{"id":185165,"date":"2017-04-03T04:28:46","date_gmt":"2017-04-03T07:28:46","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=185165"},"modified":"2017-04-03T04:29:02","modified_gmt":"2017-04-03T07:29:02","slug":"heranca-tragica-neoliberalismo-crise-desorganiza-e-empobrece-os-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/heranca-tragica-neoliberalismo-crise-desorganiza-e-empobrece-os-trabalhadores\/","title":{"rendered":"Heran\u00e7a tr\u00e1gica do neoliberalismo, crise desorganiza e empobrece os trabalhadores"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"document-title\" style=\"text-align: justify;\" data-reactid=\"53\"><\/h1>\n<h2 class=\"document-subtitle\" style=\"text-align: justify;\" data-reactid=\"54\"><em>Para a professora de economia da UnB Maria Mollo,a valoriza\u00e7\u00e3o fict\u00edcia do capital nos mercados financeiros desvaloriza as pessoas. Essa \u00e9 a base do neoliberalismo, raz\u00e3o da desigualdade e despertar da crise.<\/em><\/h2>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<article class=\"DocumentPage-content fos-bottomref document-content\" data-reactid=\"73\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imgs.jusbr.com\/publications\/noticias\/images\/image-large-40-1491149718.jpg\" alt=\"Herana trgica do neoliberalismo crise desorganiza e empobrece os trabalhadores\" width=\"\" height=\"\" data-zoom=\"1\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto poucos executivos foram punidos por abusar da especula\u00e7\u00e3o, mais de 60 milh\u00f5es de pessoas perderam emprego no mundo (Foto: Paulo Donizetti de Souza\/RBA)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Paulo \u2013 \u201cSe existe um <strong>legado tr\u00e1gico do neoliberalismo<\/strong> \u00e9 a <strong>desorganiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores<\/strong>. Soma-se a isso uma pauperiza\u00e7\u00e3o enorme que torna prec\u00e1rias as condi\u00e7\u00f5es para retomar qualquer movimento\u201d, avaliou a economista e professora da <a href=\"http:\/\/www.unb.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">UnB<\/a> Maria Mollo. \u201cE a verdade \u00e9 que para transformar qualquer sociedade \u00e9 preciso de organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o tema &#8220;Tend\u00eancias da crise mundial do capitalismo&#8221;, Maria tra\u00e7ou,, durante o <i>Semin\u00e1rio 100 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Russa e 95 do PCdoB<\/i>, realizado na quinta-feira (30), em S\u00e3o Paulo, um panorama geral das crises do capitalismo, em especial a chamada Grande Recess\u00e3o de 2008, desencadeada por inadimpl\u00eancia em financiamentos de alto risco (<i>subprime<\/i>) nos Estados Unidos. Deixando de lado os fatores t\u00e9cnicos que levaram parte da economia global a uma recess\u00e3o, a professora se concentrou em analisar as crises como naturais do sistema capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cExistem duas vis\u00f5es mais fortes, marxistas, sobre a causa da crise. A primeira tem rela\u00e7\u00e3o com a queda da taxa de lucro, uma tend\u00eancia observada pelo pr\u00f3prio Marx em 1897.\u201d Nesta vis\u00e3o, o \u00faltimo ciclo de ascens\u00e3o teria sua recess\u00e3o na <a href=\"http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/revistas\/29\/o-fantasma-de-1929\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">crise de 1929<\/a>. \u201cOs que defendem que a crise de 2008 tem essa mesma caracter\u00edstica, entendem que, na d\u00e9cada de 1970, os mercados experimentaram uma queda na taxa de lucro, mas n\u00e3o o suficiente. Como se o capital n\u00e3o tivesse desvalorizado tanto quanto pede o sistema para que se inicie um novo ciclo\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imgs.jusbr.com\/publications\/noticias\/images\/neandertal1491150105.jpg\" alt=\"Herana trgica do neoliberalismo crise desorganiza e empobrece os trabalhadores\" width=\"\" height=\"\" data-zoom=\"1\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pauperiza\u00e7\u00e3o