{"id":161550,"date":"2016-11-20T06:26:23","date_gmt":"2016-11-20T09:26:23","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=161550"},"modified":"2016-11-20T06:26:23","modified_gmt":"2016-11-20T09:26:23","slug":"ser-artista-no-brasil-e-dificil-e-ser-artista-negro-e-pior-ainda-diz-erico-bras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/ser-artista-no-brasil-e-dificil-e-ser-artista-negro-e-pior-ainda-diz-erico-bras\/","title":{"rendered":"&#8220;Ser artista no Brasil \u00e9 dif\u00edcil e ser artista negro \u00e9 pior ainda&#8221;, diz \u00c9rico Br\u00e1s"},"content":{"rendered":"<header class=\"single-header\">\n<h1 class=\"single-title\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<p class=\"single-subtitle\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>O ator baiano \u00c9rico Br\u00e1s comemora papel em A Lei do Amor, sua primeira novela, mas diz que h\u00e1 muito a fazer contra o racismo<\/strong><\/em><\/p>\n<\/header>\n<div class=\"single-meta\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"meta-author\">\n<div class=\"meta-author-name\">Laura Fernandes<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"single-text\">\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"bodytext\">\u201cSer ator negro no Brasil n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, tem que lutar muito\u201d. A fala do ator baiano \u00c9rico Br\u00e1s, 37 anos, surge ao telefone com serenidade, apesar de retratar a gravidade de um problema que persiste. No ar em sua primeira novela da Globo, A Lei do Amor, o ator vibra com seu atual momento profissional, principalmente porque sua estreia se d\u00e1 no hor\u00e1rio nobre das 21h e com um personagem que est\u00e1 longe de ser mais um empregado.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"bodytext\">\u201cEssa estreia \u00e9 um presente, porque Jader \u00e9 um personagem diferente. Ele \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o de um homem brasileiro que estudou, se formou, e \u00e9 um cara s\u00e9rio, um enfermeiro respons\u00e1vel\u201d, destaca \u00c9rico que, em sua trajet\u00f3ria na tev\u00ea, acumula pap\u00e9is em programas como Tapas &amp; Beijos e Zorra Total. Este \u00faltimo, inclusive, concorre ao Emmy Awards de melhor com\u00e9dia, em cerim\u00f4nia que acontece nesta segunda (21), em Nova York.<\/p>\n<table class=\"middle\" summary=\"\">\n<thead>\n<tr>\n<th scope=\"col\">\n<p class=\"bodytext\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/e-c4.sttc.net.br\/uploads\/RTEmagicC_Erico_Bras_cred_Evandro_Veiga.jpg.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"452\" \/><\/p>\n<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\">H\u00e1 sete anos na Globo, \u00c9rico Br\u00e1s participa de sua primeira novela, A Lei do Amor<br \/>\n(Foto: Evandro Veiga)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"bodytext\">Iniciado no teatro aos 8 anos, em Fazenda Coutos, e formado no Bando de Teatro Olodum &#8211; que lhe deu reconhecimento nacional como o taxista Reginaldo do filme \u00d3 Pai \u00d3 -, \u00c9rico garante que \u00a0\u201cainda \u00e9 o come\u00e7o\u201d. \u201cO momento \u00e9 de crescimento e nada est\u00e1 garantido. Quem n\u00e3o se reinventa, fica pra traz. Sou um eterno aprendiz\u201d, acredita o artista, que tamb\u00e9m atua na s\u00e9rie Crime Time: Hora do Perigo, produ\u00e7\u00e3o francesa gravada no Brasil e exibida no Studio+, aplicativo da Vivo, na qual vive um policial militar.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"bodytext\">Na Globo h\u00e1 sete anos, \u00c9rico lembra que \u201cno pa\u00eds que n\u00e3o tem pol\u00edticas para incentivar a arte como meio de humaniza\u00e7\u00e3o, socializa\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o, ser artista cai na hist\u00f3ria do \u2018ser vagabundo\u2019\u201d. Assim, para ele, \u201cser artista no Brasil \u00e9 dif\u00edcil e ser artista negro \u00e9 pior ainda\u201d. \u201cO ator negro, al\u00e9m de ter que superar o estere\u00f3tipo do artista vagabundo, tem que superar o estere\u00f3tipo do artista negro. Os cont\u00e1veis \u2013 eu, L\u00e1zaro Ramos, Lu\u00eds Miranda&#8230; \u2013 s\u00e3o privilegiados e sabem da responsabilidade de estar ali\u201d, completa.