{"id":160230,"date":"2016-11-14T04:24:33","date_gmt":"2016-11-14T07:24:33","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=160230"},"modified":"2016-11-14T04:24:33","modified_gmt":"2016-11-14T07:24:33","slug":"maioria-do-supremo-e-de-pessoas-que-se-pavoneiam-com-uma-vaidade-absurda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/maioria-do-supremo-e-de-pessoas-que-se-pavoneiam-com-uma-vaidade-absurda\/","title":{"rendered":"&#8220;Maioria do Supremo \u00e9 de pessoas que se pavoneiam com uma vaidade absurda&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"title\"><\/h2>\n<p class=\"authors\"><a href=\"http:\/\/www.conjur.com.br\/2016-nov-13\/entrevista-rubens-ricupero-diplomata-ex-ministro-fazenda#author\">Por\u00a0Brenno Grillo<\/a><\/p>\n<div class=\"wysiwyg\">\n<p dir=\"ltr\"><img decoding=\"async\" class=\"direita\" src=\"http:\/\/s.conjur.com.br\/img\/b\/caricatura-rubens-ricupero.jpeg\" alt=\"\" \/>A exposi\u00e7\u00e3o excessiva do Judici\u00e1rio \u00e9 prejudicial, pois se antes a sociedade n\u00e3o sabia praticamente nada sobre a capacidade dos seus integrantes, agora ela tem certeza de seus defeitos. A opini\u00e3o \u00e9 do professor, diplomata, ex-ministro da Fazenda e do Meio Ambiente do governo Itamar Franco (1992-1994),<strong> Rubens Ricupero<\/strong>. &#8220;\u00c9 como a nudez. \u00c0 nudez, pouca gente resiste&#8221;, sentencia.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Em entrevista \u00e0 revista eletr\u00f4nica <strong>Consultor Jur\u00eddico<\/strong>, Ricupero criticou duramente o Supremo Tribunal Federal. Os membros da corte, diz ele, se exp\u00f5em demais, o que acaba diminuindo-os frente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. \u201cA imensa maioria \u00e9 formada de pessoas que se pavoneiam com uma vaidade absurda e n\u00e3o s\u00e3o capazes de manter um comportamento como um magistrado deveria ter, de discri\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">E os juristas do pa\u00eds, segundo o professor, pararam no tempo, tornado-se \u00a0\u201cfiguras intelectualmente anacr\u00f4nicas\u201d, que prejudicaram o Direito brasileiro, tornando-o obsoleto. \u201cEnquanto o Direito anglo-sax\u00f4nico olha o resultado, a efetividade, o nosso \u00e9 muito formalista, envelhecido, sem ideias.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">E a influ\u00eancia do Direito anglo-sax\u00f4nico fica vis\u00edvel na opera\u00e7\u00e3o &#8220;lava jato&#8221;, que investiga corrup\u00e7\u00e3o envolvendo a Petrobras e partidos pol\u00edticos. Para Ricupero, a investiga\u00e7\u00e3o &#8220;s\u00f3 se viabilizou porque os homens que a conduzem conhecem o Direito americano. E muitos estudaram l\u00e1. Por exemplo, a dela\u00e7\u00e3o premiada que, finalmente, foi incorporada ao direito brasileiro, \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o que existe h\u00e1 d\u00e9cadas nos Estados Unidos\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mesmo elogiando a inova\u00e7\u00e3o trazida pelos envolvidos na &#8220;lava jato&#8221;, Rubens Ricupero n\u00e3o se furta de apontar problemas no caso que deu fama ao juiz Sergio Moro. O uso seguido de pris\u00f5es preventivas, apontadas por advogados como uma forma de for\u00e7ar dela\u00e7\u00f5es premiadas, diz ele, contamina a opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Leia a entrevista:<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>ConJur \u2014 Desde a A\u00e7\u00e3o Penal 470, o processo do mensal\u00e3o, e agora com a opera\u00e7\u00e3o &#8220;lava jato&#8221;, o Judici\u00e1rio tem ocupado lugar de destaque no notici\u00e1rio e nas rodas de conversa. Essa exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 boa ou ruim?