{"id":18658,"date":"2013-09-24T11:06:23","date_gmt":"2013-09-24T14:06:23","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=18658"},"modified":"2013-09-24T11:20:09","modified_gmt":"2013-09-24T14:20:09","slug":"freio-nos-precos-dos-combustiveis-prejudica-producao-de-etanol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/freio-nos-precos-dos-combustiveis-prejudica-producao-de-etanol\/","title":{"rendered":"Freio nos pre\u00e7os dos combust\u00edveis prejudica produ\u00e7\u00e3o de etanol"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_18661\" aria-describedby=\"caption-attachment-18661\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18661\" alt=\"carlos-gilberto-agrovale\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/carlos-gilberto-agrovale.jpg\" width=\"240\" height=\"167\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-18661\" class=\"wp-caption-text\">Carlos Gilberto Farias, diretor da Agrovale<\/figcaption><\/figure>\n<p>O etanol, que voc\u00ea usa puro no seu autom\u00f3vel flex, ou que vem misturado na gasolina, vive uma crise existencial. Desde 2008, nenhuma grande usina para a produ\u00e7\u00e3o de\u00a0 etanol foi constru\u00edda e 41 unidades de produ\u00e7\u00e3o est\u00e3o paradas no Brasil. Com o pre\u00e7o no mesmo patamar da gasolina, a venda do \u00e1lcool nas bombas vem caindo.<\/p>\n<p>A crise do combust\u00edvel ecologicamente limpo e renov\u00e1vel vem preocupando empres\u00e1rios do setor, a Petrobras e o Governo Federal. A pol\u00edtica de segurar os pre\u00e7os dos combust\u00edveis, para conter a infla\u00e7\u00e3o, brecou as perspectivas de investimentos no etanol e retardou a explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal. Uma combina\u00e7\u00e3o explosiva.<\/p>\n<p>O industrial Carlos Gilberto Farias, diretor da Agrovale \u2013 a\u00a0 maior usina de produ\u00e7\u00e3o de etanol da Bahia, com 70 milh\u00f5es de litros e gerando quase 4.500 empregos diretos \u2013 disse que a sua empresa colocou o p\u00e9 no freio, pelo menos por enquanto, na expectativa de amplia\u00e7\u00e3o e de novos investimentos por causa da grave crise do setor.<\/p>\n<p>Em que p\u00e9 est\u00e1 o novo desafio da Agrovale, de produzir de cana-de-a\u00e7\u00facar para etanol no Projeto Salitre. Como anda o empreendimento?<br \/>\nEm Juazeiro\/BA, produzimos 2,2 milh\u00f5es de toneladas de cana irrigada, 70 milh\u00f5es de litros de \u00e1lcool e geramos 4.260 empregos diretos. No Salitre, no norte da Bahia, estamos em fase de plantio. S\u00e3o v\u00e1rios quil\u00f4metros de canais de irriga\u00e7\u00e3o, esta\u00e7\u00f5es de bombeamento de \u00e1gua e infra-estrutura b\u00e1sica de produ\u00e7\u00e3o. S\u00e3o per\u00edmetros de irriga\u00e7\u00e3o inclu\u00eddos no Projeto Piloto de Investimentos (PPI) e no Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), do governo da Presidenta Dilma. Um projeto dessa dimens\u00e3o, no est\u00e1gio em que se encontra, demandar\u00e1 investimentos de R$ 800 milh\u00f5es. Como a esperan\u00e7a empresarial do mesmo grupo que iniciou a\u00a0 implanta\u00e7\u00e3o da Agrovale h\u00e1 41 anos continua vigorosa,\u00a0 vamos aguardar que a crise passe. O etanol tem que se transformar em commoditie para o mundo e que fique clara a sua inclus\u00e3o na matriz energ\u00e9tica nacional. Como est\u00e1 hoje, \u00e9 muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>E os investimentos realizados em Juazeiro, onde a Agrovale gera 4.260 mil empregos diretos. H\u00e1 um plano de expans\u00e3o?