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"bodytext\">Essa responsabilidade passa por n\u00e3o aceitar qualquer papel, explica \u00c9rico, que defende a import\u00e2ncia de construir novos caminhos com di\u00e1logos mais materializados, do ponto de vista da representatividade. \u201cSe hoje estou fazendo uma novela das nove que n\u00e3o \u00e9 simplesmente um empregado, \u00e9 porque tive pessoas no passado que fizeram isso e porque o Bando me ensinou a ser ator-cidad\u00e3o\u201d, destaca.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"bodytext\">Persist\u00eancia<br \/>\nEm A Lei do Amor, novela de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari, com dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Denise Saraceni, \u00c9rico Br\u00e1s interpreta Jader Azevedo, um enfermeiro diplomado que \u00e9 convidado a entrar na casa de Mag (Vera Holtz) para cuidar do poderoso empres\u00e1rio Fausto (Tarc\u00edsio Meira). \u201cO trabalho de Jader \u00e9 de extrema import\u00e2ncia. Para entrar numa casa daquela tem que ser muito competente, j\u00e1 que recuperar um homem tetrapl\u00e9gico \u00e9 uma miss\u00e3o\u201d, ressalta \u00c9rico.<\/p>\n<table class=\"middle\" summary=\"\">\n<thead>\n<tr>\n<th scope=\"col\">\n<p class=\"bodytext\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/e-c5.sttc.net.br\/uploads\/RTEmagicC_A_Lei_do_Amor_com_Erico_Bras_cred_Estevam_Avellar_TV_Globo.jpg.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\">Ao lado de outros personagens de A Lei do Amor, \u00c9rico Br\u00e1s vive o enfermeiro Jader<br \/>\n(Foto: Estevam Avellar\/TV Globo)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"bodytext\">O enfermeiro, segundo ele, tem \u201ca persist\u00eancia do brasileiro\u201d, j\u00e1 que mora na pens\u00e3o de Zuza (Ana Rosa) e trabalha duro para conseguir seu sustento. Ao mesmo tempo, a persist\u00eancia envolve o campo amoroso, j\u00e1 que o rapaz vive um eterno \u201cpega, estica e puxa\u201d com a cartomante Mileide (Heloisa P\u00e9riss\u00e9), ex-namorada que ele tenta reconquistar a todo custo.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"bodytext\">Enquanto mostra a recusa ainda apaixonada de Mileide, a trama tamb\u00e9m aponta um poss\u00edvel envolvimento do enfermeiro com a exuberante Luciane Leit\u00e3o (Grazi Massafera), que tem jogado todo o charme pra cima do dedicado enfermeiro que cuida do seu sogro (Tarc\u00edsio Meira). \u201cEles est\u00e3o muito juntos, pra l\u00e1 e pra c\u00e1&#8230; Mas n\u00e3o me pergunte o que vai acontecer, porque tamb\u00e9m n\u00e3o sei\u201d, se antecipa \u00c9rico, rindo ao telefone.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"bodytext\">Arte pol\u00edtica<br \/>\nApesar de estar contente com as conquistas na teledramaturgia, o ator baiano est\u00e1 atento para o fato de que muita coisa ainda precisa ser feita para combater o racismo. Em mar\u00e7o deste ano, por exemplo, \u00c9rico e sua mulher, a atriz e produtora Kenia Maria, 40 anos, foram retirados pela Pol\u00edcia Federal de um voo da Avianca ap\u00f3s o comandante se mostrar irritado com o local onde o casal estaria guardando sua bagagem.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"bodytext\">Segundo \u00c9rico, que prestou queixa na Ag\u00eancia Nacional de Avia\u00e7\u00e3o (Anac) assim que desceu do avi\u00e3o, o comandante foi extremamente grosseiro. \u201cTem uma coisa que aconteceu ali que \u00e9 comum no comportamento na sociedade brasileira, que \u00e9 o tratamento dispensado a pessoas como n\u00f3s. \u00c9 normal, para alguns, tratar negras e negros dessa forma r\u00edspida e quando n\u00f3s reagimos a isso, somos tidos como subversivos, como amea\u00e7a para as outras pessoas ao redor\u201d, denuncia o ator.