<br \/>\nRubens Ricupero \u2014<\/strong> Acho que \u00e9 muito negativa, porque a exposi\u00e7\u00e3o excessiva revela muito. \u00c9 como a nudez. \u00c0 nudez, pouca gente resiste. Porque, no fundo, a roupa foi uma inven\u00e7\u00e3o que, al\u00e9m de todos os outros benef\u00edcios, tem um benef\u00edcio est\u00e9tico muito grande. S\u00f3 pessoas que t\u00eam um corpo perfeito aguentam serem expostas a nu. A mesma reflex\u00e3o se aplica ao car\u00e1ter, \u00e0 personalidade das pessoas. Pessoas que se exp\u00f5em, como esses ministros \u2014 falando, gesticulando, mostrando egos superdimensionados\u2014, na verdade, se diminuem aos olhos da popula\u00e7\u00e3o. O Supremo Tribunal Federal pode ser que n\u00e3o tenha sido melhor no passado, mas as pessoas n\u00e3o sabiam. Hoje em dia elas sabem.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O que tem por a\u00ed, em geral, \u00e9 triste. A imensa maioria \u00e9 formada de pessoas que se pavoneiam com uma vaidade absurda e n\u00e3o s\u00e3o capazes de manter um comportamento como um magistrado deveria ter, de discri\u00e7\u00e3o. O contraste com a Suprema Corte americana \u00e9 chocante. N\u00e3o garanto que os ju\u00edzes da Suprema Corte americana sejam melhores do que os nossos, mas ningu\u00e9m sabe. Porque eles se portam publicamente com muita discri\u00e7\u00e3o. \u00c9 rar\u00edssimo algu\u00e9m dar uma opini\u00e3o. Recentemente, uma ju\u00edza da suprema corte fez uma declara\u00e7\u00e3o sobre o Trump, que era correta, mas ela logo depois pediu desculpas, dizendo que n\u00e3o era apropriado, que ela n\u00e3o deveria ter falado aquilo. Aqui eles falam sobre tudo, inclusive, quest\u00f5es que est\u00e3o sendo julgadas. O Judici\u00e1rio brasileiro, hoje, \u2014 incluindo a\u00ed os procuradores e promotores p\u00fablicos \u2014 tem uma imagem melhor, sobretudo a nova gera\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso do juiz Moro, dos procuradores em Curitiba. N\u00e3o s\u00f3 por causa da \u201clava jato\u201d. S\u00e3o pessoas mais atualizadas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O problema dos juristas brasileiros \u00e9 que eles s\u00e3o, quase todos, figuras intelectualmente anacr\u00f4nicas. O Direito brasileiro \u00e9 um Direito muito envelhecido. E eu sou bacharel em Direito, e por isso posso falar disso. E meus dois irm\u00e3os eram magistrados, se aposentaram como desembargadores do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo. O Direito brasileiro sempre foi de segunda m\u00e3o. Sempre inspirado pela It\u00e1lia, pela Alemanha, pela Fran\u00e7a. No passado ainda havia, aqui, juristas que se equiparavam, de certa forma, aos grandes juristas mundiais. Hoje, n\u00e3o h\u00e1 mais. O que impera \u00e9 uma certa mediania.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">E \u00e9 um Direito que n\u00e3o acompanhou a evolu\u00e7\u00e3o do tempo. Por isso \u00e9 que, no caso do Direito Empresarial, n\u00f3s temos coisas absurdas. Mesmo a reforma da Lei de Fal\u00eancia e os esfor\u00e7os que se fizeram s\u00e3o muito insuficientes. O n\u00famero de recursos&#8230; Os casos n\u00e3o terminam. Nos Estados Unidos, quando houve a mega fal\u00eancia da Enron, aquela grande companhia de energia, em um ano, a fal\u00eancia estava liquidada. Era uma fal\u00eancia gigantesca.