torna prec\u00e1rias as condi\u00e7\u00f5es de organizar movimento. E para transformar qualquer sociedade \u00e9 preciso de organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria Mollo \u00e9 objetiva. Para ela, a crise \u00e9 reflexo do neoliberalismo. \u201cO capitalismo neoliberal e a financeiriza\u00e7\u00e3o das economias vieram como uma tentativa do capital de se desvincular, fugir, de regulamenta\u00e7\u00f5es que reduzem os lucros. Eles conseguiram isso com a financeiriza\u00e7\u00e3o, que fez, na d\u00e9cada de 1980, subir de forma moderada a taxa de lucro. Mas apesar dessa recupera\u00e7\u00e3o houve uma s\u00e9rie de desequil\u00edbrios ap\u00f3s esse per\u00edodo, como o aumento das d\u00edvidas (interna e externa) e o endividamento dos consumidores, o que fragilizou a economia.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal fragilidade trazida pela financeiriza\u00e7\u00e3o das economias seria, na vis\u00e3o da economista, a raz\u00e3o da crise de 2008. \u201cA separa\u00e7\u00e3o da propriedade do capital e da gest\u00e3o do capital fez com que houvesse um crescimento enorme nos riscos, nos endividamentos, na especula\u00e7\u00e3o. Isso tudo faz descolar a finan\u00e7a da produ\u00e7\u00e3o. Mas tudo tem um limite. O limiar \u00e9 a crise\u201d, argumenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A professora da UnB utiliza o conceito marxista de \u201ccapital fict\u00edcio\u201d para explicar o tema. \u201cEsse capital se desenvolve ao longo do tempo e deu origem a uma forma diferente de capitalismo. Essa forma est\u00e1 sendo colocada em xeque. De fato, todos n\u00f3s sabemos que se h\u00e1 um tra\u00e7o caracter\u00edstico do capitalismo atual \u00e9 a supremacia da economia financeira sobre a produtiva\u201d, disse. Segundo essa vis\u00e3o, o dinheiro em si, que circula nos mercados sem passar pela produ\u00e7\u00e3o, vale mais do que o produto e o trabalho que o produzem de fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA\u00e7\u00f5es de uma empresa se valorizam de forma diferente do capital que lhes deu origem. As a\u00e7\u00f5es reais s\u00e3o omitidas para dar dinheiro para as empresas. Depois de ir para a bolsa, as a\u00e7\u00f5es se valorizam independentemente do que acontece na produ\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o do capital fict\u00edcio\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cria\u00e7\u00e3o desse dinheiro sem passar pela produ\u00e7\u00e3o ou agregar m\u00e3o de obra, para Maria, \u00e9 a base do neoliberalismo, e \u00e9 raz\u00e3o de desigualdade e despertar de crises. \u201cVoc\u00ea compra e vende papel, deixando de investir de fato, deixando de empregar e produzir. N\u00e3o existe valoriza\u00e7\u00e3o de nada real nesse sistema.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMas o que sustenta a demanda por esse capital fict\u00edcio?\u201d, questiona a professora. \u201cOs recursos das produ\u00e7\u00f5es reais, os lucros e sal\u00e1rios. Mas como o dinheiro n\u00e3o volta como investimentos, isso foi levando o mercado a um arrefecimento da gera\u00e7\u00e3o de lucros reais e valoriza\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios. E isso reduziu a demanda e desvalorizou os t\u00edtulos. E com a desvaloriza\u00e7\u00e3o, as pessoas vendem as a\u00e7\u00f5es. Essa venda em massa provoca o que Marx chamou de crise financeira, que se desenvolve no mercado financeiro, mas contamina a economia como um todo\u201d, afirmou.