{"id":155558,"date":"2016-10-16T10:37:39","date_gmt":"2016-10-16T13:37:39","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=155558"},"modified":"2016-10-16T10:37:39","modified_gmt":"2016-10-16T13:37:39","slug":"apos-10-anos-transnordestina-ainda-esta-pela-metade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/apos-10-anos-transnordestina-ainda-esta-pela-metade\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s 10 anos, Transnordestina ainda est\u00e1 pela metade"},"content":{"rendered":"<div class=\"news_heading\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"h1\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div class=\"news_body\">\n<div class=\"font_change\">\n<div id=\"abanoticia\" style=\"text-align: justify;\">Controlada pela sider\u00fargica CSN, a ferrovia Transnordestina, uma das grandes promessas do governo Lula, tem sido bancada basicamente por recursos federais. At\u00e9 agora, 79% dos R$ 6,3 bilh\u00f5es investidos na obra &#8211; que est\u00e1 seis anos atrasada e s\u00f3 concluiu metade do tra\u00e7ado &#8211; sa\u00edram dos cofres de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos. A CSN colocou R$ 1,3 bilh\u00e3o, sendo metade financiada pelo BNDES.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/promessas-de-campanha-nao-saem-do-papel-pac-emperrou\/transnordestina\/\" rel=\"attachment wp-att-67603\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-67603 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/transnordestina.jpeg\" alt=\"transnordestina\" width=\"700\" height=\"470\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/transnordestina.jpeg 700w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/transnordestina-300x201.jpeg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/transnordestina-620x416.jpeg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/transnordestina-160x107.jpeg 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na estrutura societ\u00e1ria, o poder p\u00fablico det\u00e9m 50,98% do capital total e a sider\u00fargica, 49,02%. Pelas regras do contrato, apesar dessa equa\u00e7\u00e3o, o controle da ferrovia continua nas m\u00e3os da empresa de Benjamin Steinbruch. \u201c\u00c9 uma obra p\u00fablica transvestida de concess\u00e3o\u201d, diz o presidente da consultoria InterB, Claudio Frischtak.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, em tempos de ajuste fiscal, o governo tem revisado uma s\u00e9rie de pr\u00e1ticas adotadas at\u00e9 agora. Nos \u00faltimos dias, al\u00e9m de limitar novos aportes no empreendimento &#8211; que deveria ligar a cidade de Eliseu Martins, no interior do Piau\u00ed, aos portos de Pec\u00e9m, no Cear\u00e1, e Suape, em Pernambuco -, j\u00e1 levantou a hip\u00f3tese de interven\u00e7\u00e3o na ferrovia, uma amea\u00e7a tamb\u00e9m feita no in\u00edcio do governo de Dilma Rousseff. Uma s\u00e9rie de reuni\u00f5es marcadas para esta semana pode tra\u00e7ar o futuro do megaprojeto.<\/p>\n<p>O mal-estar dentro do governo se deve \u00e0 sequ\u00eancia de cronogramas frustrados e \u00e0 constante necessidade de financiamento. H\u00e1 dez anos em obras, a Transnordestina ainda est\u00e1 pela metade e com o or\u00e7amento estourado. Os primeiros estudos apontavam que o valor mais razo\u00e1vel da obra girava em torno de R$ 8 bilh\u00f5es. Mas o governo pediu mudan\u00e7as no projeto e reduziu o valor para R$ 4,5 bilh\u00f5es. Em 2012, o valor j\u00e1 estava em R$ 5,4 bilh\u00f5es, e subiu para R$ 7,5 bilh\u00f5es depois de uma s\u00e9rie de negocia\u00e7\u00f5es entre os acionistas.