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>ConJur \u2014 Algumas levam d\u00e9cadas, n\u00e3o?<br \/>\nRubens Ricupero \u2014<\/strong> Levam. Enquanto que o Direito anglo-sax\u00f4nico olha o resultado, a efetividade; o nosso \u00e9 muito formalista, envelhecido, sem ideias. Tanto assim que a opera\u00e7\u00e3o \u201clava jato\u201d s\u00f3 se viabilizou porque os homens que a conduzem conhecem o Direito americano. E muitos estudaram l\u00e1. Por exemplo, a dela\u00e7\u00e3o premiada que, finalmente, foi incorporada ao direito brasileiro, \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o que existe h\u00e1 d\u00e9cadas nos Estados Unidos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00c9 a chamada <em>plea bargaining<\/em>, a negocia\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a. Nos Estados Unidos, em Direito Penal, a maioria dos casos nunca vai a julgamento. Eles s\u00e3o negociados. Porque eles est\u00e3o mais interessados na rapidez e na efetividade, do que na suposta perfei\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a. O que est\u00e1 funcionando \u00e9 por causa dessa gente que est\u00e1 em contato com os procuradores americanos e da Su\u00ed\u00e7a. O resto, o que depende desse pessoal mais velho, se arrasta.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>ConJur \u2014 A \u201clava jato\u201d \u00e9 muito criticada pela dobradinha \u201cpris\u00e3o preventiva-dela\u00e7\u00e3o premiada\u201d. Os advogados de defesa, e outros tantos juristas, dizem que as pris\u00f5es decretadas pelo juiz Moro s\u00e3o um incentivador para as dela\u00e7\u00f5es. O senhor concorda com isso?<br \/>\nRubens Ricupero \u2014<\/strong> A meu ver h\u00e1 um elemento de verdade nessa acusa\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o me sinto satisfeito nem com o excesso de pris\u00f5es preventivas que se prolongam por meses e meses; nem, justamente, por essa pris\u00e3o psicol\u00f3gica que se faz para a dela\u00e7\u00e3o. Eu tenho a impress\u00e3o de que essas coisas, de fato, contaminam a \u201clava jato\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>ConJur \u2014 Assim como o senhor falou do Supremo, os procuradores da \u201clava jato\u201d tamb\u00e9m t\u00eam aparecido muito, por exemplo, encampando as 10 medidas do MPF. Essa exposi\u00e7\u00e3o excessiva do Minist\u00e9rio P\u00fablico tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 prejudicial?<br \/>\nRubens Ricupero \u2014<\/strong> Em tese, eu distingo as duas coisas. Eu acho que mesmo em um regime com institui\u00e7\u00f5es muito melhores do que as brasileiras, a Suprema Corte e os ju\u00edzes, de uma maneira geral, t\u00eam que ser discretos. N\u00e3o sou favor\u00e1vel \u00e0 transmiss\u00e3o ao vivo de julgamento \u2014 salvo exce\u00e7\u00f5es muito excepcionais. Eu creio que \u00e9 um princ\u00edpio basilar da magistratura que o juiz se mantenha com uma certa circunspec\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, n\u00e3o comparo uma coisa com a outra.