{"id":161868,"date":"2016-11-22T10:39:24","date_gmt":"2016-11-22T13:39:24","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=161868"},"modified":"2016-11-22T10:39:24","modified_gmt":"2016-11-22T13:39:24","slug":"ricardo-boechat-nao-tera-de-indenizar-supervia-por-criticas-em-programa-de-radio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/ricardo-boechat-nao-tera-de-indenizar-supervia-por-criticas-em-programa-de-radio\/","title":{"rendered":"Ricardo Boechat n\u00e3o ter\u00e1 de indenizar Supervia por cr\u00edticas em programa de r\u00e1dio"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"x_title\" style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<div class=\"x_wysiwyg\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Atribuir uma qualidade negativa a uma empresa n\u00e3o gera direito a indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais. A repara\u00e7\u00e3o somente ser\u00e1 devida caso haja ofensa \u00e0 reputa\u00e7\u00e3o da empresa. Esse foi o entendimento da 3\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a ao reformar decis\u00e3o que havia condenado o jornalista Ricardo Boechat a pagar R$ 20 mil por danos morais \u00e0 concession\u00e1ria Supervia, em raz\u00e3o de cr\u00edticas feitas durante um programa de r\u00e1dio.<\/p>\n<p>Em janeiro de 2010, ap\u00f3s um incidente ocorrido com um dos trens da concession\u00e1ria, no Rio de Janeiro, o jornalista criticou a empresa em seu programa na\u00a0<em>Band News FM<\/em>. Boechat fez o seguinte coment\u00e1rio:<\/p>\n<p>\u201c(&#8230;) Quem \u00e9 o malandro que \u00e9 dono da SUPERVIA (&#8230;)\u201d; \u201c(&#8230;) a<br \/>\nSupervia \u00e9 uma empresa clandestina, \u00e9 uma esp\u00e9cie de m\u00e1fia, uma esp\u00e9cie de casa nostra (sic), uma esp\u00e9cie de PCC. Queremos saber quem s\u00e3o os donos da Supervia. Ser\u00e1 que \u00e9 algo t\u00e3o clandestino assim? \u00c9 boca de fumo? \u00c9 central de tr\u00e1fico? \u00c9 bordel? (&#8230;)\u201d; \u201c(&#8230;) H\u00e1 um qu\u00ea de clandestinidade nessa rela\u00e7\u00e3o empresarial com o neg\u00f3cio, as autoridades que passam m\u00e3os protetoras, amigas c\u00famplices desses empres\u00e1rios, em troca de outras m\u00e3os que abastecem com dinheiro suas campanhas eleitorais e eventualmente suas contas banc\u00e1rias (&#8230;).<\/p>\n<p>A concession\u00e1ria considerou as cr\u00edticas \u201cextremamente ofensivas, gravosas na forma e criminosas no conte\u00fado\u201d, e ajuizou a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral no valor de R$ 50 mil.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/s.conjur.com.br\/img\/b\/jornalista-ricardo-boechat.png\" alt=\"\" \/><\/div>\n<div class=\"x_wysiwyg\">O\u00a0jornalista Ricardo Boechat foi absolvido de pagar R$ 20 mil por danos morais \u00e0 concession\u00e1ria Supervia, devido a cr\u00edticas feitas durante um programa de r\u00e1dio.<br \/>\n<sup>Reprodu\u00e7\u00e3o<\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O juiz de primeiro grau julgou improcedente o pedido, mas o Tribunal de Justi\u00e7a do Rio de Janeiro acolheu os argumentos da empresa, condenando Boechat a pagar R$ 20 mil de indeniza\u00e7\u00e3o. O jornalista recorreu ao STJ, e a relatoria do caso coube \u00e0 ministra Nancy Andrighi, da 3\u00aa Turma, especializada em Direito Privado, que explicou como se d\u00e1 o dano moral das pessoas jur\u00eddicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ministra conta que o instituto jur\u00eddico do dano moral, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas jur\u00eddicas, teve seus contornos delineados\u00a0pelo ministro Ruy Rosado de Aguiar em 1995, ao julgar o Recurso Especial 60.033. Na ocasi\u00e3o, explica Nancy\u00a0Andrighi, ficou definido que\u00a0a pessoa jur\u00eddica, por n\u00e3o ser uma pessoa natural, n\u00e3o possui honra subjetiva, estando, portanto, imune \u00e0s viol\u00eancias a esse aspecto de sua personalidade, n\u00e3o podendo ser ofendida com atos que atinjam a sua dignidade, respeito pr\u00f3prio e autoestima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, complementa a relatora,\u00a0o dano moral que pode ser causado \u00e0 pessoa jur\u00eddica deve estar\u00a0relacionado apenas a ofensas a sua honra objetiva, ou seja, \u00e0 sua reputa\u00e7\u00e3o, seu bom nome, no meio comercial e social em que atua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com base nessas premissas, a ministra entendeu que, no caso envolvendo o jornalista e a empresa, n\u00e3o houve dano a ser indenizado. \u201cNa hip\u00f3tese em exame, n\u00e3o tendo sido evidenciada a atribui\u00e7\u00e3o de fatos ofensivos \u00e0 reputa\u00e7\u00e3o da pessoa jur\u00eddica, n\u00e3o se verifica nenhum vilip\u00eandio \u00e0 sua honra objetiva e, assim, nenhum dano moral pass\u00edvel de indeniza\u00e7\u00e3o\u201d, concluiu a relatora, cuja decis\u00e3o foi acompanhada pelos demais ministros da 3\u00aa Turma.<em>Com informa\u00e7\u00f5es da Assessoria de Imprensa do STJ.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atribuir uma qualidade negativa a uma empresa n\u00e3o gera direito a indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais. 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