{"id":182124,"date":"2017-03-18T16:12:52","date_gmt":"2017-03-18T19:12:52","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=182124"},"modified":"2017-03-18T16:12:53","modified_gmt":"2017-03-18T19:12:53","slug":"existe-um-vinculo-secreto-entre-estrutura-universo-e-musica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/existe-um-vinculo-secreto-entre-estrutura-universo-e-musica\/","title":{"rendered":"Existe um v\u00ednculo secreto entre a estrutura do universo e a m\u00fasica?"},"content":{"rendered":"<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Livro revela a rela\u00e7\u00e3o profunda da m\u00fasica com o cosmos, e o imenso poder criativo da met\u00e1fora<\/em><\/h2>\n<p>Para um apaixonado pela <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/fisica\/a\">f\u00edsica<\/a> e o <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/jazz\/a\">jazz<\/a> um livro intitulado <em><a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Jazz-Physics-Between-Structure-Universe\/dp\/0465034993\">The Jazz of Physics: The Secret Link Between Music and the Structure of the Universe<\/a><\/em> (o jazz da f\u00edsica: a liga\u00e7\u00e3o secreta entre a m\u00fasica e a estrutura do universo) exerce a atra\u00e7\u00e3o gravitacional de um <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/agujeros_negros\/a\">buraco negro<\/a> e faz a mente voar pelos confins do cosmos. Os que s\u00f3 amam uma dessas duas mat\u00e9rias, ou nenhuma, podem ler esta obra e se deixar arrastar pelo influxo das rela\u00e7\u00f5es ocultas entre disciplinas d\u00edspares, pelo imenso poder criativo da met\u00e1fora.<\/p>\n<figure id=\"attachment_182125\" aria-describedby=\"caption-attachment-182125\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/existe-um-vinculo-secreto-entre-estrutura-universo-e-musica\/musica\/\" rel=\"attachment wp-att-182125\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-182125 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/musica-620x351.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"351\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/musica-620x351.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/musica-300x170.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/musica-768x435.jpg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/musica-160x91.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/musica-640x362.jpg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/musica.jpg 1960w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-182125\" class=\"wp-caption-text\">O cientista Albert Einstein, em 1931 (esquerda) e o m\u00fasico de jazz John Coltrane, em 1966 AP<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imagine dois peixes que falam entre si em um rio, perto do precip\u00edcio de uma cachoeira. Suas mensagens viajam \u00e0 velocidade do som na \u00e1gua, o que n\u00e3o est\u00e1 mal para o espesso discurso que podemos esperar dessa esp\u00e9cie aqu\u00e1tica. O peixe mais afortunado fica enredado entre as ra\u00edzes de um nen\u00fafar, enquanto o outro se desvia de modo fatal para a cachoeira. Apesar disso podem continuar falando sem problemas: a voz do peixe estancado viaja ajudada pela corrente e a do peixe condenado segue contra a corrente e leva mais tempo para chegar a seu interlocutor, mas a conversa prossegue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De repente, no mesmo momento em que o segundo peixe cruza a beira do precip\u00edcio, a situa\u00e7\u00e3o muda radicalmente. O peixe que cai pela cachoeira continua recebendo o som do outro, mas seus gritos por ajuda j\u00e1 n\u00e3o chegam a seu interlocutor. A velocidade com que a \u00e1gua cai pela cachoeira \u00e9 maior que a do som, e o pobre peixe desaparece de seu mundo para todos os efeitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trocando o som pela luz, esta pequena hist\u00f3ria \u00e9 a met\u00e1fora perfeita de um buraco negro, o objeto mais ex\u00f3tico e enigm\u00e1tico que a ci\u00eancia descobriu. A beirada da cachoeira representa o \u201chorizonte de eventos\u201d do buraco negro, a fronteira a partir da qual qualquer coisa, peixe