<br \/>\nA Agrovale \u00e9 a \u00fanica usina a fabricar a\u00e7\u00facar e \u00e1lcool no semi-\u00e1rido nordestino. Estamos implantados no Projeto Tour\u00e3o, em Juazeiro\/BA, que \u00e9 a maior \u00e1rea de cana irrigada do mundo\u00a0 &#8211; 21 mil ha. Investimos R$ 91 milh\u00f5es para ampliar a \u00e1rea irrigada de 16,5 mil para os atuais 21 mil hectares. Inauguramos uma nova destilaria, ampliando a capacidade de produ\u00e7\u00e3o de 400 mil para 700 mil litros\/dia de etanol. Foi uma das pioneiras no processo de automa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o e conta com quase todo seu parque industrial automatizado, utilizando tecnologia de comunica\u00e7\u00e3o via rede. Por enquanto, repito, estamos avaliando o cen\u00e1rio, mas confesso que estamos com o p\u00e9 no freio.<\/p>\n<p>Mas a sua empresa venceu bem os desafios da automa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 muito complicada na cultura da cana-de-a\u00e7\u00facar?<br \/>\nChegamos a um n\u00edvel de excel\u00eancia. Somos respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de 82% do a\u00e7\u00facar e 80% do \u00e1lcool do estado, com 100% de cana-de-a\u00e7\u00facar irrigada. Para se ter uma ideia da nossa produtividade, enquanto a Agrovale chegou a 120t\/ha, o Centro-Oeste obteve uma produtividade de 77,6 t\/ha, o Centro-Sul de 69t\/ha, o Sudeste de 82,5 t\/ha e o pr\u00f3prio nordeste que, na m\u00e9dia, atingiu 65t\/ha.<\/p>\n<p>Tecnologia \u00e9 a palavra-chave para vencer os desafios de um clima adverso, como \u00e9 o semi-\u00e1rio baiano?<br \/>\nSem nenhuma d\u00favida. A t\u00e9cnica de irriga\u00e7\u00e3o que utilizamos em Juazeiro\/BA \u00e9 a mesma usada no deserto de Gobi, em Israel, atrav\u00e9s do gotejamento subterr\u00e2neo. Essa tecnologia \u00e9 a mais moderna do mundo, consome 50% do volume de \u00e1gua da irriga\u00e7\u00e3o por sulco, al\u00e9m de elevar a produtividade agr\u00edcola em 30%. Isso fez com que a empresa chegasse a 120 toneladas por hectare e ampliasse o ciclo de planta\u00e7\u00e3o de sete para 12 cortes anuais com um s\u00f3 plantio. Mas tudo isso custa muito caro, exige grandes somas de investimentos.<\/p>\n<p>Na condi\u00e7\u00e3o de diretor da Agrovale, maior produtora de a\u00e7\u00facar e etanol da Bahia, consultado por grandes empresas na \u00e1rea sucroenerg\u00e9tica como, por exemplo, a Odebrecht, e membro do Conselho de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, o Sr. avalia o panorama do etanol no Brasil como dif\u00edcil neste momento?<\/p>\n<p>Muito dif\u00edcil. A oferta de etanol encontra-se estagnada em raz\u00e3o da aus\u00eancia de investimentos do setor sucroenerg\u00e9tico em capacidade produtiva nova e em produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola de cana-de-a\u00e7\u00facar. O crescimento da venda de autom\u00f3veis vem se mantendo acima de 11% ao ano desde 2008, enquanto a produ\u00e7\u00e3o de etanol no pa\u00eds ficou praticamente estagnada no mesmo per\u00edodo: 27,1 bilh\u00f5es de litros em 2008 contra 27,9 bilh\u00f5es de litros em 2011. Ou seja, um crescimento de apenas 1,5% ao ano.