{"id":179981,"date":"2017-03-06T08:37:47","date_gmt":"2017-03-06T11:37:47","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=179981"},"modified":"2017-03-06T08:45:04","modified_gmt":"2017-03-06T11:45:04","slug":"1817-revolucao-com-as-cores-de-pernambuco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/1817-revolucao-com-as-cores-de-pernambuco\/","title":{"rendered":"1817: Revolu\u00e7\u00e3o com as cores de Pernambuco"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"titulo-materia\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<p class=\"mg_sutia\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>A Revolu\u00e7\u00e3o 1817 completa dois s\u00e9culos, nesta segunda (6), mas ainda \u00e9 epis\u00f3dio pouco explorado na hist\u00f3ria do Brasil<\/strong><\/em><\/p>\n<div id=\"noticia_dataautor\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"bordaimg imgnoticia\" title=\"Vitral no Pal\u00e1cio do Campo das Princesas mostra retrato da Revolu\u00e7\u00e3o de 1817 \/ Foto: Ricardo B. Labastier\/JC IMagem\" src=\"http:\/\/jconlineimagem.ne10.uol.com.br\/imagem\/noticia\/2017\/03\/05\/normal\/50078745b0c377c84a636b7525b07b19.jpg\" alt=\"Vitral no Pal\u00e1cio do Campo das Princesas mostra retrato da Revolu\u00e7\u00e3o de 1817 \/ Foto: Ricardo B. Labastier\/JC IMagem\" width=\"470\" height=\"230\" \/><\/p>\n<div class=\"legenda-foto\" style=\"text-align: justify;\">Vitral no Pal\u00e1cio do Campo das Princesas mostra retrato da Revolu\u00e7\u00e3o de 1817<\/div>\n<div class=\"credito-foto\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a class=\"assintatura\" href=\"mailto:mbalbino@jc.com.br\">Diogo Guedes e Marcela Balbino<\/a><\/p>\n<div id=\"noticia_corpodanoticia\" class=\"t13 manipularFonte\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Eram 10h da manh\u00e3 do dia 6 de mar\u00e7o de 1817 e o clima no Recife parecia calmo. Sinais de insatisfa\u00e7\u00e3o com a Coroa Portuguesa vinham sendo emitidos, mas nem de longe se tinha a sensa\u00e7\u00e3o de que estava prestes a irromper um dos movimentos mais emblem\u00e1ticos da hist\u00f3ria pernambucana. Uma hora depois a aparente tranquilidade foi cortada com golpe de espada. O sangue derramado sobre o peito do brigadeiro Manoel Joaquim Barbosa de Castro foi o estopim para o in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o, que vinha sendo maturada em fogo brando, mas que explodiu antes da data prevista. Pela cidade, ressoavam os gritos de \u201cViva a P\u00e1tria! Mata Marinheiro!\u201d. Era desse modo que os brasileiros se referiam aos portugueses. A essa altura, nos primeiros disparos, o governador da prov\u00edncia j\u00e1 tinha fugido para se abrigar no Forte do Brum, de onde sairia direto para o Rio de Janeiro. Os revoltosos montaram um governo provis\u00f3rio e deram a chance ao governador de sair da prov\u00edncia sem confronto. Apesar de registros o apontarem como bom administrador, a coragem n\u00e3o era tra\u00e7o marcante da personalidade de Caetano Pinto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato da cena foi contado h\u00e1 200 anos pelo comerciante franc\u00eas Louis-Fran\u00e7ois Tollenare, que viveu no Recife entre 1816 e 1818. Nesta segunda-feira (6), a revolu\u00e7\u00e3o completa dois s\u00e9culos, mas ainda \u00e9 um epis\u00f3dio pouco explorado na historiografia brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1817, o caldeir\u00e3o da insatisfa\u00e7\u00e3o fervia na prov\u00edncia de Pernambuco, que tinha hist\u00f3rico de movimentos nativistas, como a expuls\u00e3o dos holandeses (1654) e a Guerra dos Mascates (1710). O desembarque da Fam\u00edlia Real no Rio de Janeiro em 1808 s\u00f3 aumentou a fervura da indigna\u00e7\u00e3o. Havia uma forte discrep\u00e2ncia social entre a vida na Corte e nas prov\u00edncias \u2013 o que se arrecadava aqui era enviado para o Rio a fim de manter o estafe de Dom Jo\u00e3o VI. Fora isso, uma seca devastadora assolou a regi\u00e3o em 1816, no mesmo momento em que a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar em outros pa\u00edses fez o pre\u00e7o do produto nordestino despencar. \u201cPaga-se em Pernambuco um imposto para