{"id":180457,"date":"2017-03-08T10:40:51","date_gmt":"2017-03-08T13:40:51","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=180457"},"modified":"2017-03-08T10:40:51","modified_gmt":"2017-03-08T13:40:51","slug":"luta-feminina-nas-organizacoes-sindicais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/luta-feminina-nas-organizacoes-sindicais\/","title":{"rendered":"A luta feminina nas organiza\u00e7\u00f5es sindicais"},"content":{"rendered":"<div class=\"title\">\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><em>Mulheres pernambucanas enfrentaram v\u00e1rios obst\u00e1culos e hoje ocupam cargos de lideran\u00e7a em sindicatos<\/em><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"author fa fa-user\">Por Lara T\u00f4rres<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"content_text\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"align_center\" title=\"Suzineide Rodrigues, Dulcilene Morais e Simone Fontana integram sindicatos em PE\" src=\"http:\/\/www.leiaja.com\/sites\/default\/files\/field\/image\/carreiras\/topo\/2017\/03\/lara_-_montagem_1.jpg\" alt=\"Montagem\" width=\"957\" height=\"436\" \/><span class=\"legendaFotoGrande\">Suzineide Rodrigues, Dulcilene Morais e Simone Fontana integram sindicatos em PE<em>Montagem<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a ONU Mulheres Brasil, os espa\u00e7os de grupos de apoio e organiza\u00e7\u00e3o sindical, apesar de significarem um importante centro de luta e empoderamento feminino pela dignidade trabalhista e econ\u00f4mica, ainda \u00e9, por vezes, inacess\u00edvel a algumas mulheres. A falta de tempo e estrutura causadas pelo machismo, al\u00e9m da tripla jornada de trabalho das mulheres economicamente ativas, as afastam desses espa\u00e7os de milit\u00e2ncia e reivindica\u00e7\u00e3o de direitos sociais no trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>LeiaJa.com<\/strong> buscou hist\u00f3rias inspiradoras de mulheres pernambucanas que conseguiram passar por todas essas barreiras sociais impostas pelo g\u00eanero e n\u00e3o somente participam dos sindicatos de suas categorias de trabalho, como chegaram a postos de lideran\u00e7a como coordena\u00e7\u00e3o geral e presid\u00eancia, ganhando reconhecimento e respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.leiaja.com\/sites\/default\/files\/enviados-2017\/Dulcilene.jpg\" alt=\"\" width=\"312\" height=\"235\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cN\u00e3o esperavam que uma mulher fizesse tanta transforma\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dulcilene Morais \u00e9 presidenta do Marreta (Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o Civil e Pesada de Pernambuco) e afirma que o machismo est\u00e1 presente no movimento sindical primeiramente por estar entranhado na sociedade brasileira: \u201cO movimento sindical como a sociedade \u00e9 machista, porque o machismo \u00e9 cultural na quest\u00e3o do patriarcado, que prega que mulher tem que ficar em casa lavando prato e limpando menino\u201d, opina Dulcilene.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com ela, por volta de 1988, teve in\u00edcio a luta pela presen\u00e7a feminina no sindicato, que a levou ao pioneirismo como mulher ocupando a presid\u00eancia. \u201cQuando entrei no movimento sindical, come\u00e7ou o movimento da CUT para colocar as mulheres nas dire\u00e7\u00f5es dos sindicatos, mas n\u00e3o esperavam que uma mulher fizesse tanta transforma\u00e7\u00e3o. Implementamos caf\u00e9 e almo\u00e7o na obra, pol\u00edticas de seguran\u00e7a nas construtoras que tratavam os trabalhadores como algo descart\u00e1vel e n\u00f3s for\u00e7amos a aplicar normas a partir da patrulha sindical nas obras. Tamb\u00e9m implantamos sala de aula em obras a primeira do pa\u00eds. Foi uma s\u00e9rie de quest\u00f5es que mostramos que se o trabalhador tem direito e as oligarquias perseguem nosso sindicato, pois n\u00e3o aceitamos ser tratados como resto de material da obra, temos que ser tratados com respeito\u201d, conta a sindicalista. Outra conquista do Marreta diz respeito \u00e0 equipara\u00e7\u00e3o salarial e equidade de g\u00eanero nos quadros profissionais das empresas de constru\u00e7\u00e3o. Segundo Dulcineide, foi preciso recorrer ao Minist\u00e9rio P\u00fablico para garantir que as engenheiras ganhassem os mesmos sal\u00e1rios que os engenheiros homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre quest\u00f5es como dupla jornada e necessidades estruturais que permitam \u00e0s mulheres uma atua\u00e7\u00e3o forte nos sindicatos, Dulcineide afirma que patr\u00f5es e maridos s\u00e3o barreiras muito presentes. \u201cElas t\u00eam o tabu em casa que \u00e0s vezes o marido n\u00e3o quer deixar, \u00e0s vezes a empresa n\u00e3o quer liberar a mulher, mas a gente garantiu que elas poder\u00e3o participar nas mesas de comiss\u00e3o em igualdade de direitos em rela\u00e7\u00e3o aos homens. Os sindicatos t\u00eam que ter estrutura de creche, por exemplo, para a mulher ficar tranquila tendo onde deixar seu filho para poder vir para a luta com mais vontade. Elas v\u00eam at\u00e9 com mais vontade que os homens na minha avalia\u00e7\u00e3o, tomam consci\u00eancia de que t\u00eam que lutar pelos seus direitos&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O setor da constru\u00e7\u00e3o \u00e9, geralmente, visto