<\/p>\n<p>Apesar do rearranjo feito em 2012, que elevou o valor da obra, fontes afirmam que o novo or\u00e7amento n\u00e3o foi suficiente para concluir a ferrovia, que tem um tra\u00e7ado de 1.753 quil\u00f4metros. Executivos ligados ao projeto destacam que, mesmo na \u00e9poca da renegocia\u00e7\u00e3o com o governo federal, j\u00e1 se sabia que o projeto beirava os R$ 10 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Trava<\/p>\n<p>O entrave atual gira em torno de uma libera\u00e7\u00e3o de R$ 300 milh\u00f5es pelo Fundo de Investimento do Nordeste (Finor), que det\u00e9m 0,4% de participa\u00e7\u00e3o no projeto. No final de setembro, a Transnordestina enviou uma carta para a estatal Valec, s\u00f3cia na ferrovia com 41%, para iniciarem a aprova\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as na estrutura de capital da empresa. Para receber o valor do Finor, seria necess\u00e1rio converter algumas a\u00e7\u00f5es preferenciais (sem direito a voto) detidas pela Valec em ordin\u00e1rias (com direito a voto) at\u00e9 meados deste m\u00eas.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0 Transnordestina, a estatal afirmou que n\u00e3o poderia autorizar tal medida sem a aprova\u00e7\u00e3o dos minist\u00e9rios dos Transportes e da Integra\u00e7\u00e3o Nacional. Al\u00e9m disso, afirma que n\u00e3o foi informada sobre a realiza\u00e7\u00e3o do aporte de R$ 300 milh\u00f5es pelo Finor. Na CSN, a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que esses recursos j\u00e1 estavam previstos e que os aportes est\u00e3o atrasados, prejudicando o andamento das obras. Projetada para iniciar opera\u00e7\u00e3o em 2010, a ferrovia n\u00e3o tem previs\u00e3o para ficar pronta antes de 2020.<\/p>\n<p>O bloco de acionistas p\u00fablicos \u00e9 formado por BNDES, BNDESPar (o bra\u00e7o de participa\u00e7\u00f5es do banco de fomento), Valec, Finame e Finor. Pelos dados apresentados pela Valec, at\u00e9 agora, apenas 31,9% do volume acordado em 2012 foi liberado pelo Finor e 57% pelo BNDES. Em compensa\u00e7\u00e3o, o volume liberado pela Valec aumentou 489%. \u201cO problema de ter uma obra p\u00fablica em forma de concess\u00e3o \u00e9 que fica dif\u00edcil a fiscaliza\u00e7\u00e3o para garantir que est\u00e1 sendo tocada sob os melhores m\u00e9todos de engenharia e custos ideais. Afinal, o dinheiro \u00e9 p\u00fablico\u201d, destaca Claudio Frischtak.<\/p>\n<p>Segundo ele, em qualquer lugar do mundo, ferrovias s\u00e3o constru\u00eddas com dinheiro p\u00fablico. Mas n\u00e3o nesse modelo. Fontes pr\u00f3ximas \u00e0 Transnordestina afirmam que, embora o controle esteja com a CSN, o governo federal tem um forte poder pol\u00edtico dentro da empresa.<\/p>\n<p>Para o ex-diretor executivo da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Transportadores Ferrovi\u00e1rios (ANTF), Rodrigo Vila\u00e7a, apesar de todo imbr\u00f3glio envolvendo a obra, o governo precisa tomar uma medida que permita seu t\u00e9rmino. \u201cSe a op\u00e7\u00e3o for um novo s\u00f3cio, \u00e9 necess\u00e1rio um cronograma fiel do projeto, pois nenhum investidor estrangeiro vai querer entrar no empreendimento na situa\u00e7\u00e3o atual.\u201d (AE)<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A estatal afirmou que n\u00e3o poderia autorizar tal medida sem a aprova\u00e7\u00e3o dos minist\u00e9rios dos Transportes e da Integra\u00e7\u00e3o Nacional. Al\u00e9m disso, afirma que n\u00e3o foi informada sobre a realiza\u00e7\u00e3o do aporte de R$ 300 milh\u00f5es pelo Finor. 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