{"id":161403,"date":"2016-11-19T09:10:44","date_gmt":"2016-11-19T12:10:44","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=161403"},"modified":"2016-11-19T09:10:44","modified_gmt":"2016-11-19T12:10:44","slug":"contra-cura-gay-psiquiatra-diz-e-preciso-se-preocupar-com-educacao-sexual-para-conviver-com-diversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/contra-cura-gay-psiquiatra-diz-e-preciso-se-preocupar-com-educacao-sexual-para-conviver-com-diversidade\/","title":{"rendered":"Contra cura gay, psiquiatra diz: \u201c\u00c9 preciso se preocupar com educa\u00e7\u00e3o sexual para conviver com diversidade\u201d"},"content":{"rendered":"<header>\n<figure style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive\" title=\"\" src=\"http:\/\/imagens3.ne10.uol.com.br\/blogsne10\/casasaudavel\/uploads\/\/2016\/11\/Carmita-Abdo.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption>&#8220;Homossexualidade n\u00e3o \u00e9 crime, n\u00e3o \u00e9 doen\u00e7a e tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 pecado&#8221;, diz Carmita Abdo, durante palestra sobre cura gay no 34\u00ba Congresso Brasileiro de Psiquiatria (Foto: ABP\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<\/header>\n<div class=\"content-noticia\">\n<h1 class=\"titulo-noticia titulo-noticia-interna\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div id=\"texto-noticia\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancia em assuntos sobre sexualidade, a m\u00e9dica Carmita Abdo recebeu o desafio de ministrar uma palestra, durante o 34\u00ba Congresso Brasileiro de Psiquiatria (CBP), que termina neste s\u00e1bado (19) em S\u00e3o Paulo, sobre cura gay \u2013 termo que remete a pr\u00e1ticas que eram usadas para reverter a homossexualidade, que j\u00e1 foi considerada crime, pecado e doen\u00e7a. \u201cSer\u00e1 que hoje a sociedade consegue entender que n\u00e3o se trata mais de doen\u00e7a?\u201d, questiona a psiquiatra, ao lembrar que, nos anos 1990, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade retirou a homossexualidade da classifica\u00e7\u00e3o patol\u00f3gica. Eleita a primeira presidente mulher da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria (ABP), Carmita garante que temas sobre sexualidade ter\u00e3o prioridade na sua gest\u00e3o e refor\u00e7a que, no lugar da cura gay, a sociedade deve se preocupar com educa\u00e7\u00e3o sexual. \u201cFalta toler\u00e2ncia com quem n\u00e3o \u00e9 exatamente igual a gente. \u00c9 preciso saber que as pr\u00e1ticas sexuais s\u00e3o diferentes\u201d, diz Carmita Abdo \u00e0 jornalista Cinthya Leite. Confira os destaques da entrevista:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RESGATE HIST\u00d3RICO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAo longo da hist\u00f3ria, a homossexualidade recebeu muitos conceitos. Num primeiro momento, foi considerada um crime pass\u00edvel de pena, em meados dos anos 1700. Essas penas inclu\u00edam desde pris\u00e3o at\u00e9 condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte, dependendo do rigor de quem julgava e de uma s\u00e9rie de circunst\u00e2ncias. De crime, a homossexualidade passou a ser considerada pecado e, depois, doen\u00e7a. Nesse contexto, come\u00e7aram a aparecer os tratamentos. Durante o nazismo, os homens homossexuais foram for\u00e7ados ao ato sexual com prostitutas, enquanto que as mulheres homossexuais sofriam um estupro por soldados. Isso era muito dif\u00edcil. Na verdade, fica este tri\u00e2ngulo: pecado, doen\u00e7a e crime. Ent\u00e3o, ser\u00e1 que a gente j\u00e1 se livrou disso? Ser\u00e1 que, nos dias de hoje, consegue-se entender que n\u00e3o \u00e9 mais doen\u00e7a? A Associa\u00e7\u00e3o Americana de Psiquiatria e a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, desde os anos 1970 e 1990, respectivamente, retiraram a homossexualidade das classifica\u00e7\u00f5es patol\u00f3gicas. Estamos hoje em 2016 e ainda se fala \u2018homossexualismo\u2019. O \u2018ismo\u2019 \u00e9 um sufixo relacionado \u00e0 doen\u00e7a. Algu\u00e9m que se referir \u00e0 homossexualidade como homossexualismo est\u00e1 dizendo que essa \u00e9 uma pr\u00e1tica doentia. E por enquanto, n\u00e3o \u00e9 comum falar homossexualidade como se fala heterossexualidade.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O TRI\u00c2NGULO CRIME, PECADO E DOEN\u00c7A<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNenhuma destas partes do tri\u00e2ngulo dever\u00edamos hoje considerar v\u00e1lidas porque homossexualidade n\u00e3o \u00e9 crime, n\u00e3o \u00e9 doen\u00e7a e tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 pecado. Claro que, para algumas religi\u00f5es, \u00e9 um pecado; ent\u00e3o, eu respeito. Em rela\u00e7\u00e3o a ser crime, atualmente ningu\u00e9m, exceto alguns pa\u00edses do Oriente, criminaliza a homossexualidade; as pessoas morrem apedrejadas ainda. O mundo n\u00e3o baniu essa ideia completamente nos dias de hoje. E quanto a ser doen\u00e7a? Ainda n\u00e3o existe um consenso t\u00e3o bem estabelecido na popula\u00e7\u00e3o de que ser homossexual n\u00e3o \u00e9 ser doente.