<\/p>\n<p>E qual o cen\u00e1rio para os pr\u00f3ximos anos?<br \/>\nEu diria que n\u00e3o muito animador. Em 2015, estima-se a nossa demanda interna por etanol ser\u00e1 de um pouco mais de 40 bilh\u00f5es de litros, enquanto a produ\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser de 28 bilh\u00f5es \u2013 um d\u00e9ficit de 12 bilh\u00f5es. Portanto, o cen\u00e1rio \u00e9 um tanto quanto sombrio.<\/p>\n<p>E quais os fatores que determinaram essa situa\u00e7\u00e3o?<br \/>\nS\u00e3o diversos, como o clima, a mecaniza\u00e7\u00e3o da lavoura \u2013 as perdas s\u00e3o muito grandes na fase de implanta\u00e7\u00e3o \u2013 e o saldo da crise financeira internacional de 2009. As empresas aceleraram as vendas de etanol durante a safra, o que deprimiu fortemente os pre\u00e7os. Os produtores de etanol do Brasil tiveram nove anos sem corre\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o, arcando com o custo Brasil porque o Governo Federal segurou os valores da gasolina e de derivados para conter a infla\u00e7\u00e3o. Com isto, todos os empres\u00e1rios e investidores mundiais deixaram de investir exatamente pela pouca rentabilidade do setor.<\/p>\n<p>E h\u00e1 esperan\u00e7as para o setor?<br \/>\nEsperan\u00e7a, j\u00e1 diz o dito popular, \u00e9 a \u00faltima que morre. Somos otimistas, al\u00e9m do mais trabalhamos com um combust\u00edvel avan\u00e7ado, que \u00e9 provado que reduz a emiss\u00e3o de di\u00f3xido de carbono (CO2). O etanol de cana-de-a\u00e7\u00facar reduz a emiss\u00e3o de CO2 em 61% quando comparado \u00e0 gasolina. Ent\u00e3o, \u00e9 um combust\u00edvel limpo e futurista.<\/p>\n<p>E a produ\u00e7\u00e3o de etanol na Bahia pode ser incrementada rapidamente?<br \/>\nTemos cinco usinas sucroenerg\u00e9ticas (Unial, Santa Maria, Santa Cruz, Ibiralcool e Agrovale), que juntas produziram na safra 2012\/13, cerca de 3,78 milh\u00f5es de toneladas de cana, 114,4 mil toneladas de a\u00e7\u00facar e 220 milh\u00f5es de litros de etanol, o que\u00a0 representa t\u00e3o somente 20% do consumo do Estado. H\u00e1 estudos que falam na utiliza\u00e7\u00e3o de 30 mil ha de terra \u00e0s margens do Rio S\u00e3o Francisco para plantar a cana irrigada e produzir 260 milh\u00f5es de litros de \u00e1lcool combust\u00edvel e gerar 96 MW de energia com a queima do baga\u00e7o. H\u00e1 grandes projetos no munic\u00edpio de S\u00e3o Desid\u00e9rio\/BA, onde a Multigrain investe R$ 570 milh\u00f5es no plantio de 30 mil ha de cana irrigada com \u00e1gua do rio Guar\u00e1. J\u00e1 a coreana Celltrion projeta investir R$ 500 milh\u00f5es no plantio de\u00a0 27 mil ha de cana em Barra\/BA, para plantio de cana e produ\u00e7\u00e3o de 1,3 milh\u00f5es de litros de etanol\/ano. Mas para tudo isso sair do papel, o cen\u00e1rio tem que mudar pra melhor.<\/p>\n<p>O Governo do Estado tem contribu\u00eddo para o aumento da produ\u00e7\u00e3o de etanol?<br \/>\nO governo baiano criou uma pol\u00edtica de incentivos fiscais para a produ\u00e7\u00e3o de etanol no Estado, com percentuais de abatimento da carga tribut\u00e1ria entre 4,5% e 18% sobre o ICMS, conforme o tipo de \u00e1lcool produzido, sua destina\u00e7\u00e3o e a localiza\u00e7\u00e3o da empresa. E isso tem estimulado a cria\u00e7\u00e3o desses projetos que mencionei anteriormente.