{"id":175227,"date":"2017-02-07T08:21:26","date_gmt":"2017-02-07T11:21:26","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=175227"},"modified":"2017-02-07T08:22:09","modified_gmt":"2017-02-07T11:22:09","slug":"175227-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/175227-2\/","title":{"rendered":"Novo xod\u00f3 do Flu, Leo Pel\u00e9 relembra como preconceito racial quase o fez desistir da carreira"},"content":{"rendered":"<header>\n<h1><\/h1>\n<\/header>\n<figure class=\"horizontal\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/extra.globo.com\/incoming\/20884762-839-85b\/w640h360-PROP\/leo-flu.jpg\" alt=\"Leo foi \u00e0s l\u00e1grimas ao marcar o primeiro gol como profissional\" width=\"640\" height=\"360\" \/><figcaption><span class=\"credit\">Leo foi \u00e0s l\u00e1grimas ao marcar o primeiro gol como profissional\u00a0<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"story\">\n<div class=\"header\">\n<div class=\"credits info\"><span class=\"author\">Rafael Oliveira<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>Por tr\u00e1s das l\u00e1grimas de Leo Pel\u00e9 \u2014 depois de marcar seu primeiro gol como profissional, domingo, na vit\u00f3ria do Fluminense sobre a Portuguesa por 3 a 0 \u2014, h\u00e1 uma hist\u00f3ria que nada combina com a alegria do futebol. Envolve as dificuldades provocadas pela pobreza e o preconceito racial. Mas traz \u00e0 tona tamb\u00e9m um jogador de esp\u00edrito guerreiro, que fez com a pr\u00f3pria vida aquilo que o Tricolor busca para si mesmo: dar a volta por cima.<\/p>\n<p>A cor da pele n\u00e3o deveria interferir nestes quase 21 anos de vida de Leo. Mas n\u00e3o foi assim quando ele, ent\u00e3o um jovem entre 12 e 13, tentou entrar num shopping de Santos. Acabou barrado pelo seguran\u00e7a.<\/p>\n<div class=\"teads-inread xs-screen\">\n<div id=\"teads0\" class=\"teads-player\"><span class=\"teads-ui-components-credits-colored\">\u00a0<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>\u2014 Ele veio para cima de mim: \u201cVeio aqui para pedir dinheiro, seu pivete? Sai daqui\u201d. Respondi que n\u00e3o, que s\u00f3 queria passar por ali porque do lado de fora era muito escuro \u2014 contou o lateral, que viveu dois anos em Santos sozinho (num projeto idealizado por Pel\u00e9 e tocado pelo tamb\u00e9m ex-santista Manoel Maria) antes de come\u00e7ar no Fluminense: \u2014 Isso \u00e9 a minha maior inspira\u00e7\u00e3o. Foi um momento muito dificil na minha carreira. Quando sa\u00ed do shopping j\u00e1 pensei em largar tudo. N\u00e3o passei por humilha\u00e7\u00e3o maior na vida do que aquela.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"inline\" src=\"http:\/\/extra.globo.com\/incoming\/20884793-ea7-5f9\/w448\/img_0451.JPG\" alt=\"Leo com o pai, Jos\u00e9 Carlos\" \/><figcaption>Leo com o pai, Jos\u00e9 Carlos Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>Que ele n\u00e3o abandonou a carreira todo mundo sabe. Mas o respons\u00e1vel por ajud\u00e1-lo a usar essa hist\u00f3ria como inspira\u00e7\u00e3o para seguir em frente \u00e9 um personagem \u00e0 margem dos holofotes do futebol: seu irm\u00e3o Renato. Foi a ele que Leo recorreu.<\/p>\n<p>\u2014 Viajei no dia seguinte para Santos \u2014 lembra Renato: \u2014 Conversamos educadamente com o seguran\u00e7a e a ger\u00eancia. Depois, sempre que ele ia ao shopping os funcion\u00e1rios j\u00e1 sabiam e comentavam: \u201cOlha l\u00e1, aquele \u00e9 o jogador\u201d.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>P\u00e3o dividido, goteiras e pouco dinheiro para passagem<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Renato \u00e9 como um anjo da guarda na vida de Leo Pel\u00e9. Entrou em a\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 quando ele sofreu com o preconceito como em outras dificuldades. E n\u00e3o foram poucas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Moradores do bairro Tomazinho, em S\u00e3o Jo\u00e3o de Meriti, Regina e Jos\u00e9 Carlos nem sempre tinham dinheiro para a condu\u00e7\u00e3o do filho at\u00e9 Xer\u00e9m, onde come\u00e7ou a treinar aos 14 anos. Era a\u00ed que o irm\u00e3o mais velho (hoje com 32 anos) entrava em a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2014 Ele tem um sal\u00e3o de cabeleireiro. E os primeiros R$ 30 que ele ganhava j\u00e1 me dava e dizia que era para a passagem, para poder treinar. Aquele cara \u00e9 fant\u00e1stico. Onde for, vou lev\u00e1-lo comigo \u2014 recorda Leo, que s\u00f3 confia seu cabelo (e todo o visual) ao irm\u00e3o.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"inline\" src=\"http:\/\/extra.globo.com\/incoming\/20884799-6cf-e5f\/w448\/img_0450.JPG\" alt=\"Leo (bermuda azul) e os irm\u00e3os. Entre eles, Ricardo (bermuda cinza)\" \/><figcaption>Leo (bermuda azul) e os irm\u00e3os. Entre eles, Ricardo (bermuda cinza) Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p align=\"justify\">As dificuldades de uma vida pobre, Leo e os irm\u00e3os (sete, ao todo) tiram de letra desde a inf\u00e2ncia. Desde o p\u00e3o que deveria ser dividido entre todos (n\u00e3o havia dinheiro para cada um comer o seu) at\u00e9 as goteiras que tomavam conta da casa de Tomazinho a cada chuva.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2014 Quando os irm\u00e3os come\u00e7aram a trabalhar, ajudaram na reforma da casa. Mas foi s\u00f3 quando ele passou a ganhar dinheiro com o futebol que a gente conseguiu dar uma nova cara a ela mesmo \u2014 revela Renato: \u2014 Ele ajuda muita gente. Compra comida para quem precisa. Mas n\u00e3o gosta que contem.<\/p>\n<p align=\"justify\">Hoje, a casa cresceu e as goteiras j\u00e1 s\u00e3o passado. Uma transforma\u00e7\u00e3o igual \u00e0 da vida do novo xod\u00f3 da torcida do Fluminense.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"inline\" src=\"http:\/\/extra.globo.com\/incoming\/20884822-739-63b\/w448\/img_0452.JPG\" alt=\"Leo e a m\u00e3e, Regina\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cVeio aqui para pedir dinheiro, seu pivete? Sai daqui\u201d. 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