{"id":154693,"date":"2016-10-07T16:51:50","date_gmt":"2016-10-07T19:51:50","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=154693"},"modified":"2016-10-07T16:51:50","modified_gmt":"2016-10-07T19:51:50","slug":"engenheiros-da-petrobras-vao-ao-ministerio-publico-pela-saida-de-parente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/engenheiros-da-petrobras-vao-ao-ministerio-publico-pela-saida-de-parente\/","title":{"rendered":"Engenheiros da Petrobras v\u00e3o ao Minist\u00e9rio P\u00fablico pela sa\u00edda de Parente"},"content":{"rendered":"<h2><\/h2>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"\" src=\"http:\/\/www.brasil247.com\/images\/cache\/1000x357\/crop\/images%7Ccms-image-000519583.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"357\" data-src-a=\"\/images\/cache\/480x240\/crop\/images%7Ccms-image-000519582.jpg\" data-src-b=\"\/images\/cache\/490x280\/crop\/images%7Ccms-image-000519582.jpg\" \/><\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o dos Engenheiros da Petrobras (AEPET)\u00a0entrou com pedido junto ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal do Rio de Janeiro em que solicita o impedimento de Pedro Parente na presid\u00eancia da Petrobras.<\/p>\n<p>O documento foi protocolado pelo vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o, Fernando Siqueira. Segundo o MPF, a representa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 analisada pelo procurador da Rep\u00fablica Ant\u00f4nio do Passo Cabral.<\/p>\n<p>Na representa\u00e7\u00e3o, Siqueira aponta atos lesivos \u00e0 Petrobras quando Parente era o presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da estatal, e tamb\u00e9m alerta sobre os riscos da venda do campo de Carcar\u00e1, da BR Distribuidora, da Transpetro e da malha de gasodutos do sudeste.<\/p>\n<p>Leia abaixo artigo de Felipe Coutinho, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Engenheiros da Petrobras (AEPET), em coautoria com o economista e professor Jos\u00e9 Carlos de Assis, em que ele\u00a0critica a pol\u00edtica de venda de ativos da Petrobras:<\/p>\n<p><strong>Existe alternativa para reduzir a d\u00edvida da Petrobr\u00e1s sem vender seus ativos<\/strong><\/p>\n<p>Felipe Coutinho*<br \/>\nJ. Carlos de Assis**<\/p>\n<p>A Petrobr\u00e1s n\u00e3o precisa vender ativos para reduzir seu n\u00edvel de endividamento. Ao contr\u00e1rio, na medida em que vende ativos ela reduz sua capacidade de pagamento da d\u00edvida no m\u00e9dio prazo e desestrutura sua cadeia produtiva, em preju\u00edzo \u00e0 gera\u00e7\u00e3o futura de caixa, al\u00e9m de assumir riscos empresariais desnecess\u00e1rios. A avalia\u00e7\u00e3o resumida abaixo (tabela), mostra o equ\u00edvoco dessa escolha pol\u00edtica e empresarial de aliena\u00e7\u00e3o de ativos, e revela que ela \u00e9 desnecess\u00e1ria. A alternativa proposta preserva a integridade corporativa e sua capacidade de investir na medida do desenvolvimento nacional e em suporte a ele. Enquanto garante a sustenta\u00e7\u00e3o financeira, tanto pela redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida, quanto pela preserva\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o de caixa a m\u00e9dio prazo.<\/p>\n<p>O desinvestimento \u2013 ou seja, a venda de ativos operacionais, muitos deles altamente lucrativos &#8211; prev\u00ea acumular 19,5 bilh\u00f5es de US$ no bi\u00eanio 2017\/18. Resultaria numa redu\u00e7\u00e3o antecipada da d\u00edvida, com a alavancagem &#8211; rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida l\u00edquida\/gera\u00e7\u00e3o de caixa ap\u00f3s dividendos &#8211; caindo de 4,5 para 2,5 at\u00e9 2018. A meta de redu\u00e7\u00e3o da alavancagem e seu prazo s\u00e3o arbitr\u00e1rios, embora possam ser apresentadas de forma dogm\u00e1tica. Trata-se de uma decis\u00e3o de natureza pol\u00edtica e empresarial que \u00e9 frequentemente elevada \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de verdade cient\u00edfica ou algo similar a uma revela\u00e7\u00e3o divina.<\/p>\n<p>Na alternativa estudada a partir de par\u00e2metros p\u00fablicos da Petrobr\u00e1s, sem vender um \u00fanico ativo, a alavancagem poderia cair de 4,5 para 3,1 em 2018, indicador inteiramente razo\u00e1vel. A amortiza\u00e7\u00e3o anual da d\u00edvida, com recursos de parte da gera\u00e7\u00e3o de caixa, resultaria na redu\u00e7\u00e3o da alavancagem para 2,5 em meados de 2021. O estudo \u00e9 conservador na medida em que n\u00e3o contabiliza a gera\u00e7\u00e3o de caixa adicional pela preserva\u00e7\u00e3o dos ativos rent\u00e1veis que se pretende vender at\u00e9 2018.<\/p>\n<p>A Petrobr\u00e1s tem pujante receita operacional, proporcional ao porte de uma empresa que \u00e9 a maior do Brasil e da Am\u00e9rica Latina. Apenas usando parte da gera\u00e7\u00e3o de caixa, na mesma propor\u00e7\u00e3o alocada em seu plano atual, a companhia pode ir amortizando sua d\u00edvida e traz\u00ea-la para um n\u00edvel razo\u00e1vel, sem afetar a distribui\u00e7\u00e3o de dividendos e os investimentos previstos. A venda de ativos produz exatamente o oposto, no m\u00e9dio prazo. Reduziria a capacidade futura de gera\u00e7\u00e3o de caixa da empresa, pois os ativos que se pretende privatizar como BR Distribuidora, Liquig\u00e1s, Termoel\u00e9tricas e Transpetro s\u00e3o altamente lucrativos.