{"id":155953,"date":"2016-10-18T15:25:05","date_gmt":"2016-10-18T18:25:05","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=155953"},"modified":"2016-10-18T15:25:05","modified_gmt":"2016-10-18T18:25:05","slug":"ruptura-entre-pcc-e-comando-vermelho-pode-gerar-carnificina-diz-pesquisadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/ruptura-entre-pcc-e-comando-vermelho-pode-gerar-carnificina-diz-pesquisadora\/","title":{"rendered":"Ruptura entre PCC e Comando Vermelho pode gerar &#8216;carnificina&#8217;, diz pesquisadora"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Joao Fellet<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/2CBD\/production\/_91935411_035913866-1.jpg\" alt=\"Policiais em frente a pris\u00e3o em Boa Vista\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Mortes de detentos seriam fruto de rompimento de uma alian\u00e7a entre as duas maiores fac\u00e7\u00f5es criminosas brasileiras,<\/span><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">As mortes de ao menos 18 detentos em pris\u00f5es de Rond\u00f4nia e Roraima nos \u00faltimos dias podem ser os primeiros efeitos de uma importante reconfigura\u00e7\u00e3o do crime organizado brasileiro, diz a soci\u00f3loga Camila Nunes Dias, professora da Universidade Federal do ABC (UFABC), em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Autoridades dos dois Estados atribuiram as mortes ao rompimento de uma alian\u00e7a entre as duas maiores fac\u00e7\u00f5es criminosas brasileiras<strong>, <\/strong>que hoje atuam em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds: o Primeiro Comando da Capital (PCC), grupo surgido em S\u00e3o Paulo, e o Comando Vermelho (CV), origin\u00e1rio do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Autora de &#8220;PCC: Hegemonia nas pris\u00f5es e monop\u00f3lio da viol\u00eancia&#8221;, Dias afirma \u00e0 BBC Brasil que a fac\u00e7\u00e3o paulista e o CV mantinham um pacto para a compra de drogas e armas em regi\u00f5es de fronteira e para a prote\u00e7\u00e3o de seus integrantes em pris\u00f5es controladas pelos grupos.<\/p>\n<p>Ela afirma que o fim da alian\u00e7a &#8211; que pode ter ocorrido por uma disputa pelo controle de pres\u00eddios &#8211; poder\u00e1 gerar mais mortes em penitenci\u00e1rias e acirrar as tens\u00f5es tamb\u00e9m nas ruas.<\/p>\n<p>Leia os principais trechos da entrevista da pesquisadora \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; O que pode ter motivado as mortes recentes nos pres\u00eddios em Rond\u00f4nia e Roraima?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Camila Nunes Dias &#8211;<\/strong> As informa\u00e7\u00f5es ainda s\u00e3o muito escassas, mas est\u00e1 claro que houve uma ruptura entre o PCC e o CV. Pelo que tenho acompanhado, a ruptura est\u00e1 ligada \u00e0 din\u00e2mica expansionista das fac\u00e7\u00f5es dentro dos pres\u00eddios. Desde julho se tem not\u00edcia de amea\u00e7as m\u00fatuas entre CV e PCC nas pris\u00f5es, mas at\u00e9 ent\u00e3o essa tens\u00e3o n\u00e3o tinha resultado em mortes. Parecia que os grupos estavam tentando evitar uma ruptura.<\/p>\n<p>Neste fim de semana, 70 presos do PCC foram transferidos de unidades prisionais controladas pelo CV para pris\u00f5es controladas pela ADA (Amigos dos Amigos, segunda maior fac\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro). Isso \u00e9 muito surpreendente e muda completamente o xadrez do sistema prisional do Brasil inteiro.<\/p>\n<p>Essa reconfigura\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m cria a possibilidade de que o PCC atue ao lado da ADA contra o CV na guerra por territ\u00f3rios do Rio de Janeiro. N\u00e3o sei se para o PCC valeria a pena &#8211; eles teriam um desgaste muito grande em termos de pessoal, custos, armas -, mas a possibilidade est\u00e1 posta.