{"id":156960,"date":"2016-10-25T05:28:37","date_gmt":"2016-10-25T08:28:37","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=156960"},"modified":"2016-10-25T05:28:37","modified_gmt":"2016-10-25T08:28:37","slug":"padre-e-condenado-pagar-danos-morais-por-impedir-aborto-legal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/padre-e-condenado-pagar-danos-morais-por-impedir-aborto-legal\/","title":{"rendered":"Padre \u00e9 condenado a pagar danos morais por impedir aborto legal"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"title\" style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<div class=\"wysiwyg\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Um padre de An\u00e1polis (GO) ter\u00e1 que pagar R$ 60 mil de indeniza\u00e7\u00e3o a um casal por impedir, por meio de um Habeas Corpus, um aborto que havia sido autorizado pela Justi\u00e7a. A decis\u00e3o \u00e9 da 3\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, que considerou que\u00a0o padre abusou do direito de a\u00e7\u00e3o e violou direitos da gestante e de seu marido, provocando-lhes sofrimento in\u00fatil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/padre-e-condenado-pagar-danos-morais-por-impedir-aborto-legal\/padre_anapolis\/\" rel=\"attachment wp-att-156961\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-156961 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/padre_anapolis.png\" alt=\"padre_anapolis\" width=\"620\" height=\"465\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/padre_anapolis.png 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/padre_anapolis-300x225.png 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/padre_anapolis-80x60.png 80w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/padre_anapolis-118x88.png 118w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/padre_anapolis-160x120.png 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso aconteceu em\u00a02005. O casal, ao saber que o feto\u00a0diagnosticado com s\u00edndrome de Body Stalk\u00a0\u2014\u00a0denomina\u00e7\u00e3o dada a um conjunto de malforma\u00e7\u00f5es que inviabilizam a vida fora do \u00fatero\u00a0\u2014\u00a0n\u00e3o sobreviveria ao parto, conseguiu autoriza\u00e7\u00e3o judicial para interromper a gravidez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a interna\u00e7\u00e3o hospitalar, a gr\u00e1vida, j\u00e1 tomando medica\u00e7\u00e3o para induzir o parto, foi surpreendida com a decis\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a de Goi\u00e1s, que atendeu ao pedido do padre e determinou a interrup\u00e7\u00e3o do procedimento. No Habeas Corpus em favor do feto, o padre\u00a0Luiz Carlos Lodi da Cruz afirmou que os pais iriam praticar um homic\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A gr\u00e1vida, com dilata\u00e7\u00e3o j\u00e1 iniciada, voltou para casa. Nos oitos dias que se seguiram, assistida s\u00f3 pelo marido, ela agonizou at\u00e9 a hora do parto, quando retornou ao hospital. O feto morreu logo ap\u00f3s o nascimento. Diante dessa situa\u00e7\u00e3o, o\u00a0casal ajuizou uma a\u00e7\u00e3o por danos morais contra o padre, que preside a Associa\u00e7\u00e3o Pr\u00f3-Vida de An\u00e1polis. N\u00e3o obtendo sucesso na Justi\u00e7a de Goi\u00e1s, recorreu ao STJ.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sofrimento aterrorizante<\/strong><br \/>\nEm seu voto, Nancy Andrighi classificou de \u201caterrorizante\u201d a sequ\u00eancia de eventos sofridos pelo casal.\u00a0\u201cEsse exaustivo trabalho de parto, com todas as dores que lhe s\u00e3o inerentes, d\u00e3o o tom, em cores fort\u00edssimas, do intenso dano moral suportado, tanto pela recorrente como pelo marido\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ministra afirmou que o caso deve ser considerado \u00e0 luz do entendimento do Supremo Tribunal Federal na Argui\u00e7\u00e3o de Descumprimento de Preceito Fundamental 54, julgada em abril de 2012, quando se afastou a possibilidade de criminaliza\u00e7\u00e3o da interrup\u00e7\u00e3o de gesta\u00e7\u00e3o de anenc\u00e9falos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 ineg\u00e1vel que ambas as condi\u00e7\u00f5es, anencefalia e s\u00edndrome de Body Stalk, redundam, segundo o conhecimento m\u00e9dico atual, na inviabilidade da vida extrauterina\u201d, comparou a