{"id":18089,"date":"2013-09-23T08:54:28","date_gmt":"2013-09-23T11:54:28","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=18089"},"modified":"2013-09-23T08:54:28","modified_gmt":"2013-09-23T11:54:28","slug":"a-nova-face-da-marquesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-nova-face-da-marquesa\/","title":{"rendered":"A nova face da Marquesa"},"content":{"rendered":"<p>Lan\u00e7ado no Festival de Hist\u00f3ria de Diamantina, livro revela lado menos conhecido de Domitila, a mais famosa amante de D. Pedro<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-18092\" alt=\"ImageProxy (2)\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy-212-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy-212-300x225.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy-212-409x307.jpg 409w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/ImageProxy-212.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Diamantina &#8211; Uma jovem prendada e de origem humilde. Domitila de Castro Canto e Melo poderia passar despercebida entre os 20 mil moradores da S\u00e3o Paulo, se um breve encontro com o ent\u00e3o pr\u00edncipe regente Pedro, \u00e0s v\u00e9speras da Proclama\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia, n\u00e3o a pusesse entre as personagens mais controversas do Imp\u00e9rio brasileiro. Sua trajet\u00f3ria \u00e9 revisitada no livro \u201cDomitila \u2014 a verdadeira hist\u00f3ria da Marquesa de Santos\u201d, lan\u00e7ado este m\u00eas por Paulo Rezzutti, que participa hoje de um debate sobre a obra no Festival de Hist\u00f3ria de Diamantina.Domitila, em quase 200 anos, n\u00e3o se livrou dos boatos que a acompanharam durante seu romance com D. Pedro I. A paix\u00e3o lhe rendeu um palacete no Rio, criados, um banho de loja e uma ascens\u00e3o mete\u00f3rica na hierarquia imperial. Seu primeiro posto na Coroa foi como dama da imperatriz Leopoldina. Cinco anos depois, ela receberia o t\u00edtulo de Marquesa de Santos.<\/p>\n<p>A ostensiva troca de afagos com Pedro I rendeu a Domitila a fama de \u201cmulher perdida\u201d, manipuladora e corrupta. Al\u00e9m de conseguir t\u00edtulos reais para seus parentes, a marquesa teria se aproveitado do contato com o imperador para facilitar neg\u00f3cios particulares, como a venda de minas de ouro para estrangeiros, uma pr\u00e1tica proibida pela lei. Sua riqueza triplicou desde a chegada \u00e0 nobreza. Acumulou uma fortuna estimada em R$ 120 milh\u00f5es, em valores de hoje. Em caricaturas expostas nas fachadas de casas do Centro do Rio, Pedro I aparecia como um cavalo puxando a carruagem da amante.<\/p>\n<p>Um lado menos conhecido da vida de Domitila \u00e9 sua trajet\u00f3ria ap\u00f3s o fim dos sete anos de romance com D. Pedro I. O imperador despachou-a para S\u00e3o Paulo, onde ela soube reciclar sua imagem com outros atributos: m\u00e3e zelosa, senhora cuidadosa com as vestes, idosa interessada na ordem das carmelitas e preocupada com o bem-estar de seus escravos \u2014 lembrados, inclusive, em seu testamento.<\/p>\n<p>\u2014 Ela \u00e9 uma das personagens mais complexas da Hist\u00f3ria do Brasil \u2014 avalia Rezzutti. \u2014 \u00c9 chocante a diferen\u00e7a em sua abordagem. No Rio, onde esteve com Pedro I, Domitila \u00e9 vista como a grande vil\u00e3 do Imp\u00e9rio. Em S\u00e3o Paulo, a cidade em que nasceu e para onde voltou ap\u00f3s seu relacionamento com o imperador, \u00e9 considerada uma dama benevolente e determinada.<\/p>\n<p>Antes de conhecer Pedro I, Domitila j\u00e1 causava burburinho. Era casada com Fel\u00edcio de Mendon\u00e7a, que a espancava frequentemente. Na manh\u00e3 de 6 de mar\u00e7o de 1819, foi esfaqueada duas vezes pelo marido, na coxa e na barriga. Pediu a separa\u00e7\u00e3o, mas s\u00f3 o conseguiu cinco anos depois, quando j\u00e1 era amante do imperador. Os detratores de Domitila a acusariam depois de ter sido agredida porque tra\u00eda Fel\u00edcio.