{"id":166489,"date":"2016-12-16T16:54:33","date_gmt":"2016-12-16T19:54:33","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=166489"},"modified":"2016-12-16T16:54:33","modified_gmt":"2016-12-16T19:54:33","slug":"ameaca-general-admite-intervencao-se-houver-clamor-das-ruas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/ameaca-general-admite-intervencao-se-houver-clamor-das-ruas\/","title":{"rendered":"Amea\u00e7a: General admite interven\u00e7\u00e3o se houver clamor das ruas"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"blog-post-title\" style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-BCNq_nFtnj0\/VkLNj40iWgI\/AAAAAAAAtWQ\/MlNee2Ze95o\/s1600\/general-Romulo-Bini-Pereira.jpg\" alt=\"\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Congresso em Foco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O general da reserva R\u00f4mulo Bini Pereira, ex-chefe do Estado Maior do minist\u00e9rio da Defesa, admitiu a interven\u00e7\u00e3o militar como sa\u00edda para a crise pol\u00edtica que envolve os tr\u00eas Poderes da Rep\u00fablica. Em artigo publicado ontem, no jornal O Estado de S. Paulo, o militar escreve: \u201cSe o clamor popular alcan\u00e7ar relev\u00e2ncia, as For\u00e7as Armadas poder\u00e3o ser chamadas a intervir, inclusive em defesa do Estado e das institui\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos mais influentes militares das gera\u00e7\u00f5es que atuaram durante a ditadura militar, o general faz uma an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica brasileira, critica o Congresso Nacional e at\u00e9 o governo. Segundo ele, a elite pol\u00edtica empurra o Brasil para o brejo. Sob o t\u00edtulo de \u201cAlertar \u00e9 Preciso 2\u201d, o artigo do general diz que as For\u00e7as Armadas ser\u00e3o a \u201c\u00faltima trincheira defensiva desta tem\u00edvel e indesej\u00e1vel ida para o brejo\u201d. E conclui: \u201cN\u00e3o \u00e9 apologia ou invencionice. Por isso, repito: alertar \u00e9 preciso\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No longo artigo, o general faz uma an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil e no Mundo. Critica o Congresso por ter acrescentado puni\u00e7\u00f5es ao Judici\u00e1rio entra as medidas de combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o propostas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico. Sem citar o nome, lembra que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), \u00e9 r\u00e9u por peculato e afrontou uma decis\u00e3o de um ministro do Supremo que determinou seu afastamento do cargo, por estar na linha sucess\u00f3ria presidencial. Tamb\u00e9m citou \u201cum grande n\u00famero de parlamentares envolvidos em processos judiciais\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o Judici\u00e1rio, o general diz que a sociedade ainda confia nos ju\u00edzes de primeira inst\u00e2ncia, mas coloca em d\u00favida a atua\u00e7\u00e3o dos tribunais superiores. \u201cNas inst\u00e2ncias superiores o quadro \u00e9 diferente\u201d, escreveu. Aproveitou para criticar o foro privilegiado, direito das autoridades de serem julgadas exclusivamente pelo STF \u2013 o que, segundo ele, acarreta sobrecarga e morosidade nos processos julgados pelo Supremo. Diz que o Judici\u00e1rio est\u00e1 contaminado pela pol\u00edtica partid\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">General Bini considera ainda que o pa\u00eds enfrenta uma \u201cdesgra\u00e7a sem precedentes\u201d e tenta profetizar: \u201c\u00c9 nesse cen\u00e1rio de \u2018desgra\u00e7as\u2019 que as institui\u00e7\u00f5es maiores e seus integrantes dever\u00e3o ter a no\u00e7\u00e3o, a consci\u00eancia e a sensibilidade de que o pa\u00eds poder\u00e1 ingressar numa situa\u00e7\u00e3o de ingovernabilidade, que n\u00e3o atender\u00e1 mais aos anseios e \u00e0s expectativas da sociedade, tornando inexequ\u00edvel o regime democr\u00e1tico vigente\u201d. E insinua: \u201c\u00c9 um caso, portanto, a se pensar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Reincidente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse n\u00e3o \u00e9 o primeiro artigo do general Bini fazendo an\u00e1lise pol\u00edtica e propostas de solu\u00e7\u00e3o. Em novembro de 2015, ele escreveu outro texto e o veiculou no mesmo jornal, com o mesmo t\u00edtulo, em que fazia uma an\u00e1lise tamb\u00e9m catastr\u00f3fica da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica daquele momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto do ano passado, o militar lembra que um colega general, em documento interno, alertou para o agravamento da crise institucional, que poderia conduzir o pa\u00eds a uma \u201cca\u00f3tica conjuntura\u201d. \u201cNesse cas\u00e3o, as For\u00e7as Armadas teriam de ser empenhadas e, por isso, deveriam estar adestradas\u201d, escreveu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O general Bini est\u00e1 na reserva e n\u00e3o tem qualquer comando de tropa. Seu artigo representa o que pensa uma minoria mais barulhenta de oficiais das For\u00e7as Armadas, formada por generais e coron\u00e9is saudosistas que viveram a ditadura militar (1964-1985).