{"id":18309,"date":"2013-09-23T15:01:37","date_gmt":"2013-09-23T18:01:37","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=18309"},"modified":"2013-09-23T15:01:37","modified_gmt":"2013-09-23T18:01:37","slug":"bebes-abandonados-por-viciadas-em-crack-preocupam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/bebes-abandonados-por-viciadas-em-crack-preocupam\/","title":{"rendered":"Beb\u00eas abandonados por viciadas em crack preocupam"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-18310\" alt=\"crack-mulher\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/crack-mulher.jpg\" width=\"240\" height=\"167\" \/><\/p>\n<p>A quantidade de beb\u00eas rec\u00e9m-nascidos abandonados por m\u00e3es dependentes de crack preocupa autoridades e especialistas. Somente a 1\u00aa. Vara da Inf\u00e2ncia, da Juventude e do Idoso do Rio de Janeiro recebe, mensalmente, pelo menos 80 pedidos de audi\u00eancia para medida protetiva de abrigamento a rec\u00e9m-nascidos. \u201c\u00c9 uma coisa terr\u00edvel e ser\u00edssima\u201d lamentou a titular da vara, Ivone Caetano. \u201cTenho agendados, no m\u00ednimo, tr\u00eas a quatro beb\u00eas sa\u00eddos dos hospitais, por dia, na minha vara. Fora os casos n\u00e3o agendados. E o crackcontribuiu muito para isso\u201d, disse a ju\u00edza.<\/p>\n<p>A chefe-geral do Servi\u00e7o de Assist\u00eancia Social do Hospital Universit\u00e1rio Pedro Ernesto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), na zona norte, Dayse Carvalho, contou que a maternidade envia semanalmente para a Vara da Inf\u00e2ncia e da Adolesc\u00eancia da regi\u00e3o at\u00e9 tr\u00eas rec\u00e9m-nascidos. Algumas m\u00e3es passam mais de uma vez pelo hospital.<\/p>\n<p>\u201cDesde 2002 temos visto um crescente dessas m\u00e3es usu\u00e1rias de drogas. Naquela \u00e9poca lev\u00e1vamos um beb\u00ea para a vara a cada tr\u00eas meses ou mais. De 2010 para c\u00e1, esse n\u00famero tem variado entre dois e tr\u00eas beb\u00eas semanalmente\u201d, contou a m\u00e9dica. Dayse Carvalho ressaltou que as m\u00e3es n\u00e3o abandonam efetivamente os beb\u00eas mas se mostram, na maioria das vezes, incapazes de cuidar da crian\u00e7a. \u201cMuitas choram quando perdem a guarda\u201d, lamentou ela.<\/p>\n<p>Uma pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgada na quinta-feira (19), aponta que cerca de 10% das mulheres usu\u00e1rias de crack relataram aos entrevistadores estar gr\u00e1vidas e mais da metade j\u00e1 haviam engravidado ao menos uma vez depois que come\u00e7aram a usar a droga.<\/p>\n<p>Dayse disse que a nova realidade da maternidade e da pediatria do hospital demandou a busca de parcerias. Uma das medidas tomadas foi o trabalho Amar, de acompanhamento pedi\u00e1trico dessas crian\u00e7as, al\u00e9m de uma parceria que est\u00e1 sendo costurada com o N\u00facleo de Estudos e Pesquisas em Aten\u00e7\u00e3o ao Uso de Drogas (Nepad), tamb\u00e9m da Uerj.<\/p>\n<p>A diretora do Nepad, Ivone Ponczek, explicou que a ideia do projeto \u00e9 tentar atrair essas m\u00e3es para que fa\u00e7am pr\u00e9-natal e trabalhar o v\u00ednculo da m\u00e3e com o beb\u00ea para que as mulheres n\u00e3o desistam da crian\u00e7a. \u201cS\u00e3o, em geral, meninas completamente despreparadas para a maternidade, que n\u00e3o tiveram m\u00e3es, ent\u00e3o a quest\u00e3o do v\u00ednculo e da maternidade \u00e9 muito complicado para elas\u201d, explicou a psicanalista.<\/p>\n<p>\u201cAlgumas n\u00e3o t\u00eam o menor conhecimento do corpo, n\u00e3o sabem o que \u00e9 pulm\u00e3o, n\u00e3o sabem nem a rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito entre o relacionamento sexual e a gravidez\u201d, explicou ela, que defendeu a\u00e7\u00f5es socioeducativas e doa\u00e7\u00e3o de preservativos para esse p\u00fablico como medida preventiva de doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis e gravidez.<\/p>\n<p>O Nepad desenvolve h\u00e1 28 anos pesquisas e trabalhos terap\u00eauticos voltados para dependentes de todos os tipos de droga, com exce\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool. Entretanto, segundo Ponczec, ocrack \u00e9 a principal droga entre os dependentes atendidos no local.<\/p>\n<p>\u201cEstamos muito impactados, pois nunca pensamos que ter\u00edamos que lidar com beb\u00eas, crian\u00e7as, essa rela\u00e7\u00e3o da m\u00e3e com o beb\u00ea. Estamos, inclusive, criando um setor com espa\u00e7o para a amamenta\u00e7\u00e3o e para brinquedos. Recebemos gr\u00e1vidas, m\u00e3es com beb\u00eas, mesmo crian\u00e7as, com 6, 7 anos, j\u00e1 usu\u00e1rias de crack\u201d, lamentou a especialista.<\/p>\n<p>A especialista alertou que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 grave e pede aten\u00e7\u00e3o e esfor\u00e7os por parte das autoridades e da sociedade. \u201cSe n\u00e3o houver interven\u00e7\u00e3o, h\u00e1 o risco de uma continua\u00e7\u00e3o do quadro, de mais beb\u00eas na rua, abandonados, reproduzindo a mesma hist\u00f3ria\u201d, avaliou Ponzcek.<\/p>\n<p>O psiquiatra do Nepad, Paulo Telles, explicou que o crack estimula o sexo para a obten\u00e7\u00e3o de drogas, al\u00e9m de ser consumido em grande parte por adolescentes e pessoas muito jovens. \u201cQuanto mais drogas se usa, menos preven\u00e7\u00e3o se faz durante o sexo. S\u00e3o pessoas que n\u00e3o se cuidam e, provavelmente, n\u00e3o v\u00e3o cuidar de filhos\u201d, lamentou ele. O m\u00e9dico informou que no Nepad, que o percentual de mulheres entre os usu\u00e1rios de crack \u00e9 maior do que entre os usu\u00e1rios de outras drogas. (Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A quantidade de beb\u00eas rec\u00e9m-nascidos abandonados por m\u00e3es dependentes de crack preocupa autoridades e especialistas. Somente a 1\u00aa. 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