{"id":169061,"date":"2017-01-02T04:45:00","date_gmt":"2017-01-02T07:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=169061"},"modified":"2017-01-02T04:45:00","modified_gmt":"2017-01-02T07:45:00","slug":"cresce-numero-de-imoveis-retomados-pela-caixa-por-falta-de-pagamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/cresce-numero-de-imoveis-retomados-pela-caixa-por-falta-de-pagamento\/","title":{"rendered":"Cresce n\u00famero de im\u00f3veis retomados pela Caixa por falta de pagamento"},"content":{"rendered":"<div class=\"font_b font_tt\"><\/div>\n<div class=\"row change_font\">\n<div class=\"col-md-12 popup-gallery\"><a title=\"N\u00famero de unidades retomadas pela Caixa Econ\u00f4mica em 2016 foi 16% maior do que no ano anterior (Foto: Nilton Fukuda\/Estad\u00e3o Conte\u00fado)\" href=\"http:\/\/www.diariodopoder.com.br\/style\/images\/images\/predio%20imovel%20apartamento%20Foto%20Nilton%20Fukuda%20Estadao.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive\" src=\"http:\/\/www.diariodopoder.com.br\/style\/images\/images\/predio%20imovel%20apartamento%20Foto%20Nilton%20Fukuda%20Estadao.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<div>N\u00daMERO DE UNIDADES RETOMADAS PELA CAIXA ECON\u00d4MICA EM 2016 FOI 16% MAIOR DO QUE NO ANO ANTERIOR (FOTO: NILTON FUKUDA\/ESTAD\u00c3O CONTE\u00daDO)<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-md-12 font_a popup-gallery\">\n<div class=\"pull-right hidden-xs\"><\/div>\n<p>O veterin\u00e1rio M., de 35 anos, acaba de se mudar pela segunda vez na vida. Arrumou as roupas no arm\u00e1rio, terminou de embalar os m\u00f3veis novos, para serem vendidos, e montou a cama de casal em seu antigo quarto, na casa dos pais, na zona sul de S\u00e3o Paulo. Foi para l\u00e1 que ele voltou ap\u00f3s perder o emprego e ter o apartamento leiloado pelo banco, em agosto. \u201cDa outra vez, choramos de saudade. Agora, de decep\u00e7\u00e3o.\u201dA busca pela moradia pr\u00f3pria se transformou em pesadelo para milhares de brasileiros neste ano. At\u00e9 o in\u00edcio de dezembro, a Caixa colocou \u00e0 venda \u2013 por meio de leil\u00f5es, concorr\u00eancias p\u00fablicas ou venda direta \u2013 8.626 im\u00f3veis retomados por falta de pagamento do financiamento, 16% a mais que no ano passado.<\/p>\n<p>O aumento no n\u00famero de unidades ofertadas pelo banco, que det\u00e9m quase 70% de todo o financiamento imobili\u00e1rio do Pa\u00eds e 4,35 milh\u00f5es de contratos ativos, n\u00e3o \u00e9 por acaso. Desde 2012, o total de im\u00f3veis retomados por inadimpl\u00eancia pela Caixa cresce. Os dados mais recentes mostram que, entre 2014 e o ano passado, a recupera\u00e7\u00e3o de propriedades aumentou 53,8%.<\/p>\n<p>\u00c9 uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia, explica Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Anefac, que re\u00fane executivos de finan\u00e7as. Crise e desemprego minaram o potencial de renda do brasileiro e reduziram sua capacidade de manter as contas em dia. Sem recursos, ele come\u00e7a a atrasar as parcelas da casa por um, dois, tr\u00eas meses, at\u00e9 n\u00e3o poder mais negociar com o banco.<\/p>\n<p>\u201cGrande parte dos mutu\u00e1rios aderiu ao financiamento imobili\u00e1rio aproveitando o momento de facilidade de cr\u00e9dito no per\u00edodo pr\u00e9-crise. S\u00f3 que os contratos s\u00e3o longos, podem durar 35 anos, e a recess\u00e3o pegou todos de surpresa no meio do caminho. A retomada de im\u00f3veis pode crescer mais, pois o cen\u00e1rio que nos levou a isso n\u00e3o foi dissipado.\u201d<\/p>\n<p>\u201cPara o banco, a retomada \u00e9 uma dor de cabe\u00e7a. Ele tem de arcar com custos como condom\u00ednio e IPTU e manter uma estrutura interna para lidar com esses im\u00f3veis. O importante \u00e9 entender que a compra do im\u00f3vel n\u00e3o \u00e9 para todo mundo. Embora dentro do limite de 30% da renda, a presta\u00e7\u00e3o fica muito mais alta do que se pagava de aluguel\u201d, diz Marcelo Prata, do Canal do Cr\u00e9dito, que compara produtos financeiros.<\/p>\n<p>Quando detectada a incapacidade de pagamento, o morador pode tentar vender o im\u00f3vel, negociando com o banco a transfer\u00eancia da d\u00edvida, ainda que abaixo do pre\u00e7o de mercado, para evitar problemas maiores.<\/p>\n<p>Moradia de risco.\u00a0Ainda que seja a moradia da fam\u00edlia, o im\u00f3vel financiado pode ser retomado e vendido pelo banco. Na maioria dos casos, o banco notifica o mutu\u00e1rio ap\u00f3s o primeiro m\u00eas sem pagamento, e o processo de retomada do im\u00f3vel ocorre quando o atraso passa de 90 dias.