{"id":173898,"date":"2017-01-30T05:45:12","date_gmt":"2017-01-30T08:45:12","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=173898"},"modified":"2017-01-30T05:45:12","modified_gmt":"2017-01-30T08:45:12","slug":"crise-economica-faz-dobrar-procura-pelo-servico-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/crise-economica-faz-dobrar-procura-pelo-servico-militar\/","title":{"rendered":"Crise econ\u00f4mica faz dobrar procura pelo servi\u00e7o militar"},"content":{"rendered":"<div class=\"font_b font_tt\"><\/div>\n<div class=\"row change_font\">\n<div class=\"col-md-12 popup-gallery\"><a title=\"Nos \u00faltimos dois anos, dos cerca de 350 mil rapazes que se apresentaram obrigatoriamente, 10% queriam entrar para Ex\u00e9rcito, Marinha ou Aeron\u00e1utica; at\u00e9 2014, esse n\u00famero chegava a 5% (Foto: Tiago Queiroz\/Estad\u00e3o Conte\u00fado)\" href=\"http:\/\/www.diariodopoder.com.br\/style\/images\/images\/EXERCITO_AERONAUTICA-alistamento-militar-Tiago_Queiroz-Estadao.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive\" src=\"http:\/\/www.diariodopoder.com.br\/style\/images\/images\/EXERCITO_AERONAUTICA-alistamento-militar-Tiago_Queiroz-Estadao.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<div>NOS \u00daLTIMOS DOIS ANOS, DOS CERCA DE 350 MIL RAPAZES QUE SE APRESENTARAM OBRIGATORIAMENTE, 10% QUERIAM ENTRAR PARA EX\u00c9RCITO, MARINHA OU AERON\u00c1UTICA; AT\u00c9 2014, ESSE N\u00daMERO CHEGAVA A 5% (FOTO: TIAGO QUEIROZ\/ESTAD\u00c3O CONTE\u00daDO)<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-md-12 font_a popup-gallery\">\n<div class=\"pull-right hidden-xs\">\n<div class=\"hidden-xs text-right b_publ_tit\"><\/div>\n<p><ins class=\"adsbygoogle\" data-ad-client=\"ca-pub-5020794665231275\" data-ad-slot=\"7222246347\" data-adsbygoogle-status=\"done\"><ins id=\"aswift_0_expand\"><ins id=\"aswift_0_anchor\"><\/ins><\/ins><\/ins><\/div>\n<p>Grupo mais afetado pelo aumento do desemprego no Pa\u00eds, muitos jovens deixaram de ver o alistamento militar como uma obriga\u00e7\u00e3o e passaram a enxergar nele uma op\u00e7\u00e3o diante da crise. No Estado de S\u00e3o Paulo, nos \u00faltimos dois anos, dos cerca de 350 mil rapazes que fazem anualmente o alistamento, 10%, ou 35 mil, queriam entrar para o servi\u00e7o militar, em vez de serem dispensados. At\u00e9 2014, apenas 5% diziam querer ser convocados, segundo informa\u00e7\u00f5es do Comando Militar do Sudeste.Para o tenente-coronel L\u00facio Ferreira de Medeiros, da 4.\u00aa Circunscri\u00e7\u00e3o Militar de S\u00e3o Paulo, o aumento da procura est\u00e1 relacionado ao momento econ\u00f4mico. No terceiro trimestre do ano passado, o desemprego entre os jovens de 14 a 24 anos chegou a 27,7%, enquanto a taxa total foi de 11,8%, segundo o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um aumento significativo para o Ex\u00e9rcito e, infelizmente, n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es de absorver muitos desses jovens\u201d, disse Medeiros. Os incorporados t\u00eam 11 meses de estabilidade e recebem um soldo inicial de R$ 769. Em S\u00e3o Paulo, s\u00e3o 8,1 mil vagas para as tr\u00eas for\u00e7as (Ex\u00e9rcito, Marinha e Aeron\u00e1utica) \u2013 considerando apenas os que querem entrar para o servi\u00e7o militar, s\u00e3o quatro vezes mais interessados do que vagas.<\/p>\n<p>Por causa da concorr\u00eancia, Kau\u00ea Neves dos Santos, de 18 anos, iniciou h\u00e1 algumas semanas um treinamento para se destacar dos demais candidatos nos exames f\u00edsico e m\u00e9dico. Ele fez o alistamento obrigat\u00f3rio no ano passado e enfrentar\u00e1 a primeira sele\u00e7\u00e3o para o servi\u00e7o militar.