<\/p>\n<p>Saindo um pouco da seara da cana-de-a\u00e7\u00facar e do etanol, o Sr. pretende mesmo se candidatar \u00e0 presid\u00eancia da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado da Bahia?<br \/>\nSim, sou candidato. Na elei\u00e7\u00e3o anterior, retirei a minha candidatura para que a FIEB ficasse unida em torno do atual presidente, Jos\u00e9 de Freitas Mascarenhas, eleito em abril de 2010 e que j\u00e1 presidiu a entidade por 10 anos, entre 1992 e 2002. E quero ressaltar que Mascarenhas o fez com muita seriedade e compet\u00eancia. Mas precisamos oxigenar a principal entidade de classe da Bahia, cuidando n\u00e3o s\u00f3 dos interesses dos grandes grupos, mas, principalmente, dos m\u00e9dios e pequenos industriais, que est\u00e3o instalados, em sua maioria, no interior da Bahia. Desta vez vou at\u00e9 o fim, porque n\u00e3o sou candidato de mim mesmo, mas da maioria das lideran\u00e7as empresariais baianas que querem a mudan\u00e7a, que tamb\u00e9m acreditam que a Bahia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 litoral.<\/p>\n<p>E o fato de ser um industrial do interior, de Juazeiro\/BA, o credencia a usar a bandeira da interioriza\u00e7\u00e3o da FIEB?<br \/>\nSou alagoano, mas estou na Bahia, na Agrovale, em Juazeiro\/BA, h\u00e1 40 anos. Ent\u00e3o, meu sucesso empresarial, minha fam\u00edlia, enfim minha vida, eu constru\u00ed na Bahia. Sou t\u00e3o juazeirense como as carrancas do Velho Chico. E como empres\u00e1rio baiano, que vive no interior da Bahia, sei das dificuldades que passa uma empresa instalada no interior, longe dos c\u00edrculos do poder da capital. Se \u00e9 dif\u00edcil para uma empresa com o porte da nossa, imagine para os m\u00e9dios e pequenos empres\u00e1rios. A interioriza\u00e7\u00e3o e a desconcentra\u00e7\u00e3o industrial t\u00eam que ser feitas no Brasil. O Estado da Bahia n\u00e3o tem mais capacidade financeira para enfrentar uma guerra fiscal, concedendo isen\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias. Desenvolver o interior e as regi\u00f5es mais pobres do Brasil \u00e9 um dever do Governo Federal e deve ser o fruto de uma pol\u00edtica clara de desenvolvimento regional.<\/p>\n<p>Algumas pessoas ainda lembram o fato do Sr. ser irm\u00e3o de PC Farias para descredenci\u00e1-lo dessa pretens\u00e3o de presidir a FIEB, embora o Sr. seja atualmente vice-presidente dela? Como o Sr. encara isso?<br \/>\nComo um ato de desespero e como uma maldade. Meu irm\u00e3o, que inclusive j\u00e1 n\u00e3o mais vive entre n\u00f3s, est\u00e1 no meu cora\u00e7\u00e3o, porque o sentimento de fraternidade \u00e9 imperec\u00edvel. Os erros que porventura cometeu, ele j\u00e1 pagou.\u00a0 Agora, eu sou outra pessoa, com outra personalidade, com outro comportamento. Tenho 40 anos de servi\u00e7os prestados \u00e0 Bahia e aos baianos como verdadeiro industrial, como empres\u00e1rio que sabe das dificuldades de se manter de p\u00e9, no dia a dia, uma empresa. Sobre o meu comportamento, a minha honestidade, indaguem a um dos meus 4.260 companheiros de trabalho da Agrovale. Ou, aos presidentes dos sindicatos industriais, ou ainda aos governadores Paulo Souto, C\u00e9sar Borges e Jaques Wagner. E n\u00e3o foi \u00e0 toa que recebi, em 1982, o t\u00edtulo de Cidad\u00e3o Baiano, concedido por unanimidade pela Assembleia Legislativa, que tamb\u00e9m me outorgou a Comenda Deputado Lu\u00eds Eduardo Magalh\u00e3es. Recebi tamb\u00e9m a Comenda do Grande M\u00e9rito Industrial da FIEB\/CNI e a Medalha Norberto Odebrecht, outorgada pelo Rotary Club da Bahia. E uma pergunta que n\u00e3o quer calar: se a minha hist\u00f3ria \u00e9 p\u00fablica e me permitiu chegar \u00e0 vice-presid\u00eancia da FIEB, por que n\u00e3o posso aspirar presidi-la?