{"id":156189,"date":"2016-10-20T04:36:45","date_gmt":"2016-10-20T07:36:45","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=156189"},"modified":"2016-10-20T04:36:45","modified_gmt":"2016-10-20T07:36:45","slug":"turma-do-stj-condena-por-estupro-jovem-que-beijou-adolescente-forca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/turma-do-stj-condena-por-estupro-jovem-que-beijou-adolescente-forca\/","title":{"rendered":"Turma do STJ condena por estupro jovem que beijou adolescente \u00e0 for\u00e7a"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"title\" style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<div class=\"wysiwyg\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O estupro \u00e9 um ato de viol\u00eancia, n\u00e3o de sexo. Seguindo\u00a0esse argumento do ministro Rogerio Schietti Cruz, a 6\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a reformou decis\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a de Mato Grosso e restabeleceu senten\u00e7a que condenou um jovem de 18 anos por estupro,\u00a0por ter dado um beijo for\u00e7ado em uma adolescente de 15 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a senten\u00e7a haver condenado o r\u00e9u a oito anos em regime inicialmente fechado, o TJ-MT\u00a0o absolveu por entender que sua conduta n\u00e3o configurou estupro, mas meramente um \u201cbeijo roubado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o ministro relator do caso, Rogerio Schietti Cruz, a decis\u00e3o do TJ-MT utilizou argumenta\u00e7\u00e3o que refor\u00e7a a cultura permissiva de invas\u00e3o \u00e0 liberdade sexual das mulheres. \u201cO tribunal estadual emprega argumenta\u00e7\u00e3o que reproduz o que se identifica como a cultura do estupro, ou seja, a aceita\u00e7\u00e3o como natural da viol\u00eancia sexual contra as mulheres, em odioso processo de objetifica\u00e7\u00e3o do corpo feminino\u201d, afirmou o ministro.<\/p>\n<figure class=\"image direita\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/s.conjur.com.br\/img\/b\/rogerio-schietti-cruz7.jpeg\" alt=\"\" \/><figcaption>Ao absolver jovem, tribunal reproduziu pensamento pensamento patriarcal e sexista, afirmou Rog\u00e9rio Schietti Cruz.<br \/>\n<sup>Reprodu\u00e7\u00e3o<\/sup><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rogerio Schietti criticou a decis\u00e3o que absolveu o r\u00e9u e o mandou \u201cem paz para o lar\u201d. Na opini\u00e3o do ministro, tal afirma\u00e7\u00e3o desconsidera o sofrimento da v\u00edtima e isenta o agressor de qualquer culpa pelos seus atos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uso de viol\u00eancia<\/strong><br \/>\nRogerio Schietti disse que a simples leitura da decis\u00e3o do TJ-MT revela ter havido a pr\u00e1tica intencional de ato libidinoso contra a v\u00edtima menor de idade, e com viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o processo que o acusado agarrou a v\u00edtima pelas costas, imobilizou-a, tapou sua boca e jogou-a no ch\u00e3o, tirou a blusa que ela usava e lhe deu um beijo, for\u00e7ando a l\u00edngua em sua boca, enquanto a mantinha no ch\u00e3o pressionando-a com o joelho sobre o abd\u00f4men. A senten\u00e7a reconheceu que ele s\u00f3 n\u00e3o conseguiu manter rela\u00e7\u00f5es sexuais com a v\u00edtima porque algu\u00e9m se aproximou naquele momento em uma motocicleta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com os fatos assim reconhecidos, afirmou o ministro, o tribunal de Mato Grosso concluiu que eles n\u00e3o se enquadravam na defini\u00e7\u00e3o de estupro, prevista no\u00a0artigo 213\u00a0do C\u00f3digo Penal: \u201cConstranger algu\u00e9m, mediante viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a, a ter conjun\u00e7\u00e3o carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o desembargador relator do ac\u00f3rd\u00e3o do TJ-MT, \u201co beijo foi r\u00e1pido e roubado\u201d, com \u201ca dura\u00e7\u00e3o de um rel\u00e2mpago\u201d, insuficiente para \u201cpropiciar ao agente a sensibilidade da conjun\u00e7\u00e3o carnal\u201d, e por isso n\u00e3o teria caracterizado ato libidinoso. Afirmou ainda que, para ter havido contato com a l\u00edngua da v\u00edtima, \u201cseria necess\u00e1ria a sua aquiesc\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Decis\u00e3o inaceit\u00e1vel<\/strong><br \/>\n\u201cReproduzindo pensamento patriarcal e sexista, ainda muito presente em nossa sociedade, a corte de origem entendeu que o ato n\u00e3o passou de um beijo roubado, tendo em vista a combina\u00e7\u00e3o tempo do ato mais negativa da v\u00edtima em conceder o beijo\u201d, comentou Schietti.\u00a0Segundo o ministro, a preval\u00eancia desse pensamento \u201cruboriza o Judici\u00e1rio e n\u00e3o pode ser tolerada\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele classificou a fundamenta\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o do TJ-MT como \u201cmera ret\u00f3rica\u201d para afastar a aplica\u00e7\u00e3o do artigo 213 do C\u00f3digo Penal, pois todos os elementos caracterizadores do delito de estupro est\u00e3o presentes no caso: a satisfa\u00e7\u00e3o da lasc\u00edvia, devidamente demonstrada, aliada ao constrangimento violento sofrido pela v\u00edtima, revela a vontade do r\u00e9u de ofender a dignidade sexual da v\u00edtima. Os demais ministros da 6\u00aa Turma acompanharam o voto do relator. <em>Com informa\u00e7\u00f5es da Assessoria de Imprensa do STJ.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estupro \u00e9 um ato de viol\u00eancia, n\u00e3o de sexo. 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