<\/p>\n<aside class=\"quote\">\n<div class=\"quote-inner\">\n<blockquote class=\"quote\"><p>A consequ\u00eancia (da ruptura) pode ser uma maior viol\u00eancia nas pris\u00f5es. Pode haver maior instabilidade no sistema prisional do Brasil inteiro, principalmente no Norte e Nordeste, onde h\u00e1 um equil\u00edbrio de poder entre os dois grupos.<\/p>\n<footer>Camila Nunes Dias, Soci\u00f3loga, Universidade Federal do ABC (UFABC)<\/footer>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/aside>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Quais consequ\u00eancias essa ruptura poder\u00e1 ter nas demais partes do pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dias &#8211;<\/strong> Em S\u00e3o Paulo, n\u00e3o vejo nenhum grande impacto &#8211; talvez no litoral, onde h\u00e1 presen\u00e7a mais significativa do CV. Mas nos outros Estados a consequ\u00eancia imediata pode ser uma maior viol\u00eancia nas pris\u00f5es, como ficou claro em Rond\u00f4nia e Roraima. Pode haver maior instabilidade no sistema prisional do Brasil inteiro, principalmente no Norte e Nordeste, onde h\u00e1 um equil\u00edbrio de poder entre os dois grupos dentro e fora das pris\u00f5es.<\/p>\n<p>Recentemente, gangues de rua do Cear\u00e1 e do Rio Grande do Norte celebraram um pacto de paz para n\u00e3o haver mais mortes. H\u00e1 informa\u00e7\u00f5es de que esse pacto teria sido costurado pelo PCC e pelo CV. Com essa ruptura, n\u00e3o sabemos se v\u00e3o manter o pacto. Geralmente as disputas nas pris\u00f5es acabam reverberando nas ruas, ent\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o nos Estados pode tensionar ainda mais.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Qual o tamanho do PCC e do CV fora de seus Estados de origem hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dias <\/strong>&#8211; O PCC e o CV s\u00e3o hoje os dois principais grupos que atuam no tr\u00e1fico de drogas e no controle das unidades prisionais no Brasil. H\u00e1 mais de dez anos eles v\u00eam se expandindo al\u00e9m de seus Estados de origem.<\/p>\n<p>O CV \u00e9 mais antigo que o PCC. Ele surgiu no fim dos anos 1970, enquanto o PCC \u00e9 de 1993. Mas hoje o PCC \u00e9 bem mais forte em termos de organiza\u00e7\u00e3o e estrutura que o CV. O PCC est\u00e1 presente em todos os Estados do pa\u00eds. Em alguns, como S\u00e3o Paulo, Mato Grosso do Sul e Paran\u00e1, ele tem hegemonia e \u00e9 praticamente o \u00fanico grupo criminoso a atuar.<\/p>\n<p>O CV, al\u00e9m de atuar no Rio de Janeiro, tem hegemonia em Mato Grosso e Tocantins. No Norte e no Nordeste, h\u00e1 um maior equil\u00edbrio entre PCC e CV, com ligeiro predom\u00ednio de um ou de outro. No Sul, grupos locais t\u00eam mais for\u00e7a, e PCC e CV se colocam como aliados ou inimigos desses grupos.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Como PCC e CV se aliaram?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dias &#8211; <\/strong>Desde o surgimento do PCC e do primeiro estatuto do grupo, escrito entre 1996 a 1997, j\u00e1 havia a ideia de buscar uma alian\u00e7a com o CV. Inclusive o lema do CV, &#8220;Paz, Justi\u00e7a e Liberdade&#8221;, tamb\u00e9m foi adotado pelo PCC.<\/p>\n<p>Essa alian\u00e7a nunca foi ideol\u00f3gica, mas sim comercial e por conveni\u00eancia. Quando um membro do PCC era preso em \u00e1reas controladas pelo CV, recebia a prote\u00e7\u00e3o do CV nas pris\u00f5es dominadas por esse grupo. E vice-versa.<\/p>\n<p>Os dois grupos tamb\u00e9m faziam uma esp\u00e9cie de cons\u00f3rcio para a aquisi\u00e7\u00e3o de mercadorias &#8211; como armas, maconha e pasta base (mat\u00e9ria-prima da coca\u00edna) &#8211; e para negociar melhores pre\u00e7os com fornecedores nas fronteiras.<\/p>\n<aside class=\"quote\">\n<div class=\"quote-inner\">\n<blockquote class=\"quote\"><p>Membros do PCC sempre dizem que o CV busca muito a guerra, est\u00e1 muito preocupado com armas, enquanto eles, do PCC, dizem buscar a paz.