ou astronauta, mat\u00e9ria ou energia, cai com tal velocidade para a atra\u00e7\u00e3o gravitacional fatal do buraco negro que n\u00e3o pode escapar dele. Nem sequer a luz pode escapar, da\u00ed se chamar negro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 somente uma das mil met\u00e1foras que Stephon Alexander, f\u00edsico e sax tenor, apresenta em seu livro <em>The Jazz of Physics<\/em>. O exemplo de dois peixes n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com o jazz \u2013 t\u00e3o somente com o som\u2013, mas h\u00e1 uma raz\u00e3o s\u00f3lida para mencion\u00e1-lo: que a inten\u00e7\u00e3o principal do livro \u00e9 mostrar o poder da analogia e da met\u00e1fora para o pensamento, tamb\u00e9m o pensamento cient\u00edfico. E por explicar com transpar\u00eancia o horizonte de eventos de um buraco negro, um dos conceitos mais radicais e complexos da <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ciencia\/a\">ci\u00eancia<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas <em>The Jazz of Physics<\/em> n\u00e3o \u00e9 somente um t\u00edtulo charmoso. O livro corresponde \u00e0s expectativas. Alexander \u00e9 um bom f\u00edsico te\u00f3rico, formado com os melhores cientistas e professor da Universidade Brown, e tamb\u00e9m um respeit\u00e1vel saxofonista de jazz. Sua paix\u00e3o, e seus estudos de meia vida, se dividem em partes iguais entre <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/john_coltrane\/a\">John Coltrane<\/a> e <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/albert_einstein\/a\">Albert Einstein<\/a>. E quando uma mente criativa mergulha fundo em dois campos distintos n\u00e3o \u00e9 raro que emerja uma met\u00e1fora, uma liga\u00e7\u00e3o rec\u00f4ndita e penetrante entre dois conhecimentos previamente percebidos como incompat\u00edveis. Assim trabalhavam Coltrane, Einstein e os demais g\u00eanios da hist\u00f3ria. Esse \u00e9 o truque para inovar, para descobrir, para criar pensamento. Movimentar-se no campo de uma s\u00f3 disciplina \u00e9 a armadilha para criadores por excel\u00eancia, o passaporte para a esterilidade.<\/p>\n<p class=\"m_1719484615046394492gmail-m_6781390758104944625gmail-flex-description\" style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, a vida de Stephon Alexander, que \u00e9 a fonte de seu pensamento abarcador, tem muito interesse, e n\u00e3o \u00e9 surpreendente que seu livro tenha um forte componente autobiogr\u00e1fico (como talvez todo romance tenha). Stephon, afro-americano filho de imigrantes de Trinidad, cresceu no Bronx nova-iorquino onde para um garoto negro era muito mais f\u00e1cil vender coca do que estudar f\u00edsica. Enquanto mergulhava nos mist\u00e9rios do sax e da linguagem musical do jazz, por\u00e9m, o adolescente encontrou tempo para ler <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/stephen_w_hawking\/a\">Stephen Hawking<\/a> (<em>Uma Breve Hist\u00f3ria do Tempo<\/em>) e Richard Feynman (<em>O senhor est\u00e1 brincando, Sr. Fenyman?<\/em>), e esses livros abriram um novo continente \u00e0 sua mente inquieta.<\/p>\n<p class=\"m_1719484615046394492gmail-m_6781390758104944625gmail-flex-description\" style=\"text-align: justify;\">\u201cLer tudo o que ca\u00eda em minhas m\u00e3os sobre f\u00edsica me proporcionava uma evas\u00e3o perfeita enquanto crescia em uma parte do Bronx onde a realidade, para muitos, era deprimente\u201d, lembra. \u201cPassei boa parte de meus anos de estudante sentindo-me um incapaz fora de lugar, um rastaf\u00e1ri de Trinidad criado no Bronx.\u201d \u00c9 bem curioso que, no centro pontual desse ambiente marginal, o jovem Stephon dedicasse boa parte do tempo que n\u00e3o tinha a se fazer a m\u00e3e de todas as perguntas: por que existe algo em vez do nada?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma pergunta que, como cada vez mais coisas, era parte da filosofia e agora emigrou para a f\u00edsica, a m\u00e3e de todas as ci\u00eancias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine dois peixes que falam entre si em um rio, perto do precip\u00edcio de uma cachoeira. 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