{"id":154351,"date":"2016-10-06T00:28:23","date_gmt":"2016-10-06T03:28:23","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=154351"},"modified":"2016-10-06T04:53:22","modified_gmt":"2016-10-06T07:53:22","slug":"agrotoxicos-depressao-e-dividas-criam-bomba-relogio-de-suicidios-no-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/agrotoxicos-depressao-e-dividas-criam-bomba-relogio-de-suicidios-no-rs\/","title":{"rendered":"Agrot\u00f3xicos, depress\u00e3o e d\u00edvidas criam \u2018bomba-rel\u00f3gio\u2019 de suic\u00eddios no RS"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Paula Sperb<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/12318\/production\/_91402547_dzv_3169.jpg\" alt=\"Simone Rovadoski\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Simone Rovadoski ficou um ano sem plantar depois da morte do marido<\/span><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">A fam\u00edlia de agricultores acordou cedo e tomou chimarr\u00e3o naquela manh\u00e3 quente de 21 de dezembro de 2013. A m\u00e3e fez bolinhos para o lanche e iniciou o preparo da lentilha para o almo\u00e7o.<\/p>\n<p>Mas, quando Simone Rovadoski, de 39 anos, saiu da casa para ajudar o marido Jos\u00e9 Dell Osbel, de 44 anos, no cultivo dos 48 mil p\u00e9s de tabaco da fam\u00edlia, encontrou-o morto.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o pude evitar que as crian\u00e7as vissem. Foi um horror&#8221;, relembra Simone sobre o suic\u00eddio do marido, em Gramado Xavier, a 156 km de Porto Alegre. &#8220;Ajuda a salvar meu pai, ajuda!&#8221;, pedia o filho do casal, na \u00e9poca com 13 anos, para curiosos que se aproximavam.<\/p>\n<p>Osbel passou a integrar as estat\u00edsticas que fazem do Rio Grande do Sul o Estado com mais casos de suic\u00eddios no Brasil: 10 a cada 100 mil habitantes.<\/p>\n<p>A taxa \u00e9 praticamente o dobro da brasileira (5,2 por 100 mil em 2012, segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade) e pr\u00f3xima da taxa mundial (11,4 por 100 mil, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade).<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Agrot\u00f3xicos e depress\u00e3o<\/h2>\n<p>Gramado Xavier, com pouco mais de 4 mil habitantes, fica na regi\u00e3o central ga\u00facha, conhecida por ser um polo fumageiro &#8211; da ind\u00fastria do fumo.<\/p>\n<p>A conex\u00e3o entre suic\u00eddio e plantadores de fumo \u00e9 apontada em diversos estudos cient\u00edficos. Um relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa ga\u00facha apontava, em 1996, que 80% dos suic\u00eddios da cidade de Ven\u00e2ncio Aires, a maior produtora de tabaco do Estado, eram cometidos por agricultores. O mesmo estudo mostrava aumento nos suic\u00eddios quando o uso de agrot\u00f3xicos era intensificado.<\/p>\n<p>Segundo uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o uso de agrot\u00f3xicos, como os organofosforados, aumenta as chances de depress\u00e3o dos agricultores.<\/p>\n<p>Em 2014, 20% de cem fumicultores entrevistados sofriam de depress\u00e3o, segundo a UFGRS. O quadro depressivo por exposi\u00e7\u00e3o aos venenos, somado a fatores sociais e culturais, pode evoluir para o suic\u00eddio.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 contestada pelo Sindicato da Ind\u00fastria do Tabaco local (Sinditabaco), que diz que &#8220;atrelar casos de suic\u00eddio ao uso de agrot\u00f3xicos na cultura do tabaco \u00e9 inconsistente&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/86D8\/production\/_91402543_dzv_2989.jpg\" alt=\"Simone Rovadoski\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Simone Rovadoski encontrou o corpo do marido na planta\u00e7\u00e3o de tabaco da fam\u00edlia<\/span><\/figure>\n<p>O Rio Grande do Sul tem 73.430 fam\u00edlias (mais de 577 mil pessoas) que colhem 255 mil toneladas de tabaco anualmente, de acordo com a Afubra (Associa\u00e7\u00e3o dos Fumicultores do Brasil).<\/p>\n<p>A Afubra alega que as empresas fumageiras orientam os agricultores quanto \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o correta dos defensivos e o uso de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual (EPIs). Segundo o Sinditabaco, &#8220;alguns produtores ainda resistem \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o correta do EPI&#8221;.