{"id":152295,"date":"2016-09-23T00:58:43","date_gmt":"2016-09-23T03:58:43","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=152295"},"modified":"2016-09-22T19:10:03","modified_gmt":"2016-09-22T22:10:03","slug":"perseguicao-no-facebook","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/perseguicao-no-facebook\/","title":{"rendered":"Persegui\u00e7\u00e3o no Facebook"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Jessy Edwards<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/70B0\/production\/_91284882_845e73f7-fced-4c9d-8357-3140f8739360.jpg\" alt=\"Recrutamento online\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Cada vez mais empresas usam an\u00fancios direcionados para encontrar profissionais<\/span><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">H\u00e1 quatro meses, a neozelandesa Lisa Dorahy navegava pelo Facebook quando viu um an\u00fancio de emprego surgir em seu feed de not\u00edcias.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o estava \u00e0 procura de um novo trabalho e aquela era uma das poucas vezes em que Dorahy, uma ocupada m\u00e3e de tr\u00eas crian\u00e7as, teve tempo de dar uma passeada pelas redes sociais.<\/p>\n<p>Mas o post que procurava por uma assistente em meio-per\u00edodo em uma empresa de recrutamento parecia perfeito para ela.<\/p>\n<p>Ela clicou no link e se candidatou. Tr\u00eas dias depois, foi chamada para uma entrevista, e na semana seguinte j\u00e1 come\u00e7ava no novo emprego. Hoje, Dorahy entende que o an\u00fancio tinha como alvo algu\u00e9m exatamente com seu perfil.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Recrutamento seletivo<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3294\/production\/_91284921_988da862-0a80-4c6a-a8dd-7c0ba1201dae.jpg\" alt=\"Smartphone\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Certas redes sociais contam com um movimento di\u00e1rio de 1 bilh\u00e3o de usu\u00e1rios, o que atrai os headhunters<\/span><\/figure>\n<p>An\u00fancios de emprego no Facebook n\u00e3o s\u00e3o um fen\u00f4meno recente &#8211; voc\u00ea certamente j\u00e1 viu algum em sua p\u00e1gina. Mas \u00e9 poss\u00edvel que voc\u00ea tamb\u00e9m tenha notado an\u00fancios para fun\u00e7\u00f5es ou setores normalmente fora da sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso provavelmente resulta da busca de headhunters por pessoas com habilidades e experi\u00eancia como as suas, com base em informa\u00e7\u00f5es que o Facebook &#8220;aprendeu&#8221; sobre voc\u00ea a partir do seu comportamento no site.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que mais headhunters come\u00e7am a usar esse recurso, alguns especialistas tamb\u00e9m alertam sobre o outro lado da moeda: a possibilidade de que o Facebook tamb\u00e9m seja usado para que os headhunters obtenham informa\u00e7\u00f5es que podem servir para discriminar e eliminar poss\u00edveis candidatos, como idade, etnia, religi\u00e3o e g\u00eanero.<\/p>\n<p>Tudo funciona da seguinte maneira: o Facebook Ads \u00e9 um servi\u00e7o que permite que empresas paguem para postar an\u00fancios no feed de not\u00edcias ou nas laterais do feed dos usu\u00e1rios da rede social. Quando publica um an\u00fancio, a empresa pode escolher o tipo espec\u00edfico de pessoa que ela quer atingir, com base em dados como idade, g\u00eanero, interesses, etnia, religi\u00e3o e muito mais.<\/p>\n<p>A BBC Capital entrou em contato com o Facebook, mas a empresa se recusou a comentar sobre a pr\u00e1tica de recrutamento seletivo na plataforma.<\/p>\n<p>Mas o Facebook n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica rede social que permite publicidade direcionada. Qualquer plataforma que colete dados sobre seus usu\u00e1rios pode oferecer esse servi\u00e7o. O Google+ ou o Instagram (que pertence ao Facebook) s\u00e3o dois exemplos, enquanto o LinkedIn permite a headhunters criar an\u00fancios com base na idade e no sexo, mas n\u00e3o na etnia nem na orienta\u00e7\u00e3o sexual do usu\u00e1rio.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Um bilh\u00e3o de possibilidades<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/80B4\/production\/_91284923_50d365ca-aef8-4117-97c0-641596b6866b.jpg\" alt=\"Jorgen Sundberg\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Segundo Jorgen Sundberg, especialista em marketing digital, 10% dos headhunters brit\u00e2nicos fazem an\u00fancios direcionados<\/span><\/figure>\n<p>Jorgen Sundberg, fundados da ag\u00eancia de marketing digital Link Humans, em Londres, acredita que 10% das 20 mil empresas de recrutamento da Gr\u00e3-Bretanha estejam usando os an\u00fancios direcionados do Facebook para encontrar profissionais. &#8220;Dentre todas as empresas de tecnologia, o Facebook \u00e9, indiscutivelmente, o que possui mais informa\u00e7\u00f5es sobre qualquer pessoa&#8221;, explica Sundberg.<\/p>\n<p>Um porta-voz do Facebook afirmou que a empresa n\u00e3o divulga dados sobre o n\u00famero de headhunters que utilizam a ferramenta, e se recusou a comentar mais sobre o assunto.