{"id":154883,"date":"2016-10-09T13:48:13","date_gmt":"2016-10-09T16:48:13","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=154883"},"modified":"2016-10-10T04:55:36","modified_gmt":"2016-10-10T07:55:36","slug":"menino-e-expulso-do-colegio-por-precisar-aplicar-insulina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/menino-e-expulso-do-colegio-por-precisar-aplicar-insulina\/","title":{"rendered":"Menino \u00e9 expulso do col\u00e9gio por precisar aplicar insulina"},"content":{"rendered":"<header>\n<h1><\/h1>\n<\/header>\n<figure class=\"horizontal\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/extra.globo.com\/incoming\/20259296-258-8d0\/w640h360-PROP\/2016-940557132-201609221709530255_20160922.jpg\" alt=\"O jovem, que teve o diabetes tipo 1 diagnosticado em 2010, usa insulina diariamente para equilibrar a glicose no sangue\" width=\"640\" height=\"360\" \/><figcaption><span class=\"credit\">O jovem, que teve o diabetes tipo 1 diagnosticado em 2010, usa insulina diariamente para equilibrar a glicose no sangue\u00a0<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"story\">\n<div class=\"header\">\n<div class=\"credits info\"><span class=\"author\">Fl\u00e1via Junqueira<\/span><\/div>\n<div class=\"text_size\"><span class=\"info\">\u00a0<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>Eles se acostumaram cedo a levar picadas nos dedinhos e nos bra\u00e7os para controlar a glicemia e receber insulina, mas n\u00e3o foram informados, ao terem o diagn\u00f3stico de diabetes do tipo 1, que deveriam criar resist\u00eancia ao preconceito. Foi o que descobriu X., de 15 anos, ao ter a matr\u00edcula cancelada, em julho, numa escola particular de Coluband\u00ea, em S\u00e3o Gon\u00e7alo, na Regi\u00e3o Metropolitana do Rio, por precisar usar o rem\u00e9dio injet\u00e1vel durante o hor\u00e1rio escolar.<\/p>\n<p>\u2014 Meu filho come\u00e7ou a estudar nessa escola este ano. Procurei a coordenadora e pedi uma reuni\u00e3o com os professores para explicar o que \u00e9 o diabetes tipo 1 e como agir no caso de hipoglicemia, quando a taxa de a\u00e7\u00facar no sangue cai. Apenas a coordenadora me recebeu e disse que colocaria o material que levei nas pastas dos professores \u2014 relata a representante comercial Daniele Batista da Silva, de 36 anos.<\/p>\n<p>Em maio, X. teve uma crise de hipoglicemia durante a aula de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e ningu\u00e9m sabia o que fazer.<\/p>\n<p>\u2014 Eu estava longe e demorei a ver as chamadas no celular. No dia seguinte, a escola marcou uma reuni\u00e3o com todos os professores, mas uma coordenadora disse que procuraria um advogado, porque meu filho corria risco de vida e que isso poderia prejudicar a escola \u2014 conta a m\u00e3e.<\/p>\n<p>A ata da reuni\u00e3o que a m\u00e3e recebeu dois dias depois, no entanto, a surpreendeu:<\/p>\n<p>\u2014 Na ata, a escola dizia que iria inserir o aluno e atend\u00ea-lo nas necessidades dele.<\/p>\n<p>Em junho, X. sentiu uma dor na barriga durante a aula, e a coordenadora ligou para Daniele pedindo que fosse buscar o filho.<\/p>\n<p>\u2014 Eu estava de cama, com crise renal. Discuti com a coordenadora pelo telefone. Consegui que dois amigos fossem \u00e0 escola e, chegando l\u00e1, meu filho j\u00e1 estava bem.<\/p>\n<p>No dia seguinte, a m\u00e3e foi chamada para uma reuni\u00e3o na escola e comunicada de que seu filho n\u00e3o poderia continuar na institui\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2014 Ele ficou tr\u00eas dias sem comer, com o olhar perdido. Precisei lev\u00e1-lo a uma emerg\u00eancia. Entrou em depress\u00e3o, se sentiu recusado na vida.