ilumina\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro, quando as do Recife ficam completamente \u00e0s escuras\u201d, descreveu o ingl\u00eas Henry Koster, que viveu no Recife no per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E foi neste caldo que a luta estourou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e0 toa, a revolta tamb\u00e9m \u00e9 chamada de Revolu\u00e7\u00e3o dos Padres, uma vez que o Semin\u00e1rio de Olinda foi o nascedouro do movimento. Letrados e com acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, os religiosos tiveram papel crucial na forma\u00e7\u00e3o do governo provis\u00f3rio, que durou 75 dias. O padre Jo\u00e3o Ribeiro, um dos l\u00edderes do movimento, tinha uma biblioteca fora dos mosteiros e abria o espa\u00e7o \u00e0 comunidade, conta Bet\u00e2nia Corr\u00eaa de Ara\u00fajo, presidente do Museu do Recife. No Forte das Cinco Pontas, onde funciona o Museu, estreia dia 12 uma exposi\u00e7\u00e3o sobre o per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/mais.uol.com.br\/static\/uolplayer\/?mediaId=16154856\" width=\"470\" height=\"230\" frameborder=\"0\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA Revolu\u00e7\u00e3o Republicana de 1817 se destaca n\u00e3o s\u00f3 por ter sido o primeiro movimento efetivo no sentido da independ\u00eancia do Brasil, mas tamb\u00e9m porque foi a \u00fanica insurrei\u00e7\u00e3o anticolonial que conseguiu tomar o poder em toda hist\u00f3ria da monarquia portuguesa\u201d, explica o historiador George Cabral, professor da Universidade Federal de Pernambuco e presidente do\u00a0<a href=\"http:\/\/jconline.ne10.uol.com.br\/canal\/cidades\/geral\/noticia\/2015\/11\/08\/a-historia-de-pernambuco-no-museu-do-instituto-arqueologico-206951.php\">Instituto Arqueol\u00f3gico Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico Pernambucano (IAHGP)<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da onda de insatisfa\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca, o movimento vinha sendo pensando para a Semana Santa de 1817, em abril, mas foi adiantada por causa de um decreto de pris\u00e3o emitido pelo governador Caetano Pinto Montenegro. A lista vazou e os revolucion\u00e1rios reagiram \u00e0 ordem. A morte do brigadeiro por Le\u00e3o Coroado deflagrou o movimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da\u00ed, instalou-se o governo provis\u00f3rio que tomou v\u00e1rias decis\u00f5es para garantir os direitos de cidadania e as liberdades individuais dos novos republicanos \u2013 formado em sua maioria pelos senhores de engenho, padres e comerciantes. Uma lei org\u00e2nica com 28 artigos norteou os revolucion\u00e1rios e a liberdade de imprensa foi uma das conquistas. O Preciso foi um panfleto divulgado na \u00e9poca que propagou a revolta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra marca presente at\u00e9 hoje \u00e9 a bandeira de Pernambuco \u2013 composta por um fundo azul e branco. Sobre a faixa azul, figuravam um arco-\u00edris, como s\u00edmbolo da uni\u00e3o, tr\u00eas estrelas (representando Pernambuco, Para\u00edba e Rio Grande do Norte) e o sol da liberdade.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">ESCRAVID\u00c3O x ABOLICIONISMO<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora embebida dos ideais da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, que estourou 28 anos antes, a Revolu\u00e7\u00e3o de 1817 n\u00e3o tocou no regime escravocrata. O tema \u00e9, inclusive, alvo de discuss\u00e3o na academia. Os l\u00edderes tinham ideias abolicionistas, mas para levar o pensamento adiante era preciso romper com o status quo da \u00e9poca. \u201cEra algo muito capilarizado e mexer nesse estrutura era tocar em algo essencial dessa sociedade e \u00e9 onde se encontram os limites da revolu\u00e7\u00e3o. Haviam boatos que iriam abolir a escravid\u00e3o, mas o governo provis\u00f3rio precisou publicar uma nota informando o contr\u00e1rio\u201d, explicou Cabral. No texto, o governo dizia: \u201cA suspeita de voc\u00eas muito nos honra, porque a escravid\u00e3o \u00e9 ruim, mas vamos respeitar as propriedades privadas, mas desejamos abolir a escravid\u00e3o gradualmente\u201d, pontua o