<\/p>\n<footer>Camila Nunes Dias, Soci\u00f3loga, Universidade Federal do ABC (UFABC)<\/footer>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/aside>\n<p>Nunca houve nada al\u00e9m disso. Na c\u00fapula que fundou o PCC, alguns membros tinham o ideal de criar uma uni\u00e3o nacional do crime, mas isso nunca foi adiante.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; O que impediu uma aproxima\u00e7\u00e3o maior entre PCC e CV?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dias &#8211;<\/strong> Membros do PCC sempre dizem que o CV busca muito a guerra, est\u00e1 muito preocupado com armas, enquanto eles, do PCC, dizem buscar a paz.<\/p>\n<p>Mas os dois grupos t\u00eam hist\u00f3rias bem diferentes, que ajudam a explicar as diferentes formas de operar. Menos de cinco anos ap\u00f3s o surgimento do CV, houve uma dissid\u00eancia que deu origem ao Terceiro Comando (atual Amigos dos Amigos, ou ADA). Essa dissid\u00eancia, aliada \u00e0 especificidade geogr\u00e1fica do Rio de Janeiro, fez com que o CV nunca fosse um grupo hegem\u00f4nico e desde o in\u00edcio estivesse envolvido em guerras por disputa de territ\u00f3rios. Isso impediu que o CV fosse forte como o PCC.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, o PCC enfrentou dissid\u00eancias em seus primeiros dez anos, mas conseguiu sufoc\u00e1-las ou eliminar os grupos rivais, que ficaram reduzidos a penitenci\u00e1rias espec\u00edficas, sem express\u00e3o fora das pris\u00f5es.<\/p>\n<p>Nos pontos de venda de droga do PCC em S\u00e3o Paulo, o grupo pro\u00edbe o uso de armas. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel por conta da hegemonia do PCC, por n\u00e3o haver grupos rivais que imponham algum risco \u00e0quele com\u00e9rcio. No Rio, essa atitude seria impens\u00e1vel.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C8FD\/production\/_91935415_035913809-1.jpg\" alt=\"Policiais\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><span class=\"media-caption__text\">Pesquisadora diz que poder p\u00fablico tem que atender \u00e0s demandas por transfer\u00eancias de presos, &#8220;porque se n\u00e3o atender vai haver uma carnificina&#8221;<\/span><\/figure>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; H\u00e1 diferen\u00e7as na maneira como as duas fac\u00e7\u00f5es operam fora de suas bases?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dias &#8211;<\/strong> De dez anos para c\u00e1, o CV passou por momentos em que esteve bem enfraquecido por conta das UPPs (Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora, pol\u00edtica do governo do Rio que instalou dezenas de bases policiais em \u00e1reas controladas pelo tr\u00e1fico) e das disputas com a ADA.<\/p>\n<p>Mas nos \u00faltimos anos o CV se fortaleceu novamente e passou a se expandir para outros Estados. Diferentemente do PCC, o CV n\u00e3o atua de maneira centralizada fora do Rio. Suas unidades em outros Estados agem como franquias, elas n\u00e3o precisam se submeter \u00e0s ordens do Rio.<\/p>\n<p>J\u00e1 o PCC no Acre, no Paran\u00e1 ou em qualquer outro lugar do Brasil est\u00e1 dentro de uma estrutura unificada. S\u00e3o c\u00e9lulas que atendem \u00e0s diretrizes da c\u00fapula. As ordens que saem de S\u00e3o Paulo s\u00e3o atendidas em todos os Estados.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Essas fac\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o poderosas quanto os cart\u00e9is colombianos dos anos 1990, como o que era chefiado por Pablo Escobar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dias &#8211;<\/strong> A diferen\u00e7a principal entre os grupos reside no tamanho de seus mercados. Os cart\u00e9is colombianos, assim como os cart\u00e9is mexicanos de hoje, t\u00eam como principal alvo o maior mercado consumidor de drogas do mundo, os Estados Unidos.