<\/p>\n<figure><strong><img decoding=\"async\" class=\"inline\" src=\"http:\/\/extra.globo.com\/incoming\/20259297-2d2-1b2\/w448\/2016-940557532-201609221711340262_20160922.jpg\" alt=\"Daniele teve ajuda do Conselho Tutelar para achar outra escola para o filho\" \/><\/strong><figcaption>Daniele teve ajuda do Conselho Tutelar para achar outra escola para o filho Foto: Thiago Freitas \/ EXTRA<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 legisla\u00e7\u00e3o para proteger alunos e institui\u00e7\u00f5es de ensino<\/strong><\/p>\n<p>A falta de uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre como devem ser administradas medica\u00e7\u00f5es no ambiente escolar deixa crian\u00e7as e institui\u00e7\u00f5es desprotegidas. Nem mesmo o documento \u201cPol\u00edtica Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Especial na perspectiva da Educa\u00e7\u00e3o Inclusiva\u201d, do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, de 2007, aborda o assunto.<\/p>\n<p>A Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio do Rio confirmou que n\u00e3o h\u00e1 legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre o tema. Em nota, afirmou que os respons\u00e1veis s\u00e3o orientados a comparecer \u00e0 escola para ministrar o rem\u00e9dio. \u201cEm casos espec\u00edficos, a dire\u00e7\u00e3o da unidade escolar poder\u00e1 ser autorizada pelos respons\u00e1veis a ministrar o medicamento ap\u00f3s ser orientada, por escrito, pelo profissional de sa\u00fade\u201d.<\/p>\n<p>Mas na escola do filho de Tha\u00eds Ferreira, de 23 anos, a dire\u00e7\u00e3o foi bem enf\u00e1tica ao dizer que \u00e9 proibido administrar medicamento no col\u00e9gio.<\/p>\n<p>\u2014 Todo dia, vou \u00e0 escola na hora do lanche e aplico insulina no meu filho. Tentei mud\u00e1-lo de col\u00e9gio, mas, quando souberam do diabetes, disseram que n\u00e3o o queriam l\u00e1 porque, se acontecesse algo com ele na escola, eu iria process\u00e1-los. Sa\u00ed chorando \u2014 contou a m\u00e3e do menino de 7 anos.<\/p>\n<p>A Secretaria estadual de Educa\u00e7\u00e3o confirmou que tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1, no \u00e2mbito da sua rede, legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre o assunto, mas ressaltou que nenhum aluno pode ser expulso e ter negada sua matr\u00edcula por tratar-se de um direito social estabelecido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional e protegido pelo Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente.<\/p>\n<p>O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado do Rio informou que n\u00e3o prev\u00ea, em suas orienta\u00e7\u00f5es, a responsabilidade da aplica\u00e7\u00e3o de medicamento em alunos, o que deve ser feito por m\u00e9dicos e enfermeiros. E ressaltou que nem todas as escolas possuem estrutura para contratar, por livre vontade, enfermeiros.<\/p>\n<p>Segundo a endocrinologista pedi\u00e1trica Ana Carolina Nader, diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia do Rio, a crian\u00e7a ou o adolescente com diabetes tipo 1 sente vergonha por se achar diferente dos outros no grupo:<\/p>\n<p>\u2014 Isso faz parte da idade. Por isso, ele n\u00e3o quer usar insulina no recreio ou medir a glicose no refeit\u00f3rio. Cabe \u00e0 escola ajudar o professor e o aluno a se sentir seguro de que n\u00e3o ser\u00e1 exclu\u00eddo. Quando o preconceito parte da escola, ocorre o que h\u00e1 de pior. O aluno pode passar mal e n\u00e3o sinalizar. O professor tem que ser treinado para identificar a crise de hipoglicemia. Oferecendo um copo de \u00e1gua com a\u00e7\u00facar, ele pode salvar a vida da crian\u00e7a. \u00c9 preciso educa\u00e7\u00e3o para desmistificar o diabetes.<\/p>\n<\/div>\n<p>Fonte: Extra<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles se acostumaram cedo a levar picadas nos dedinhos e nos bra\u00e7os para controlar a glicemia e receber insulina, mas n\u00e3o foram informados, ao terem o diagn\u00f3stico de diabetes do tipo 1, que deveriam criar resist\u00eancia ao preconceito. 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