{"id":18071,"date":"2013-09-23T07:45:27","date_gmt":"2013-09-23T10:45:27","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=18071"},"modified":"2013-09-24T10:40:39","modified_gmt":"2013-09-24T13:40:39","slug":"uniao-paga-apenas-r-5-a-agricultor-desapropriado-pela-transnordestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/uniao-paga-apenas-r-5-a-agricultor-desapropriado-pela-transnordestina\/","title":{"rendered":"Uni\u00e3o paga apenas R$ 5 a agricultor desapropriado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-18072\" alt=\"paca\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/paca-300x213.jpg\" width=\"300\" height=\"213\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/paca-300x213.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/paca-431x307.jpg 431w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/paca-1024x727.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apenas R$ 5,39. Essa foi a indeniza\u00e7\u00e3o oferecida a um agricultor do Piau\u00ed cuja terra integra o tra\u00e7ado da ferrovia Transnordestina, uma das principais obras do PAC (Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento) do governo federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o dinheiro, equivalente a menos de um centavo por metro quadrado, o dono da terra, Nelson do Nascimento, 67, n\u00e3o conseguiria nem ir ao f\u00f3rum para contestar o valor: gastaria R$ 10 s\u00f3 para isso.<\/p>\n<p>Nascimento vive na comunidade quilombola Contente, em Paulistana, por onde passa a Transnordestina, que ligar\u00e1 o sert\u00e3o do Piau\u00ed ao litoral do Cear\u00e1 e de Pernambuco. Ao todo, s\u00e3o 1.728 km.<\/p>\n<p>Com a obra, ele n\u00e3o sabe mais se chegar\u00e1 \u00e0 ro\u00e7a de onde tira sustento &#8211;a ferrovia abrange uma \u00e1rea de cerca de 583 m\u00b2 que usa como acesso. &#8220;\u00c9 muito errado isso. Cortou minha terra no meio&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Segundo o procurador da Rep\u00fablica Francisco Forte, ao menos 21 fam\u00edlias da comunidade contestam os valores.<\/p>\n<p>\u00d3rg\u00e3os p\u00fablicos e empresas envolvidos na obra est\u00e3o cientes do problema. &#8220;Todos t\u00eam consci\u00eancia de que os valores s\u00e3o irris\u00f3rios e injustos&#8221;, diz Alexandro Reis, da Funda\u00e7\u00e3o Palmares, \u00f3rg\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura que certifica comunidades quilombolas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Nascimento, &#8220;premiado&#8221; com o menor valor, moradores relatam indeniza\u00e7\u00f5es de R$ 18, R$ 24 e R$ 140.<\/p>\n<p>Para o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), que firmou conv\u00eanio com o Estado para as desapropria\u00e7\u00f5es, em princ\u00edpio n\u00e3o h\u00e1 erro. &#8220;Estamos analisando esse poss\u00edvel problema. A indeniza\u00e7\u00e3o foi calculada por par\u00e2metros usados em todas as desapropria\u00e7\u00f5es&#8221;, diz M\u00e1rio Dirani, diretor de infraestrutura ferrovi\u00e1ria.<\/p>\n<p>Moradores afirmam que as indeniza\u00e7\u00f5es s\u00e3o menores at\u00e9 mesmo do que o valor de mercado das \u00e1reas mais castigadas pela seca, onde o m\u00ednimo pago varia de R$ 300 a R$ 500 por hectare, ou R$ 0,03 a R$ 0,05 o m\u00b2, segundo t\u00e9cnicos do Emater e o sindicato de agricultores de Paulistana.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma humilha\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Ant\u00f4nio Bispo dos Santos, l\u00edder quilombola no Piau\u00ed. &#8220;Quem vem avaliar s\u00e3o pessoas que n\u00e3o sabem como funciona a vida na ro\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo o procurador Francisco Forte, o problema est\u00e1 nos crit\u00e9rios de c\u00e1lculo. &#8220;O m\u00e9todo leva em considera\u00e7\u00e3o basicamente o valor da terra, e n\u00e3o os impactos na vida comunit\u00e1ria&#8221;, afirma. Segundo ele, moradores chegam a ter que percorrer 5 km para ir de um local a outro.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda outros impactos. Segundo Juc\u00e9lia Xavier, 41, l\u00edder no quilombo Contente, fam\u00edlias est\u00e3o com casas e cisternas rachadas. A obra tamb\u00e9m dificultou o acesso \u00e0 escola e aos a\u00e7udes usados para fornecer \u00e1gua aos animais. &#8220;Ficou tudo para o outro lado: l\u00e1 era onde a gente plantava, criava os bichinhos.&#8221; (Na Folha de S\u00e3o Paulo)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apenas R$ 5,39. Essa foi a indeniza\u00e7\u00e3o oferecida a um agricultor do Piau\u00ed cuja terra integra o tra\u00e7ado da ferrovia Transnordestina, uma das principais obras do PAC (Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento) do governo federal. 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