<\/p>\n<p>Tribuna &#8211; Tecnologia \u00e9 a palavra-chave para vencer os desafios de um clima adverso como \u00e9 o semi\u00e1rio baiano?<br \/>\nCarlos Gilberto &#8211; Sem nenhuma d\u00favida. A t\u00e9cnica de irriga\u00e7\u00e3o que utilizamos em Juazeiro\/BA \u00e9 a mesma usada no deserto de Gobi, em Israel, atrav\u00e9s do gotejamento subterr\u00e2neo. Essa tecnologia \u00e9 a mais moderna do mundo, consome 50% do volume de \u00e1gua da irriga\u00e7\u00e3o por sulco, al\u00e9m de elevar a produtividade agr\u00edcola em 30%. Isso fez com que a empresa chegasse a 120 toneladas por hectare e ampliasse o ciclo de planta\u00e7\u00e3o de sete para 12 cortes anuais com um s\u00f3 plantio. Mas tudo isso custa muito caro, exige grandes somas de investimentos.<\/p>\n<p>Tribuna &#8211; Na condi\u00e7\u00e3o de diretor da Agrovale, maior produtora de a\u00e7\u00facar e etanol da Bahia, consultado por grandes empresas na \u00e1rea sucroenerg\u00e9tica como, por exemplo, a Odebrecht, e membro do Conselho de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, o Sr. avalia o panorama do etanol no Brasil como dif\u00edcil neste momento?<br \/>\nCarlos Gilberto &#8211; Muito dif\u00edcil. A oferta de etanol encontra-se estagnada em raz\u00e3o da aus\u00eancia de investimentos do setor sucroenerg\u00e9tico em capacidade produtiva nova e em produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola de cana de a\u00e7\u00facar. O crescimento da venda de autom\u00f3veis vem se mantendo acima de 11% ao ano desde 2008, enquanto a produ\u00e7\u00e3o de etanol no pa\u00eds ficou praticamente estagnada no mesmo per\u00edodo: 27,1 bilh\u00f5es de litros em 2008 contra 27,9 bilh\u00f5es de litros em 2011. Ou seja, um crescimento de apenas 1,5% ao ano.<\/p>\n<p>Tribuna &#8211; E qual o cen\u00e1rio para os pr\u00f3ximos anos?<br \/>\nCarlos Gilberto &#8211; Eu diria que n\u00e3o muito animador. Em 2015, estima-se que a nossa demanda interna por etanol ser\u00e1 de um pouco mais de 40 bilh\u00f5es de litros, enquanto a produ\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser de 28 bilh\u00f5es \u2013 um d\u00e9ficit de 12 bilh\u00f5es. Portanto, o cen\u00e1rio \u00e9 um tanto quanto sombrio.<\/p>\n<p>Tribuna &#8211; E quais os fatores que determinaram essa situa\u00e7\u00e3o?<br \/>\nCarlos Gilberto &#8211; S\u00e3o diversos, como o clima, a mecaniza\u00e7\u00e3o da lavoura \u2013 as perdas s\u00e3o muito grandes na fase de implanta\u00e7\u00e3o \u2013 e o saldo da crise financeira internacional de 2009. As empresas aceleraram as vendas de etanol durante a safra, o que deprimiu fortemente os pre\u00e7os. Os produtores de etanol do Brasil tiveram nove anos sem corre\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o, arcando com o custo Brasil porque o Governo Federal segurou os valores da gasolina e de derivados para conter a infla\u00e7\u00e3o. Com isto, todos os empres\u00e1rios e investidores mundiais deixaram de investir exatamente pela pouca rentabilidade do setor.