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fontes das For\u00e7as Armadas garantem que o discurso pol\u00edtico do general n\u00e3o tem eco na caserna atual, formada por gente profissionalizada, de outra gera\u00e7\u00e3o. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, leu o artigo do general logo cedo, mas nada comentou. H\u00e1 uma semana o comandante do Ex\u00e9rcito, general Eduartdo Vilas Boas, chamou de \u201ctresloucados\u201d e \u201cmalucos\u201d quem pede interven\u00e7\u00e3o militar para resolver a crise. <strong>Leia a \u00edntegra do artigo veiculado ontem:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Alertar \u00e9 preciso 2<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Por R\u00f4mulo Bini Pereira<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A renomada escritora e jornalista Cora R\u00f3nai, em l\u00facido artigo, fez um alerta: \u2018(\u2026) um pa\u00eds vai para o brejo aos poucos construindo uma desgra\u00e7a ponto por ponto (\u2026)\u2019. Felizes palavras em face do momento cr\u00edtico pelo qual passa a Na\u00e7\u00e3o brasileira. Em cima de um conhecido ditado popular, ao citar o termo brejo, fez uma sutil alus\u00e3o a indicar para onde caminha o Brasil.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A inesperada e incorreta invas\u00e3o promovida recentemente na C\u00e2mara dos Deputados por um grupo de manifestantes \u00e9 uma dessas \u2018desgra\u00e7as\u2019. Membros do governo, lideran\u00e7as pol\u00edticas e a imprensa expressaram seu desacordo e sua indigna\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 invas\u00e3o e enquadraram o grupo de manifestantes como representantes da \u2018direita\u2019 e, at\u00e9 para alguns, da \u2018extrema direita\u2019. Esse enquadramento teve como origem a utiliza\u00e7\u00e3o de palavras de ordem que exigiam interven\u00e7\u00e3o militar. O ministro da Defesa declarou que os militares n\u00e3o aprovaram o ato e permanecem em observ\u00e2ncia dos preceitos constitucionais, atitude que as For\u00e7as Armadas v\u00eam adotando desde 1985.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A invas\u00e3o suscita, entretanto, algumas considera\u00e7\u00f5es em raz\u00e3o do cen\u00e1rio pol\u00edtico n\u00e3o s\u00f3 do Pa\u00eds como do mundo. Os adeptos da ado\u00e7\u00e3o de uma interven\u00e7\u00e3o militar v\u00eam crescendo visivelmente. N\u00e3o se tem conhecimento se s\u00e3o adeptos de uma a\u00e7\u00e3o direta manu militari ou de um apoio total e participativo num novo governo n\u00e3o eleito pelo voto popular. S\u00e3o cidad\u00e3os de meia-idade que conviveram com o regime militar e consideram o per\u00edodo de proveito para a sociedade brasileira. Por terem a mesma vis\u00e3o, a eles se juntam jovens revoltados e sem esperan\u00e7as de melhoras na crise que o Pa\u00eds vive. J\u00e1 n\u00e3o se intimidam com o patrulhamento e com o \u2018politicamente correto\u2019 t\u00e3o apregoado no Brasil. Alegam que as For\u00e7as Armadas cultuam princ\u00edpios e valores que n\u00e3o veem em outras institui\u00e7\u00f5es e que elas seriam a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para a crise atual.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>No cen\u00e1rio mundial, dois fatos pol\u00edticos recentes suscitam tamb\u00e9m observa\u00e7\u00f5es v\u00e1lidas: as elei\u00e7\u00f5es presidenciais nos Estados Unidos e o plebiscito que definiu a sa\u00edda do Reino Unido da Uni\u00e3o Europeia (Brexit). As an\u00e1lises feitas por institutos de pesquisa mostram que a principal causa dos surpreendentes resultados \u00e9 creditada aos governos centrais e suas institui\u00e7\u00f5es, que se afastaram das opini\u00f5es e dos interesses de suas respectivas popula\u00e7\u00f5es. Acrescentam que houve uma verdadeira desaprova\u00e7\u00e3o, por parte dos eleitores, dos defensores do \u2018politicamente correto\u2019, isto \u00e9, votaram contra opini\u00f5es e pareceres dos intelectuais, de segmentos do mundo art\u00edstico e cultural e, ainda, da m\u00eddia em geral. Todos davam como certa a vit\u00f3ria das propostas derrotadas. Uma discord\u00e2ncia dos que se arvoram a ditar e impor propostas e a\u00e7\u00f5es afastadas da realidade de seus povos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Em 8 de novembro de 2015, este jornal publicou artigo intitulado Alertar \u00e9 preciso, no qual questionei se as institui\u00e7\u00f5es maiores estavam consolidadas e funcionando corretamente. Passado um ano, reafirmo o meu questionamento com uma agravante. O segundo artigo da Constitui\u00e7\u00e3o est\u00e1 em vigor ou \u00e9 um princ\u00edpio fundamental in\u00f3cuo?