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Retomada e contradi\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imgs.jusbr.com\/publications\/noticias\/images\/marx1491150317.jpg\" alt=\"Herana trgica do neoliberalismo crise desorganiza e empobrece os trabalhadores\" width=\"\" height=\"\" data-zoom=\"1\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A venda em massa de a\u00e7\u00f5es desvalorizadas provoca o crise financeira que se desenvolve no mercado financeiro, e contamina a economia como um todo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A professora considera improv\u00e1vel a retomada da economia sob esse modelo. Se as crises funcionam como mecanismo para queimar o excesso de capital fict\u00edcio, ap\u00f3s 2008 o mundo passou a ver uma mudan\u00e7a no comportamento do Estado, em especial dos Estados Unidos. \u201cPor mais que digam que a economia est\u00e1 retomando, isso \u00e9 mentira. Existe um fator novo no modelo: o governo est\u00e1 injetando um monte de dinheiro na economia\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, para Maria, a crise est\u00e1 longe de uma solu\u00e7\u00e3o. \u201cO capital fict\u00edcio foi a raz\u00e3o da crise e a financeiriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi interrompida. Todas as <a href=\"http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/blogs\/blog-na-rede\/2017\/03\/impactos-das-reformas-trabalhistas-no-mundo\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">pol\u00edticas de austeridade<\/a> que o mundo todo pratica s\u00f3 beneficiam o credor e o financista. Nunca beneficiam o produtor, a n\u00e3o ser que tenha dinheiro aplicado. Isso porque n\u00e3o tem demanda, e como n\u00e3o beneficia o trabalhador, ele perde seu emprego, o que reduz ainda mais a demanda\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe voc\u00ea injeta dinheiro na crise, voc\u00ea impede que a crise de liquidez se transforme em crise de dissolv\u00eancia\u201d, disse em refer\u00eancia \u00e0 crise de 1929. \u201cSempre quem paga a crise \u00e9 o trabalhador, em particular o menos remunerado. Hoje, eles continuam injetando dinheiro, mas sem solu\u00e7\u00e3o. Isso, porque quando h\u00e1 incertezas em cima da demanda, o capitalista n\u00e3o investe. Segura o dinheiro que o Estado injetou\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, diante de uma crise, o Estado deveria apostar em pol\u00edticas antic\u00edclicas, para Maria. Isso, porque sem fortalecer a demanda, os trabalhadores, os poss\u00edveis investidores se restringem ao mercado financeiro, fict\u00edcio, segurando o capital. \u201cA desconfian\u00e7a \u00e9 t\u00e3o grande, e sem seguran\u00e7a n\u00e3o tem investimento. Para isso, s\u00f3 o Estado entrando e ele investindo. E o que o Estado tem feito? Austeridade. Isso significa que o Estado n\u00e3o gasta no lado certo, faz o contr\u00e1rio do que precisa fazer para relan\u00e7ar a economia de forma antic\u00edclica.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA crise \u00e9 reflexo do capital neoliberal tentando se desvencilhar das regula\u00e7\u00f5es do Estado\u201d, continuou. E o problema central, para a professora, \u00e9 que essa pauperiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora desmobiliza, e \u201cpara transformar a sociedade \u00e9 preciso organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Em situa\u00e7\u00f5es adversas, n\u00e3o h\u00e1 como organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores se fortalecerem. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel porque quem est\u00e1 desempregado est\u00e1 louco para arranjar qualquer bico para comer. Isso n\u00e3o organiza ningu\u00e9m\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo, a professora conclui que a desigualdade tende a ser crescente com esse \u201cterr\u00edvel legado\u201d do neoliberalismo: \u201ca desorganiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores com pauperiza\u00e7\u00e3o enorme que torna prec\u00e1rias as condi\u00e7\u00f5es para retomar movimentos transformadores\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por Gabriel Valery, da RBA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: RBA<\/p>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para a professora de economia da UnB Maria Mollo,a valoriza\u00e7\u00e3o fict\u00edcia do capital nos mercados financeiros desvaloriza as pessoas. 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