<\/p>\n<p>Tribuna- E h\u00e1 esperan\u00e7as para o setor?<br \/>\nCarlos Gilberto &#8211; Esperan\u00e7a, j\u00e1 diz o dito popular, \u00e9 a \u00faltima que morre. Somos otimistas, al\u00e9m do mais trabalhamos com um combust\u00edvel avan\u00e7ado, que \u00e9 provado que reduz a emiss\u00e3o de di\u00f3xido de carbono (CO2). O etanol de cana de a\u00e7\u00facar reduz a emiss\u00e3o de CO2 em 61% quando comparado \u00e0 gasolina. Ent\u00e3o, \u00e9 um combust\u00edvel limpo e futurista.<\/p>\n<p>Tribuna &#8211; E a produ\u00e7\u00e3o de etanol na Bahia pode ser incrementada rapidamente?<br \/>\nCarlos Gilberto &#8211; Temos cinco usinas sucroenerg\u00e9ticas (Unial, Santa Maria, Santa Cruz, Ibiralcool e Agrovale), que juntas produziram na safra 2012\/13 cerca de 3,78 milh\u00f5es de toneladas de cana, 114,4 mil toneladas de a\u00e7\u00facar e 220 milh\u00f5es de litros de etanol, o que representa t\u00e3o somente 20% do consumo do Estado. H\u00e1 estudos que falam na utiliza\u00e7\u00e3o de 30 mil ha de terra \u00e0s margens do Rio S\u00e3o Francisco para plantar a cana irrigada e produzir 260 milh\u00f5es de litros de \u00e1lcool combust\u00edvel e gerar 96 MW de energia com a queima do baga\u00e7o. H\u00e1 grandes projetos no munic\u00edpio de S\u00e3o Desid\u00e9rio\/BA, onde a Multigrain investe R$ 570 milh\u00f5es no plantio de 30 mil ha de cana irrigada com \u00e1gua do rio Guar\u00e1. J\u00e1 a coreana Celltrion projeta investir R$ 500 milh\u00f5es no plantio de\u00a0 27 mil ha de cana em Barra\/BA, para plantio de cana e produ\u00e7\u00e3o de 1,3 milh\u00e3o de litros de etanol\/ano. Mas para tudo isso sair do papel, o cen\u00e1rio tem que mudar pra melhor.<\/p>\n<p>Tribuna &#8211; O Governo do Estado tem contribu\u00eddo para o aumento da produ\u00e7\u00e3o de etanol?<br \/>\nCarlos Gilberto &#8211; O governo baiano criou uma pol\u00edtica de incentivos fiscais para a produ\u00e7\u00e3o de etanol no Estado, com percentuais de abatimento da carga tribut\u00e1ria entre 4,5% e 18% sobre o ICMS, conforme o tipo de \u00e1lcool produzido, sua destina\u00e7\u00e3o e a localiza\u00e7\u00e3o da empresa. E isso tem estimulado a cria\u00e7\u00e3o desses projetos que mencionei anteriormente.<\/p>\n<p>Tribuna- Saindo um pouco da seara da cana de a\u00e7\u00facar e do etanol, o Sr. pretende mesmo se candidatar \u00e0 presid\u00eancia da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado da Bahia?<br \/>\nCarlos Gilberto &#8211; Sim, sou candidato. Na elei\u00e7\u00e3o anterior, retirei a minha candidatura para que a FIEB ficasse unida em torno do atual presidente, Jos\u00e9 de Freitas Mascarenhas, eleito em abril de 2010 e que j\u00e1 presidiu a entidade por 10 anos, entre 1992 e 2002. E quero ressaltar que Mascarenhas o fez com muita seriedade e compet\u00eancia. Mas precisamos oxigenar a principal entidade de classe da Bahia, cuidando n\u00e3o s\u00f3 dos interesses dos grandes grupos, mas, principalmente, dos m\u00e9dios e pequenos industriais, que est\u00e3o instalados, em sua maioria, no interior da Bahia. Desta vez vou at\u00e9 o fim, porque n\u00e3o sou candidato de mim mesmo, mas da maioria das lideran\u00e7as empresariais baianas que querem a mudan\u00e7a, que tamb\u00e9m acreditam que a Bahia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 litoral.