<\/p>\n<p>Mas &#8220;o agrot\u00f3xico, para fazer efeito, tem que ser aplicado quando tem sol, naqueles calor\u00f5es infernais de novembro. O suor emba\u00e7a os \u00f3culos (do equipamento), a m\u00e1scara sufoca, falta ar. A luva prejudica a coordena\u00e7\u00e3o motora fina&#8221;, conta Mateus Rossato, de 35 anos, que trabalhou na lavoura da fam\u00edlia dos 12 aos 20 anos, em Nova Palma, a 224 km da capital ga\u00facha.<\/p>\n<p>Rossato avalia a falta de ergonomia dos equipamentos de seguran\u00e7a porque hoje entende sobre o corpo humano: \u00e9 professor de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica na Universidade Federal do Amazonas.<\/p>\n<p>Para ele, os equipamentos n\u00e3o s\u00e3o adequados \u00e0s necessidades reais dos agricultores. E, mesmo quando s\u00e3o usados, n\u00e3o impedem que o veneno, que \u00e9 carregado nas costas, escorra pelo corpo no momento da aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Doen\u00e7a da folha verde<\/h2>\n<p>Os danos \u00e0 sa\u00fade relatados pelos pr\u00f3prios agricultores, por\u00e9m, n\u00e3o s\u00e3o somente ps\u00edquicos.<\/p>\n<p>Do total de entrevistados no estudo da UFRGS, 67% apresentaram os sintomas da doen\u00e7a da folha verde do tabaco (DFVT), causada pela intoxica\u00e7\u00e3o por nicotina atrav\u00e9s do contato da planta \u00famida com a pele. Os principais sintomas s\u00e3o v\u00f4mito, tontura, dor de cabe\u00e7a e fraqueza, de acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Antes de suicidar-se, Osbel chegou a ser internado para tratar a depress\u00e3o. Mas antes foi diagnosticado por diferentes m\u00e9dicos com sinais da doen\u00e7a da folha verde.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/304\/cpsprodpb\/10248\/production\/_91402166_dzv_3224.jpg\" alt=\"Hemograma de Jos\u00e9 Dell Osbel\" width=\"412\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"304\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\"><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">O exame de Jos\u00e9 Dell Osbel demonstrava o impacto da doen\u00e7a da folha verde do tabaco<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Ele ia para a ro\u00e7a e logo tinha que procurar atendimento porque desmaiava&#8221;, relembra Simone.<\/p>\n<p>Ela conta que, depressivo e intoxicado, Osbel tamb\u00e9m abusava do \u00e1lcool.<\/p>\n<p>&#8220;Os agricultores acabam tratando seus problemas com o \u00e1lcool. \u00c9 mais um fator de risco&#8221;, afirma o m\u00e9dico psiquiatra Rafael Moreno de Ara\u00fajo, coordenador do Comit\u00ea de Preven\u00e7\u00e3o do Suic\u00eddio da Associa\u00e7\u00e3o de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS).<\/p>\n<p>O m\u00e9dico ressalta que o hist\u00f3rico familiar, influenciado tanto pela heran\u00e7a gen\u00e9tica como pela cultura local, tamb\u00e9m colabora para o suic\u00eddio. Al\u00e9m de tudo, Osbel tinha um av\u00f4 que havia se suicidado.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma bomba-rel\u00f3gio&#8221;, diz o psiquiatra ao enumerar os fatores de risco aos quais os fumicultores est\u00e3o expostos: gen\u00e9tica, baixa escolaridade, hist\u00f3rico familiar, estilo de vida estressante e intoxica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">D\u00edvidas com as fumageiras<\/h2>\n<p>A quest\u00e3o financeira \u00e9 o principal gatilho para o estresse entre fumicultores. Eles precisam organizar o dinheiro que recebem apenas uma vez por ano para sustentar a fam\u00edlia pelos 12 meses seguintes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a maioria deles tem d\u00edvidas com as pr\u00f3prias empresas que compram sua produ\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 raro que os processos movidos pelas companhias terminem com a tomada das terras dos agricultores.<\/p>\n<p>&#8220;A perda das terras \u00e9 a perda da vida deles&#8221;, analisa o advogado Mateus Ferrari, que atende diversos casos de agricultores endividados.