<\/p>\n<p>O plano da Petrobr\u00e1s tem vi\u00e9s de curt\u00edssimo prazo e obtusamente financeiro. Ignora a ess\u00eancia de uma empresa integrada de energia que usa a verticaliza\u00e7\u00e3o em cadeia para equilibrar suas receitas, compensando a inevit\u00e1vel varia\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, de seus derivados e da energia el\u00e9trica, caracter\u00edstica essencial para minimizar os riscos empresariais. Na medida em que a Petrobr\u00e1s seja fatiada, o agente privado tende a buscar o lucro m\u00e1ximo por neg\u00f3cio, majorando os custos ao consumidor, o que restringe o crescimento do mercado interno cujo dinamismo \u00e9 muito importante para a gera\u00e7\u00e3o de valor pela Petrobr\u00e1s.<\/p>\n<p>A alternativa apresentada evita a sa\u00edda integral das \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis e fertilizantes, distribui\u00e7\u00e3o de GLP e petroqu\u00edmica. Al\u00e9m de preservar as reservas de petr\u00f3leo e os ativos do refino que s\u00e3o alvos das parcerias mediante desinvestimento. Basta alterar a alavancagem projetada para 2018 de 2,5 para 3,1 e ajustar o prazo da meta de 2,5 na alavancagem, de 2018 para meados de 2021.<\/p>\n<p>Dispomos de alternativa t\u00e9cnica vi\u00e1vel que encontra barreiras de natureza ideol\u00f3gica cuja influ\u00eancia na pol\u00edtica empresarial da Petrobr\u00e1s n\u00e3o \u00e9 recente. A gest\u00e3o Dilma-Bendine apresentou um Plano de Neg\u00f3cios similar ao atual. Previa vendas de ativos da ordem de 57 bilh\u00f5es de US$ at\u00e9 2020, cerca de um ter\u00e7o do patrim\u00f4nio da Petrobr\u00e1s. A atual gest\u00e3o Temer-Parente planeja privatizar 34,6 bilh\u00f5es de US$ at\u00e9 2021, sendo 15,1 bi at\u00e9 2016 e 19,5 bi at\u00e9 2018.<\/p>\n<p>\u00c9 exemplar o que ocorre a infraestrutura de gasodutos. Atividade tipicamente monopolista, as redes de gasoduto do Sudeste e do Nordeste, incorporam um enorme investimento hist\u00f3rico da Petrobr\u00e1s, est\u00e3o integradas \u00e0 empresa pela pr\u00f3pria natureza do servi\u00e7o que prestam. N\u00e3o obstante, a rede Sudeste, a mais lucrativa, foi vendida a um fundo canadense que atuar\u00e1 como intermedi\u00e1rio privado monopolista. Isso sem a constitui\u00e7\u00e3o pr\u00e9via da ordem reguladora, condi\u00e7\u00e3o essencial para a opera\u00e7\u00e3o de monop\u00f3lios privados em qualquer economia capitalista.<\/p>\n<p>Entretanto, nada \u00e9 mais simb\u00f3lico do que a desintegra\u00e7\u00e3o do Cenpes, o Centro de Pesquisas da Petrobr\u00e1s. O Cenpes \u00e9 fundamental para os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos da companhia, respons\u00e1vel por resultados reconhecidos internacionalmente. Na recente reestrutura\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s o Cenpes foi desmembrado, com o fim do reconhecido modelo de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia b\u00e1sica (PD&amp;E) que vigorava h\u00e1 40 anos. O modelo articulava a rela\u00e7\u00e3o entre a pesquisa nas universidades, a experi\u00eancia operacional da companhia e os fornecedores de bens e servi\u00e7os. A Engenharia B\u00e1sica do Cenpes foi extinta e seus profissionais transferidos \u00e0 \u00e1rea de projeto e empreendimento. A reestrutura\u00e7\u00e3o revela que o imperativo do curto prazo permeia toda a corpora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se limita \u00e0 estrat\u00e9gia financeira.<\/p>\n<p>A m\u00eddia oligopolista repete &#8220;n\u00e3o h\u00e1 alternativas, \u00e9 necess\u00e1rio privatizar para lidar com o endividamento da Petrobr\u00e1s&#8221;. Assim se constr\u00f3i o senso comum que n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade, mas serve aos interesses de poucos. Al\u00e9m de alertar para as consequ\u00eancias delet\u00e9rias da privatiza\u00e7\u00e3o para a Petrobras e para a maioria dos brasileiros, apresentamos alternativa vi\u00e1vel para a sustenta\u00e7\u00e3o financeira, preservando a integridade corporativa, sua capacidade de gerar valor, investir e garantir a seguran\u00e7a energ\u00e9tica brasileira.<\/p>\n<p><em>* Engenheiro qu\u00edmico, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Engenheiros da Petrobr\u00e1s (AEPET)<\/em><br \/>\n<em>** Economista e professor<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A m\u00eddia oligopolista repete &#8220;n\u00e3o h\u00e1 alternativas, \u00e9 necess\u00e1rio privatizar para lidar com o endividamento da Petrobr\u00e1s&#8221;. Assim se constr\u00f3i o senso comum que n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade, mas serve aos interesses de poucos. 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