<\/p>\n<p>&#8220;Com 1,13 bilh\u00e3o de usu\u00e1rios ativos por dia, o Facebook \u00e9 um lugar onde voc\u00ea pode encontrar candidatos para todo tipo de emprego&#8221;, afirma Tony Restell, s\u00f3cio da ag\u00eancia de m\u00eddias sociais Social-Hire, com sede na Gr\u00e3-Bretanha. &#8220;Analistas do mercado financeiro t\u00eam as mesmas chances de querer se conectar com amigos do que motoristas de caminh\u00e3o. Por isso, o Facebook tem uma penetra\u00e7\u00e3o enorme em v\u00e1rios setores da economia.&#8221;<\/p>\n<p>Essa grande variedade de usu\u00e1rios faz com que os anunciantes sejam espec\u00edficos e precisos ao buscar seus alvos. Quando n\u00e3o o fazem, acabamos recebendo aqueles an\u00fancios que n\u00e3o fazem o menor sentido para n\u00f3s.<\/p>\n<p>Mas, segundo Restell, o Facebook n\u00e3o quer dar margens a erros. A empresa compensa os anunciantes oferecendo pre\u00e7os mais baixos se a audi\u00eancia estiver interessada no post, enquanto cobra mais daqueles cujos an\u00fancios n\u00e3o s\u00e3o populares.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Procura-se: homem, solteiro<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/CED4\/production\/_91284925_b691be97-6caa-40af-9c72-977ec47bbffc.jpg\" alt=\"Emily Richards\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"media-caption__text\">A headhunter Emily Richards usa o Facebook para 30% das vagas que tem para preencher<\/span><\/span><\/figure>\n<p>A neozelandesa Emily Richards, chefe de Dorahy na firma de recrutamento Human Connections Group, usa o Facebook para preencher um ter\u00e7o das vagas dispon\u00edveis na empresa.<\/p>\n<p>Por cerca de US$ 14 (ou R$ 46), um an\u00fancio pode atingir at\u00e9 10 mil pessoas, dependendo do perfil desejado &#8211; algo que, para Richards, \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o com uma \u00f3tima rela\u00e7\u00e3o custo\/benef\u00edcio.<\/p>\n<p>Mas a empres\u00e1ria tamb\u00e9m se diz &#8220;totalmente ciente&#8221; da capacidade das companhias de usar o direcionamento para acabar eliminando certos perfis &#8220;indesejados&#8221;. &#8220;Se colocada nas m\u00e3os erradas, a ferramenta pode ser extremamente prejudicial para a igualdade de g\u00eaneros, a igualdade racial e tudo aquilo para o qual trabalhamos tanto para evitar.&#8221;<\/p>\n<p>Com o objetivo de testar a precis\u00e3o de um an\u00fancio direcionado, a BBC Capital fez uma simula\u00e7\u00e3o no Facebook. A primeira op\u00e7\u00e3o foi apenas por homens com idades entre 18 e 25 anos, morando em Nova York. Em seguida, exclu\u00edmos todos os que t\u00eam filhos ou que s\u00e3o casados ou comprometidos. \u00c9 poss\u00edvel at\u00e9 fazer escolhas por apenas algumas etnias. Exclu\u00edmos ainda todos os vegetarianos, veganos e pessoas que &#8220;curtem&#8221; chocolate.<\/p>\n<p>O an\u00fancio final para uma &#8220;Superestrela das Redes Sociais&#8221; foi logo aprovado pelo Facebook e publicado para cerca de 430 mil homens jovens, solteiros, sem filhos e carn\u00edvoros.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O que diz a lei<\/h2>\n<p>Davida Perry, s\u00f3cia do escrit\u00f3rio de advocacia Schwartz &amp; Perry, de Nova York, acredita que a pr\u00e1tica de direcionar an\u00fancios de emprego atrav\u00e9s do Facebook Ads pode levar \u00e0 viola\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias leis.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, uma lei federal pro\u00edbe que o recrutamento seja feito de maneira a discriminar pessoas por sua idade, ra\u00e7a, religi\u00e3o, sexo, estado civil, sa\u00fade e orienta\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>Portanto, mesmo que os an\u00fancios n\u00e3o sejam necessariamente discriminat\u00f3rios, o processo de direcionamento &#8211; atrav\u00e9s de selecionar certos perfis e excluir outros &#8211; pode ser.<\/p>\n<p>Mas para Perry, apesar de o processo usado para postar an\u00fancios direcionados poder ser ilegal, \u00e9 muito dif\u00edcil provar que h\u00e1 discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de publicidade do Facebook diz que anunciantes &#8220;n\u00e3o devem usar as op\u00e7\u00f5es de direcionamento para discriminar, assediar, provocar ou denegrir usu\u00e1rios&#8221;. Esses anunciantes tamb\u00e9m s\u00e3o obrigados a assegurar que sua propaganda est\u00e1 de acordo com a lei.<\/p>\n<p>Apesar dos riscos, especialistas em recrutamento online pedem para que as pessoas n\u00e3o pensem no cen\u00e1rio mais negativo.<\/p>\n<p>Sundberg faz uma analogia com &#8220;a For\u00e7a&#8221; da saga <i>Star Wars<\/i>: os an\u00fancios direcionados podem ser usados pelo lado negro, mas tamb\u00e9m pode servir para um bem maior.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 todo tipo de gente no mundo, mas de maneira geral, trata-se de uma forma leg\u00edtima de se conseguir o que se quer&#8221;, afirma.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o objetivo de testar a precis\u00e3o de um an\u00fancio direcionado, a BBC Capital fez uma simula\u00e7\u00e3o no Facebook. 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