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">No segundo caso, eu diria a voc\u00ea que, se n\u00f3s tiv\u00e9ssemos institui\u00e7\u00f5es melhores, seria estranho que houvesse campanha p\u00fablica de procuradores. Infelizmente, nas circunst\u00e2ncias brasileiras, \u00e9 inevit\u00e1vel. Porque \u00e9 \u00f3bvio que a mudan\u00e7a das leis penais e leis processuais penais n\u00e3o vir\u00e1 do Congresso. Porque h\u00e1 tanta gente no Congresso que est\u00e1 amea\u00e7ada, inclusive, no caso da opera\u00e7\u00e3o [\u201clava jato\u201d]&#8230; O que n\u00f3s temos visto no Brasil \u00e9 uma tend\u00eancia sempre a aguar a legisla\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O Brasil \u00e9 um pa\u00eds que tem uma legisla\u00e7\u00e3o penal e de cumprimento de pena extremamente indulgente. \u00c9 um pa\u00eds que tem uma viol\u00eancia enorme. N\u00edveis de viol\u00eancia fant\u00e1sticos. E vai ter uma legisla\u00e7\u00e3o penal, de processo penal como se fosse a Dinamarca. \u00c9 completamente contradit\u00f3rio. Ent\u00e3o, a meu ver, eu penso que eles t\u00eam raz\u00e3o de fazer essa campanha porque \u00e9 uma maneira, talvez, de esclarecer a opini\u00e3o p\u00fablica e criar uma press\u00e3o para uma reforma das leis penais. N\u00e3o que eu pense que apenas a dureza das leis penais resolva. N\u00e3o. Eu acho que as leis penais e de processo penal t\u00eam que ser justas. Elas t\u00eam que ser, sem d\u00favida nenhuma, sentidas. Mas, t\u00eam que ser cumpridas. Eu acho um absurdo, por exemplo, essas sa\u00eddas peri\u00f3dicas que todo mundo j\u00e1 viu e uma boa porcentagem n\u00e3o volta.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00c9 \u00f3bvio que n\u00e3o se deve ir nem a um extremo nem a outro. Eu n\u00e3o sou favor\u00e1vel, por exemplo, \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o penal de alguns estados americanos, que s\u00e3o absurdas, nas quais a pessoa que comete uma terceira viola\u00e7\u00e3o, mesmo que seja apenas a posse de um cigarro de maconha, pode ser condenada \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua. E l\u00e1 \u00e9 perp\u00e9tua mesmo, a pessoa morre na pris\u00e3o. Acho isso um absurdo. \u00c9 um atentado.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Tem que se encontrar um ponto de equil\u00edbrio. Mas, o ponto de equil\u00edbrio, \u00e0s vezes, tem que ser duro. Eu vou lhe dar o exemplo da It\u00e1lia. A It\u00e1lia \u00e9 um pa\u00eds que tem um direito penal brilhante. A maior parte dos penalistas brasileiros at\u00e9 se formaram estudando os livros de penalistas italianos. No entanto, a It\u00e1lia tem uma esp\u00e9cie de pena que \u00e9 pris\u00e3o perp\u00e9tua de verdade. Os l\u00edderes da Cosa Nostra n\u00e3o saem nunca. Morrem na pris\u00e3o. Por qu\u00ea? Porque eles compreendem que em alguns casos n\u00e3o h\u00e1 recupera\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. Para um grande l\u00edder da Cosa Nostra que vive daquele poder, daquela riqueza, a pris\u00e3o tem que ser definitiva.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Porque ele solto causa ainda muito mais danos. O Brasil n\u00e3o tem essa possibilidade, fica jogando com teorias que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o aplicadas nem onde elas nasceram. Porque foi na It\u00e1lia que come\u00e7ou o movimento de humaniza\u00e7\u00e3o do Direito Penal, com o marqu\u00eas de Beccaria. Mas o Brasil \u00e9 o pa\u00eds que fica preso a conceitos de cem anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>ConJur \u2014 O senhor \u00e9 a favor da pris\u00e3o depois de condena\u00e7\u00e3o em segunda inst\u00e2ncia?