{"id":17053,"date":"2013-09-19T17:00:40","date_gmt":"2013-09-19T20:00:40","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=17053"},"modified":"2013-09-19T08:48:17","modified_gmt":"2013-09-19T11:48:17","slug":"peca-leva-publico-ao-futuro-e-mostra-desintegracao-da-uniao-europeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/peca-leva-publico-ao-futuro-e-mostra-desintegracao-da-uniao-europeia\/","title":{"rendered":"Pe\u00e7a leva p\u00fablico ao futuro e mostra desintegra\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"ImageProxy (8)\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy-88-300x168.jpg\" width=\"300\" height=\"168\" \/><\/p>\n<p>O ano \u00e9 2060. Em um museu, os visitantes se deparam com rel\u00edquias, mapas e reconstitui\u00e7\u00f5es que contam a hist\u00f3ria da Uni\u00e3o Europeia (UE), desintegrada em 2018 ap\u00f3s o ressurgimento de uma onda de nacionalismo em v\u00e1rios pa\u00edses do bloco que veio \u00e0 tona com a grave crise econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Essa visita ao museu \u00e9 a experi\u00eancia vivida pelos espectadores de\u00a0A Casa da Hist\u00f3ria Europeia no Ex\u00edlio\u00a0(&#8220;Domo de Europa Historio en Ekzilo&#8221; no original, em esperanto), uma &#8220;pe\u00e7a&#8221; sem atores na qual o p\u00fablico \u00e9 levado ao futuro.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 do diretor de teatro belga Thomas Bellinck, que queria imaginar como a UE ser\u00e1 vista no futuro.<\/p>\n<p>&#8220;Como artista, sempre busco uma nova maneira de contar uma hist\u00f3ria. Tive essa ideia durante uma visita ao Museu do Teatro de Riga (Let\u00f4nia). Eu era o \u00fanico visitante. O edif\u00edcio parecia estar em reforma h\u00e1 anos e havia coisas amontoadas que n\u00e3o estava claro se faziam parte da exposi\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o&#8221;, contou em entrevista \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Na minha fic\u00e7\u00e3o, estamos em 2060 e o museu, meio abandonado, est\u00e1 em constante reforma, em um pr\u00e9dio meio destru\u00eddo depois da Terceira Guerra Mundial, quando ningu\u00e9m mais est\u00e1 interessado na UE&#8221;.<\/p>\n<p>Para transmitir essa sensa\u00e7\u00e3o, Bellinck aproveitou a estrutura de uma escola abandonada em Bruxelas, um edif\u00edcio dos anos 1960 com salas estreitas, escuras e empoeiradas. Ele escolheu o esperanto como l\u00edngua para todas as sinaliza\u00e7\u00f5es do local.<\/p>\n<p>A visita \u00e9 individual e os visitantes s\u00e3o obrigados a esperar sua vez em uma vetusta sala de espera. Na parede do vest\u00edbulo, um amarelado mapa da Uni\u00e3o Europeia ap\u00f3s sua \u00faltima suposta amplia\u00e7\u00e3o, em 2017, quando a Esc\u00f3cia passou a ser o 33\u00ba membro do bloco.<\/p>\n<p>No museu, rel\u00edquias que mostram como teria sido a vida, o modo de pensar e o funcionamento da &#8220;antiga UE&#8221;: um t\u00edpico quarto de imigrantes ilegais, cartazes extremistas, uma sala repleta de cart\u00f5es de visitas de lobistas, um espremedor de c\u00edtricos na forma da cabe\u00e7a da chanceler alem\u00e3, Angela Merkel, uma foto do \u00faltimo l\u00edder da extinta Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, Mikhail Gorbatchev, como garoto-propaganda da grife de luxo Luis Vuitton.<\/p>\n<p>Com exce\u00e7\u00e3o dos mapas, todos os objetos reunidos no local s\u00e3o reais ou uma reprodu\u00e7\u00e3o caricatural da realidade.<\/p>\n<p>Ao final da exposi\u00e7\u00e3o, um cartaz explica que antes de sua dissolu\u00e7\u00e3o, entre 2009 e 2015, a UE teria vivido uma onda de suic\u00eddios provocada pelas &#8220;medidas draconianas de austeridade que cobraram um pesado tributo&#8221; para salvar o bloco da crise econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>A mostra termina em um sala escura, onde a \u00fanica luz que entra por uma pequena janela ilumina uma carta escrita pelo criador do museu fict\u00edcio a um desses &#8220;suicidas da crise&#8221;, uma pessoa real, pai de um grande amigo de Bellinck, falecido em 2012.<\/p>\n<p>O texto lamenta que o homem tenha sido &#8220;v\u00edtima de uma sociedade que precisa ser reformada&#8221;. O artista deseja que ele se esteja melhor, &#8220;em um lugar sem bancos ou empr\u00e9stimos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8216;Brincar com a realidade&#8217;<\/p>\n<p>Desde sua concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 a instala\u00e7\u00e3o dos objetos, o projeto levou um ano para ser conclu\u00eddo.<\/p>\n<p>Bellinck mergulhou na leitura de livros sobre a UE e entrevistou deputados europeus, lobistas, cientistas pol\u00edticos, historiadores e uma ag\u00eancia belga de preven\u00e7\u00e3o de suic\u00eddios.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o quero dizer que eu sei tudo sobre a UE. Ao contr\u00e1rio: tenho muitas quest\u00f5es e quero compartilhar isso com os outros&#8221;, afirmou \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<p>\u00c9 isso que ele faz de tr\u00e1s de um bar instalado ao final da exposi\u00e7\u00e3o, onde recebe pessoalmente cada visitante.<\/p>\n<p>&#8220;Dessa experi\u00eancia, aprendi que n\u00f3s, europeus, n\u00e3o recebemos educa\u00e7\u00e3o sobre a UE, n\u00e3o temos certeza de como ela funciona. Por isso as pessoas saem dessa exposi\u00e7\u00e3o sem saber o que \u00e9 real ou n\u00e3o. \u00c9 divertido brincar com a realidade&#8221;, contou ao servir uma ta\u00e7a de vinho.<\/p>\n<p>Fonte: BBC Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano \u00e9 2060. Em um museu, os visitantes se deparam com rel\u00edquias, mapas e reconstitui\u00e7\u00f5es que contam a hist\u00f3ria da Uni\u00e3o Europeia (UE), desintegrada em 2018 ap\u00f3s o ressurgimento de uma onda de nacionalismo em v\u00e1rios pa\u00edses do bloco que veio \u00e0 tona com a grave crise econ\u00f4mica. 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