{"id":190577,"date":"2017-04-30T06:50:26","date_gmt":"2017-04-30T09:50:26","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=190577"},"modified":"2017-04-30T06:50:26","modified_gmt":"2017-04-30T09:50:26","slug":"veredas-e-sertoes-manoelzao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/veredas-e-sertoes-manoelzao\/","title":{"rendered":"Veredas e sert\u00f5es: Manoelz\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"td-post-header\">\n<header class=\"td-post-title\">\n<h1 class=\"entry-title\"><\/h1>\n<div class=\"td-module-meta-info\">\n<div class=\"td-post-author-name\">\n<div class=\"td-author-by\">Por\u00a0<a href=\"https:\/\/osdivergentes.com.br\/author\/orlandobrito\/\">Orlando Brito<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<\/div>\n<div class=\"td-post-sharing td-post-sharing-top td-with-like\"><\/div>\n<div class=\"td-post-content\">\n<p>Depois que publicou \u201cSagarana\u201d, Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa foi visitar um primo que tinha terras perto do Rio S\u00e3o Francisco. Foi nessa viagem, em 1952, que o escritor e diplomata conheceu o vaqueiro Manoel Nardy, capataz e cozinheiro das tropas de boiadeiros que viajavam pelos sert\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/veredas-e-sertoes-manoelzao\/manuelzao-orlando-brito-696x483\/\" rel=\"attachment wp-att-190578\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-190578\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Manuelz\u00e3o-Orlando-Brito-696x483-620x409.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"409\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Manuelz\u00e3o-Orlando-Brito-696x483-620x409.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Manuelz\u00e3o-Orlando-Brito-696x483-300x198.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Manuelz\u00e3o-Orlando-Brito-696x483-70x45.jpg 70w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Manuelz\u00e3o-Orlando-Brito-696x483-160x106.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Manuelz\u00e3o-Orlando-Brito-696x483.jpg 637w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Rosa percorria o interior de Minas Gerais para colher hist\u00f3rias e refer\u00eancias para livros futuros. N\u00e3o abriu m\u00e3o da companhia daquele magrelinho astuto que trabalhava na fazenda do primo. Ao longo das jornadas a cavalo, o boa-pra\u00e7a Manoel revelou-se mais que um guia de caravanas. Transformou no s\u00e1bio personagem Manoelz\u00e3o de \u201cGrande Sert\u00e3o, Veredas\u201d e \u201cCorpo de Baile\u201d.<\/p>\n<p>Como foi \u2013 <em>1991. Recebi o pr\u00eamio de fotografia da Funda\u00e7\u00e3o Vitae, de S\u00e3o Paulo, uma bolsa que me permitia retratar e entrevistar oitent\u00f5es e novent\u00f5es famosos, brasileiros queridos e de respeito. E assim, para resolver o livro \u201cSenhoras e Senhores\u201d, estive com M\u00e1rio Lago, Rachel de Queiroz, Dom H\u00e9lder C\u00e2mara, Jo\u00e3o Cabral de Mello Neto, Dercy Gon\u00e7alves, Orlando e Claudio Villas-Boas, Z\u00e9 K\u00e9ti, Henriqueta Brieba, M\u00e1rio Quintana e outros cinquenta expoentes de nossa cultura. Decidi que em todas as fotos, um tecido vermelho faria parte da pose. Eu queria dar mais cor e movimento ao trabalho, de maneira que a pe\u00e7a muda de lugar em cada uma das imagens. Numa, \u00e9 pano de fundo, noutra tapete, forro de cama, toalha de mesa etc.<\/em><\/p>\n<p><em>E agora chegava a hora de estar com Manoel Nardy.<\/em><\/p>\n<p><em>Manoelz\u00e3o morava na pequenina cidade de Andrequic\u00e9, a 200 quil\u00f4metros de Belo Horizonte. Fui at\u00e9 l\u00e1 fotograf\u00e1-lo, pouco antes de sua morte, aos 93 anos. Por ter a fama de ser inspirador e personagem liter\u00e1rio dos mais importantes livros de Guimar\u00e3es Rosa, esperava encontrar um sujeito cheio de emp\u00e1fia e soberba. Que nada! Era exatamente o contr\u00e1rio.<\/em><\/p>\n<p><em>Poucas vezes vi exemplo de singeleza e simplicidade. T\u00edpico mineiro. Retra\u00eddo, reservado, fala mansa, comedido. Franzino, botinas de couro cru e chap\u00e9u de feltro. Caminhava com o aux\u00edlio de um cajado de madeira. As longas barbas brancas e o temperamento sereno faziam lembrar a figura de um eremita.<\/em><\/p>\n<p><em>Quando perguntei a Manoelz\u00e3o sobre estar chegando aos 90, ele respondeu-me com a sabedoria que adquiriu ao longo de sua vida de caminhadas pelo interior:<\/em><\/p>\n<p>\u2013 Gente nova tem for\u00e7a. Gente velha tem jeito.<\/p>\n<p>Orlando Brito<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa foi visitar um primo que tinha terras perto do Rio S\u00e3o Francisco. 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