<\/p>\n<p>Nesse intervalo, o mutu\u00e1rio pode tentar diluir as parcelas em atraso aumentando as pr\u00f3ximas mensalidades, ou estender o tempo de financiamento, caso o contrato n\u00e3o seja no prazo m\u00e1ximo permitido pelo banco.<\/p>\n<p>\u201cEm muitos casos, o banco aceita negociar com o inadimplente uma vez, mas fecha as portas de negocia\u00e7\u00e3o caso ele fique em atraso de novo\u201d, afirma Tathiana Cromwell, da Associa\u00e7\u00e3o dos Mutu\u00e1rios de S\u00e3o Paulo e Adjac\u00eancias (Amspa).<\/p>\n<p>A lei diz que o mutu\u00e1rio pode receber a diferen\u00e7a entre o valor de retomada e o pre\u00e7o de venda do im\u00f3vel a terceiros. Se o morador deve R$ 100 mil ao banco e o bem foi leiloado por R$ 200 mil, ele quita a d\u00edvida e recebe os R$ 100 mil restantes.<\/p>\n<p>\u201cQuem entra na espiral de negocia\u00e7\u00e3o, negativas e possibilidade de perder a casa vive o pior dos mundos. Tenta entrar na Justi\u00e7a para rever valores, fica na expectativa de ter a casa leiloada e, quando o banco n\u00e3o tem um interessado no primeiro leil\u00e3o, em que o im\u00f3vel \u00e9 vendido pelo pre\u00e7o avaliado, tem de fazer um segundo, e o valor s\u00f3 cobre a d\u00edvida, na maioria dos casos\u201d, lembra Tathiana.<\/p>\n<p>Segundo a Caixa, o porcentual de im\u00f3veis retomados pela institui\u00e7\u00e3o em 2015 equivale a 0,3% do total em carteira. Al\u00e9m disso, \u201cas medidas legais de retomada do bem, previstas em contrato, apenas s\u00e3o adotadas ap\u00f3s o esgotamento da negocia\u00e7\u00e3o entre o banco e o cliente\u201d.<\/p>\n<p>Maiores compradores.\u00a0O casal sorri, enquanto levanta a placa para dar um lance na casa da Ch\u00e1cara Japonesa, zona sul de S\u00e3o Paulo. O investidor pede para que sejam reabertas as ofertas para um apartamento de dois quartos. Pela internet, compradores disputam uma unidade na zona oeste. No \u00faltimo leil\u00e3o de im\u00f3veis da Caixa do ano em S\u00e3o Paulo, a uma semana do Natal, o p\u00fablico \u00e9 pequeno e heterog\u00eaneo.<\/p>\n<p>Profissionais estimam que o n\u00famero de leil\u00f5es aumentou 30% desde o ano passado. O agravamento da crise ajudou a atrair um outro perfil de interessados.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos, a maioria dos compradores de im\u00f3veis retomados pelos bancos era formada por investidores experientes, que buscavam oportunidades de arrematar propriedades com at\u00e9 50% de desconto, para revender no futuro.<\/p>\n<p>Com o desaquecimento do mercado imobili\u00e1rio, por\u00e9m, esse comprador tem cedido espa\u00e7o a quem procura um im\u00f3vel para morar. H\u00e1 do casal de servidores p\u00fablicos que quer sair do aluguel \u201ce comprar uma casa maior, para acomodar as crian\u00e7as\u201d, ao taxista que arrematou uma casa avaliada em R$ 600 mil por R$ 366 mil, \u201cpara dar de presente de casamento \u00e0 filha\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO p\u00fablico \u00e9 menor nesta \u00e9poca do ano, mas tem crescido. Muita gente que iria comprar um im\u00f3vel com uma construtora ou imobili\u00e1ria tem vindo empolgada pelos descontos\u201d, diz Fernando Cerello, da Megaleil\u00f5es, respons\u00e1vel pelo evento. Especialistas recomendam que o interessado visite o entorno do im\u00f3vel e se informe sobre os pre\u00e7os, para fazer um bom neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Ocupado.\u00a0Como a maioria das unidades ofertadas est\u00e1 ocupada, a Caixa lembra que o im\u00f3vel \u00e9 vendido no estado em que se encontra, muitas n\u00e3o podem ser visitadas por dentro, e a responsabilidade de desocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 do comprador. \u00c9 o caso da corretora Maria Nazar\u00e9 Nunes, de 50 anos.<\/p>\n<p>Ela tem planos para a casa de R$ 150 mil, em S\u00e3o Bernardo do Campo, que comprou no leil\u00e3o. \u201cN\u00e3o est\u00e1 f\u00e1cil de vender agora, mas posso conseguir at\u00e9 R$ 250 mil depois. Por experi\u00eancia, a retirada do antigo morador leva cerca de seis meses e, mesmo que ele n\u00e3o queira sair, ele acaba saindo.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA Justi\u00e7a n\u00e3o \u00e9 padronizada, pode demorar 60 dias ou um ano para que o arrematante entre no im\u00f3vel\u201d, diz Andr\u00e9 Zalcman, da Zukerman Leil\u00f5es. (AE)<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A busca pela moradia pr\u00f3pria se transformou em pesadelo para milhares de brasileiros neste ano. 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