<\/p>\n<p>Tribuna &#8211; E o fato de ser um industrial do interior, de Juazeiro\/BA, o credencia a usar a bandeira da interioriza\u00e7\u00e3o da FIEB?<br \/>\nCarlos Gilberto &#8211; Sou alagoano, mas estou na Bahia, na Agrovale, em Juazeiro\/BA, h\u00e1 40 anos. Ent\u00e3o, meu sucesso empresarial, minha fam\u00edlia, enfim, minha vida, eu constru\u00ed na Bahia. Sou t\u00e3o juazeirense como as carrancas do Velho Chico. E como empres\u00e1rio baiano, que vive no interior da Bahia, sei das dificuldades que passa uma empresa instalada no interior, longe dos c\u00edrculos do poder da capital. Se \u00e9 dif\u00edcil para uma empresa com o porte da nossa, imagine para os m\u00e9dios e pequenos empres\u00e1rios. A interioriza\u00e7\u00e3o e a desconcentra\u00e7\u00e3o industrial t\u00eam que ser feitas no Brasil. O Estado da Bahia n\u00e3o tem mais capacidade financeira para enfrentar uma guerra fiscal, concedendo isen\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias. Desenvolver o interior e as regi\u00f5es mais pobres do Brasil \u00e9 um dever do Governo Federal e deve ser o fruto de uma pol\u00edtica clara de desenvolvimento regional.<\/p>\n<p>Tribuna &#8211; Algumas pessoas ainda lembram o fato de o Sr. ser irm\u00e3o de PC Farias para descredenci\u00e1-lo dessa pretens\u00e3o de presidir a FIEB, embora o Sr. seja atualmente vice-presidente dela? Como o Sr. encara isso?<br \/>\nCarlos Gilberto &#8211; Como um ato de desespero e como uma maldade. Meu irm\u00e3o, que inclusive j\u00e1 n\u00e3o mais vive entre n\u00f3s, est\u00e1 no meu cora\u00e7\u00e3o, porque o sentimento de fraternidade \u00e9 imperec\u00edvel. Os erros que porventura cometeu, ele j\u00e1 pagou. Agora, eu sou outra pessoa, com outra personalidade, com outro comportamento. Tenho 40 anos de servi\u00e7os prestados \u00e0 Bahia e aos baianos como verdadeiro industrial, como empres\u00e1rio que sabe das dificuldades de se manter de p\u00e9, no dia a dia, uma empresa. Sobre o meu comportamento, a minha honestidade, indaguem a um dos meus 4.260 companheiros de trabalho da Agrovale. Ou aos presidentes dos sindicatos industriais, ou ainda aos governadores Paulo Souto, C\u00e9sar Borges e Jaques Wagner. E n\u00e3o foi \u00e0 toa que recebi, em 1982, o t\u00edtulo de Cidad\u00e3o Baiano, concedido por unanimidade pela Assembleia Legislativa, que tamb\u00e9m me outorgou a Comenda Deputado Lu\u00eds Eduardo Magalh\u00e3es. Recebi tamb\u00e9m a Comenda do Grande M\u00e9rito Industrial da FIEB\/CNI e a Medalha Norberto Odebrecht, outorgada pelo Rotary Club da Bahia. E uma pergunta que n\u00e3o quer calar: se a minha hist\u00f3ria \u00e9 p\u00fablica e me permitiu chegar \u00e0 vice-presid\u00eancia da FIEB, por que n\u00e3o posso aspirar presidi-la?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O etanol, que voc\u00ea usa puro no seu autom\u00f3vel flex, ou que vem misturado na gasolina, vive uma crise existencial. Desde 2008, nenhuma grande usina para a produ\u00e7\u00e3o de\u00a0 etanol foi constru\u00edda e 41 unidades de produ\u00e7\u00e3o est\u00e3o paradas no Brasil. 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