{"id":1521,"date":"2013-07-06T10:47:13","date_gmt":"2013-07-06T13:47:13","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=1521"},"modified":"2013-07-18T10:14:34","modified_gmt":"2013-07-18T13:14:34","slug":"em-novo-projeto-suassuna-conta-historias-sobre-brasil-esquecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/em-novo-projeto-suassuna-conta-historias-sobre-brasil-esquecido\/","title":{"rendered":"Em novo projeto, Suassuna conta hist\u00f3rias sobre Brasil esquecido"},"content":{"rendered":"<p>Est\u00e1 aberta uma nova temporada de arte e cultura com o escritor paraibano Ariano Suassuna, que est\u00e1 rodando o Brasil com seu novo projeto,\u00a0<em>Arte como Miss\u00e3o<\/em>. Nele, presenteia o p\u00fablico com uma aula-espet\u00e1culo, em que conta uma s\u00e9rie de hist\u00f3rias e transporta os espectadores para um Brasil genu\u00edno, simples e intacto.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/ABrVAC_9827.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1522\" alt=\"ABrVAC_9827\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/ABrVAC_9827.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a><\/p>\n<p>Com a voz tr\u00eamula, justificada por seus 86 anos de idade, e certo tom de pureza em cada frase, como se nunca tivesse sa\u00eddo do sert\u00e3o da Para\u00edba, onde passou parte da inf\u00e2ncia, Suassuna se apresentar\u00e1 para milhares de pessoas em seis cidades. A primeira parada foi em Bras\u00edlia e lotou o Teatro Nacional. No dia 18 de julho, o\u00a0<em>Arte como Miss\u00e3o<\/em>\u00a0desembarca em Fortaleza. As paradas seguintes ser\u00e3o: Rio de Janeiro, Salvador, Curitiba e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cEu acho que tenho a obriga\u00e7\u00e3o de mostrar ao povo uma alternativa para essa arte de quarta categoria que anda se espalhando por a\u00ed, corrompendo o gosto do nosso povo, procurando nivelar tudo pelo gosto m\u00e9dio\u201d, disse o ocupante da cadeira n\u00ba 32 da Academia Brasileira de Letras. Suassuna diverte o p\u00fablico e exalta um talento esquecido, ou sequer sabido, por muitos. \u201cO povo brasileiro tem uma habilidade extraordin\u00e1ria para inventar as hist\u00f3rias mais valiosas do mundo. Para fazer\u00a0<em>O Auto da Compadecida<\/em>, minha pe\u00e7a mais conhecida, me baseei em hist\u00f3rias do povo brasileiro\u201d, contou.<\/p>\n<p>O projeto vai al\u00e9m da aula-espet\u00e1culo. O\u00a0<em>Arte como Miss\u00e3o<\/em>\u00a0traz um pacote cultural multim\u00eddia. Al\u00e9m dos palcos, Suassuna pode ser apreciado em um ciclo de filmes dedicados \u00e0 sua obra e visto na exposi\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica\u00a0<em>O Decifrador<\/em>, de Alexandre N\u00f3brega.<\/p>\n<p>\u201c[\u2026] Vejo que talvez s\u00f3 eu mesmo pudesse fazer uma colet\u00e2nea como esta, em que o autor de\u00a0<em>O Auto da Compadecida\u00a0<\/em>\u00e9 flagrado na vida inusitada de homem comum, um esbo\u00e7o do seu universo particular\u201d, diz N\u00f3brega, no texto de introdu\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Genro de Suassuna, N\u00f3brega acompanha o escritor h\u00e1 dez anos e viaja com ele pelo Brasil para cumprir compromissos. Artista pl\u00e1stico, se valeu de uma m\u00e1quina fotogr\u00e1fica para registrar diversos momentos da rotina de Suassuna, ou algo pr\u00f3ximo disso. Afinal, \u00e9 dif\u00edcil conhecer algu\u00e9m que frequentemente utilize como escrit\u00f3rio a Caatinga nordestina, em frente \u00e0 uma gigantesca forma\u00e7\u00e3o rochosa, adornada por pinturas rupestres.<\/p>\n<p>De acordo com N\u00f3brega, seu sogro n\u00e3o sabia que o livro\u00a0<em>O Decifrador<\/em>, que deu origem \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o, estava sendo feito at\u00e9 v\u00ea-lo pronto. \u201cEle ficou muito surpreso, pois n\u00e3o estava a par da confec\u00e7\u00e3o do livro, mas n\u00e3o ficou desconfort\u00e1vel com a ideia, ele n\u00e3o \u00e9 t\u00edmido. Sua rela\u00e7\u00e3o com as pessoas \u00e9 muito boa, desde quando se tornou professor\u201d, explica N\u00f3brega. \u201cPor conta do grande ass\u00e9dio, Ariano s\u00f3 n\u00e3o faz duas coisas que gostaria. Ir \u00e0 missa e ao est\u00e1dio de futebol\u201d, completa.<\/p>\n<p>O Brasil a ser percorrido pelo escritor nos pr\u00f3ximos meses vive um caldeir\u00e3o pol\u00edtico e social. Milhares de pessoas est\u00e3o indo \u00e0s ruas para exigir melhoras dos servi\u00e7os p\u00fablicos, mostrar a for\u00e7a do poder popular. Na estreia do projeto, em Bras\u00edlia, Suassuna n\u00e3o teceu coment\u00e1rios a respeito. Mas relembrou epis\u00f3dio da hist\u00f3ria nacional, quando a sociedade tamb\u00e9m estava \u00e1vida por mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cEu acho que Canudos \u00e9 o epis\u00f3dio mais significativo da hist\u00f3ria brasileira\u201d, disse, referindo-se \u00e0 Guerra de Canudos, quando uma pequena comunidade, no interior da Bahia, lutou incansavelmente contra o Ex\u00e9rcito no final do s\u00e9culo 19. Composta por sertanejos pobres e ex-escravos, o povo de Canudos derrotou os militare em tr\u00eas batalhas, se fazendo notar e entrando para a hist\u00f3ria do pa\u00eds, como refor\u00e7a o escritor. \u201cQuem n\u00e3o entende Canudos, n\u00e3o entende o Brasil\u201d.\u00a0(Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 aberta uma nova temporada de arte e cultura com o escritor paraibano Ariano Suassuna, que est\u00e1 rodando o Brasil com seu novo projeto, Arte como Miss\u00e3o. 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