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>No Legislativo, sabemos agora que a C\u00e2mara dos Deputados n\u00e3o \u00e9 um cart\u00f3rio, e sim que tr\u00eas centenas de deputados fizeram \u2018\u2019\u201cemendas \u00e0 meia-noite\u201d a desvirtuar as medidas anticorrup\u00e7\u00e3o propostas pelo povo brasileiro. O presidente do Senado, considerado r\u00e9u pelo STF por acusa\u00e7\u00e3o de peculato, confrontou e desobedeceu a uma decis\u00e3o monocr\u00e1tica de juiz da Suprema Corte, fato que fere qualquer sistema dito democr\u00e1tico. E para agravamento do quadro pol\u00edtico, \u00e9 grande o n\u00famero de parlamentares envolvidos em processos judiciais. Uma \u2018desgra\u00e7a\u2019 sem precedentes.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>No Judici\u00e1rio os brasileiros ainda depositam esperan\u00e7a, gra\u00e7as ao corajoso desempenho dos ju\u00edzes de primeira inst\u00e2ncia. Nas inst\u00e2ncias superiores o quadro \u00e9 diferente. O esdr\u00faxulo direito de foro privilegiado acarreta uma sobrecarga de processos no STF, o que lhe d\u00e1 uma pauta extensa e criticada e indesej\u00e1vel morosidade. Com a transmiss\u00e3o de suas sess\u00f5es pela TV, constata-se que s\u00e3o graves as diverg\u00eancias pessoais entre alguns de seus membros. E a presen\u00e7a da pol\u00edtica partid\u00e1ria faz-se notar. A divulga\u00e7\u00e3o de altos sal\u00e1rios no Judici\u00e1rio \u2013 ditos legais, mas imorais \u2013, o \u2018fatiamento\u2019 de artigo da Constitui\u00e7\u00e3o aprovado pelo ex-presidente da Corte no processo de impeachment e o desgastante e in\u00e9dito processo envolvendo o presidente do Senado afetaram a imagem e a credibilidade da institui\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>No Executivo, a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica indefinida, o poss\u00edvel envolvimento da equipe governamental em atos de corrup\u00e7\u00e3o, o desgastante processo das tratativas parlamentares para a aprova\u00e7\u00e3o de propostas \u00fateis para o Pa\u00eds e uma oposi\u00e7\u00e3o agressiva s\u00e3o aspectos que, gradativamente, fragilizam e deixam acuado o governo. J\u00e1 se fala em novas elei\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo em deposi\u00e7\u00e3o. A atual oposi\u00e7\u00e3o esqueceu-se de que foi a \u00fanica respons\u00e1vel pela calamidade que tomou conta do Pa\u00eds. Governou durante 13 anos, deixou-o na bancarrota e instituiu uma imoralidade sist\u00eamica. Est\u00e1 em pleno processo de \u201cvitimiza\u00e7\u00e3o\u201d e j\u00e1 defende, histericamente, as manifesta\u00e7\u00f5es radicais de rua com a\u00e7\u00f5es e depreda\u00e7\u00f5es. \u00c9 o mesmo modus operandi de passado recente.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00c9 nesse cen\u00e1rio de \u2018desgra\u00e7as\u2019 que as institui\u00e7\u00f5es maiores e seus integrantes dever\u00e3o ter a no\u00e7\u00e3o, a consci\u00eancia e a sensibilidade de que o Pa\u00eds poder\u00e1 ingressar numa situa\u00e7\u00e3o de ingovernabilidade, que n\u00e3o atender\u00e1 mais aos anseios e \u00e0s expectativas da sociedade, tornando inexequ\u00edvel o regime democr\u00e1tico vigente. O aludido brejo \u00e9 significativo. \u00c9 um caso, portanto, a se pensar.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Desse modo, se o clamor popular alcan\u00e7ar relev\u00e2ncia, as For\u00e7as Armadas poder\u00e3o ser chamadas a intervir, inclusive em defesa do Estado e das institui\u00e7\u00f5es. Elas ser\u00e3o a \u00faltima trincheira defensiva desta tem\u00edvel e indesej\u00e1vel \u2018ida para o brejo\u2019. N\u00e3o \u00e9 apologia ou invencionice. Por isso, repito: alertar \u00e9 preciso.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>*General de ex\u00e9rcito, foi chefe do Estado-Maior do Minist\u00e9rio da Defesa<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobre o Judici\u00e1rio, o general diz que a sociedade ainda confia nos ju\u00edzes de primeira inst\u00e2ncia, mas coloca em d\u00favida a atua\u00e7\u00e3o dos tribunais superiores. \u201cNas inst\u00e2ncias superiores o quadro \u00e9 diferente\u201d, escreveu. 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