{"id":154852,"date":"2016-10-09T08:52:58","date_gmt":"2016-10-09T11:52:58","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=154852"},"modified":"2016-10-09T08:52:58","modified_gmt":"2016-10-09T11:52:58","slug":"enem-e-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/enem-e-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"Enem e desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<div class=\"news_heading\"><span class=\"h1\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div class=\"news_body\">\n<div class=\"font_change\">\n<div id=\"abanoticia\"><strong>Por Fernando Dias (*)<\/p>\n<p><\/strong><\/p>\n<table class=\"image left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" title=\"Fernando Dias \u00e9 professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo\/Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/imgsapp.diariodepernambuco.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2016\/10\/09\/668976\/20161007222518606140e.jpg\" alt=\"Fernando Dias \u00e9 professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo\/Divulga\u00e7\u00e3o\" border=\"0\" \/><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"zebra\">Fernando Dias \u00e9 professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>As baixas m\u00e9dias no ENEM nas escolas p\u00fablicas (91% abaixo da m\u00e9dia) ratificam o que j\u00e1 se sabe faz anos no Brasil. Ou nossos professores n\u00e3o sabem ensinar ou nosso modelo de ensino precisa mudar.<\/strong><\/p>\n<p>Nesta semana foi divulgado o resultado do ENEM 2015, cujos indicadores agregados ajudam a montar uma radiografia da qualidade do ensino no Brasil, ao que se soma ao IDEB 2015 divulgado anteriormente. O ENEM, diferente do IDEB, n\u00e3o foi criado para produzir um \u00edndice evolutivo da qualidade do ensino, mas sim para prover uma nota de avalia\u00e7\u00e3o para cada participante e, entre outras coisas, permitir o acesso dos mesmos \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de ensino superior. Como fazem o ENEM praticamente todos os estudantes concluintes do ensino m\u00e9dio, ele acaba servindo tamb\u00e9m como base para compara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E o que isto tem a ver com desenvolvimento? Desde os anos 1960, os economistas v\u00eam dando cada vez mais import\u00e2ncia ao componente chamado \u201ccapital humano\u201d, que sintetiza os efeitos de aprendizado e capacidades na realiza\u00e7\u00e3o de um trabalho. Modernamente se admite que este efeito \u00e9 um dos principais motores do crescimento, e explica porque v\u00e1rias economias ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas investiram pesado em educa\u00e7\u00e3o como forma de superar os est\u00e1gios do crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o ignorou esta tend\u00eancia e tamb\u00e9m investiu muito em educa\u00e7\u00e3o. Muito mesmo. Desde os anos 1990, com a mudan\u00e7a nas compet\u00eancias administrativas do ensino fundamental e m\u00e9dio, e com a amplia\u00e7\u00e3o dos investimentos nesta \u00e1rea, n\u00f3s progredimos muito nos indicadores b\u00e1sicos. De fato, j\u00e1 no ano de 2000, o crescimento na escolaridade m\u00e9dia foi o principal fator que explicou nosso grande crescimento no IDH, fato que se repetiu com menor intensidade tamb\u00e9m no IDH 2010. Quando se observa um indicador de capital humano, como por exemplo o dispon\u00edvel na Penn World Table, isto fica bem evidente. Comparando o crescimento do estoque por pessoa de capital humano no Brasil versus Estados Unidos entre 1951 e 2014, temos que evolu\u00edmos 110% e eles apenas 43%. Ponto para n\u00f3s. Mas est\u00e1 longe de ser suficiente pois eles ainda est\u00e3o 35% na nossa frente, mesmo com o Brasil tendo crescido tr\u00eas vezes mais que eles nos \u00faltimos 60 anos.<\/p>\n<p>Mas o que importa no final das contas \u00e9 produtividade. E na produtividade ainda estamos longe. N\u00e3o que n\u00e3o tenhamos evolu\u00eddo, os dados da The Conference Board mostram que tamb\u00e9m entre 1951 e 2014, crescemos 201% contra apenas 183% dos americanos, por\u00e9m nossa produtividade ainda \u00e9 um quarto da deles. Isso evidencia ao menos duas coisas: uma que a diferen\u00e7a de produtividade entre as economias desenvolvidas e as perif\u00e9ricas j\u00e1 era gigantesca nos anos 1950 como previa Celso Furtado, e a segunda \u00e9 que tem algo estranho nesta rela\u00e7\u00e3o entre capital humano e produtividade no Brasil.<\/p>\n<p>Este algo, ao que tudo indica, \u00e9 a qualidade do ensino. Nada errado com a teoria do capital humano, mas os indicadores s\u00e3o constru\u00eddos em cima de estat\u00edsticas como anos de escolaridade e n\u00edvel educacional, eles sup\u00f5em que h\u00e1 homogeneidade no ensino entre os pa\u00edses e isto n\u00e3o se sustenta. No Brasil, por exemplo, \u00e9 not\u00f3rio que o crescimento da oferta de ensino ocorreu com perda significativa de qualidade. Todos os indicadores, nacionais (IDEB, Prova Brasil, ENEM) e internacionais (PISA) sugerem que a qualidade de nosso ensino \u00e9 muito ruim. Mesmo com a recente cria\u00e7\u00e3o de metas, quase nade se resolveu pois quase ningu\u00e9m consegue chegar na meta, que j\u00e1 \u00e9 baixa. Mesmo os que chegam t\u00eam pouco a comemorar, pois o esfor\u00e7o apenas conduziu o cen\u00e1rio de muito ruim para ruim, longe dos padr\u00f5es de excel\u00eancia.<\/p>\n<p>O ENEM mostra o mesmo que o IDEB, mas por pessoa, e as baixas m\u00e9dias no ENEM nas escolas p\u00fablicas (91% abaixo da m\u00e9dia) ratificam o que j\u00e1 se sabe faz anos no Brasil. Ou nossos professores n\u00e3o sabem ensinar ou nosso modelo de ensino precisa mudar. Na economia n\u00e3o h\u00e1 concess\u00f5es, quem n\u00e3o melhora produtividade fica para tr\u00e1s, n\u00e3o tem recupera\u00e7\u00e3o nem apoio motivacional. \u00c9 simples assim!<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta semana foi divulgado o resultado do ENEM 2015, cujos indicadores agregados ajudam a montar uma radiografia da qualidade do ensino no Brasil, ao que se soma ao IDEB 2015 divulgado anteriormente. O ENEM, diferente do IDEB, n\u00e3o foi criado <\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":124053,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327,6],"tags":[],"class_list":["post-154852","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/rui-barbosa-sala-de-aula.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154852","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=154852"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154852\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/124053"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=154852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=154852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=154852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}