professor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA escravid\u00e3o \u00e9 o grande bode na sala da Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana. Seus documentos defendiam ideais republicanos e liberais, inspirados pela Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, e propunha que todos os seres humanos nasciam livres e com direitos iguais. Apesar disso, em momento algum as proclama\u00e7\u00f5es de 1817 sugerem o fim do tr\u00e1fico negreiro ou a aboli\u00e7\u00e3o. O motivo \u00e9 bem simples: alguns dos principais l\u00edderes do movimento eram senhores de engenho. Pertenciam, portanto, \u00e0 mais fina flor da aristocracia rural escravagista da \u00e9poca. Um dos filhos do l\u00edder revolucion\u00e1rio Domingos Jos\u00e9 Martins, hom\u00f4nimo do pai, se tornaria alguns anos mais tarde o maior traficante de escravos na costa do Benin, na \u00c1frica, onde at\u00e9 hoje existe uma numerosa fam\u00edlia de descendentes dele. Havia, claro, gente com simpatias abolicionistas no movimento, mas o tema era explosivo demais para ser defendido publicamente\u201d, destaca o jornalista e escritor Laurentino Gomes, autor do livro \u201c1808\u201d sobre a chegada da fam\u00edlia real portuguesa ao Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram 75 dias da Rep\u00fablica Pernambucana, que caiu por terra diante da falta de apoio das outras prov\u00edncias, pelas falhas na organiza\u00e7\u00e3o militar do territ\u00f3rio e por contradi\u00e7\u00f5es internas, mas os princ\u00edpios de liberdade, \u00e9tica e a amplia\u00e7\u00e3o dos direitos do cidad\u00e3o perpassaram os s\u00e9culos e continuam vivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os l\u00edderes foram mortos ou presos e documentos hist\u00f3ricos foram destru\u00eddos a mando do Rei para evitar novas revoltas. Pouco explorada pela hist\u00f3ria brasileira, a Revolu\u00e7\u00e3o de 1817 \u00e9 considerada de suma import\u00e2ncia para os ideais de Independ\u00eancia, em 1822. Pelo seu car\u00e1ter regional, Para\u00edba, Rio Grande do Norte e parte do Cear\u00e1 se juntaram ao movimento, mas capitularam rapidamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 19 de maio, uma for\u00e7a de oito mil homens cercou Pernambuco e executou os envolvidos. Como puni\u00e7\u00e3o, a Coroa tirou de Pernambuco o territ\u00f3rio de Alagoas. \u201cCelebrar o Bicenten\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o de 1817 \u00e9 tamb\u00e9m relembrar a import\u00e2ncia destes valores para os nossos dias\u201d, defende George Cabral.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">VEJA O MAPA DO NORDESTE NA \u00c9POCA DA REVOLU\u00c7\u00c3O<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a title=\"JC-CAC0305_REVOLUCAO-web\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/pjveras\/32851173260\/in\/dateposted-public\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c1.staticflickr.com\/1\/696\/32851173260_2f42ccfc96_o.jpg\" alt=\"JC-CAC0305_REVOLUCAO-web\" width=\"470\" height=\"1100\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Confira abaixo um r\u00e1pido hist\u00f3rico em desenho do epis\u00f3dio:<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/mais.uol.com.br\/static\/uolplayer\/index.html?mediaId=16156225\" width=\"100%\" height=\"360\" frameborder=\"0\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Revolu\u00e7\u00e3o 1817 completa dois s\u00e9culos, nesta segunda (6), mas ainda \u00e9 epis\u00f3dio pouco explorado na hist\u00f3ria do Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":179982,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-179981","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/revolucao-pernambucana1.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/179981","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=179981"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/179981\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/179982"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=179981"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=179981"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=179981"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}