<\/p>\n<p>O PCC e o CV atuam basicamente com o mercado brasileiro. Os dois grupos est\u00e3o no Paraguai e na Bol\u00edvia, mas essa presen\u00e7a \u00e9 muito mais um ponto de contato com fornecedores do que um controle de todas as etapas do com\u00e9rcio.<\/p>\n<aside class=\"quote\">\n<div class=\"quote-inner\">\n<blockquote class=\"quote\"><p>\u00c9 evidente que o Estado n\u00e3o controla a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria. Quem exerce o controle nas cadeias s\u00e3o as fac\u00e7\u00f5es (&#8230;) O Estado depende do controle das fac\u00e7\u00f5es para continuar mantendo sua pol\u00edtica de encarceramento.<\/p>\n<footer>Camila Nunes Dias, Soci\u00f3loga, Universidade Federal do ABC (UFABC)<\/footer>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/aside>\n<p>J\u00e1 os cart\u00e9is colombianos se envolviam com o controle da produ\u00e7\u00e3o, do processamento, do transporte e da venda das drogas. Essa diferen\u00e7a de magnitude fez com que os cart\u00e9is colombianos tivessem outra estrutura interna, outra organiza\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica, e at\u00e9 outro n\u00edvel de infiltra\u00e7\u00e3o no poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; O que o poder p\u00fablico pode fazer diante da ruptura entre as fac\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dias &#8211;<\/strong> Em termos imediatos, atender \u00e0s demandas por transfer\u00eancias de presos, porque se n\u00e3o atender vai haver uma carnificina, como em Roraima e Rond\u00f4nia. No longo prazo, se quiser enfrentar o problema, n\u00e3o poder\u00e1 fugir de uma pol\u00edtica de descarceriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A resposta do poder p\u00fablico nas \u00faltimas d\u00e9cadas tem sido sempre equivocada. Constr\u00f3em-se mais pris\u00f5es, mas esse investimento n\u00e3o vem acompanhado de investimentos no sistema penal como um todo, como na contrata\u00e7\u00e3o de agentes de seguran\u00e7a. Houve um aumento gigantesco da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria e tamb\u00e9m um aumento na rela\u00e7\u00e3o entre presos e funcion\u00e1rios. Em pris\u00f5es de S\u00e3o Paulo, temos muitas vezes um funcion\u00e1rio para cada 300 presos, situa\u00e7\u00e3o que se reproduz em outras partes do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que o Estado n\u00e3o controla a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria. Quem exerce o controle nas cadeias s\u00e3o as fac\u00e7\u00f5es. Isso vale para o pa\u00eds todo. O Estado \u00e9 conivente com isso &#8211; e mais do que isso, o Estado depende do controle das fac\u00e7\u00f5es para continuar mantendo sua pol\u00edtica de encarceramento.<\/p>\n<p>Com as atuais taxas de encarceramento e superlota\u00e7\u00e3o dos pres\u00eddios, n\u00e3o h\u00e1 nenhum tipo de pol\u00edtica prisional que v\u00e1 dar conta disso. Deve-se reservar a pris\u00e3o apenas para quem cometer crimes violentos e adotar de maneira efetiva alternativas penais, como a tornozeleira eletr\u00f4nica n\u00e3o s\u00f3 para presos do regime semiaberto, mas para evitar que quem cometa um furto v\u00e1 para a pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m deveria haver uma discuss\u00e3o s\u00e9ria sobre a descriminaliza\u00e7\u00e3o das drogas. Mas tenho certeza de que isso n\u00e3o vai ocorrer e v\u00e3o adotar apenas medidas paliativas. Logo um novo equil\u00edbrio vai se impor no sistema prisional e seguiremos at\u00e9 a pr\u00f3xima crise.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 os cart\u00e9is colombianos se envolviam com o controle da produ\u00e7\u00e3o, do processamento, do transporte e da venda das drogas. 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