<br \/>\nRubens Ricupero \u2014<\/strong> Em muitos casos, sim. N\u00e3o em todos os casos porque o Brasil tem uma qualidade de Justi\u00e7a muito diferente conforme os estados. E h\u00e1 estados por a\u00ed em que n\u00e3o se pode colocar a m\u00e3o no fogo pela qualidade da segunda inst\u00e2ncia. Ent\u00e3o, haveria esse risco. Mas creio que os tribunais t\u00eam compet\u00eancia para julgar caso por caso, como aquele epis\u00f3dio que houve aqui, da constru\u00e7\u00e3o do f\u00f3rum [Trabalhista de S\u00e3o Paulo]. Um dos empres\u00e1rios desse caso da constru\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum, que foi condenado a mais de 30 anos, j\u00e1 tinha acionado 33 recursos para n\u00e3o cumprir a pena. Isso, obviamente, \u00e9 demais, em qualquer lugar. E a\u00ed cai mesmo naquela quest\u00e3o: o sujeito que tem dinheiro, que tem bons advogados, n\u00e3o vai preso nunca.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>ConJur \u2014 O Supremo tem invadido compet\u00eancia do Legislativo?<br \/>\nRubens Ricupero \u2014<\/strong> O Supremo tem ido muito longe. N\u00f3s dever\u00edamos ter, a meu ver, quando houvesse uma grande reforma, um sistema diferente, uma corte apenas constitucional. Como h\u00e1 na It\u00e1lia, na Fran\u00e7a e em outros lugares. E uma Suprema Corte para a maioria dos outros processos. E a corte constitucional deveria ter diretrizes que limitassem essa capacidade de legislar em lugar do legislador. Isso tem acontecido no Brasil porque cria-se um v\u00e1cuo. Aquela famosa regra: o poder odeia o v\u00e1cuo. Quando h\u00e1 um v\u00e1cuo, algu\u00e9m ocupa. No caso, tem sido a corte, porque os legisladores n\u00e3o s\u00e3o capazes de votar, \u00e0s vezes, em coisas relativas a eles.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>ConJur \u2014 O Supremo acertou ao proibir as doa\u00e7\u00f5es para empresas para candidatos?<br \/>\nRubens Ricupero \u2014<\/strong> Sou favor\u00e1vel \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o das doa\u00e7\u00f5es das empresas. Mas acho que n\u00e3o basta, porque \u00e9 preciso impor limites grandes ao quanto se pode gastar. \u00c9 preciso adotar normas impedindo que as elei\u00e7\u00f5es se transformem em programas, como se fossem filmes, e sejam mais de debates de ideias. Eu creio que mesmo as doa\u00e7\u00f5es individuais deveriam ser policiadas e observadas de perto. Porque pode acontecer, por exemplo, que uma empresa seja proibida de doar, mas que os pol\u00edticos fa\u00e7am press\u00e3o sobre os diretores das empresas para fazerem doa\u00e7\u00f5es a t\u00edtulo de individual. E a\u00ed isso burlaria a lei. \u00c9 preciso verificar isso com muito cuidado, porque a viola\u00e7\u00e3o das leis de financiamento de campanha existe em todos os pa\u00edses. At\u00e9 na Inglaterra, que tem leis muito mais aperfei\u00e7oadas e onde se gasta muito menos do que aqui. \u00c9 preciso ter um cuidado muito grande para que essas coisas n\u00e3o escapem ao controle.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>ConJur \u2014 Qual \u00e9 o modelo de voto que mais lhe agrada?<br \/>\nRubens Ricupero \u2014<\/strong> Distrital misto. Creio que deve haver um car\u00e1ter de distrito, com algumas corre\u00e7\u00f5es. Como \u00e9 que voc\u00ea vai se candidatar em um estado inteiro como S\u00e3o Paulo, com mais de quinhentos munic\u00edpios. O dinheiro que isso exige.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>ConJur \u2014 O senhor \u00e9 a favor de adiantar as elei\u00e7\u00f5es para presidente?