos, \u00e0s vezes trabalhando sete dias por semana, e em condi\u00e7\u00f5es inseguras&#8221;.<\/p>\n<p>Estima-se que os trabalhadores norte-coreanos no exterior gerem at\u00e9 US$ 230 milh\u00f5es por ano, uma cifra importante para o pa\u00eds, considerando que recebe US$ 192 milh\u00f5es das exporta\u00e7\u00f5es de min\u00e9rio de ferro e US$ 161 milh\u00f5es das exporta\u00e7\u00f5es de casacos para homens.<\/p>\n<p>Considera-se que a exporta\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra norte-coreana seja equivalente a 8% das exporta\u00e7\u00f5es totais do pa\u00eds.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Desafio<\/h2>\n<p>Yuwen Wu, da BBC, diz: &#8220;a curto prazo, n\u00e3o acho que a China mude qualquer acordo existente com a Coreia do Norte, porque faz\u00ea-lo iria piorar uma situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 \u00e9 muito ruim no pa\u00eds.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1331D\/production\/_91212687_rthi035247861.jpg\" alt=\"Loja em Dangdon, China, onde milhares de norte-coreanos vivem, exibe retrato do ex-l\u00edder Kim Jong-il\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Loja em Dangdon, China, onde milhares de norte-coreanos vivem, exibe retrato do ex-l\u00edder Kim Jong-il<\/span><\/figure>\n<p>O diretor do EAHRNK, Michael Glendinning, diz que, sem a coopera\u00e7\u00e3o da China e da R\u00fassia, abordar o problema das exporta\u00e7\u00f5es de trabalhadores norte-coreanos &#8220;ser\u00e1 um grande desafio.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Na UE vimos algumas mudan\u00e7as. A Pol\u00f4nia (que em 2015 concedeu 156 vistos de trabalho para os norte-coreanos) parou de emitir vistos em janeiro. Malta se recusou a prorrogar as autoriza\u00e7\u00f5es de trabalho de 20 trabalhadores norte-coreanos em julho.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Mas n\u00f3s ainda n\u00e3o vimos resultados concretos&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>O especialista diz que \u00e9 necess\u00e1rio mudar o foco da comunidade internacional, que at\u00e9 agora tem se concentrado nos governos, tanto no norte-coreano quanto nos pa\u00edses que recebem os trabalhadores.<\/p>\n<p>&#8220;Acreditamos que devemos nos concentrar em empresas que violam os direitos trabalhistas nacionais e internacionais e process\u00e1-las legalmente&#8221;, diz Michael Glendinning.<\/p>\n<p>&#8220;Mas sabemos que sem a coopera\u00e7\u00e3o da R\u00fassia e da China ser\u00e1 imposs\u00edvel levar a cabo essa tarefa.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na m\u00e3o de obra de seus cidad\u00e3os o governo de Kim Jong-un tem encontrado uma maneira de gerar divisas no exterior, num momento em que o pa\u00eds cada vez <\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":151482,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[345],"tags":[],"class_list":["post-151481","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entretenimento"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/coreia.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151481","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=151481"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151481\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/151482"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=151481"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=151481"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=151481"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}