{"id":166238,"date":"2016-12-15T14:27:19","date_gmt":"2016-12-15T17:27:19","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=166238"},"modified":"2016-12-15T14:27:19","modified_gmt":"2016-12-15T17:27:19","slug":"odebrecht-relata-propina-para-projeto-de-submarino-nuclear-da-marinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/odebrecht-relata-propina-para-projeto-de-submarino-nuclear-da-marinha\/","title":{"rendered":"Odebrecht relata propina para projeto de submarino nuclear da Marinha"},"content":{"rendered":"<header>\n<figure style=\"text-align: justify;\"><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<\/header>\n<div class=\"content-noticia\">\n<div id=\"texto-noticia\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu acordo de colabora\u00e7\u00e3o com a Justi\u00e7a, a Odebrecht vai detalhar os bastidores de pagamentos por meio do Setor de Opera\u00e7\u00f5es Estruturadas, o departamento da propina, relacionados ao Programa de Desenvolvimento de Submarino (Prosub) da Marinha do Brasil. Nas tratativas com a Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica foram citados ao menos dois pagamentos efetuados no exterior por meio de offshore e que n\u00e3o poderiam aparecer na contabilidade oficial da empreiteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/odebrecht-relata-propina-para-projeto-de-submarino-nuclear-da-marinha\/odebrecht-748x410-1\/\" rel=\"attachment wp-att-166239\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-166239 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/odebrecht-748x410-1.jpg\" width=\"748\" height=\"410\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/odebrecht-748x410-1.jpg 748w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/odebrecht-748x410-1-300x164.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/odebrecht-748x410-1-620x340.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/odebrecht-748x410-1-93x50.jpg 93w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/odebrecht-748x410-1-160x88.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/odebrecht-748x410-1-225x123.jpg 225w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/odebrecht-748x410-1-640x351.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 748px) 100vw, 748px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto de submarinos nucleares, or\u00e7ado inicialmente em 6,7 bilh\u00f5es de euros (cerca de R$ 23 bilh\u00f5es, segundo cota\u00e7\u00e3o atual), s\u00f3 saiu do papel ap\u00f3s parceria com a Fran\u00e7a. O programa foi entregue a um cons\u00f3rcio formado pelo construtor naval franc\u00eas DCNS, cujo principal acionista \u00e9 o governo da Fran\u00e7a, e a Odebrecht, escolhida sem licita\u00e7\u00e3o pelos franceses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dois pagamentos n\u00e3o contabilizados oficialmente pela Odebrecht foram feitos ao empres\u00e1rio Jos\u00e9 Amaro Pinto Ramos e ao ex-presidente da Eletronuclear, o almirante Othon Pinheiro da Silva. Amaro Ramos, segundo um dos delatores, representava interesses da francesa DCNS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As informa\u00e7\u00f5es fazem parte das negocia\u00e7\u00f5es da dela\u00e7\u00e3o do executivo Luiz Eduardo Soares, funcion\u00e1rio do Setor de Opera\u00e7\u00f5es Estruturadas, com os investigadores da Lava Jato. O jornal \u201cO Estado de S. Paulo\u201d apurou que tamb\u00e9m participaram das opera\u00e7\u00f5es envolvendo o projeto do submarino os executivos Benedicto J\u00fanior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, e Fabio Gandolfo, representante da Odebrecht na Marinha para o Prosub e na Eletronuclear.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso dos pagamentos ao almirante, a transa\u00e7\u00e3o foi efetuada por meio de uma offshore indicada pelo operador Paulo S\u00e9rgio Vaz de Arruda. Othon Pinheiro foi preso em duas fases da Lava Jato: a Radiotividade e a Pripyat, acusado de corrup\u00e7\u00e3o nas obras da usina de Angra 3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Soares, chamado de \u201cLuizinho\u201d na Odebrecht, contou aos investigadores ter atuado no apoio para que a empresa pagasse 4,5 milh\u00f5es de euros ao almirante. O pagamento foi realizado na conta da offshore Iberoamerica Projectos Empreendimentos Y Consultoria S.A, indicada ao executivo por Vaz de Arruda. Atualmente Vaz de Arruda \u00e9 conselheiro na Bombril S\/A e ligado \u00e0 Bonsucex Holding. Ele teria sido apresentado a funcion\u00e1rios da Odebrecht pelo almirante Othon Pinheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>PEP<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto o operador como a offshore Iberoamerica Projectos