<br \/>\nRubens Ricupero \u2014<\/strong> N\u00e3o. Eu sou a favor do parlamentarismo. Sempre fui. Eu fui um dos votos minorit\u00e1rios em janeiro de 1963. Sempre fui favor\u00e1vel ao regime parlamentar. Sou contra o regime presidencial. Acho que se n\u00f3s tiv\u00e9ssemos um regime parlamentar \u2014 \u00e9 claro, n\u00e3o com 35 partidos, mas com um n\u00famero menor \u2014, epis\u00f3dios como o do impeachment n\u00e3o existiriam. \u00a0Porque o governo cairia. O gabinete cai e forma um novo gabinete. Como a Angela Merkel disse quando veio o Brasil, n\u00e9. No regime parlamentar, a mudan\u00e7a do governo n\u00e3o \u00e9 uma crise, mas uma solu\u00e7\u00e3o da crise.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>ConJur \u2014 E por que no presidencialismo essa mudan\u00e7a \u00e9 t\u00e3o traum\u00e1tica, enquanto no parlamentarismo \u00e9 mais aceita?<\/strong><br \/>\n<strong>Rubens Ricupero<\/strong> \u2014 \u00c9 que o presidencialismo \u00e9 muito r\u00edgido. \u00c9 um sistema em que, praticamente, durante o mandato que se conferiu \u00e0 pessoa eleita, n\u00e3o h\u00e1 como interferir se ele n\u00e3o se provar \u00e0 altura da confian\u00e7a depositada. A racionalidade deveria aconselhar a que se mudasse o governo quando este se mostra incapaz de encaminhar solu\u00e7\u00f5es dos problemas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">No presidencialismo se espera uma data. No caso brasileiro, da\u00ed o impasse, o dilema em que n\u00f3s est\u00e1vamos. Ela n\u00e3o deveria ter sido reeleita. J\u00e1 a reelei\u00e7\u00e3o foi um engano, foi um engano obtido gra\u00e7as ao uso maci\u00e7o de recursos econ\u00f4micos e ao poder do governo. A atitude do partido, no poder, de n\u00e3o aceitar a transi\u00e7\u00e3o, de n\u00e3o aceitar a altern\u00e2ncia no poder. A verdade \u00e9 que o PT tem uma tend\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 democr\u00e1tica. A tend\u00eancia do PT \u00e9 muito avessa \u00e0 altern\u00e2ncia do poder. O PT tentou se manter no poder a qualquer custo. N\u00e3o sou eu que estou dizendo. Eles disseram. Ela [<em>Dilma Rousseff<\/em>] mesmo declarou que iria fazer o diabo. O Lula disse: \u201cagora voc\u00eas v\u00e3o ver do que n\u00f3s somos capazes\u201d. \u00a0Eles s\u00e3o capazes de tudo e foi o que se viu.<\/p>\n<p>Conseguiram a reelei\u00e7\u00e3o, embora por pouca diferen\u00e7a. Esse \u00e9 que foi o erro. O erro de onde nasce essa crise \u00e9 a reelei\u00e7\u00e3o de uma pessoa que era manifestamente inepta. Que tinha provado isso h\u00e1 quatro anos. Por exemplo, os argentinos, que n\u00f3s costumamos criticar, n\u00e3o cometeram esse erro. \u00c9 verdade que l\u00e1 n\u00e3o poderia mais reeleger. Mas n\u00e3o reelegeram a pessoa que representaria a continua\u00e7\u00e3o do governo da Cristina Kirchner. Aqui se elegeu a continua\u00e7\u00e3o de um sistema que j\u00e1 estava mergulhado numa profunda crise a partir de 2013. Outra institui\u00e7\u00e3o contra a qual eu me pronuncio \u00e9 a reelei\u00e7\u00e3o. Foi um grande erro do Fernando Henrique ter patrocinado essa emenda da reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo elogiando a inova\u00e7\u00e3o trazida pelos envolvidos na &#8220;lava jato&#8221;, Rubens Ricupero n\u00e3o se furta de apontar problemas no caso que deu fama ao juiz Sergio Moro. 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