{"id":16409,"date":"2013-09-17T14:00:19","date_gmt":"2013-09-17T17:00:19","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=16409"},"modified":"2013-09-17T15:41:40","modified_gmt":"2013-09-17T18:41:40","slug":"em1982-massacre-nos-campos-de-refugiados-palestinos-de-sabra-e-chatila","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/em1982-massacre-nos-campos-de-refugiados-palestinos-de-sabra-e-chatila\/","title":{"rendered":"Massacre nos campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila"},"content":{"rendered":"<p>O massacre nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, situados em Beirute Oeste, foi uma matan\u00e7a de palestinos desencadeada em 16 de setembro de 1982 durante a Guerra do L\u00edbano, pelas m\u00e3os da Falange Libanesa, alegadamente em resposta ao Massacre de Damour. Segundo a comiss\u00e3o israelense, Comiss\u00e3o Kahan, o Tsahal &#8211; For\u00e7as de Defesa de Israel &#8211; a postos no territ\u00f3rio liban\u00eas &#8211; foi indiretamente respons\u00e1vel por n\u00e3o s\u00f3 evitar como estimular a matan\u00e7a. Este massacre mereceu a qualifica\u00e7\u00e3o de Ato de Genoc\u00eddio por parte da Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2013 resolu\u00e7\u00e3o 37\/123.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-16411\" alt=\"ImageProxy (11)\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy-116-300x200.jpg\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<p>Em 14 de setembro de 1982, o l\u00edder maronita e mandat\u00e1rio liban\u00eas eleito Bashir Gemayel foi assassinado com outras 40 pessoas, na explos\u00e3o da sede central das For\u00e7as Libanesas em Beirute, em atentado cometido por fac\u00e7\u00f5es pr\u00f3-S\u00edria e pr\u00f3-palestinos. O ato foi atribu\u00eddo ao agente s\u00edrio Chartouni. Para preservar sua estrat\u00e9gia no L\u00edbano, duas divis\u00f5es do Tsahal, sob o comando do ministro da Defesa, general Ariel Sharon, ocupam no dia seguinte Beirute Ocidental, violando o acordo com os Estados Unidos de n\u00e3o entrar na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao meio-dia de 15 de setembro, o Tsahal cerca inteiramente o campo de refugiados de Sabra e Chatila, controlando todas as entradas e sa\u00eddas, assim como ocupam um bom n\u00famero de edif\u00edcios como postos de observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sharon e o chefe do Estado Maior, Rafael Eitan, se re\u00fanem com as unidades da mil\u00edcia crist\u00e3-falangista libanesa, para incit\u00e1-los a entrar nos acampamentos dos refugiados. Segundo o plano, os soldados israelenses tinham de controlar o per\u00edmetro dos acampamentos, incumbir-se do apoio log\u00edstico, enquanto os falangistas entrariam nos acampamentos, supostamente em busca de combatentes da OLP (Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina) e entreg\u00e1-los \u00e0s for\u00e7as israelenses. A reuni\u00e3o terminou \u00e0s 15h00 de 16 de setembro.<\/p>\n<p>Uma hora depois, cerca de 1500 milicianos falangistas se reuniu no aeroporto internacional de Beirute, ocupado por Israel, sob o comando de Elie Hobeika, sucesor de Gemayel.<\/p>\n<p>A primeira unidade de 150 falangistas, armados com pistolas, facas e machados entraram \u00e0s 18h00 nos acampamentos de Sabra e Chatila. Sua miss\u00e3o era localizar supostos guerrilheiros da OLP e desarm\u00e1-los. No entanto, o que na realidade se sucedeu foi um massacre de palestinos, a imensa maioria mulheres, crian\u00e7as e anci\u00e3os. O genoc\u00eddio se prolongou por mais de 30 horas. A par das execu\u00e7\u00f5es, houve tamb\u00e9m estupros, torturas e mutila\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Durante a noite, as for\u00e7as israelenses disparavam bengalas a fim de iluminar os acampamentos. Segundo uma enfermeira holandesa, o acampamento estava t\u00e3o iluminado como \u201cum est\u00e1dio esportivo durante uma partida de futebol.\u201d<\/p>\n<p>A cifra precisa de mortos foi sempre objeto de disputa e oscila entre \u201cvarias centenas\u201d \u2013 12 a 14 \u2013 segundo fontes crist\u00e3s-libanesas, israelenses e \u00e1rabes. Por seu lado, a Cruz Vermelha trabalhava com a cifra de pelo menos 2400 v\u00edtimas.<\/p>\n<p><em>[Ariel Sharon, ent\u00e3o ministro da Defesa israelense e, anos depois, primeiro-ministro]<\/em><\/p>\n<p>O epis\u00f3dio produziu um esc\u00e2ndalo internacional. Uma semana depois da trag\u00e9dia, em 25 de setembro, perto de 400 mil pessoas se manifestaram em Tel Aviv \u2013 a maior manifesta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do pa\u00eds -, convocadas pelo movimento pacifista Shalom Ahshav e pela oposi\u00e7\u00e3o. Exigiam responsabilidades, demiss\u00f5es e uma investiga\u00e7\u00e3o independente que esclarecesse o sucedido. Menachem Begin, totalmente desconcertado, cedeu, e tr\u00eas dias depois encarregou o presidente do Tribunal Supremo, Yitzhak Kahan, de levar a cabo uma investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para muitos, o informe da Comiss\u00e3o Kahan, a passagem para a reserva de Sharon e seu abandono da pol\u00edtica n\u00e3o foi suficiente. Setores progressistas e liberais continuaram insistindo durante anos em acusar Ariel Sharon de autor e instigador da matan\u00e7a, algo que se tornou mais forte ao ser eleito primeiro ministro de Israel em 2001.<\/p>\n<p>Por seu lado, e diferentemente de Sharon, o falangista liban\u00eas Elie Hobeika, considerado o respons\u00e1vel material do genoc\u00eddio, nunca foi levado \u00e0s barras de um tribunal, nem em seu pa\u00eds, nem na Europa, sequer se prosseguiu vinculando-o a Sabra e Chatila. Ao contrario, ocupou o posto de ministro de governo no L\u00edbano na d\u00e9cada de 1990, at\u00e9 que um atentado com carro-bomba em Beirute, de que se desconhecem autores e motiva\u00e7\u00f5es, lhe custou a vida em janeiro de 2002.<\/p>\n<p>Fonte: \u00d3pera Mundi<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O massacre nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, situados em Beirute Oeste, foi uma matan\u00e7a de palestinos desencadeada em 16 de setembro de 1982 durante a Guerra do L\u00edbano, pelas m\u00e3os da Falange Libanesa, alegadamente em resposta ao Massacre de Damour. 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