<\/p>\n<p>Pedro I e Domitila conheceram-se poucos dias antes da Proclama\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia. O imperador chegou a S\u00e3o Paulo escoltado pelo irm\u00e3o ca\u00e7ula de Domitila, o cadete Francisco de Castro do Canto e Melo. Entre o fim de agosto e a primeira quinzena do m\u00eas seguinte, o casal concebeu seu primeiro filho (foram cinco, ao todo). Pedro I j\u00e1 era casado com Leopoldina, que estava no Rio. Pedro I nunca deixou que seu estado civil servisse de empecilho para seu comportamento mulherengo.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c0 \u00e9poca, o casamento era visto como uma alian\u00e7a entre monarquias, um neg\u00f3cio \u2014 descreve Rezzutti. \u2014 O amor era uma anomalia. Leopoldina se apaixonou pelo marido. Ela sofria porque ele ignorava seu sentimento e por estar isolada em uma Corte que a discriminava.<\/p>\n<p>Na troca de cartas, Pedro I assinava como \u201cDemon\u00e3o\u201d ou \u201cFogo-foguinho\u201d; Domitila era \u201cTit\u00edlia\u201d. Quando o imperador a levou para a capital do Imp\u00e9rio, mandou construir para ela um palacete vizinho \u00e0 Quinta da Boa Vista, que tinha inclusive uma passagem secreta \u00e0 cama da amante.<\/p>\n<p>Domitila foi rejeitada pelos aristocratas. Uma vez, sua entrada foi barrada em um teatro, conhecido por seu p\u00fablico seleto. O imperador mandou fechar o estabelecimento e queimar seus cen\u00e1rios.<\/p>\n<p>Quando foi al\u00e7ada ao posto de dama camareira, a amante do imperador teve acesso di\u00e1rio a Leopoldina \u2014 e, por extens\u00e3o, a Pedro I \u2014, o que aumentava o constrangimento da imperatriz. Depois, Domitila tornou-se viscondessa e, por fim, marquesa. Pedro I pegava joias de sua mulher para d\u00e1-las a amante. A imperatriz s\u00f3 expressou sua contrariedade para confidentes pr\u00f3ximos, chamando a rival de \u201caquela bruxa\u201d.<\/p>\n<p><strong>A \u2018santa casamenteira\u2019<\/strong><\/p>\n<p>Leopoldina morreu em 1826, aos 29 anos. Por seu temperamento doce, era chamada de \u201cm\u00e3e dos pobres\u201d. A popula\u00e7\u00e3o, arrasada, procurava um culpado. Pedro I estava no Sul do pa\u00eds. Domitila escondeu-se por alguns dias na casa de uma de suas damas de companhia. Um de seus irm\u00e3os foi agredido na rua.<\/p>\n<p>\u2014 Meses depois, Pedro I mandou emiss\u00e1rios brasileiros \u00e0 Europa procurarem uma nova esposa para ele. Era uma miss\u00e3o complicada, pois toda a Europa acompanhou estarrecida como o imperador exibia a amante. \u2014 conta Rezzutti. \u2014 Ele diminuiu seus crit\u00e9rios para conseguir uma nova mulher, uma nobre b\u00e1vara de segundo escal\u00e3o, D. Am\u00e9lia.<\/p>\n<p>Para escapar de novos esc\u00e2ndalos, Pedro I mandou, em 1829, Domitila e sua fam\u00edlia para S\u00e3o Paulo. Em 38 anos, ela conquistou uma boa reputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Ela brigou para conseguir seus direitos como marquesa, que passaram a ser desprezados por Pedro I. Ao mesmo tempo, trouxe a pompa que aprendeu no Rio para S\u00e3o Paulo, uma cidade provinciana \u2014 lembra Rezzutti. \u2014 Promoveu festas e saraus em seu solar, apresentando as mo\u00e7as locais para estudantes de direito. Ali come\u00e7aram muitos casamentos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e0 toa, Domitila tornou-se uma esp\u00e9cie de santa casamenteira. Diz-se que as mulheres que d\u00e3o tr\u00eas voltas ao redor de sua l\u00e1pide e beijam o seu retrato, no Cemit\u00e9rio da Consola\u00e7\u00e3o, em S\u00e3o Paulo, arrumam marido. Tamb\u00e9m \u00e9 conhecida como \u201csanta das prostitutas\u201d, por ter ajudado estas mulheres, nas \u00faltimas d\u00e9cadas de sua vida. Domitila levou para o t\u00famulo a ambiguidade que cercou sua vida. Promoveu o \u201camor rom\u00e2ntico\u201d em sua casa paulistana, mas foi lembrada pelo \u201camor carnal\u201d no palacete carioca constru\u00eddo pelo primeiro imperador do Brasil.<\/p>\n<p>Fonte: O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lan\u00e7ado no Festival de Hist\u00f3ria de Diamantina, livro revela lado menos conhecido de Domitila, a mais famosa amante de D. Pedro Diamantina &#8211; Uma jovem prendada e de origem humilde. 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