<\/p>\n<p>A d\u00edvida inicia quando o agricultor se compromete a entregar sua produ\u00e7\u00e3o a uma empresa espec\u00edfica. A empresa fornece sementes, venenos e equipamentos de seguran\u00e7a e muitas vezes exige a constru\u00e7\u00e3o de galp\u00f5es. Mas tudo isso \u00e9 descontado do valor a ser pago pela produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando esta \u00e9 entregue, a empresa classifica as folhas atrav\u00e9s de uma amostra: quanto mais qualidade, mais ser\u00e1 pago. Muitas vezes os agricultores recebem menos do que o planejado e ainda precisam pagar suas d\u00edvidas dos insumos.<\/p>\n<p>&#8220;Eles n\u00e3o t\u00eam como argumentar, a maioria tem escolaridade baixa. \u00c9 o tempo todo sob amea\u00e7a: &#8216;vamos cancelar o pedido, colocar teu nome no SPC e acionar a Justi\u00e7a'&#8221;, relata Ferrari.<\/p>\n<p>Sob amea\u00e7a de perderem suas terras e querendo receber os insumos da pr\u00f3xima safra, os agricultores acabam assinando sua confiss\u00e3o de d\u00edvida, n\u00e3o raro com juros sobre juros, sem estarem completamente cientes das consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>&#8220;A gente tenta salvar as terras, mas n\u00e3o h\u00e1 como combater os contratos. Ent\u00e3o, tentamos um acordo para que os agricultores consigam pagar&#8221;, explica Ferrari.<\/p>\n<p>Depois que o marido se suicidou, Simone ficou um ano sem plantar porque, endividada, n\u00e3o conseguia adquirir insumos. S\u00f3 retomou a lavoura porque fez novos cr\u00e9ditos no nome &#8220;limpo&#8221; da filha, de 19 anos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Falta de apoio<\/h2>\n<p>Alguns dos processos contra os agricultores s\u00e3o iniciados pela pr\u00f3pria Afubra, em teoria representante deles. A entidade alega que s\u00f3 entra na Justi\u00e7a contra os fumicultores &#8220;quando o individual se sobrep\u00f5e ao coletivo&#8221;, mas n\u00e3o especificou os casos.<\/p>\n<p>A entidade tampouco respondeu se ajuda os agricultores a entenderem seus contratos ou se atua de alguma maneira na preven\u00e7\u00e3o de suic\u00eddios.<\/p>\n<p>Questionado se auxilia os agricultores na preven\u00e7\u00e3o do endividamento ou contabiliza o n\u00famero de casos na Justi\u00e7a, o Sinditabaco diz apenas que &#8220;trata dos assuntos comuns \u00e0s empresas associadas e, portanto, n\u00e3o disp\u00f5e desse tipo de informa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O pai de J\u00falio Selbach, de 47 anos, do munic\u00edpio de General C\u00e2mara, perdeu 22 hectares de suas terras na Justi\u00e7a. &#8220;A causa est\u00e1 perdida, n\u00e3o conto mais com isso. Continuo lutando, mas vai ser muito dif\u00edcil reverter&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Seu pai era seu fiador de uma d\u00edvida de R$ 150 mil que a fam\u00edlia considera &#8220;inexplic\u00e1vel&#8221;. &#8220;No final das contas tudo \u00e9 legal. O orientador t\u00e9cnico da empresa traz um monte de folhas e manda tu assinar. Eles dizem &#8216;n\u00e3o adianta nem tu ler que tu n\u00e3o vai entender. Se n\u00e3o quiser assinar, o neg\u00f3cio termina aqui'&#8221;, relata.<\/p>\n<p>Por causa da d\u00edvida e da perda das terras do pai, Selbach largou a planta\u00e7\u00e3o de tabaco e agora produz leite. Ele conta que hist\u00f3rias como essa muitas vezes acabam em suic\u00eddio porque o &#8220;chefe&#8221; da fam\u00edlia sente culpa por envolver a fam\u00edlia em uma situa\u00e7\u00e3o de conflito.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3CA0\/production\/_91402551_dzv_3206.jpg\" alt=\"Planta\u00e7\u00e3o\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">O Rio Grande do Sul tem 73.430 fam\u00edlias (mais de 577 mil pessoas) que colhem 255 mil toneladas de tabaco anualmente<\/span><\/figure>\n<p>O psiquiatra coordenador da APRS corrobora a tese. &#8220;Nessa regi\u00e3o o suic\u00eddio \u00e9 um problema que atinge os homens, que t\u00eam essa responsabilidade de ser o provedor da fam\u00edlia e acabam ficando com a culpa pela (m\u00e1) safra, pela d\u00edvida&#8221;, diz Ara\u00fajo. Segundo ele, poucos desses homens procuram ajuda psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m, segundo ele, neglig\u00eancia no atendimento do sistema de sa\u00fade. &#8220;\u00c0s vezes o paciente chega (ap\u00f3s ter tentado) suic\u00eddio, passa por uma lavagem no est\u00f4mago e \u00e9 liberado, sem avalia\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica&#8221;, relata.