ministra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora o julgamento da ADPF tenha sido posterior ao caso, a ministra assinalou que a orienta\u00e7\u00e3o manifestada pelo STF n\u00e3o tem limites temporais, e j\u00e1 em 2005 era a mais consent\u00e2nea com as normas constitucionais, inclusive pela reafirma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter laico do Estado brasileiro e pelo reconhecimento da primazia da dignidade da gestante em rela\u00e7\u00e3o aos direitos de feto sem viabilidade de vida extrauterina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A\u00e7\u00e3o temer\u00e1ria<\/strong><br \/>\nA relatora avaliou que o padre agiu \u201ctemerariamente\u201d quando pediu a suspens\u00e3o do procedimento m\u00e9dico de interrup\u00e7\u00e3o da gravidez, que j\u00e1 estava em curso, e imp\u00f4s aos pais, \u201cnotadamente \u00e0 m\u00e3e\u201d, sofrimento in\u00f3cuo, \u201cpois, como se viu, os progn\u00f3sticos de inviabilidade de vida extrauterina se confirmaram\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a ministra, o padre \u201cbuscou a tutela estatal para defender suas particulares ideias sobre a interrup\u00e7\u00e3o da gesta\u00e7\u00e3o\u201d e, com sua atitude, \u201cagrediu os direitos inatos da m\u00e3e e do pai\u201d, que contavam com a garantia legal de interromper a gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nancy refutou ainda a ideia de que a responsabilidade n\u00e3o seria do padre, que apenas requereu o Habeas Corpus, mas, sim, do Estado, pois foi a Justi\u00e7a que efetivamente proibiu a interrup\u00e7\u00e3o da gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo ela, \u201ca busca do Poder Judici\u00e1rio por uma tutela de urg\u00eancia traz, para aquele que a maneja, o \u00f4nus da responsabilidade pelos danos que porventura a concess\u00e3o do pleito venha a produzir, mormente quando ocorre hip\u00f3tese de abuso de direito\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A turma condenou o padre ao pagamento de R$ 60 mil como compensa\u00e7\u00e3o por danos morais, valor a ser acrescido de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e juros de mora a partir do dia em que a recorrente deixou o hospital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pr\u00e1tica recorrente<\/strong><br \/>\nNo site do instituto Pr\u00f3-Vida de An\u00e1polis, a associa\u00e7\u00e3o afirma que &#8220;quando necess\u00e1rio, prop\u00f5e a\u00e7\u00f5es judiciais em defesa de um nascituro amea\u00e7ado de aborto por senten\u00e7a de algum juiz ou tribunal&#8221;. O pr\u00f3prio padre, em artigos publicados no <em>Jus Navigandi<\/em>, defende a medida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2009, por exemplo, o\u00a0<a href=\"https:\/\/jus.com.br\/artigos\/13776\/como-defender-judicialmente-o-nascituro\" target=\"_blank\">padre publicou o artig<\/a>o intitulado\u00a0<em>Como defender judicialmente o nascituro,<\/em> no qual\u00a0afirma que &#8220;quando um juiz, abusando de sua autoridade e contrariando a lei, ousa emitir uma senten\u00e7a autorizando o crime do aborto, o meio processual mais adequado para defender o nascituro \u00e9 o pedido de\u00a0Habeas Corpus\u00a0com concess\u00e3o de liminar&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, colocando em pr\u00e1tica o que prega, o padre \u2014 que tamb\u00e9m \u00e9 advogado \u2014 tem ingressado com HCs em favor de nascituros e, em alguns casos, conseguido a medida. O pr\u00f3prio STJ, em 2004,\u00a0j\u00e1 concedeu HC impetrado por\u00a0Luiz Carlos Lodi da Cruz em favor de um nascituro do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso foi julgado pela 5\u00aa Turma do STJ, que, por unanimidade, desautorizou um aborto de um feto diagnosticado com anencefalia (HC 32.159). O colegiado entendeu que a situa\u00e7\u00e3o dos autos n\u00e3o estava entre as previstas na Lei Penal como\u00a0hip\u00f3tese em que o aborto \u00e9 autorizado.\u00a0A decis\u00e3o \u00e9 de 2004, portanto anterior ao Supremo Tribunal Federal decidir na ADPF 54 que aborto\u00a0em caso de anencefalia n\u00e3o \u00e9 crime. <em>Com informa\u00e7\u00f5es da Assessoria de Imprensa do STJ.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A gr\u00e1vida, com dilata\u00e7\u00e3o j\u00e1 iniciada, voltou para casa. 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