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Ao apontar que muitas vezes a sociedade exclui o outro sem sequer ouvir seu lado ou entender seus motivos, \u00c9rico refor\u00e7a que h\u00e1, sim, \u201cum conceito preestabelecido\u201d. \u201cMas confesso que n\u00e3o me assusta\u201d, contra-argumenta. \u201cAcredito numa poss\u00edvel transforma\u00e7\u00e3o disso. Fa\u00e7o arte por conta disso. Quando vou para o palco, para o cinema, para a televis\u00e3o, estou sendo pol\u00edtico. Minha pol\u00edtica \u00e9 feita na minha arte. Acredito que traga resultado\u201d, finaliza, otimista.<\/p>\n<table class=\"left\" summary=\"\">\n<thead>\n<tr>\n<th scope=\"col\">\n<p class=\"bodytext\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/e-c6.sttc.net.br\/uploads\/RTEmagicC_Kenia_Maria_cred_Evandro_Veiga.jpg.jpg\" alt=\"\" width=\"332\" height=\"498\" \/><\/p>\n<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\">A atriz\u00a0Kenia Maria idealizou a webs\u00e9rie T\u00e1 Bom Pra Voc\u00ea?<br \/>\n(Foto: Evandro Veiga)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Webs\u00e9rie de \u00c9rico Br\u00e1s e Kenia Maria vira pe\u00e7a em 2017<br \/>\nAo avistar dois homens negros, uma mulher guarda o celular na bolsa e come\u00e7a a correr. Alcan\u00e7ada pelos homens, que eram policiais \u00e0 paisana, a mulher ouve de um deles: \u201cA senhora est\u00e1 presa sob a Lei 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que diz: \u2018ser\u00e3o punidos na forma da lei todos os crimes de preconceito e de racismo, religi\u00e3o, cor e etnia\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A cena faz parte da webs\u00e9rie T\u00e1 Bom Pra Voc\u00ea?, que leva o debate racial para o YouTube, al\u00e9m de recriar pe\u00e7as publicit\u00e1rias tendo os negros como protagonistas. Idealizada pela atriz e produtora carioca Kenia Maria e dirigida por \u00c9rico Br\u00e1s, a s\u00e9rie vai virar pe\u00e7a em 2017, com os dois no palco.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEu e Kenia estamos escrevendo juntos. \u00c9 uma esp\u00e9cie de stand-up que a gente chama de Double Black, onde vamos abordar esses assuntos de maneira escancarada. Falar de negro com profundidade, criticar, dar risada, s\u00f3 preto pode. Mas \u00e9 uma pe\u00e7a pra todo mundo!\u201d, garante \u00c9rico.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Criada sem televis\u00e3o at\u00e9 20 anos, por uma decis\u00e3o pol\u00edtica da m\u00e3e, Kenia destaca que o Brasil tem apenas 4% de negros na publicidade, apesar de ser um pa\u00eds onde mais da metade da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 negra. \u201cA gente precisa parar e pensar como estamos educando nossa sociedade\u201d, ressalta a atriz.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cSomos obrigados a falar de racismo, esse monstro horroroso que todo m\u00eas de novembro voltamos \u00a0a debater. Quero deixar bem claro que a gente n\u00e3o gosta de falar disso, porque o racismo \u00e9 cansativo. Queria falar de poesia, mas ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel\u201d, critica Kenia, ao citar que 80% dos jovens de 15 a 29 anos que morrem no Brasil s\u00e3o negros.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Kenia denuncia, ainda, a realidade da mulher negra, que \u201cganha menos no mercado de trabalho, casa menos, morre na m\u00e3o dos homens e \u00e9 assediada\u201d. \u201cQue loucura \u00e9 essa que a gente est\u00e1 vivendo?\u201d, diz, indignada.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Sem escolha, resta a ela colocar o tema em pauta nas diferentes m\u00eddias. \u201cA gente tem que deixar o romantismo e partir para o debate real, mesmo. O m\u00eas de novembro \u00e9 important\u00edssimo, mas isso deveria ser debatido diariamente, de forma que a gente conseguisse desconstruir o racismo institucional, que \u00e9 o mais perverso\u201d, finaliza.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ator baiano \u00c9rico Br\u00e1s comemora papel em A Lei do Amor, sua primeira novela, mas diz que h\u00e1 muito a fazer contra o racismo Laura Fernandes \u201cSer ator negro no Brasil n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, tem que lutar muito\u201d. 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