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Intoxica\u00e7\u00e3o infantil<\/h2>\n<p>O problema se torna ainda mais complexo porque a entrada de muitos agricultores na lavoura ocorre muito cedo. O marido de Simone, que se suicidou em 2013, trabalhou na lavoura de fumo por 34 anos, desde crian\u00e7a. Rossato, o professor de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, tamb\u00e9m trabalhou na ro\u00e7a quando era pequeno.<\/p>\n<p>Por causa da presen\u00e7a constante das crian\u00e7as no campo, casos de intoxica\u00e7\u00e3o e alergias s\u00e3o comuns.<\/p>\n<p>O filho mais velho de Luciana Pereira da Rosa, de 44 anos, de General C\u00e2mara, apresentou sinais de doen\u00e7a da folha verde quando tinha apenas 12 anos. &#8220;Ele ia para a ro\u00e7a colher fumo e vomitava direto&#8221;, relembra a m\u00e3e.<\/p>\n<p>O filho agora tem 28 anos e recentemente abandonou a atividade, junto com os pais. Todos se mudaram para Taquari, cidade pr\u00f3xima, por causa da alergia da irm\u00e3 mais nova, hoje com sete anos. &#8220;A pele ficava vermelha, sa\u00eda sangue e levantava uma casca. Era horr\u00edvel&#8221;, lembra Luciana.<\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos n\u00e3o davam um diagn\u00f3stico preciso sobre a causa, mas Luciana notava que as crises ocorriam logo depois que a subst\u00e2ncia glifosato era aplicado nos p\u00e9s de fumo da fam\u00edlia ou de vizinhos.<\/p>\n<p>Com a mudan\u00e7a de cidade, a filha n\u00e3o ficou mais doente.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho do RS n\u00e3o disp\u00f5e de estat\u00edsticas sobre trabalho infantil nas lavouras. De acordo com a procuradora Erin\u00e9ia Thomazini, de Santa Cruz do Sul, na regi\u00e3o fumageira, &#8220;em muitos casos a den\u00fancia de trabalho infantil sequer chega&#8221;.<\/p>\n<p>Uma pesquisa do IBGE aponta que 39.659 crian\u00e7as de 10 a 13 anos trabalhavam no Rio Grande do Sul em 2010.<\/p>\n<p>O Sinditabaco diz combater a pr\u00e1tica, mas agrega que &#8220;temos ainda um caminho a percorrer para a completa erradica\u00e7\u00e3o do problema&#8221;. A entidade aponta a necessidade de mais escolas rurais para auxiliar na preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quem deixa a planta\u00e7\u00e3o de fumo diz que a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de al\u00edvio. Mas not\u00edcias sobre suic\u00eddios de vizinhos e conhecidos sempre chegam.<\/p>\n<p>&#8220;L\u00e1 na minha regi\u00e3o tem uma express\u00e3o: &#8216;s\u00f3 se vende corda com receita m\u00e9dica&#8217;. Isso porque \u00e9 alta a incid\u00eancia de suic\u00eddio dos agricultores. Voc\u00ea junta a depress\u00e3o com a d\u00edvida, a frustra\u00e7\u00e3o de perder uma safra. \u00c9 o contexto perfeito para se suicidar&#8221;, comenta Rossato sobre os conterr\u00e2neos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o sil\u00eancio dos agricultores sobre o tema agrava o quadro. &#8221; O suic\u00eddio parece que \u00e9 tratado como um tabu, quase proibido ou at\u00e9 vergonhoso de falar. Claro que d\u00f3i. Mas preciso falar porque quero que menos gente tire a pr\u00f3pria vida, como meu marido fez&#8221;, alerta Simone.<\/p>\n<p>Fonte: BBC Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela encontrou o corpo do marido na planta\u00e7\u00e3o de tabaco da fam\u00edlia<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":154352,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327,6],"tags":[],"class_list":["post-154351","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/suicidio-familia.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154351","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=154351"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154351\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/154352"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=154351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=154351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=154351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}