j\u00e1 apareciam na dela\u00e7\u00e3o de Vinicius Borin, um dos respons\u00e1veis pelas contas da Odebrecht no Meinl Bank, sediado no para\u00edso fiscal de Ant\u00edgua. Em sua dela\u00e7\u00e3o, Borin afirmou n\u00e3o ter conseguido efetuar alguns pagamentos para a offshore de Vaz de Arruda, uma vez que ele era representante de um PEP \u2013 sigla em ingl\u00eas para identificar pessoa politicamente exposta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m dos pagamentos para Othon, o executivo citou pagamentos do departamento de propina para Jos\u00e9 Amaro Pinto Ramos, que seria representante dos franceses. S\u00f3cio de familiares do Othon Pinheiro, na Hydro Geradores e Energia, Jos\u00e9 Amaro j\u00e1 apareceu em ao menos dois grandes casos de corrup\u00e7\u00e3o: no caso Alstom e tamb\u00e9m no cartel de trens do Metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso do submarino, Jos\u00e9 Amaro recebeu por meio da offshore Casu Trust &amp; Management Services, que possui conta no Meinl Bank As tratativas dos pagamentos teriam sido realizadas em reuni\u00e3o na pr\u00f3pria casa do lobista, na Ch\u00e1cara Flora, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ex-diretor da Odebrecht Cl\u00e1udio Melo Filho informou no anexo de dela\u00e7\u00e3o premiada que a empresa contava com um executivo de rela\u00e7\u00f5es institucionais para apoio ao projeto do submarino em Bras\u00edlia, chamado Rubio Fernal e Souza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O projeto<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Prosub tem como objetivo a elabora\u00e7\u00e3o do projeto e a constru\u00e7\u00e3o, no Brasil, do primeiro submarino nuclear nacional e da infraestrutura industrial necess\u00e1ria para manter a iniciativa. O programa foi lan\u00e7ado em 2008, no governo do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. O ex-presidente brasileiro chegou a assinar uma \u201cparceria estrat\u00e9gica\u201d com o ent\u00e3o mandat\u00e1rio da Fran\u00e7a, Nicolas Sarkozy. A DCNS ficou respons\u00e1vel pela transfer\u00eancia de tecnologia ao Pa\u00eds e escolheu a Odebrecht como parceira nacional no projeto, sem realiza\u00e7\u00e3o de licita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em agosto do ano passado, o Tribunal de Contas da Uni\u00e3o apontou sobrepre\u00e7o de R$ 406 milh\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o da Base Naval do Estaleiro da Marinha, em Itagua\u00ed, no Rio de Janeiro. A estrutura faz parte do programa brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Prosub havia sido citado em relat\u00f3rio da 36.\u00aa fase da Lava Jato, denominada Ommert\u00e1. A cita\u00e7\u00e3o se deu pelas anota\u00e7\u00f5es sobre o programa encontradas em celulares do ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht. No caso, segundo a Pol\u00edcia Federal, o assunto Prosub estava relacionado \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do ex-ministro Ant\u00f4nio Palocci, que tratava com a empreiteira assuntos ligados ao projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Calend\u00e1rio<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica (PGR) e a for\u00e7a-tarefa da Lava Jato tentam encerrar ainda nesta semana a colheita de depoimentos de todos os delatores da Odebrecht. Em\u00edlio Odebrecht, patriarca da fam\u00edlia que d\u00e1 nome ao conglomerado e presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o do grupo, encerrou seu depoimento ontem. Ele foi ouvido em Bras\u00edlia, na PGR, nos \u00faltimos dois dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta semana, os executivos iniciaram os depoimentos para confirmar o que prometeram contar nos anexos do acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada assinada h\u00e1 duas semanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da fase de depoimentos, todo o material \u00e9 encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde precisa ser homologado pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato na Corte. S\u00f3 depois de homologadas, as dela\u00e7\u00f5es podem ser usadas pela PGR para abertura de inqu\u00e9ritos e oferecimento de den\u00fancias. A inten\u00e7\u00e3o da PGR \u00e9 encaminhar os depoimentos ao Supremo antes do recesso do Judici\u00e1rio, que ter\u00e1 in\u00edcio no pr\u00f3ximo dia 20. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal <b>O Estado de S. Paulo.<\/b><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No caso dos pagamentos ao almirante, a transa\u00e7\u00e3o foi efetuada por meio de uma offshore indicada pelo operador Paulo S\u00e9rgio Vaz de Arruda. 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