como um segmento de trabalho para homens. Quando perguntada sobre como \u00e9 presidir um sindicato desse ramo sendo mulher, Dulcineide afirma que o machismo \u00e9 forte sim, mas que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o que ele existe: \u201cTemos outras mulheres em sindicatos de constru\u00e7\u00e3o civil, mas o machismo tamb\u00e9m est\u00e1 presente em categorias tipicamente femininas que s\u00e3o presididos por homens e n\u00e3o mulheres, isso \u00e9 um reflexo da realidade social\u201d, finaliza a presidente do Marreta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pauta de luta trabalhista\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Coordenadora Geral do Sindicato Municipal dos Profissionais de Ensino da Rede Oficial do Recife (Simpere), Simone Fontana, afirma que a diretoria de seu sindicato tem maioria feminina como reflexo da categoria do ensino que \u00e9, em maioria, composta por mulheres. No entanto, ela reconhece as dificuldades que as mulheres enfrentam nos sindicatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs dificuldades s\u00e3o muitas, pois mulheres t\u00eam trabalhos de cuidado com fam\u00edlia, filhos, idosos\u201d, explica Simone. Para ela, garantir que as mulheres estejam inseridas no contexto sindical deve ser uma pauta de luta trabalhista e \u00e9 preciso que os pr\u00f3prios sindicatos tenham uma estrutura de acolhimento para possibilitar essa participa\u00e7\u00e3o: \u201cA atua\u00e7\u00e3o sindical \u00e9 dif\u00edcil para mulheres se a estrutura do sindicato n\u00e3o tem essa vis\u00e3o e n\u00e3o garante esse suporte. N\u00f3s somos importantes e n\u00e3o devemos ficar restritas nem na hora da luta e nem na organiza\u00e7\u00e3o familiar, pois os ataques atingem as mulheres, como reforma da previd\u00eancia, restri\u00e7\u00e3o de pens\u00f5es, aposentadoria especial e PEC dos gastos p\u00fablicos&#8221;, opina a integrante do Simpere.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.leiaja.com\/sites\/default\/files\/enviados-2017\/suzineide%20sindicato%20bancrios.jpg\" alt=\"\" width=\"312\" height=\"235\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cMe disseram que sindicalista n\u00e3o tinha direito a licen\u00e7a maternidade\u201d\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suzineide Rodrigues \u00e9 a presidenta do Sindicato dos Banc\u00e1rios de Pernambuco, mas enfrentou diversas dificuldades at\u00e9 chegar a este posto. \u201cQuando entrei no sindicato em 1991 senti na pele o que \u00e9 ser mulher com filho pequeno num sindicato em que sua jornada n\u00e3o tem hor\u00e1rio. Nenhuma outra mulher l\u00e1 era m\u00e3e e quando precisei tirar licen\u00e7a, me disseram que sindicalista n\u00e3o tira licen\u00e7a maternidade\u201d. Segundo ela, a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 mudou quando outra sindicalista se tornou m\u00e3e e foi iniciado o debate para fazer valer a lei que confere \u00e0s mulheres o direito de cuidar de seus filhos rec\u00e9m-nascidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suzineide diz que foi dif\u00edcil conseguir introduzir a pauta de discuss\u00e3o feminista dentro do sindicato e enfrentou muita resist\u00eancia. &#8220;Em nossa trajet\u00f3ria houve muita luta para conseguir visibilidade e para ter uma mulher presidenta. S\u00f3 com 79 anos de sindicato a gente conseguiu ter a primeira, teve um racha na diretoria e a presidenta venceu por dois votos de diferen\u00e7a apenas\u201d. De acordo com Suzineide,\u00a0o enfrentamento trouxe bons frutos para as banc\u00e1rias. \u201cConseguimos aux\u00edlio creche em conven\u00e7\u00e3o coletiva, as m\u00e3es banc\u00e1rias recebem um valor para ajudar a pagar. No sindicato a gente flexibiliza o hor\u00e1rio, paga hora extra de bab\u00e1, bota creche quando tem curso, para ajudar pessoas que t\u00eam filhos. A gente tamb\u00e9m desbravou o debate sobre viol\u00eancia contra a mulher e sobre paridade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 sua consolida\u00e7\u00e3o como presidente do Sindicato, Suzineide enfrentou resist\u00eancias. \u201cA ideia de ter mulheres vai bem na base, mas \u00e9 dif\u00edcil para n\u00f3s subirmos aos postos de poder. Quando estamos nesse cargo, os homens n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o diretamente machistas de dizer que n\u00e3o temos compet\u00eancia, mas se a gente n\u00e3o mostrar muito pulso de lideran\u00e7a no trabalho em equipe, dificulta&#8221;, complementa.<\/p>\n<div class=\"bottom_barra\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres pernambucanas enfrentaram v\u00e1rios obst\u00e1culos e hoje ocupam cargos de lideran\u00e7a em sindicatos<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":180458,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-180457","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/mulheres.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180457","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=180457"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180457\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/180458"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=180457"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=180457"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=180457"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}