<\/p>\n<p>Santos fez curso t\u00e9cnico de Edifica\u00e7\u00f5es na rede p\u00fablica, mas ao se formar teve dificuldade para encontrar emprego. No \u00faltimo ano, s\u00f3 conseguiu \u201cbicos\u201d como seguran\u00e7a. Por isso, viu o servi\u00e7o militar como op\u00e7\u00e3o de emprego e estabilidade. \u201cO mercado de trabalho est\u00e1 muito dif\u00edcil. Achava que a \u00e1rea de engenharia iria me assegurar um bom emprego, mas n\u00e3o encontrei nada. Ent\u00e3o, pesquisei e conversei com muita gente que dizia que o Ex\u00e9rcito poderia me dar mais oportunidades.\u201d Santos espera conseguir trabalhar na \u00e1rea de engenharia da carreira militar.<\/p>\n<p>Segundo Medeiros, a maioria dos convocados ap\u00f3s um ano tem interesse em continuar no Ex\u00e9rcito, mas h\u00e1 ainda menos vagas \u2013 cerca de 10% a 20% para cada organiza\u00e7\u00e3o militar. \u201cN\u00f3s lamentamos porque dispensamos muitos jovens bons, com vontade de aprender mais. Mas sempre dizemos que os aprendizados do Ex\u00e9rcito servem e s\u00e3o valorizados em qualquer emprego ou carreira que seguirem.\u201d<\/p>\n<p>Natan Laudino, de 19 anos, conclui em fevereiro o primeiro ano de servi\u00e7o militar na Aeron\u00e1utica. Ele disse que gostaria de continuar na carreira, mas, se n\u00e3o for selecionado, pensa em retomar o curso t\u00e9cnico de fotografia que parou quando foi incorporado. \u201cFoi um aprendizado muito bom, vou levar para toda vida. Aprendi sobre respeito, trabalho em equipe e a mexer em armamento, sobreviver na selva. Experi\u00eancias que todo menino gostaria.\u201d<\/p>\n<p>Tend\u00eancia.\u00a0Segundo Peterson Silva, professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Faculdade Rio Branco que foi pesquisador associado do Centro de Estudos Estrat\u00e9gicos do Ex\u00e9rcito em 2016, em outros pa\u00edses o servi\u00e7o militar tamb\u00e9m atrai jovens em momentos de crise. \u201cEstados Unidos e Reino Unido tamb\u00e9m registram varia\u00e7\u00f5es que acompanham a economia. A carreira militar atrai pela estabilidade e pelo sal\u00e1rio, como um concurso p\u00fablico. Para jovens de classe m\u00e9dia e baixa, o servi\u00e7o militar aparece como op\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Silva disse que muitos adolescentes tamb\u00e9m s\u00e3o atra\u00eddos por uma vis\u00e3o \u201cromantizada\u201d. \u201cMuitos t\u00eam refer\u00eancias do que viram em filmes, querem mexer em armamento, fazer o treinamento f\u00edsico. Outra benesse \u00e9 que o Brasil n\u00e3o tem hist\u00f3rico recente de participa\u00e7\u00e3o em conflitos, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 o mesmo medo de ser militar como nos Estados Unidos.\u201d<\/p>\n<p>Amar\u00edlio Ferreira J\u00fanior, pesquisador de pol\u00edticas educacionais da ditadura militar pela\u00a0Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar), afirma que o aumento da procura tamb\u00e9m est\u00e1 relacionado a uma retomada do prest\u00edgio do Ex\u00e9rcito. \u201cEsses jovens n\u00e3o viveram a ditadura, quando os militares eram temidos. Hoje, o Ex\u00e9rcito recuperou sua confian\u00e7a com a sociedade. Os militares s\u00e3o vistos positivamente e, consequentemente, muitos querem fazer parte.\u201d (AE)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grupo mais afetado pelo aumento do desemprego no Pa\u00eds, muitos jovens deixaram de ver o alistamento militar como uma obriga\u00e7\u00e3o e passaram a enxergar nele uma op\u00e7\u00e3o diante da crise. 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