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O DESAFIO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO coordenador do simp\u00f3sio (do 34\u00ba Congresso Brasileiro de Psiquiatria) fez um desafio para mim: eu tinha que provar se eu sou a favor ou contra a cura gay. E no final, apresento um v\u00eddeo no qual o secret\u00e1rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas se apresenta como uma pessoa que est\u00e1 disposta a divulgar como \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o absurda a mudan\u00e7a de pr\u00e1tica sexual de algu\u00e9m. E eu digo antes do v\u00eddeo: h\u00e1 d\u00e9cadas que a classifica\u00e7\u00e3o americana e a da OMS retiraram a homossexualidade dos seus quadros de patologia. Compartilhamos dessa convic\u00e7\u00e3o, principalmente em fun\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio, dos surtos psic\u00f3ticos, das crises de depress\u00e3o severa consequentes \u00e0s tentativas frustradas (para reverter a homossexualidade), precipitadas e sem respaldos cient\u00edficos \u00e0s quais os homossexuais foram submetidos. Eles pr\u00f3prios queriam mudar isso para n\u00e3o viverem debaixo de um estigma muito grande. Mas ainda que voluntariamente eles tenham se oferecido (\u00e0s pr\u00e1ticas de revers\u00e3o), interessados em se tornarem heteros, n\u00e3o se admitem essas pr\u00e1ticas numa \u00e9poca em que a normatiza\u00e7\u00e3o da sexualidade est\u00e1 cada vez mais sem prop\u00f3sito. No lugar da cura gay, a gente tem que se preocupar com mais sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o sexual para as diferentes gera\u00e7\u00f5es. E isso vale n\u00e3o apenas para quem est\u00e1 em idade de pr\u00e1tica sexual. Quem \u00e9 educado sexualmente na mais tenra idade come\u00e7a a entender sobre diversidade sexual e a poder conviver com essa diversidade. \u00c9 isto que est\u00e1 faltando: toler\u00e2ncia com aquilo ou com aquele que n\u00e3o \u00e9 exatamente igual a gente. Ent\u00e3o, essa educa\u00e7\u00e3o sexual seria para que as pessoas pudessem saber que as pr\u00e1ticas sexuais s\u00e3o diferentes.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SOFRIMENTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEm contrapartida, uma coisa que observamos nas novas classifica\u00e7\u00f5es \u00e9 que agora, em quest\u00f5es de sexualidade, a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com o seguinte paradigma: eu vou tratar, como profissional de sa\u00fade, onde houver sofrimento. Por exemplo: se o indiv\u00edduo sofre com disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til, ele vai me procurar. Se n\u00e3o me procurar, ao atend\u00ea-lo por outra quest\u00e3o, eu vou perguntar sobre sexualidade, vou saber que ele sofre e irei tratar. E por acaso, se ele n\u00e3o quiser tratar a disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til, eu vou tratar pelo menos a causa da disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til, que pode ser diabetes, depress\u00e3o, ansiedade ou hipertens\u00e3o. N\u00f3s n\u00e3o vamos fazer abordagem em quem n\u00e3o apresenta sofrimento diante de sua situa\u00e7\u00e3o sexual. Agora, vale lembrar o seguinte: tudo isso deve ser considerado desde que uma pessoa n\u00e3o exer\u00e7a uma sexualidade que interfere no bem-estar de outra.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c0 FRENTE DA ABP<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA quest\u00e3o da sexualidade vai ter um peso; vai ter uma import\u00e2ncia nesta minha gest\u00e3o (como presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria entre 2017 e 2019). H\u00e1 um tempo, pleiteio que a psiquiatria seja uma \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o da sexologia m\u00e9dica no Pa\u00eds. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, n\u00e3o \u00e9. Ent\u00e3o, no Brasil, quem vai atender disforia de g\u00eanero? \u00c9 o psiquiatra. E disfun\u00e7\u00e3o sexual de base ps\u00edquica, quem vai atender? E de repente, nos n\u00e3o temos (a psiquiatria) como \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o (da sexologia m\u00e9dica). N\u00e3o d\u00e1 para se furtar disso. Sexualidade \u00e9 um tema que ganha cada vez mais espa\u00e7o \u2013 e n\u00e3o \u00e9 porque se faz sexo ou se deixa de fazer, ou se h\u00e1 falhas ou se n\u00e3o h\u00e1 falhas. Isso foi muito debatido nos fins dos anos 1990, in\u00edcio dos anos 2000, quando come\u00e7aram a surgir as drogas que melhoravam a fun\u00e7\u00e3o sexual. Hoje se discute g\u00eanero, orienta\u00e7\u00e3o sexual; discute-se a despatologiza\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de comportamentos sexuais e pr\u00e1ticas sexuais. Ent\u00e3o, como ficar fora disso?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>A jornalista viajou a convite da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatri<br \/>\na<\/strong><\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Refer\u00eancia em assuntos sobre sexualidade, a m\u00e9dica Carmita Abdo recebeu o desafio de ministrar uma palestra, durante o 34\u00ba Congresso Brasileiro de Psiquiatria (CBP), que termina neste s\u00e1bado (19) em S\u00e3o Paulo, sobre cura gay \u2013 termo que remete a pr\u00e1ticas que eram usadas<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":47468,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,12],"tags":[],"class_list":["post-161403","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/beijo-gayy.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161403","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=161403"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161403\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47468"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=161403"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=161403"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=161403"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}